Edward POV.

- Uau – sussurrei. Meu pai me olhou, confuso. – Eu doei...

- O quê? – Ele se aproximou e puxou a minha ficha para ele. – Quando?

- Lembra-se daquela vez que brigamos? – perguntei. Ele assentiu. – Eu não quis aceitar o dinheiro depois e queria pagar o resto da faculdade por minha conta, então um amigo falou sobre a clínica... E eu doei.

- Certo – suspirou. – Não pense nisso, Edward.

- O quê?

- Eu sei que você vai querer saber se é pai, mas... – tornou a suspirar. – Se você for, sabe que não poderá exigir nada, não sabe? Há termos que você assinou quando doou e a criança está protegida...

- Eu sei. Mas eu não vou conseguir viver na dúvida.

- Eu sei disso, filho. Quando você doou?

- Não sei ao certo. Talvez há uns três anos... Mais, acho.

- Vamos começar a procurar então.

Foi difícil – e muito. Descartamos todos os casais, antes de seguirmos para as mulheres que queriam ter filhos por conta própria.

E foi na letra "I" que eu achei.

Isabella Marie Swan.

- Achei! – disse, levantando-me.

Meu pai logo se aproximou e juntos começamos a ler.

O acompanhamento da gravidez foi todo feito ali. Havia algumas coisas que eu não entendia, mas uma em particular estava bem clara. Ela deu à luz a uma menina em junho de 2009.

- Uma menina... – murmurei. – Eu... Eu não sei o que eu faço... Eu sou pai, pai...

- Você sabia que isso podia acontecer quando doou, Edward – explicou. – Não tem o direito de exigir nada agora.

Eu assenti, o documento ainda em minhas mãos.

- Eu só... Eu só preciso vê-la...

Meu pai ainda falava, mas eu não conseguia entender o que ele estava falando. Minhas mãos tremiam – eu não sabia o que fazer. Eu era pai.

- Ela tem dois anos – sussurrei. – Estamos em janeiro, o que significa que ela tem dois anos e seis meses...

Eu queria vê-la, saber como ela era, se tinha algo parecido comigo.

- Eu só quero vê-la, pai.

- Eu sei, filho – suspirou, me olhando nos olhos. – Para ser sincero, eu também quero. E tenho certeza de que sua mãe, seus irmãos... Todos nós vamos querer vê-la. Mas será que ver vai ser suficiente?

Eu fiquei calado, certo de que não podia responder isso.

Eu não sabia se vê-la seria suficiente.

Mas eu precisava disso.

Meu pai e eu permanecemos até tarde na clínica. Eu não sabia ao certo o que faria a seguir, porque realmente não podia bater à porta e dizer que eu era seu pai. Havia leis, leis que eu deveria seguir.

Quando doei estava ciente de que provavelmente nunca saberia de meu filho. Apenas no caso de ele querer, quando completasse seus 18 anos. Mas eu realmente não podia ficar sentado, esperando que minha filha completasse seus dezoito anos.

- Edward... – Eu olhei para cima e fitei os olhos de meu pai. Tínhamos acabado de chegar a casa dele e eu logo estaria na minha. – Não tome decisões precipitadas. Que tal pensar um pouco?

- Eu farei isso. – Era tudo o que eu podia prometer. Pensar. – Só... Não comente nada ainda com a mamãe, ok? Eu vou tentar resolver isso da minha maneira, antes de contar isso a todos.

- Ok, filho – suspirou. – Fique bem.

Eu assenti e o esperei sair do carro, antes de dar partida. A todo o momento, a ficha de Isabella vinha a minha mente. Eu estava com ela, pretendia ler cada detalhe de sua gravidez com atenção.

Assim que cheguei em meu apartamento, corri para o banho e logo depois para a cozinha. Fiz qualquer coisa para comer e peguei a ficha dela nas mãos.

Seu nome era Isabella Marie Swan e ela tinha 27 anos – completaria 28 ainda esse ano, em setembro. Possuía cabelos castanhos e olhos castanhos. Era advogada e tinha seu próprio consultório.

Solteira.

