Edward POV.
Eu tinha a certeza que meu celular tocava em algum lugar, mas eu não conseguia distinguir aonde. Afundei minha cabeça ainda mais contra o colchão, tentando puxar o travesseiro para mim, mas havia um peso.
Estranhando, abri meus olhos lentamente.
Acho que eu não havia dormido em casa de novo...
Notei, para confirmar minhas suspeitas, um peso no meu quadril, e lentamente, ao me virar, dei de cara com uma mulher que eu nunca tinha visto. Hmmm... Eu não me lembrava o nome dela.
Levantei, então, tomando cuidado com o braço dela que me segurava, pegando minhas roupas e as colocando rapidamente. Não me preocupei em me olhar no espelho, nem em deixar meu número de telefone.
Saí dali o mais rápido possível, encontrando meu carro na porta do prédio. Adentrei-o e peguei meu celular, deslizando a tecla de bloqueio e me xingando mentalmente.
10 ligações perdidas do meu pai.
- Bom dia, pai – murmurei, enquanto dirigia por Seattle. – Desculpe não ter atendido antes, eu estava dormindo.
- Sei – resmungou. – Então, eu preciso que você passe lá em casa na hora do almoço, preciso conversar com você. Pode ser?
- Claro que sim. Eu vou tomar um banho rápido, passar no meu escritório e depois vou para lá.
- Certo – suspirou. – Até mais tarde, então.
- Até, pai.
Não demorou muito para eu chegar ao meu apartamento. Estacionei meu carro na garagem e me dirigi até o último andar, onde ficava minha cobertura.
Para a minha sorte, eu não estava assim tão atrasado. Não gostava de trazer as garotas com quem dormia para meu apartamento. Não me considerava alguém mulherengo nem nada do tipo. Eu deixava bem claro para todas elas que era apenas uma noite.
E eu realmente esperava encontrar alguém um dia por quem eu fosse me apaixonar.
Tomei um banho rápido e coloquei minha roupa social de sempre do trabalho. Não era como se eu curtisse muito, mas como eu trabalhava como advogado, tinha minhas obrigações.
Segui para meu escritório. Não tinha clientes pela parte da manhã, apenas tinha que rever alguns papéis, mandar para alguns lugares e ajudar em outros.
Na hora do almoço, segui para a casa dos meus pais, que não ficava tão distante da minha.
- Edward!
Eu sorri para a minha mãe, envolvendo-a em meus braços e plantando um beijo na sua testa.
- Senti sua falta, querido – ralhou. – Você devia aparecer mais vezes.
- Desculpe – encolhi os ombros. – O papai já está aqui?
- Estávamos só esperando você chegar para podermos almoçar, querido. – Puxou-me para dentro de casa. – Por que você não vai lavar as mãos, enquanto eu coloco a mesa?
Revirei os olhos, ainda sorrindo. Não importava para minha mãe que eu já tivesse meus 28 anos.
Ela sempre me trataria como criança.
Lavei minhas mãos e segui para a sala de jantar, onde meus pais já estavam. Cumprimentei meu pai com um abraço e me sentei, deliciando-me com o almoço maravilhoso que mamãe sempre fazia.
- Como vão as coisas, querido? – indagou minha mãe.
- Vão bem, eu acho – dei de ombros. – Nada de novo...
- Você tem que arrumar uma namorada boa, filho – continuou. – Eu quero ser vovó logo.
Eu ri.
- Eu quero ser pai também, mãe – disse. – Um dia. Quando eu encontrar a pessoa certa para mim.
Ela assentiu, sorrindo.
- Fico feliz que pense assim.
Minha mãe não deixou que eu e meu pai falássemos de negócio na mesa, então tivemos que esperar até que tivéssemos terminado.
Acompanhei meu pai até seu escritório e me sentei diante de alguns papéis que ele estendeu para mim.
- O que é isso? – perguntei.
