Capítulo II - Hatred

"O ódio tem melhor memória do que o amor." - Honoré de Balzac

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Naruto corria apressadamente e logo já estava fora da cidade. Chegaria em Konoha por volta da uma da manhã. Estava correndo a quase duas horas, quando ouviu o som de uma respiração assustada; a Hyuuga estava acordada. Parou de correr e a colocou no chão. Começou a encará-la esperando que ela estivesse pronta para começar a andar.

Hinata apenas encarou Naruto, ainda estava com medo de que ele estivesse com raiva. Mas viu que seus olhos estavam indiferentes, e suspirou aliviada. Pelo menos ele não tentaria matá-la. Estava com fome e cansada, mas acabou acordando pelo movimentou e levou um susto ao ver que alguém a carregava. Só depois de alguns segundos percebeu que se tratava Naruto.

— Podemos p-passar a noite aqui? — Hinata perguntou temerosa. Não queria ver o loiro com raiva novamente.

—Por que? — perguntou num tom indiferente.

— Porque eu ainda estou cansada e acho mais prudente nós dormimos aqui, e quando amanhecer, seguir viagem até Konoha. — deu os ombros timidamente ao terminar de falar.

— Tanto faz. — Naruto murmurou olhando a sua volta. Estavam no meio de uma estrada de terra e uma floresta começava a Leste. Começou a caminhar em direção a floresta. O meio de uma estrada não era o melhor lugar para se dormir.

Hinata começou a seguir Naruto devagar, ainda se sentia fraca. Naruto olhou para trás e viu que a Hyuuga estava muito longe, foi até ela bufando e a pegou pelo braço.

— Garota lerda... — murmurou baixo, mas a Hyuuga ouviu.

— Eu não sou lerda!

Naruto apenas ergueu o olhar e a encarou dando um sorriso de canto debochado. Pelo visto a Hyuuga não era tão boba como ele achava que fosse. Já Hinata não entendeu o motivo daquele sorriso de canto, mas achou melhor um sorriso como aquele do que o ódio em seu olhar. Os dois continuaram andando até a entrada da floresta.

Entaram na floresta e andaram um pouco mais até uma aréa com pouco árvores onde um círculo se formava. Naruto soltou o braço de Hinata e olhou em volta. Aquele lugar era seguro. Se sentou encostado-se em uma árvore e cruzou os braços. Hinata apenas ficou encarando o lugar.

— Eu sei que aqui não é o lugar mais confortável do mundo, mas é o único que temos no momento. Se encoste em algo, ou faça o que você quiser e durma. — Naruto disse fechando os olhos. Apesar de não demonstrar, estava cansado.

Hinata encarou o lugar mais alguns minutos. Ela não estava se preocupando com o conforto, cansada do jeito que estava dormiria em qualquer lugar, mas estava com medo daquele lugar. A Lua estava alta no céu e a única coisa que ela conseguia enxergar eram as copas das árvores e o rosto de Naruto que estava iluminado pela Lua.

Andou devagar pelo chão, tentando não tropeçar em nada. Não sabia dizer como Naruto conseguiu andar ali tão despreocupadamente.

"Talvez ele esteja acostumado com esse tipo de local." pensou ela dando os ombros.

Andou um pouco mais até se sentar no chão com certa dificuldade. E a única coisa que ela via era o rosto de Naruto. Tentou se deitar no chão, mas viu que haviam pedras naquela local. Ela não conseguiria achar outro lugar com a escuridão que estava. Se levantou e caminhou devagar até Naruto, mas parou ao percerber que ele já estava dormindo.

Contudo se ele estava dormindo o lugar era um tanto confortável. A Hyuuga ficou na dúvida se o acordava ou não, mas decidiu que era o certo a fazer. Se agachou ficando na altura do loiro.

— N-Naruto-san. — tocou o braço do loiro com delicadeza, não querendo acordá-lo imediatamente, mas Naruto abriu os olhos ao sentir seu toque. Hinata se assustou e recolheu o braço.

Naruto franziu a testa para a garota a sua frente. Não estava verdadeiramente dormindo, mas acordou ao sentir um toque suave em seu braço e alguém chamando-o pelo nome. Ele não havia dito o seu nome à ela, então como sabia? Ninguém o chamava assim, a não ser Jiraya e Tsunade.