A gravidez avançou de forma tranqüila e ela descobriu o sexo quando completou o quarto mês de gestação. Isabella deu à luz a minha filha no dia 10 de junho de 2009 – exatos dez dias antes do meu aniversário.

E as informações acabam depois de informar o tamanho e o peso da minha filha.

Fechei a ficha e a joguei na mesinha de centro, procurando respirar fundo.

Eu queria vê-la... Só vê-la.

Foi difícil dormir naquela noite. Eu imaginava como minha filha seria... Vê-la seria o suficiente, eu sabia disso.

Bella POV.

- Tem certeza de que pode ficar com ela? – indaguei a minha babá pela décima vez. – Eu pretendia deixá-la com o meu pai, mas ele teve uma emergência.

- Claro que sim – sorriu. – Pode ir tranqüila.

- Mas você estava de férias...

- Só porque você insistiu. – Bree riu, segurando as mãozinhas de Emily. – E nós vamos nos divertir muito, não vamos, gatinha?

- Bee! – Emily gritou, sorrindo. – Vamos blincar?

Eu sorri.

- Pode ir. Eu vou correr um pouco e estarei de volta em, no máximo, duas horas, ok?

Ajeitei meus tênis antes de sair e dei uma conferida na roupa que eu havia escolhido. Dei um beijo na minha filha, dei mais umas instruções para Bree e logo eu já estava no parque Waterfront.

Ajustei meu Ipod na roupa e comecei a escutar minhas músicas enquanto corria. Eu gostava de correr pelo menos três vezes por semana, mas não tinha feito isso desde que Emily e eu entramos de férias.

Era tão bom sentir o vento batendo contra o meu rosto.

Eu estava correndo a mais ou menos meia hora, pensando seriamente em dar uma pausa para beber um pouco de água, quando senti um choque contra o meu corpo.

E eu realmente teria ido direto para o chão se a pessoa à minha frente não tivesse me segurado.

Com o golpe, meus fones de ouvidos caíram e minha cabeça tombou para trás. Eu abri os olhos para ralhar com a pessoa que estava me segurando, mas tudo o que fiz foi perder o fôlego.

Lindo era pouco para ele.

Seus cabelos estavam bagunçados e eram de um tom estranho, porém bonito. Seus olhos eram de um verde intenso, emoldurados por cílios escuros e longos. Seu nariz era perfeito para o seu rosto. E sua boca parecia ter sido desenhada.

Os braços que me rodeavam eram fortes e a camiseta que ele usava demarcava bem seu peito. Eu não podia dizer pelas pernas, porque realmente estávamos muito próximos.

- A senhora está bem? – Sua voz rouca despertou-me de meus devaneios.

- Oh – corei. Deus! Há quanto tempo eu não corava? – Está sim, desculpe-me, eu...

- Não. – Ele se afastou um pouco e manteve as mãos na minha cintura até eu me firmar. – Eu que estava distraído e acabei me colidindo com você.

- Não tem problema – sorri.

Ele sorriu também.

Ele tinha que ter o sorriso lindo também?

- Então... – Estendeu sua mão. – Eu sou Edward Cullen.

- Isabella Swan. – Ofereci minha mão de volta.

Nós permanecemos durante alguns segundos apenas nos encarando.

- Posso dar uma volta com você? – indagou-me. – Podemos tomar um suco ou algo assim depois.

Eu mordi meu lábio inferior, receosa. Eu tinha minha filha... Mas poderíamos nos tornar amigos, certo?

- Tudo bem – dei de ombros.

Eu desliguei meu Ipod e segui correndo mais devagar ao lado de Edward.

Nós começamos a conversar sobre praticamente tudo. Nossos gostos por livros, filmes e músicas. Ele disse que não costumava correr muito ali, mas estava começando a adotar esse hábito.

- Acho que devemos tomar aquele suco agora – sorri. – Tenho que estar de volta para casa logo.

- Por mim, tudo bem – deu de ombros, seguindo-me até uma lanchonete que havia por ali. – Eu tenho que voltar para casa e tomar um banho, antes de ir para o escritório também.

