Edward POV.

Eu acordei cedo no dia seguinte, disposto a ir até a casa dos meus pais e conversar com meu pai. Eu sabia que ele me xingaria e talvez não fosse concordar comigo, mas eu realmente queria que ele soubesse o que eu estava prestes a fazer.

Precisava desabafar com alguém.

Não fiquei surpreso ao aparecer para o almoço e encontrar minha irmã caçula, Alice, sentada e conversando com minha mãe. Eu beijei ambas no rosto e segui até o escritório dele, onde bati à porta levemente.

- Entre.

Adentrei o escritório do meu pai, pensando em como eu iria dizer a ele o que eu pretendia fazer. Eu não sabia se ele ia concordar – tinha quase certeza de que ele não iria –, mas precisava fazer isso.

- Oi, filho – sorriu. – Está tudo bem?

- Preciso falar uma coisa com você. – Sentei-me no sofá, suspirando.

- O que aconteceu? – Ele largou o papel que estava lendo em cima da mesa e me fitou.

E eu contei.

Contei o que havia feito ontem e o que aconteceria hoje. Ele não me interrompeu nenhuma vez, apenas me deixou falando.

- E é isso – suspirei. – Eu vou jantar com ela essa noite.

- Você sabe que o que está fazendo é errado, não sabe? – indagou-me. Eu assenti. – Sabe que vai ter que arcar com as consequências, não sabe?

- Eu sei, pai – murmurei. – Eu realmente sei. Mas eu tenho que fazer alguma coisa. Não posso simplesmente deixar isso para lá. Tenho que vê-la. Pelo menos isso. Não vou machucá-la e tomá-la da mãe. Só quero estar perto dela.

- E se ela não aceitar, Edward? Você assinou um documento, sabe como ninguém que não pode exigir que ela aceite sua presença na vida da filha.

- Eu sei, pai. E vou lidar com isso quando chegar a hora. Só quero conhecê-la, vê-la...

- Você já sabe o que eu penso, não sabe? – Assenti. – Ótimo. Mas vou te apoiar, filho, seja lá qual decisão você tomar.

Nós almoçamos e depois eu segui para o trabalho. Fiz a reserva no restaurante La Bella Itália e sorri.

Em breve, eu esperava estar conhecendo a minha filha.

Às seis eu saí do meu escritório e segui para meu apartamento, onde tomei um banho e comecei a me arrumar. Coloquei minha calça jeans e uma blusa social, dobrando-a até meus cotovelos. Coloquei meu relógio, sapatos sociais e tentei – em vão – domar meus cabelos.

Saí de casa às quinze para oito, sorrindo. Avançar um passo na relação com Isabella Swan era o meu objetivo de hoje. Talvez ela me falasse da filha hoje.

Pelo menos, eu torcia que sim.

Bella POV.

No dia seguinte, levantei cedo, disposta a dar atenção a Emily o dia todo, já que a noite eu sairia com Edward.

Nós passeamos, brincamos. Eu a deixei se sujar todo, me sujei com ela também.

- Olha, mama! – Ela apontou para um passarinho, me fazendo sorrir.

- É bem lindo, não é, Amy? – Ergui-a em meu colo, assim ela poderia ver melhor. – Mas ele não vai deixar você tocá-lo, meu bem.

Ela resmungou um pouquinho, mas, como toda criança, logo outra coisa surgiu e ela já estava mais interessada.

- A mamãe vai sair hoje a noite – sussurrei para ela, enquanto lhe dava banho –, mas a Bree vai ficar com você, ok?

Ela sorriu e gritou Bee, jogando água em mim.

Bree chegou por volta das seis e meia, então fui me arrumar. Lavei o cabelo, sequei e passei maquiagem, antes de começar a procurar por uma roupa. Coloquei meu vestido, calcei meus sapatos e fui me olhar diante do espelho, antes de começar a colocar brincos.

Às cinco para as oito eu fiquei pronta, satisfeita com o resultado.

- Qualquer coisa, você me liga, Bree – sorri. Abaixei-me e depositei um beijo na testa de Emily. – A mamãe não demora, querida.

- Tchau, mama – sorriu.

Eu saí de casa e fechei a porta, trancando-a. Virei e não me surpreendi ao encontrar Edward começando a caminhar em minha direção.

Seus olhos me examinaram da cabeça aos pés e eu corei.

- Você está linda – sorriu. – Eu já ia tocar a campainha.

- Obrigada. – Olhei-o também. – Você também está muito bonito.

Como um verdadeiro cavalheiro ele abriu a porta para mim e depois deu a volta, sentando-se e colocando o cinto.

- Vai me dizer para onde estamos indo? – indaguei-o.

