Bella POV.
Eu permaneci na minha pelo resto da noite. Tentei sorrir e interagir, mas parecia difícil demais – inclusiva difícil engolir. Sentia os olhares de meu pai e de Sue em mim, mas ignorei ambos. Assim que terminamos de jantar, dei a famosa desculpa de dor de cabeça e peguei Emily no colo, enquanto me despedia dos dois.
Coloquei seu CD para tocar, lutando contra as lágrimas como nunca ao me lembrar dos momentos que passei com Edward ao meu lado. Todos falsos, tudo mentira.
Emily cantava uma das músicas em sua própria língua. Tentei sorrir para ela, como eu sempre fazia, mas não consegui muito bem. Concentrei-me, então, em me manter forte perto da minha filha.
Dei-lhe um banho assim que chegamos em casa e depois a coloquei para dormir. Rumei-me para meu banheiro, ainda me recusando a me deixar levar e logo depois me joguei na cama.
Trinquei meus dentes e fechei meus olhos com força, tentando impedir que as lágrimas viessem. Mas não adiantou. Logo elas estavam ali, escorrendo livremente pelo meu rosto, e tudo o que eu pude fazer foi morder o travesseiro com força, para impedir que os soluços saíssem.
Foi uma noite longa e difícil. Eu não consegui dormir muito bem, apenas cochilava e acordava depois de um pesadelo. Desisti de tentar depois das seis da manhã e segui novamente para o banho.
Assustei quando olhei para a minha imagem no banheiro. Havia olheiras em volta de meus olhos e meu rosto estava amassado. Não era de usar maquiagem para trabalhar, mas eu sabia que uma boa dose de corretivo seria usada naquele dia.
Como estava cedo ainda, segui para a cozinha e preparei um café, tomando-o ainda quente. Não consegui sentir fome para engolir mais nada, então deixei para lá.
Acordei Emily logo depois e dei um banho nela, tentando sorrir e conversar com minha filha. Eu ainda não sabia muito bem o que faria no que diz respeito a Edward, mas estava disposta a uma corrida depois do trabalho, para pensar.
Vesti a roupa de Emily e a coloquei no cercadinho, enquanto aplicava a maquiagem, prendia meus cabelos e vestia minha roupa. Depois de pronta, coloquei um babador em Emily e lhe dei comida, antes de pegar suas coisas e seguir para a sua escolinha.
O dia no trabalho foi agitado e eu agradeci por isso, porque me impedia de parar e pensar em tudo o que eu escutara na noite anterior. Não conseguia pensar em comida ainda, mas sabia que não podia continuar assim, então me forcei a comer. Mais rápido do que eu queria, o dia passou e já estava na hora de eu voltar para casa.
Encontrei Bree brincando com Emily quando cheguei em casa e sorri para as duas.
- Você pode ficar mais um pouco com ela? – perguntei. – Queria correr um pouco.
- Claro – sorriu.
Dei um beijo em Emily e corri para o meu quarto, onde coloquei minha roupa de corrida. Soltei o coque do meu coloque e o penteei, antes de voltar a prendê-lo em um rabo de cavalo.
- Vou levar meu celular – anunciei a Bree –, caso você precise de mim. Mas se outra pessoa perguntar, eu o esqueci em casa. Qualquer pessoa.
- Tudo bem. – Ela parecia confusa, mas assentiu.
- E se por algum acaso... – hesitei na porta de casa. – Edward... – Por que doía tanto falar o nome dele? – Aparecer por aqui, fique com ele, diga que fui correr.
- Tudo bem, Bella.
Eu sorri para ela e saí de casa, já começando a correr. Programei meu Ipod para começar a tocar e evitei escolher músicas melosas, que inevitavelmente me faziam pensar nele.
Não adiantou.
Tudo o que vivi com Edward nesses últimos meses chegava com força a minha mente. Por que ele mentiu para mim? Por que ele se aproximou?
Eu realmente queria evitar pensar que ele havia se aproximado só por causa de Emily.
Tudo fora falso? Os beijos, os toques, as promessas, as falas?
Fechei os olhos com força, tentando impedir que as lágrimas viessem novamente com força. Minha cabeça doía pelo esforço de contê-las e meu coração estava apertado.
Eu sabia o que teria de fazer, pelo meu bem e pelo bem de Emily.
Permaneci correndo por muito mais do que eu esperava, com medo de voltar para casa. Não podia conversar com Edward na frente da minha filha, nem na frente de Bree. Torcia para que ele não estivesse lá quando eu chegasse.
E eu realmente agradeci quando vi que ele não estava.
Bree ainda permaneceu com Emily enquanto eu tomava um banho. Sentia-me exausta, tanto física quanto emocionalmente.
Paguei Bree e brinquei um pouco com Emily, antes de preparar seu jantar. Nós assistimos a Tinker Bell novamente e ela adormeceu.
Levei-a com cuidado para sua cama e a cobri, dando um beijo em sua testa. Planejava ir dormir também – ou pelos menos tentar – quando escutei a campainha tocar.
E meu coração congelar.
Era Edward. Eu sabia que era.
Respirei fundo e procurei acalmar meu coração, enquanto me dirigia até a porta de casa. Abri a porta e o encontrei com seus olhos verdes brilhando e um sorriso no rosto.
- Oi, princesa. – Ele me puxou para seus braços e beijou meu cabelo. – Desculpa sumir, dia agitado.
Ele ainda permaneceu me abraçando durante alguns segundos, mas se afastou quando percebeu que eu não retribuía ao abraço.