— O que foi? — perguntou indiferente.

— Posso me sentar ao seu l-lado?

— Por que?

— Bem... Está muito escuro, e eu não consigo encontrar um lugar para dormir... — disse olhando para baixo. Naruto deu de ombros. Mas percebeu que a Hyuuga não havia visto pois estava olhando para baixou. Suspirou e puxou o rosto dela com o dedo. Hinata se assustou quando Naruto puxou o seu rosto pensando que ele fosse fazer algo, mas Naruto apenas acenou um "sim" com a cabeça. — Obrigada. — disse desviando o olhar.

Naruto tornou a cruzar os braços e fechar os olhos. Hinata se encostou na árvore o mais distante que pode de Naruto, não querendo incomodá-lo, fechou os olhos e logo dormiu.

O Uzumkai não conseguiu dormir novamente e começou a pensar em tudo que havia acontecido em seu dia. Principalmente no que a Hyuuga lhe dissera. Obrigada. Uma palavra por tantas vezes insignificante, mas que de algum modo lhe instigava. Ninguém nunca tinha lhe agradecido por algo em toda a sua vida, e no mesmo dia a Hyuuga lhe agradecera duas vezes.

"Obrigada pelo que?" questionava a si mesmo.

Por ele tê-la resgatado? Aquilo não fora nada. Ela era sempre resgatada, já que sempre era sequestrada por causa do dinheiro de seu pai. Com certeza ela já havia falado obrigada a todos os ninjas que a salvaram. Então aquilo não deveria ter importância para ele. Era uma palavra que ela usava constantemente, mas por que aquilo se tornara importante? Ele nunca fez nada de bom para ser agradecido afinal, sempre fora o monstro. Não merecia aquilo.

Naruto sentiu um peso em seu ombro e olhou para o lado e vendo a Hyuuga de olhos fechados. Sua cabeça estava repousada em seu ombro. Bufou irritado e começou a chacoalhá-la pelo ombro.

— Hei... Garota, acorda. — disse alto o suficiente para que ela acordasse.

Hinata abriu os olhos vagorosamente. Percebendo que havia dormido e que estava encostada à Naruto. Desencostou-se dele no mesmo instante o olhando com sono.

— Desculpe... — murmurou baixo sorrindo um pouco — Acho que eu dormi.

Naruto bufou dando um pequeno sorriso sarcástico.

— E eu tenho certeza. — disse irônico. Hinata riu e se reencostou na árvore novamente. Ainda estava com sono e sem demorar muito dormiu. Naruto percebendo que a Hyuuga havia dormido novamente fechou seus olhos. O sono rapidamente chegou e então dormiu.

(...)

Os olhos azuis abriram-se conforme sentiram a clariadade sobre si. Automaticamente o loiro cobriu os olhos com a mão e resmungou baixo. Deveriam ser 8 horas da manhã. Sentou-se no chão e depois ficou em pé. Viu a Hyuuga deitada no chão ainda dormindo. Queria chegar logo à Konoha, e não estava com paciência para esperá-la acordar. Foi até a Hyuuga e começou a chacoalhá-la pelo ombro novamente.

— Acorda. — disse alto. Hinata abriu os olhos e se sentou devagar. Naruto a ajudou a levantar puxando-a pelo braço.

Com a luz matinal Naruto pode observá-la melhor. Hinata era uma bela moça. Tinha olhos perolados, cabelos azulados até a metade das costas e curvas delineadas que não eram possíveis se ver pelo kimono que ela usava. Hinata bocejou observando Naruto. Apesar da indifrença presente em sua face, ele era bonito. Era alto e possuía cabelos loiros rebeldes, que apontavam para todos os lados. Olhos azuis que mais pareciam uma imensidão como o mar, que ela teve certeza que poderia ficar olhando por horas a fios, já que sequer conseguia tirar seus olhos dali. Podia ver também alguns músculos de seu toráx definidos sob a camisa preta que usava percebendo que ele possuia um corpo definido.

— Ohayo. — Hinata disse por educação, corando com seus pensamentos.

— Ohayo...? — Naruto indagou por não estar acostumado com cumprimentos matinais tornando seu bom dia em uma pergunta. — Vamos logo, quero chegar em Konoha o mais rápido possível.