- La Bella Itália – sorriu. – Me lembro de você ter comentando que adorava comida italiana.

- Obrigada – sorri também. – Eu adoro aquele restaurante.

Ele tornou a abrir a porta para mim, assim que chegamos ao restaurante, e depois entregou as chaves para o manobrista. Ele colocou uma de suas mãos nas minhas costas e me guiou para dentro do restaurante.

- Boa noite. – A maitrê sorriu gentilmente para nós.

- Boa noite. – Edward respondeu educadamente. – Nós temos uma reserva em nome de Edward Cullen.

- Claro.

Ela nos conduziu a nossa mesa e eu sorri – e corei – quando Edward afastou a cadeira para eu me sentar. Ele se sentou logo em seguida, sempre sorrindo.

- O que deseja? – indagou-me. – Algum pedido especial para o vinho?

- Vou deixar que você me surpreenda esta noite.

E de fato, Edward me surpreendeu.

Ele escolheu o vinho, assim como a entrada, o prato principal e a sobremesa. Enquanto comíamos e esperávamos pelo próximo prato, conversávamos sobre praticamente tudo – menos minha filha. Eu sabia que tinha que falar com ele, mas eu realmente estava com medo.

Na hora de pagar, Edward e eu meio que discutimos. Ele insistia em pagar tudo sozinho, assim como eu.

- Na próxima vez, você paga – prometeu.

Sorri. Significava que iríamos jantar juntos outro dia.

- Tudo bem, senhor Cullen – revirei os olhos, fazendo com que ele risse.

- Tive um bom tempo com você – sussurrou, quando já estávamos parados em frente a minha casa. Ele havia aberto a porta para mim e agora segurava minha mão. – Obrigado, Bella.

- Eu me diverti também – suspirei. – Então, obrigada também.

Edward fitou meus olhos, depois meus lábios e se aproximou um pouco. Sabendo o que provavelmente aconteceria, tive que me afastar um pouco e respirar fundo.

- Algum problema? – indagou-me.

- Tenho que te confessar uma coisa – mordi meu lábio inferior. Ele assentiu, como se dissesse para eu prosseguir. – Eu deveria ter falado antes, mas faz tempo que eu não saio com ninguém e tive um pouco de medo...

- O que está acontecendo? – Ele se aproximou um pouco, colocando suas mãos na minha cintura.

- Eu tenho uma filha – disse de uma vez. – Eu sei que deveria ter dito antes, até porque eu não sei se você gosta de crianças, mas...

- Está tudo bem – sorriu. – Eu realmente tive um bom tempo com você, Bella. Não vou te julgar só por ter uma filha.

- Sério? – sorri também. – Porque tem caras que não suportariam isso, outros iriam, provavelmente, se aproveitar do fato de ela ser uma menina. Não estou dizendo que você está fazendo isso e...

- Hei, respira. – Edward riu. – Eu te entendo. Como mãe, você só quer o melhor para sua filha. Eu espero que, com o tempo, conquiste o direito de conhecê-la.

- Obrigada por entender.

- E eu ainda quero fazer uma coisa...

Edward me aproximou de si ainda mais, colando nossos corpos. Uma mão se manteve firme em minha cintura, enquanto a outra subiu para a minha nuca, aproximando nossos rostos. Eu levei minhas mãos até seu pescoço, acariciando-o.

- Eu estou querendo fazer isso desde que te vi ontem...

Seus olhos se fecharam exatamente quando nossos lábios se encontraram. Eu fechei os meus também e deixei-me levar pelo beijo.

O beijo foi demorado, profundo e doce. Nos beijamos por um tempo, apenas conhecendo a boca um do outro, e nos separamos quando a necessidade de respirar falou mais rápido.

- Obrigado, mais uma vez, pelo jantar.

- Obrigada também.

Trocamos mais alguns beijos antes de Edward se despedir. Ele me esperou entrar em casa antes de virar e ir embora.

E eu me encontrei sorrindo feito uma idiota.

- Boa noite, Bella. – Bree sorriu para mim, sentada no sofá.

- Oh – corei. – Desculpe-me o atraso.

- Está tudo bem. – Ela se levantou. – Eu vou ir me deitar, já que você chegou.

- Claro. – Eu ainda sentia minhas bochechas quentes. – Obrigada, Bree, e boa noite.

- Boa noite para você também.

Eu tomei um banho rápido, a todo o momento pegando na minha boca e fechando os olhos. Foi um beijo tão bom, que despertou sensações que eu nunca sentira antes. E não esperava mais sentir também.

Vesti meu pijama e prendi meus cabelos em um coque frouxo, antes de seguir para o quarto de Emily. Ela dormia profundamente, seus cabelos espalhados pelo travesseiro, as cobertas em volta dela completamente bagunçadas.

