Narcisa parou á soleira da porta, tensa de punhos fechados, durante um minuto antes de retomar o caminho, murmorando entre dentes "desde sempre". Draco por seu lado continuou na divisão, procurando qualquer coisa que pudesse indicar a inocência do pai, mas nada o ajudava, apenas encontrava cartas do ministério, de Snape, de outros devoradores da morte.
Wennie viera chama-lo para o jantar, que decorrera num silêncio desagradável, Narcisa parecia desconfortável com a ideia do filho haver descoberto da relação do pai com Severus. Só Astoria parecia confusa com a situação, nunca vira aquela expressão na face da sogra, nem nos olhos de Draco.
Após o jantar Draco foi dormir, no dia a seguir ia aproveitar para uma pausa, eram demasiadas informações, demasiadas novidades ao mesmo tempo. Iria passar certamente pela livraria, lá iria ter algum sossego e uma companhia que não o questionasse nem o julgassem..
Acordara cedo, e aproveitando a sua folga para voltar ao escritório, pegara no amuleto do pai e sentara-se no cadeirão. fixara os seus olhos no quadro do pai, esperando uma unica resposta, mas apenas receba um olhar de repleto de culpa. Draco sentia-se culpado por ter julgado a sua mãe devido à situação de Lucius e Snape, afinal Astoria encontrava-se numa situação parecida e nunca sequer pora em causa manter o casamento dos dois. Astoria no entanto estava em desvantagem pois o sentimento que sentira pela esposa não tinha a mesma intensidade do sentido pela livreira. Irónico, pensava ele, como tendo tanto eles uma educação que defende-se a relaçao apenas entre pessoas de puro sangue, ambos acabaram por se apaixonar por pessoas que de alguma forma comprometiam essa educação, Lucius amara um meio-sangue, e Draco..., Draco apaixonara-se por uma feiticeira filha de mugles. Ouvira um dos quadros chama-lo, era um quadro do seu pai nos tempos de escola acompanhado de Snape, Lucius mantinha na mão o mesmo amuleto que Draco segurara, e gesticulava graciosamente como se lhe tentasse passar alguma mensagem.
Afinal porque seria aquele amuleto tão importante? Conseguiria ele encontrar mais alguma informação do que a que lera nas cartas?
Observava mais atentamente o objecto. Tinha uma forma funicular mas no entanto naturalista tal como o cadeceu mágico que Draco era obrigado a envergar no seu manto em S. Mungus. Uma serpente delicada e altamente ornamentada com pequenos fios de ouro branco que funcionavam como uma especie de hera. Analisou o objecto e detectou uma pequena abertura. Com a varinha batera levemente no objectom e qual foi a surpresa quando os fios de ouro à volta da forma se começaram a mover e a cabeça da cobra do pendente perdeu a cor e revelou ser um deposito de cristal repleto de um liquido cor de prata. Draco ficara suspreso, conseguia identificar o liquido como sendo um conjunto de pensamentos e memorias do seu pai, mas não saberia o que fazer com elas.
Várias questoes invadiram a mente do rapaz, "O que faço agora?"; "Porquê que o meu pai sempre me confiou o pendente?" ; "Que pretendia ele com isso?" mas não tinha nenhuma resposta. Draco nunca usara um pensatório, afinal era um objecto mágico de extrema raridade, e cuja utilização segundo o que ouvira era perigosa. Nunca fora um objecto que lhe causara extrema curiosidade afinal a ideia de mergulhar e ver os pensamentos de outrens nunca lhe agradara, e por essa mesma razão estudara oclumancia para evitar que alguem um dia lesse os seus pensamentos. Via os seus valores eticos serem posto em causa, pois por muito que discurdasse com a leitura de memorias e pensamentos de outros, esta poderia ser a unica forma de provar que o seu pai estava inocente.
Voltara a pousar o pendente no bolso e saira do escritório selando-o com um feitiço, pois aquele local estava repleto de informação que odiaria que visse a luz do dia. Precisava de informações sobre a utilização do pensatório, mas não encontrara nenhum livro em casa com esse tipo de informação.
Decidira fazer uma visita à livraria durante aquela semana, afinal que ser humano poderia saber como usar um pensatório sem ser Granger, além do mais sabia que a rapariga trabalhara no ministerio anteriormente por isso as chances de obter esse tipo de informação eram maiores. Mas apenas iria fazer essa depois do assunto deixar de ser tema de conversa, seria mais seguro investigar sem ter os olhos de toda a comunidade feiticeira postos em si.