Naruto disse arrastando a voz como se estivesse entediado e deu as costas começando a andarem seguida. Hinata tentou o seguir, mas sentia-se fraca pois não comia nada há dias. Tentou dar alguns passos, mas acabou deseiquilibrando-se e iria cair no chão, mas Naruto foi mais rápido e a segurou.

— Obrigada. — susurrou.

— Vamos logo. — Naruto disse bufando em seguida e logo começou a puxar Hinata pelo braço.

Hinata apenas se deixava ser arrastada, estava muito fraca e cansada, mal via por onde andava. Naruto estava começando a ficar irritado com a lerdeza da Hyuuga, ele não queria carregá-la, mas também odiava caminhar tão devagar. Ele sabia que ela estava com fome, mas não havia nenhum restaurante por perto, e mesmo que tivesse, ele não havia trazido dinheiro. Bufou conformando-se a suportar a lerdeza da Hyuuga.

(...)

Já estavam andando a três horas. Se estivesse sozinho, Naruto já teria chegado a Konoha à uma hora e meia. Hinata não estava mais aguentando de fome e sentia que a qualquer momento desmaiaria, mas não queria dizer nada para Naruto. O loiro a olhou para e percebeu que ela começava a fechar os olhos, a pegou antes que caísse no chão.

— Que ótimo! — exclamou irritado. Pegou a Hyuuga desacordade em seus braços e começou a correr. — Tsunade, você me paga.

Em menos de uma hora Naruto chegou a Konoha. Ele correu o mais rápido que pode, queria ter uma conversa com Tsunade. Estava com raiva por ela ter lhe dado aquela missão. Ele nunca demorou tanto para terminar uma missão, como havia demorado aquela. Quando passou pelos portões de Konoha continuou em direção ao prédio da Hokage. Ele corria velozmente e as pessoas mal conseguiam vê-lo, e muito menos ver que ele carregava a Hyuuga.

Quando Naruto estava perto do prédio, parou de correr. Estava irritado com Tsunade e havia se esquecido de que carregava a Hyuuga em seus braços, a razão de seus problemas. Passou pelos guardas que o olharam surpresos e com medo ao mesmo tempo, mas ignorou como sempre fazia. Entrou no prédio e se direcionou a sala da Hokage. Quando iria entrar, Jiraya abriu a porta.

— Yo! Naruto, como vai você? — seus olhos pousaram na Hyuuga desacordada. — E quem é essa belezinha?

— Hinata Hyuuga. — respondeu sem paciência. Queria conversar logo com Tsunade.

— A que foi sequestrada? — Naruto apenas concordou — Certo. E onde está o seu time?

— Não apareceram.

— Com medo de você?

— É o que parece... — Jiraya deu um sorriso mal feito.

— Idiotas. — Jiraya murmurou.

— Claro. Posso entrar agora? — Naruto perguntou sem paciência.

— Sabe o que é toda essa raiva Naruto? — Naruto apenas negou com a cabeça. — Falta de liberação de testosterona!

— Vai se ferrar Ero-Sennin. — Naruto disse irritado passando por Jiraya.

— É verdade... Está escrito! — gritou.

Naruto entrou num instante sem nenhuma cerimônia na sala de Tsunade.

— Por que tanta raiva, Naruto? — Tsunade perguntou olhando para os relatórios na sua mesa. Ela sabia que era Naruto. Apenas ele entrava sem bater em sua sala. — É por causa daqueles ninjas que não apareceram para cumprir a missão? Eu já falei com eles, e... — seus olhos finalmente pousaram em Naruto — Hinata Hyuuga? Por que ela está desacordada? E ela está sendo carregada por você? E por que a trouxe na minha sala?

— Está desacordada, porque não come há alguns dias. Está sendo carregada por mim, porque está desacordada. E está na sua sala, porque agora ela é problema seu. — Naruto disse colocando a Hyuuga em uma poltrona no canto da sala.

— Shizune. — Tsunade chamou a sua ajudante.

— Sim, Tsunade-sama? — Shizune indagou.

— Avise os Hyuugas que Hinata já foi resgatada.

— Certo Tsunade-sama. — Shizune falou fazendo uma breve reverência. Saiu da sala deixando os dois a sós.