- Tem uma clínica aqui em Seattle que está para falir – suspirou, sentando-se na sua poltrona. – Eu estou querendo comprá-la. Peguei os papéis e queria que você desse uma olhada para mim.
Eu li rapidamente, assentindo.
- Uma clínica de fertilidade, sério? – Levantei minhas sobrancelhas.
- Tem casal que é doido para ter filho e não pode, Edward – deu de ombros. – Eu quero ajudar.
- Tudo bem – sorri. – Fico feliz que pense assim, pai. Eu vou levar tudo comigo hoje, analisar e amanhã eu te mando a resposta, pode ser?
- Obrigado.
Permanecemos conversando até que o horário de almoço da gente acabou. Minha mãe seguiu até o escritório dela, onde trabalhava como designer, meu pai voltou para o hospital e eu para o meu escritório.
Durante o começo da tarde, me preparei para uma audiência, então não tive tempo de dar atenção aos documentos que meu pai pedira. Permaneci até mais tarde no escritório, então, onde cuidei disso.
Liguei para ele naquela mesma noite e disse que era, realmente, um bom negócio. Meu pai iria investir muito no início, mas com o tempo, se tudo desse certo, ele iria lucrar e ajudar, como ele queria.
Valia a pena o risco.
- Vou ligar para o dono e informar que vou fechar negócio, então. – Ele me informou. – Você vai comigo quando eu for assinar os documentos?
- Claro que sim, pai – sorri. – A que horas? É só falar. Amanhã não tenho um dia muito cheio.
- Eu vou combinar tudo direitinho e te mando uma mensagem, pode ser? Vou ligar para ele agora.
- Por mim, tudo bem. Vou aguardar sua mensagem, então.
Guardei meu celular no bolso e peguei minhas coisas, rumando para fora do escritório. Hoje eu partiria para minha casa e descansaria por lá mesmo.
Bella POV.
- Sabe o que vamos fazer hoje, Amy? – sussurrei, enquanto dava um banho nela. Ela me olhou com aqueles olhos verdes lindos que ela tinha.
- O que, mama? – perguntou.
- A gente vai dar um passeio e depois, se você quiser, podemos ir ver o vovô. O que acha?
- Êba! – gritou, me fazendo rir.
Eu já estava pronta – vestindo uma blusa de malha comprida preta, calça jeans e uma sapatilha, acompanhada de bolsa e óculos escuros – e fazendo de tudo para não me molhar.
- Pronto – peguei a toalha dela e enrolei. – Que tal uma roupa bem lindinha para ver o vovô?
Eu coloquei um short jeans nela, uma blusinha de malha de frio com uma por cima. Emily sempre se sujava quando ia para a casa do avô, mas mesmo assim coloquei seu All Star branco com rosa. Ela ficava tão linda naquela roupa.
Por fim, penteei seus cabelos, resolvendo deixá-los soltos mesmo. Eu adorava as ondinhas que seus cabelos puxavam, emoldurando seu rostinho redondo.
Ela era linda.
E toda minha.
- Pronta? – Ela assentiu animadamente, então pude puxá-la para o meu colo e levá-la até o meu carro.
Prendi-a em sua cadeirinha e dirigi pelas ruas de Seattle, deixando que as músicas que Amy tanto gostava fluíssem pelo carro.
Eu passeei um pouco no parque com ela e em algumas lojas antes de seguir para a casa do meu pai. Ele abriu a porta com um sorriso enorme no rosto, já puxando Emily para si.
- Olá, princesinha – sorriu. – Veio brincar com o vovô, foi?
Eu revirei os olhos e tossi sutilmente, querendo chamar sua atenção.
- Olá para você também, pai – ri.
- Desculpe, criança.
Nós entramos e eu me sentei no sofá, rindo enquanto via meu pai se sentando no chão com minha filha, como se tivesse a mesma idade que ela.
- Então... Vai ficar o dia todo aqui com a gente? – indagou-me.