- Você trabalha com o que? – perguntei, antes de me virar para a atendente: – Um suco de uva, por favor.

- Eu sou advogado – sorriu. – Eu quero um de laranja.

- Algo para acompanhar? – indagou-nos.

- Acho melhor não – ri. – Estou realmente necessitada de um banho.

Sentamos em um banco na praça enquanto tomávamos nosso suco.

- Então... – Edward virou seu corpo para mim. – Te falei que sou um advogado. Você é formada?

- Sou sim – sorri. – Eu também sou advogada.

- Sério? – Ele riu. – Isso é uma coincidência.

Nós rimos e começamos a conversar um pouco sobre a nossa profissão. Ele e eu tínhamos muito em comum, a conversa simplesmente fluía.

- Infelizmente eu tenho que ir agora. – Levantei-me, pegando meu celular e conferindo meu relógio. Já havia se passado mais de duas horas desde que eu saíra de casa.

- Está tudo bem. – Ele se levantou também e correu a mão por seus cabelos. – Hmm... Isabella, posso te fazer uma pergunta?

- Me chame de Bella – fiz careta. – Não gosto muito do Isa. E sim, você pode me fazer outra pergunta.

Isso fez com que ele risse.

- Claro, Bella. – Frisou meu apelido, fazendo-me sorrir e corar. – Você gostaria de jantar comigo amanhã?

Eu congelei durante algum tempo. Não sei dizer quanto. Eu tinha uma filha... Muitos caras tirariam vantagem disso e outros correriam para longe de mim. Mas foi realmente bom conversar com Edward e eu não me sentia assim com um cara desde meu primeiro e último namorado...

Eu poderia sair com ele, certo? Se não desse certo, eu seguiria em frente.

- Hmm... Tudo bem – sorri.

- Ótimo – sorriu também. – Amanhã às 20h30min, pode ser?

- Claro. Eu escolho o local ou você?

- Eu. – Ele parecia empolgado, o que me fez sorrir ainda mais. – Vou surpreendê-la com as informações que consegui hoje.

- Devo usar o que? – ergui uma sobrancelha.

- Um vestido. – Seus olhos percorreram meu corpo e eu desejei estar de banho tomado. – Tenho certeza de que irá ficar linda.

E mais uma vez, eu corei.

Nós trocamos números de telefone, antes de nos despedirmos e seguirmos direções diferentes.

Confesso que mantive um sorriso no rosto até chegar a minha casa, esquecendo-me completamente de ligar meu Ipod novamente enquanto corria.

- Desculpe-me, Bree! – Foi a primeira coisa que falei ao entrar em casa e encontrá-la vendo TV.

Ela sorriu.

- Está tudo bem – deu de ombros. – Emily acabou de dormir.

- Eu vou tomar um banho rapidinho e volto para acertar com você, ok?

Ela assentiu e eu segui para o banheiro do meu quarto, onde tomei um banho longo, que relaxou meus músculos. Sorri ao me lembrar de Edward e desejei que ele fosse um bom cara, que gostasse de crianças e que aceitasse o fato de que ela sempre viria em primeiro lugar na minha vida.

Pensei nisso até sair do banho, vestindo uma roupa mais simples e leve, já que não pretendia sair de casa. Passei a toalha pelo meu cabelo e o penteei, guardando tudo logo em seguida e colocando a toalha no cesto.

- Pronto – sorri. Estendi o dinheiro a mais. – Aí tem o adicional da hora a mais que te fiz ficar aqui e um bônus, por ter atrapalhado suas férias.

- Não precisa, Bella... – Ela estendeu um pouco do dinheiro para mim, mas eu me levantei, recusando. – É sério, você já fez muito por mim.

- Eu insisto – dei de ombros. – Ah, Bree, antes de ir, queria conversar com você.

- Claro – assentiu.

- Então... Eu conheci um cara no parque. – Eu corei e vi Bree sorrir para mim. – E ele me convidou para jantar amanhã... E eu só...

- Eu fico aqui com ela amanhã, pode ficar tranqüila.

Suspirei de alívio.

- Obrigada, de verdade.

- Por nada.