— E por que toda essa raiva, Naruto? — Tsunade perguntou encarando o loiro.

— Mas que merda de missão é essa que você me deu? — Naruto gritou irritado.

— Shh! Não grite, irá acordá-la.

— Dane-se.

— Passam-se os anos, e você continua o mesmo grosseiro de sempre.

— Não estamos discutindo minha grosseria aqui. E sim os motivos da missão. — Naruto disse irritado. Tsunade sorriu de canto.

— Você está certo. Estamos discutindo os motivos de eu ter lhe dado essa missão... Bem, eu lhe dei essa missão porque eu achei que era hora de você fazer alguma missão nova.

— E por que justo essa?

— Ora, por que ela era uma missão de rank B, e eu achei que você fosse capaz.

— Tsunade, eu juro que se você me der uma missão como essa novamente, onde eu tenha que aturar outra pessoa chata, eu não respondo por mim.

— Toda essa raiva por causa de uma missão? — Tsunade perguntou franzindo o cenho — Ou é por que você não tem uma namorada? — Naruto apenas a encarou cerrando os punhos. — O que? Está escrito!

— Eu vou embora, antes que eu perca o controle. — Naruto deu as costas.

— Você não pode ir embora. — Tsunade disse se levantando.

Naruto deu meia volta.

— Como assim não posso?

— Eu tenho que sair.

— E o que eu tenho a ver com isso? — Naruto perguntou cruzando os braços.

— Bem, alguém tem que ficar cuidando da Hinata, até que um dos Hyuugas apareça para buscá-la. E você vai fazer isso.

— Eu não vou ficar. A Shizune que fique.

— Não, a Shizune irá comigo. — Tsunade disse passando por Naruto. — A missão é sua. Você que cuide dela.

— Tsunade... — Naruto murmurou num tom agastado, mas Tsunade já havia saído.

— Ja ne, Naruto. — Tsunade disse já do outro lado da porta.

Naruto cerrou os punhos querendo bater em algo. Ainda estava com raiva de Tsunade. Além de lhe dar aquela missão, ainda o deixou cuidando da Hyuuga. Suspirou irritado tentando se acalmar. Ele não poderia fazer nada no momento, a não ser esperar. Mas teria sua conversa com Tsunade.

Virou-se irritado para encarar a Hyuuga. Ela ainda estava desacordada. Se encostou na mesa de Tsunade para esperar. Cerca de trinta minutos se passaram e nenhum Hyuuga havia aparecido. O resto de paciência que o loiro possuía tinha já havia esgotado. Ele queria ir logo para casa. Precisava treinar para descontar a raiva que estava sentindo, em algo produtivo. Fitou a porta ao ouviu o som de alguém batendo na mesma.

"Finalmente." pensou.

Abriu a porta e viu um homem que possuia os mesmos olhos perolados de Hinata, concluindo que ele era um Hyuuga.

— Meu nome é Hyuuga Ne... — Neji começou a falar, mas Naruto passou reto por ele indo embora.

Neji se virou e olhou para as costas do homem que acabara de sair da sala da Hokage. Ele definitivamente não o conhecia. O jovem Hyuuga olhou para a sala da Hokage e viu que apenas Hinata estava lá, desacordada em uma poltrona. Não sabia se deveria esperar a Hokage voltar, para poder ir embora, mas achou melhor esperar que pelo menos Hinata acordasse, para lhe contar o que havia acontecido. E principalmente para lhe dizer quem era aquele homem que passou com tanta brutalidade por si.

(...)

Naruto saiu do prédio da Hokage o mais rápido que pode. Finalmente iria para sua casa. Andou pelas ruas de Konoha e se lembrou de que não havia comido nada e decidiu comprar algo antes de voltar para casa. Porém lembrou-se de que estava sem dinheiro. Mas decidiu que iria comprar algo fiado. Os olhares que as pessoas lançavam para si eram os mesmos de sempre, e o loiro apenas os ignorou. Caminhou por algum tempo entrando no primeiro restaurante que viu.

— Boa dia em que posso... — a atendente começou a falar sorrindo forçado, como de costume, mas seu sorriso esvaziou-se quando notou quem era seu cliente. Arregalou os olhos com medo. Naruto apenas esperou, sem a menor paciência, que a atendente terminasse de falar.