Eu a arrumei e depositei um beijo na sua testa, antes de sair do quarto. Peguei a babá eletrônica na sala, onde Bree havia deixado, e segui para o meu quarto.

E não demorou muito para eu dormir.

Edward POV.

Ela estava linda. Era tudo o que eu podia pensar assim que vi Isabella sair do carro. Eu dei a desculpa de que já ia tocar a campainha, quando, na verdade, eu só estava esperando pelo momento que ela fosse sair da casa. Não queria pressioná-la. Ela me diria da filha quando estivesse pronta.

Jantar com Isabella fora ótimo, eu não podia negar isso, mesmo embora estivesse ansioso para que ela falasse de nossa filha logo.

E beijá-la... Beijá-la fora algo muito mágico.

E quando ela disse que tinha uma filha, meu coração se encheu com tanta esperança. Eu sabia que ia demorar um pouco até que ela tivesse coragem de me apresentar a ela, mas talvez no próximo encontro ela pudesse me falar mais sobre ela. Queria saber seu nome, do que ela gostava...

Eu realmente queria conhecê-la.

Dormir foi um pouco difícil naquela noite, ainda mais porque eu não sabia quando teria a chance de ver Isabella novamente. Talvez eu a convidasse para outra corrida, ou um almoço no sábado.

É.

Um almoço no sábado seria ótimo.

Os dias que se seguiram foram agitados, com tantas audiências que eu realmente não tive muito tempo. Entre uma coisa e outra, só pude respirar de verdade na sexta.

E eu achei que seria bom tentar falar com Bella.

- Alô? – Ela atendeu com a voz um pouco hesitante. – Edward?

- Olá – sorri, mesmo ela não podendo ver. – Desculpe-me sumir, tive tanta audiência esses dias que pensei que iria ficar louca.

Ela riu.

- Tudo bem – suspirou. – Eu estou de férias. Volto sem ser nessa semana, na outra, mas me lembro dessa rotina maluca.

Foi a minha vez de rir.

- Eu liguei para saber se podemos dar um passeio amanhã, almoçar em algum lugar.

- É a minha vez de escolher, certo? – indagou-me.

- Já que você insiste...

Combinamos de nos encontrar no parque que nos vemos pela primeira vez. Eu desliguei o telefone, sorrindo imensamente, torcendo para que ela me desse mais informações sobre a nossa filha – mesmo que ela pensasse que fosse só dela.

Depois liguei para minha mãe, informando que iria jantar lá no dia seguinte.

Eu estava louco para anunciar que ela já era avó, mesmo não podendo fazer isso. Esperava que em breve fosse mudar essa situação.

Bella POV.

Conforme os dias foram passando, fui me dando conta de que Edward na verdade não queria nada comigo. Ele provavelmente tinha desistido quando soube que eu tinha uma filha.

Eu pensei em ligar, mas tive medo de ele não atender, ou outra pessoa atender...

E se ele não quisesse mais nada, era melhor manter assim, antes de ele se envolver com Emily, antes de eu me envolver demais.

Mas será que eu já não estava me envolvendo?

Eu balancei a cabeça, procurando me esquecer disso, e me concentrei em Emily. Nós saímos naquele dia. Era tão bom vê-la descobrindo uma nova coisa a cada dia. Eu nunca tinha o suficiente, parecia que ela iria crescer rápido demais – ela já estava crescendo rápido demais.

Na sexta de manhã, eu já havia realmente desistido que Edward fosse aparecer. Para ele, talvez, o fato de eu ter uma filha era demais.

Mas eu realmente me surpreendi quando ele me ligou um pouco mais tarde.

Ele só estava ocupado com as audiências... E nós iríamos sair, amanhã, por minha conta.

Emily estava perto de mim, brincando com suas bonecas. Eu me agachei perto dela, ainda sorrindo.

- Amanhã vou te levar para ficar com o vovô Charlie, o que acha? – indaguei-a, fazendo-a rir.

- Quelo vovô!

Eu ri.

- Então, sapequinha, vamos lá, comer alguma coisa. – Peguei-a no colo.

Nós dormimos tarde naquela noite. Emily queria ver Tinker Bell pela milésima vez, então nós deitamos na minha cama e ficamos assistindo. Ela só dormiu no final do filme e eu a carreguei para a cama, sabendo que ela demoraria a acordar um pouco amanhã.

Meu pai sabia que eu tinha coisas para fazer – eu realmente ainda não contara para ele que andava tendo encontros – e estava contente que eu fosse deixar Emily com ele.

Encontrei-me ansiosa pelo dia seguinte e demorei um pouco a dormir, mas consegui. Acordei pouco depois das nove e separei a roupa que usaria, antes de ir preparar o café da manhã de Emily.

