-Hermione, estás aí? – ouvira ao fundo de corredor, enquanto tentava limpar a mesa e a confusão que Hugo causara
- Sim, querido estou aqui, estou só a limpar esta confusão, é a Rebecca veio aqui pedir concelhos e estivemos a tomar chá.
Ron aproximara-se da esposa e beijara-a o que fora um golpe duro no coração de Draco que nesse momento deixara o local silenciosamente. Mesmo sabendo que era um sentimento errado mas sentia-se traído, era idiota e infantil querer algo que nunca lhe pertencera, mas era algo impossível de controlar. Dirigira-se para casa, de coração mais leve apesar de tudo.
Entretanto Hermione acabava de arrumar a livraria, enquanto Ron se encontrava sentado com o filho de ambos a dormir no seu colo. Sabia que Draco já tinha abandonado o local pois encontrara o manto dobrado sobre o balcão, ficara com pena de não se poder despedir, mas se calhar era melhor assim.
Draco olhara para o relógio, passavam vinte minutos das dez, era demasiado cedo para voltar a casa, a mãe dele certamente ainda estava lá na companhia de Astoria, e a ultima coisa que queria fazer naquele momento era servir de ombro de consolo. Sempre lhe custara ver a mãe chorar, era algo que lhe partia o coração. Mesmo em tempos de infância revelara imensas dificuldades em consolar a mãe nos piores momentos.
"Lucius aproximara-se do filho para se despedir, era algo a que Draco já se habituara pois o pai viajara bastante, "Em negócios" dizia ele, querendo poupar o filho a uma realidade mais cruel. Entregara-lhe um seu pendente, que voltaria a devolver no dia em que Lucius voltasse, tal como fizera das últimas vezes. Esse pendente segundo Lucius continha a coisa mais valiosa que tinha seguidamente da família e por isso apenas confiava em Draco para o guardar.
- Filho guarda isto muito bem, até eu voltar, é o mais valioso tesouro que tenho depois de ti. E por favor toma conta da tua mãe por mim.
Assim que o seu pai saiu, Draco deixou as lágrimas escorrerem pelos olhos. Astoria pegou-o ao colo e levou-o para o seu quarto. Tentou-o acalmar cantando uma pequena canção de embalar que acompanhara a família Black durante várias gerações.
I sing a lullaby against the night
I sing a lullaby to you, my child
I'd sing a lullaby
I can't rock you to sleep,
But I can...can hear you weep.
Segundo as histórias que Narcisa ouvira, era música era cantada Arianis Black, bruxa que vivera na idade média, após a morte do seu filho varão, para adormecer o seu segundo filho Phineas. "
Ficara a vaguear as ruas londrinas, envolto em memórias e de coração partido, ver Granger e o marido fazia um sentimento de culpa envolver Draco, que apenas sonhava ter pedido desculpas enquanto podia, ter mudado de atitude sem viver no medo de represálias. Ficava feliz no entanto de ter dado essa oportunidade ao seu filho, apesar de saber que ao contrário de si mesmo, ele teria de enfrentar toda a "maldição", que outrora fora uma benção, que o nome Malfoy lhe trazia. Era normal ler cartas em que Scorpius se queixava da atitude dos seus colegas ao saber do seu apelido. Numa das ultimas cartas escrevera:
"... a vida em hogwarts apesar de tudo não tem sido muito facil, é normal deixarem de falar comigo após saberem o meu apelido, ou até ouvir sussurros e rumores nos corredores. Mas como disse mais vale ter poucos mas óptimos amigos, e felizmente encontrei uma amiga assim. Chama-se Rose e apesar de estar numa casa de Hogwarts diferente, é uma griffyndor, tem-me ajudado bastante e tem sido uma optima companhia..."
Ficava contente pelo filho que conseguira por de parte a diferença de equipas, e os antigos conflitos entre a familia malfoy e a familia Weasley. Encorajava-o na sua amizade, e não deixar que coisas superfulas se metam entre a amizade dos dois.