- Queria – suspirei. – Mas daqui a pouco tenho que passar no escritório, dar uma olhada em umas papeladas. Estou de férias, mas tenho que fazer isso.
- Pode ir de uma vez, se quiser – sorriu. – Eu vou ficar aqui com ela.
- Tem certeza, pai? – indaguei-o. – Não quero que falte no trabalho...
- Não se preocupe, Bells – revirou os olhos. – Estou de folga hoje, vou brincar com a minha neta. Pode ir.
- Tudo bem.
Eu trabalhava como advogada, tinha meu próprio escritório e auxiliava hospitais e alguns outros lugares. Ganhava bem e não trabalhava muito. Somente o período da manhã e o comecinho da tarde, que era quando Emily estava na escolinha.
Tirava férias quando Emily estava de férias e as coisas caminhavam bem. Só que às vezes eles precisavam de mim lá.
O que era esse caso.
Dirigi, então, até o meu escritório, disposta a resolver esses problemas o mais rápido possível, para voltar para minha filha e meu pai.
- Desculpe-me mais uma vez, Srta. Swan. – Angela, minha secretária, murmurou. – É que esses papéis só podiam ser assinados por você e...
- Está tudo bem, de verdade, Angela – sorri. – E eu já te disse para me chamar de Bella.
Angela era nova aqui. Ela estava fazendo faculdade a noite e precisava de um trabalho na parte da manhã. Era uma boa garota e eu realmente confiava nela.
- Agora que terminamos – continuei sorrindo –, não tem necessidade de você permanecer aqui. Nem precisava ter me esperado, mas obrigada. Pode ir para casa hoje e amanhã, caso não tenha nada agendado, pode tirar o dia de folga.
- Obrigada, Bella – riu. – Boas férias, então. Qualquer coisa, eu ligo.
- Claro.
Eu tranquei o escritório, já que não havia ninguém mais lá e não havia mais nada para ser feito.
- Precisa de uma carona? – murmurei para Angela, assim que a avistei em um ponto de ônibus.
- Não tem necessidade, de verdade.
- Está tudo bem, Angela, te dar carona não vai me atrasar nem nada.
Ela sorriu, agradecendo mais uma vez. Levei-a até sua faculdade e segui novamente para a casa do meu pai.
Ele abriu a porta e tudo o que pude fazer foi revirar os olhos, ao encontrar Emily toda suja em seus braços.
- Pai! – revirei os olhos, rindo. – O que vocês aprontaram?
- Só achei que ela ia gostar de pintar um pouco, criança – deu de ombros. – Nada demais.
- Té tinta, mama? – Minha filha estendeu a mãozinha toda suja de tinta, me fazendo rir.
- Não, querida. – Peguei-a no colo. – Nós já vamos, certo? Dê tchau para o vovô.
Ela resmungou um pouquinho, mas como já era tarde – eu tinha ficado no escritório mais tempo do que previra – logo aceitou, dando um beijo no rosto do avô e esperando para que eu fizesse o mesmo logo depois.
Dirigi até em casa, vendo como ela já estava sonolenta, seus olhos verdes se fechando e abrindo lentamente.
Por isso, assim que chegamos a nossa casa, eu a levei para o banho. Deu trabalho tirar toda aquela tinta, mas logo ela já estava limpa e com seu pijama.
- Pronto – sorri, enquanto colocava a coberta. Ela já havia adormecido.
Eu permaneci alguns minutos ali, observando seu ressonar sereno, o modo como seu peito se movia um pouquinho. Ela era tão linda.
- Boa noite, querida. – Dei um beijo na sua testa. – A mamãe ama você.
Com cuidado, me movi para fora do quarto e encostei a porta, levando a babá eletrônica junto comigo.
