Sombra
A verdade é que depois de ter voltado do acampamento de Renly ele a vê a todo o momento; no Grande Salão de Correrio, nos corredores, no Septo, todos os lugares em que seus olhos são capazes de atingir.
Robb Stark sabe que ela não está realmente ali, mas é como se estivesse. Cada corredor que dobra, cada passo que ecoa traz uma lembrança de Margaery Tyrell, e doi, doi saber que agora talvez ela esteja envolvendo Renly com seus braços, abraços, beijos e carinhos.
E de repente as noites tornam-se as maiores aliadas e inimigas do Jovem Lobo. Com o silêncio instaurado ele consegue visualizar melhor a figura dela, principalmente na última refeição que faz. Gosta de partilhar a mesa do jantar com Margaery, de vê-la levar a taça de vinho aos lábios, de ouvi-la rir. E Robb sorri de volta, agindo com extrema cortesia para a convidada que está presente somente em pensamento. Quando se ergue da mesa e percebe que ela não está ali, a noite mostra-se uma amiga traiçoeira, pois ao mesmo tempo em que dá o Jovem Lobo o que este mais deseja, toma de volta e sem remorso o que ele nunca chegou a ter realmente.
Mas o pior de todos os momentos, ele acha, é a hora de dormir. Deitado naquela imensa cama de casal, Robb Stark vira-se para o lado apenas para encontrá-la novamente. Os olhos castanhos de Margaery estão fixos nos azuis do Jovem Lobo, que sorri cansado. Tem vontade de tocá-la, mas sabe que não é possível. Irritado com o impedimento, Robb fecha os olhos, afastando lentamente aquela sombra de sua cama, de seus pensamentos, de sua vida.
Quando reabre os olhos, ela não está mais lá, mas ele sabe que ela vai voltar, afinal, a sombra de Margaery Tyrell nunca fica longe por muito tempo. E só os deuses sabem como ele agradece por isso.
Rosa