Os dias que seguiram a publicação da noticia foram um enorme tormento, todos os dias de manhã era normal ter reporteres à porta tentando sacar alguma palavra sobre o caso. Seguindo para todo o lado obrigando o director de S. Mungos, Dr Alfred Wyn a obrigar Draco a ir de férias pois toda aquela confusão no hospital apenas estava a criar mau estar e a piorar a situação de alguns colegas e pacientes.
Chegara cedo, mesmo antes da abertura da livraria. Mexia o pendente calmamente entre o dedos, com cuidado para não o voltar a abrir e desperdiçar algum do conteudo. Hermione chegara passado quinze minutos carregada com livros. Estava extremamente agasalhada de gorro verde garrafa que realçava o castanho dos seus olhos e um cachecol que lhe tapava o sorriso. Após uma tentativa falhada de retirar a chave do bolso, não hesitou a usar um pouco de magia abrira a porta para entrar. Cumprimentara Draco e pousara os livros sobre a bancada.
-Que te traz aqui tão cedo? - perguntara enquanto dava uma pequena volta à libraria colocando tudo direito para abrir ao publico.
-Preciso de ajuda com um artefacto e não conheço mais ninguém que possa ter informação de como o usar. Mas peço-te por favor que guardes segredo é que é por causa do meu pai, e esta pode ser a unica prova que tenho.
Hermione sentia-se lisonjeada, quem diria que algum dia Draco Malfoy iria admitir derrota perante ela, e pelo facto de confiar nela tendo em conta o passado dos dois e o facto de Hermione ser casada com um membro do ministério. Estava no entanto preocupada, estava a trair a confiança do marido, e certamente Ron não iria gostar de ouvir que ela estava a tentar a inocência de um ex-Devorador da Morte. O olhar de Draco revelara esperança em conseguir limpara o nome da familia, que pelo que Hermione sabia pela filha, estava a dificultar a vida a Scorpius. Convidara-o a sentar-se e perguntara-lhe qual era o artefacto que precisava de saber informação.
-Um pensatório. Apesar de ter um em casa não sei como usa-lo
Os olhos de Hermione arregalaram-se naquele momento. Pensatórios estavam entre os que eram na opiniao dela os artefactos mágicos mais interessantes. As possibilidades de conseguir mostrar memorias, pensamentos de uma maneira "real" e "espacial" fascinavam-na, embora tal como Draco acha-se que tudo aquilo envolvia questões éticas e pessoais que deviam ser postas. Fora à arrecadação buscar um dos seus livros mais raros, "Eu penso rios de prata" de Nikolai Anderson, um feiticeiro que trabalhara no ministério responsavel pelos artefactos mágicos e que vira o seu trabalho ser impedido de ser publicado por conter: "informações que põem em causa a segurança da comunidade mágica e não-mágica". Um exemplar único doado pelo próprio Nikolai a Hermione pouco antes deste se demitir do ministério e passar a trabalhar de forma particular sobre pensatórios. Era um livro maçudo embora de um formato pequeno, que consistia maioritáriamente em esboços e descrições de casos de memórias deturpadas. Existia além disso uma listagem de memórias em poder do ministério num conjunto de folhas soltas, devidamente numerados e identificados, e uma de memórias que lhe tinham pedido pessoalmente para guardar.
Hermione pousara-o na mesa e abrira no primeiro capitulo: "O que é um Pensatório?". Enquanto liam a feiticeira via-se obrigada por vezes a usar magia para mostrar texto que obviamente fora censurado pelo ministério. Umas das vantagens de ter trabalhado para o departamento de leis mágicas era saber os contra-feitiços para os encantamentos de censura a textos.
" O pensatório consiste num artefacto mágico que tem como função guardar recordações. Embora seja comum terem como forma de decoração runas, estas são uma das características essenciais do artefacto, pois nelas reside uma magia antiga que evita que apenas os pensamentos do sujeito cujo foram retirados apenas incluam o que este se lembra e não a cena na sua totalidade. No entanto estas runas podem ser incorporadas noutros tipos de decoração, procurando disfarça-las. ... Ao contrário do que se pensa, e do que o ministério nos leva a querer, pensatórios não são artefactos raros, é comum encontra-los até em pequenas vilas Muggles, sob o nome de fontanários. ... Muitos destes foram construidos durante a idade média como local onde feiticeiros escondiam as memórias retiradas aos Muggles que tinham descoberto a sua identidade. Como local comum aos feiticeiros e Muggles, que lá iriam buscar água para consumo próprio, não causava muita suspeita pois os pensamentos retirados obtêm uma forma liquida e aquosa, embora prateada, coisa que poderia ser disfarçada através de um pequeno feitiço... Actualmente todos os pensatórios conhecidos estão sobre o poder do ministério, e caso pertençam a colecção particular estão registados e o seu uso é controlado e documentado pelo ministério"