Combinei tudo com Bree para o dia seguinte – ela passaria a noite aqui – e me despedi dela. Assim que conferi se a porta estava bem trancada, dirigi-me até a cozinha, depois de pegar a babá eletrônica, e comecei a preparar o almoço, antes que Emily acordasse.

E a todo o momento, enquanto eu cozinhava, eu pensava no jantar do dia seguinte, que eu teria com Edward Cullen.

Edward POV.

Aquilo realmente era o certo?

Eu sabia que não, mas já não conseguia evitar mais.

Eu tinha o endereço de Isabella em mãos, mas sabia que não podia simplesmente chegar lá e conversar com ela, pedindo que eu pudesse participar da vida da nossa filha.

Eu tinha que arrumar outra maneira de me aproximar de minha filha. Tinha que observar de longe.

Acordei cedo no dia seguinte, seguindo para a casa dela – e era, de fato, uma bela casa. Com um belo quintal na parte da frente. Aposto que minha filha adorava brincar ali.

E meus planos de observar, por um tempo, de longe, foram por água abaixo, no exato momento que vi uma mulher sair da casa com roupa de corrida.

Eu simplesmente tive que segui-la. Corri próximo a ela durante algum tempo, para logo em seguida começar a pensar em um plano para me aproximar sem ela perceber. Acabei por colidir meu corpo no dela, segurando seu corpo próximo ao meu, para garantir que ela não fosse cair.

Ela era linda.

Seus cabelos, na ficha, eram descritos apenas como castanhos. Mas eu podia ver que eles puxavam levemente para o vermelho. Seus olhos não eram apenas castanhos. Eram de um tom de chocolate incrível. Sua boca era vermelha, mas eu sabia que ela não usava batom nem nada disso. E eu podia sentir como suas curvas eram incríveis através da roupa que ela usava para caminhar.

E achei melhor me afastar antes que ela percebesse coisas.

Conversar com ela foi bom. O modo que ela corava era lindo. E o modo que mordia seu lábio inferior também. Parecia que ela ia fazer a boca sangrar a qualquer momento.

Quando a convidei para jantar, ela pareceu receosa e eu imaginei por que. Ela tinha medo do que eu pudesse fazer à filha, ou que eu pudesse me afastar caso soubesse que ela mãe solteira.

Mas não. Eu só queria me aproximar dela, porque assim, eu poderia me aproximar da minha filha também. Talvez, com o tempo, eu pudesse contar a Isabella que tudo o que eu queria era ser o pai que minha filha precisava e sempre precisaria.

Assim que nos despedimos, eu corri até meu apartamento, onde tomei um banho. Minha filha deveria ser linda. Se ela tivesse puxando a beleza da mãe, ela deveria ser incrível.

Eu me peguei desejando que amanhã chegasse logo, porque assim eu poderia conversar mais com ela. Quem sabe ela não falasse da minha filha amanhã?

Foi difícil me concentrar no trabalho ao decorrer do dia.

À noite, quando eu estava prestes a ir dormir, lembrei-me que eu não tinha pego o endereço da casa de Bella... Tudo bem que eu já o tinha, mas não podia aparecer lá sem contar que eu tinha visto sua ficha.

Decidi, então, a mandar uma mensagem para ela.

Olá, Bella, espero não estar incomodando. Só queria pegar seu endereço... Me esqueci. ~ E.

Eu fitei o celular, esperando pelo momento que ela fosse responder. Cinco minutos se passaram... Dez... E nada.

Será que ela já estava dormindo?

Então, meu celular vibrou e eu percebi que não.

Desculpe-me a demora. Não estava me incomodando, não. Eu já te passo o endereço, ok? Só vou terminar de me arrumar para dormir. ~ B.

Eu sorri. Não era mais fácil ela simplesmente me passar o endereço? Ou talvez ela estivesse pensando em modos de eu não passar lá, para eu não ver sua filha...

Talvez fosse isso.

Mas alguns minutos depois, Bella me mandou uma mensagem. E além de me desejar boa noite, seu endereço estava ali.

E eu respondi:

Boa noite para você também. ~ E.

E finalmente fui dormir.