Eu tomei um banho rápido também e comi alguma coisa, enquanto assistia a TV. Eu tinha pretendido passar esse dia com Emily, mas ainda tínhamos duas semanas pela frente, antes de eu sair das minhas férias e ela voltar para a escolinha. Ainda havia muita coisa para fazermos juntas.
Bocejei, e decidi que já era hora de eu ir dormir também. Desliguei a TV, lavei minha louça e voltei para o meu quarto, me aconchegando entre as cobertas.
Horas mais tarde, senti um peso leve no meu rosto.
- Mama... – Escutei a voz de Emily e abri os olhos.
- Oi, amor. – Liguei o abajur e me sentei, puxando-a para meu colo. – Aconteceu alguma coisa?
- Quelo dormir com você.
Eu não costumava deixar Emily dormir comigo, mas ela não era de pedir...
- Pesadelo, meu bem? – Ela assentiu e eu suspirei, assentindo. – Mas só hoje, ok?
Aconcheguei-a nos meus braços e sorri, apagando o abajur e colocando a coberta sobre nós.
Minha garotinha.
E não demorou muito para adormecermos.
Edward POV.
Eu me joguei no sofá de casa, somente de cueca. Assim que meu pai me mandasse a mensagem, eu iria dormir.
Provavelmente, teria que acordar bem cedo amanhã.
Senti meu celular vibrar no meu colo não muito tempo depois. Peguei-o e sorri.
Iremos nos encontrar amanhã logo pela manhã. Passe lá em casa por volta das nove. Se não puder, me ligue ~ C.
Eu me levantei do sofá e desliguei a TV, dirigindo-me até meu quarto.
Finalmente, eu poderia dormir.
Acordei no horário no dia seguinte, sem ninguém ao meu lado nem nada do tipo. Levantei-me e rumei-me para o banho, onde coloquei jeans e uma camisa mais social. Domar meus cabelos era algo impossível, então apenas comi alguma coisa e segui a garagem do meu prédio, adentrando meu Volvo s60.
Meu pai estava esperando na porta de casa e pegou uma carona comigo.
- Onde está mamãe? – indaguei.
- Saiu mais cedo com uns clientes para eles olharem umas casas – sorriu.
Nós conversamos até chegarmos até a clínica. O Sr. Tunner já estava lá, junto de seu advogado. Nós adentramos e olhamos tudo – meu pai realmente tinha tido uma boa ideia.
Tornei a analisar o documento de compra e como tudo estava em ordem, pedi ao meu pai para assinar. Depois de todos os documentos assinados, eles deram um aperto de mão.
Tudo certo. A clínica agora era do meu pai.
- Edward. – Ele se virou, assim que o ex-dono e seu advogado saíram. – Eu realmente gostaria que um dia desses você viesse aqui e me ajudasse com toda essa papelada. Clientes para olhar e tudo o mais.
- Por mim, eu poderia fazer isso hoje – dei de ombros. – Só preciso ir rapidinho ao meu escritório, olhar como as coisas estão por lá e eu volto.
- Ótimo – sorriu. – Vou esperar por você aqui.
- Claro – ri. – Quando eu voltar, dependendo da hora, trago o nosso almoço.
Quando voltei, eu realmente levava nosso almoço. Eu e meu pai almoçamos antes de voltarmos ao trabalho. Havia muitas fichas para olharmos.
- Eu olhei três letras até agora – informou-me. – A, B e C.
- Eu continuo daqui e o senhor pode começar pela Z agora – propus. – Pode ser?
- Por mim, tudo bem. Essas são as fichas dos doadores, ok? Quando acabarmos com elas, vamos para aqueles ali – apontou para uma pasta no canto.
- O que tem ali? – Sentei-me no sofá e comecei a olhar as fichas.
- Nomes de casais e mulheres que tiveram filhos a partir daqui.
- Certo. – Seria um longo dia.
Não demorou muito para que eu acabasse com a letra D e logo eu estava na E.
E então, eu vi meu nome ali.
E memórias do passado tomaram conta de mim.