A atendente não sabia o que fazer. Não sabia se o atendia ou não. Se o atendesse, os clientes do restaurante sairiam se não o atendesse, ele provavelmente ficaria com raiva. Em meio ao debate pessoal da atendente, Naruto apenas a fitava. Estava sem paciência e com fome e decidiu falar primeiro.

— Eu gostaria de saber se vocês vendem fiado. — Naruto disse indiferente.

— F-fiado? — a atendente se surpreendeu com a pergunta. — C-claro. Nós vendemos.

— Eu quero um rámem para viagem.

— C-certo. — a antendente se atrapalhou com o bloco e acabou o derrubando do outro lado do balcão. Naruto pegou o bloco e o estendeu a atendente, mas apenas o fitava.

— Pode ficar tranquila... Eu não tenho nenhuma doença contagiável. — Naruto disse dando um sorriso debochado. Mas por dentro sentia raiva daquela atendente. Pelo mesmo motivo que teve raiva da Hyuuga no dia anterior: o odiar sem motivo algum.

A antendente pegou o bloco e anotou seu pedido. Olhou em volta do local percebendo que alguns clientes começaram a reconhecer Naruto. Pediu ao cozinheiro que fizesse o rámen o mais rápido possível e em menos de cinco minutos o pedido do uzumaki estava pronto. A atendente o entregou a Naruto.

— Você já sabe quem eu sou. — murmurou Naruto num tom morto. — À tarde eu venho pagar. — disse pegando o alimento e saindo do estabelecimento.

A atendente não fez questão de anotar o seu nome, ela mesma pagaria o que ele comprou com o seu dinherio. O seu chefe acabaria a demitindo por ela ter permitido que o portador da Kyuubi comprasse algo em seu restaurante. E ainda por cima, ficasse devendo.

Naruto chegou em seu apartamento e abriu a porta fechando-a atrás de si após entrar. Tirou seus sapatos e sua bandana e a colocou sobre a mesa. Sentou-se abrindo o pacote. Começou a comer o rámen, sem sentir o gosto. Não estava prestando atenção no que comia. Sua mente lhe levava para longe dali.

Os acontecimentos dos últimos dias apenas confirmaram seus pensamentos. Em um certo ponto de sua vida, mais ou menos aos 17 anos, passou a pensar na possibilidade de tentar fazer algumas amizades, tentar ser menos odiado. Contudo o Uzumaki nunca colocou esse penssamento em prática ou ao menos tentou tentou colocá-lo. Mas nesses últimos dias confirmou o que já sabia. Ele não deveria se envolver com ninguém. As pessoas nunca o aceitariam, mesmo que ele mostrasse o seu verdadeiro eu. A boa pessoa que ele era. As pessoas sempre veriam um monstro antes de enxegar Naruto.

Naruto bateu o punho na mesa com força. Fazendo com que a mesma tombasse e toda a comida se espalhasse pelo chão. Levantou-se indo em direção a porta calçando seus sapatos. Saiu de seu apartamento apressado, já havia guardado raiva suficiente durante um único dia.

Começou a andar pelas ruas da Vila em direção a uma pequena floresta ao lado Oeste. Chegou na floresta e socou com força a primeira árvore que apareceu na sua frente fazendo com que a árvore caísse no chão. Começou a socar o chão com força, não se importando se aquilo estava ou não o machucando.

Naruto estava descontando toda a sua raiva. Estava pensando em tudo. Em todos os olhares de ódio e de raiva que eram lançados em sua direção, em todas as vezes que fora expulso de lugares, em todas as vezes que fora chamado de monstro. Continuou socando o chão até não ter mais forças. Caiu de bruços no chão e fechou os olhos tentando se acalmar. Mas os os olhares e as palavras não saiam de sua cabeça. Deu mais um soco no chão.

Virou-se e começou a fitar o céu. Estava um lindo dia. O Sol ainda brilhava e haviam poucas nuvens. Ergueu a mão na altura do rosto protegendo os olhos do Sol. Notou que sua mão estava um pouco ensanguentada e colocou seu braço rente ao corpo novamente. Fechou os olhos tentando mais uma vez, como sempre fazia desde os 10 anos de idade, esquecer o mundo à sua volta.