Ela acordou tarde, quase dez da manhã, o que quase me deixava atrasada.

Dei um banho nela e a vesti. Coloquei nela saia, uma blusinha e chinelos, porque eu realmente sabia que ela e Charlie iriam fazer bagunça. Coloquei-a no cercadinho e corri para o meu banho, atenta a qualquer barulho da babá eletrônica.

Vesti-me de forma simples, porque sabia que Edward e eu iríamos caminhar um pouco.

Olhei o relógio e xinguei mentalmente – Emily adorava repetir tudo o que falávamos. Eu estava atrasada. Resolvi, então, mandar uma mensagem para Edward.

Estou atrasada, eu sei, me desculpe. Minha filha acordou tarde e eu tive que dar um banho nela. Só vou deixá-la com o avô e nos encontramos no parque, ok? ~ B.

Eu joguei meu celular na cama enquanto terminava de me arrumar. Peguei somente minha carteira de motorista e o celular – assim como uma bolsa com as coisas de Emily, antes de pegá-la e levá-la para meu carro.

Prendi-a na cadeirinha e dei a volta, sentando-me diante do volante. Peguei meu celular mais uma vez e sorri ao ver que Edward já tinha respondido.

Tudo bem, imagino como deve ser. Estou indo para lá agora, vou te esperar naquele banquinho que sentamos. ~ E.

Coloquei meu celular no banco carona e dei partida para a casa do meu pai.

- Obrigada por ficar com ela, pai – sorri. – Prometo que volto logo, ok?

- Vai e se divirta, criança. – Ele erguia Emily em seus braços. – Nós vamos nos divertir por aqui também, não é, querida?

- Sim, vovô!

Eu dei um beijo em cada um deles antes de voltar para o carro e entrar. Dirigi de volta para casa e deixei meu carro por lá, caminhando até o parque.

Edward estava sentado no banco, como ele havia me falado, e sorriu quando me viu. Eu o cumprimentei com um abraço e um selinho.

- Desculpe-me, de verdade. – Sentei-me ao seu lado. – Tive que deixar Emily na casa do meu pai.

- Emily? – sussurrou.

- Sim – ri. – Ela se chama Emily. Eu a chamo, às vezes, de Amy, como um apelido carinhoso.

- Seus olhos brilham quando você fala dela. – Edward sorria. – Fale-me sobre ela. O pai não a quis?

- Ahn... – corei. – Emily não tem pai, por assim dizer. Procurei uma clínica de fertilização, entende?

- Ah, sim. – Ele não parecia estar julgando nem nada. – Por que você fez isso?

- Eu queria muito ser mãe – dei de ombros. – E parecia que eu não ia encontrar nunca alguém com quem quisesse ter filhos. Emily foi a melhor coisa que me aconteceu. Meu pai no começo não aceitou muito bem, mas me apoiou. Ele é completamente apaixonado com ela agora. Quando os dois juntam... Eu tenho certeza de que Emily vai voltar toda suja de lá.

Edward riu.

- Certamente minha mãe faria o mesmo caso tivesse netos. – Ele me puxou para mais perto dele. – Ela vive pedindo e pedindo.

- Você é filho único? – indaguei-o.

- Não – sorriu. – Tenho dois irmãos. Um mais velho, outra mais nova. Emmett é noivo, tipo, há muitos anos, e Alice tem um namorado, mas ela disse que ainda é muito nova para casar e ter filhos.

- Entendo – assenti. – E você, nunca pensou em ser pai?

- Sinceramente? – Tornei a assentir. – Nunca tinha parado para pensar nisso. Mas eu quero ter, sim, filhos. E ultimamente venho pensando mais nisso do que nunca.

- Isso é bom.

- Sua mãe te apoiou, quando tomou a decisão?

- Minha mãe faleceu quando eu estava entrando na faculdade – suspirei. – Mas eu tenho certeza de que ela amaria Emily também. Não tem como não amar. Ela é... perfeita.

- Sinto muito por sua mãe – murmurou.

Nós fomos almoçar num restaurante ali perto, simples, mas que eu adorava. Eu paguei a conta – mesmo sob os protestos de Edward – e depois nós tornamos a caminhar.

- Sabe, Edward... – Mordi meu lábio inferior. – Eu quero que você venha até a minha casa amanhã, depois do almoço.

- Você está certa disso? – perguntou. – Eu entenderei se você quiser me conhecer melhor durante algum tempo, antes de me apresentar à sua filha.

- Eu confio em você – sorri. – Vou seguir meu coração e te apresentar à Emily.

Eu seguiria, sim, meu coração. Não importava se fosse cedo ou não. De alguma forma, parecia o certo a se fazer.