- Aconteceu alguma coisa? – indagou, parecendo confuso.
- A gente precisa conversar.
Ele assentiu, ainda confuso, e adentrou minha casa. Eu fechei a porta sem trancar – Edward não demoraria ali – e andei até a sala, sentando-me na poltrona.
- O que aconteceu? – indagou, ajoelhando-se na minha frente.
- Ia mentir para mim até quando? – perguntei, sentindo meu coração ainda apertado e segurando a vontade de chorar.
- O quê? – Suas sobrancelhas se ergueram em confusão.
- Não venha fingir, Edward – cuspi. – Não mais. Eu escutei a conversa com seu pai ontem. Quando ia parar de mentir e me contar que se aproximou de mim apenas porque descobriu que era pai biológico de Emily?
A face de Edward congelou e ele se aproximou ainda mais de mim, suas mãos agarrando meus joelhos.
- Bella, por favor, eu posso explicar...
- Eu quero que você me responda uma coisa – sussurrei, afastando suas mãos. – Você se aproximou de mim só por causa de Emily, não foi?
- Não é assim que...
- Responda!
- No começo sim, mas...
- Você vai se levantar – comecei, cortando-o –, vai ter o direito de se despedir de Emily, sem acordá-la, e vai sair por aquela porta e nunca mais voltar, entendeu?
- Bella, por favor, me deixa... – Eu me levantei e me afastei de Edward.
- Saia ou eu chamo a polícia! – ameacei.
- Eu...
Ele tentou se aproximar de novo, mas eu não deixei. Afastei-me dele e olhei pela janela, tentando afastar as lágrimas. Ouvi os passos de Edward se distanciando e sabia que ele tinha ido se despedir de Emily.
Nós não o veríamos nunca mais.
Não sei por quanto tempo Edward ficou no quarto com minha filha, mas logo senti sua presença na sala de novo.
Custou toda a força que me restava para não me virar.
- Eu ligo para você depois – sussurrou –, para conversarmos.
- Não ligue – disse, firme. – Eu dou um jeito de mandar suas roupas depois.
- Bella, eu...
- Apenas vá, Edward – murmurei. – Por favor, não torne isso mais difícil do que já é.
Escutei-o suspirar atrás de mim e logo depois sons de passos. A porta de entrada da minha casa bateu e eu deixei as lágrimas rolarem.
Ele havia partido.
Edward POV.
Acabado. Essa palavra ecoava em minha mente enquanto eu observava minha filha dormir. Seus cabelos estavam espalhados pelo travesseiro, seu rostinho sereno transmitia paz...
Era a última vez que eu a veria dormir.
Eu sabia que não tinha direito de exigir nada. Havia assinado um documento quando doei, Bella havia assinado também...
- Papai te ama, Amy – sussurrei, deixando que duas lágrimas escorressem pelo meu rosto, enquanto eu me inclinava para plantar um beijo na sua testa. – Vou sempre amar você, querida. Obrigado por esses meses incríveis ao seu lado. Nunca serei capaz de esquecer.
Eu permaneci ali alguns minutos antes de sair e tentar convencer Bella a conversar comigo.
Ela não quis.
Ela me mandou embora.
Definitivamente, era o fim.
Dirigi sem rumo por algum tempo, antes de seguir para meu apartamento.
Não consegui dormir bem naquela noite, apenas deitei na cama, chorando feito um bebê. Não me importei com isso, nem fiz questão de limpar as lágrimas.
O que eu tanto temia acontecera... Bella descobrira e eu fora expulso da vida de Emily.
Rolei pela cama durante algum tempo, tentando dormir pelo menos um pouco.
Foi difícil, já havia se passado das três quando enfim consegui fechar os olhos e dormir.
Trabalhei como um louco no dia seguinte. Na hora do almoço, decidi ligar para meu pai, marcando um jantar com todos ali. Queria contar para a minha família o que aconteceu, porque, por minha causa, nem eles veriam Emily mais.
E isso só me causava mais aperto no coração.
Não quis sair para almoçar, comi qualquer coisa pelo escritório mesmo. Me foquei no trabalho como nunca, só saindo um pouco mais cedo porque, antes de conversar com qualquer pessoa, queria conversar com meu pai.
Tomei um banho e coloquei jeans, uma blusa pólo, tênis e penteei meu cabelo, bagunçando-o logo em seguida. Entrei no carro e dei partida para a casa de meus pais.
Estacionei e saí do carro, minha garganta se apertando ao ver a cadeirinha de Emily. Eu não teria coragem de me desfazer dela, muito embora ver todos os dias fosse me causar uma dor tremenda.
Apertei a campainha e tentei sorrir ao ver meu pai ali, um sorriso enorme no rosto. Seus olhos procuraram atrás de mim e ao meu lado e eu sabia o que e porque ele fazia aquilo. Ele estava procurando por Emily e Bella.
- Elas não vêm – sussurrei. Ele me fitou, confuso. – Bella ouviu nossa conversa ontem.
- Oh! – Ele me puxou para dentro de casa e me deu um abraço. – Eu sinto muito.
Eu contei ao meu pai como tinha sido na casa de Bella ontem.
- Foi a última vez que a vi, pai – sussurrei. – Não acredito que ela vá me deixar ver Emily novamente.
- Bella não é assim – sorriu, embora fosse um sorriso triste. – Ela talvez precise de um tempo, porque está magoada e ferida.
- Não sei, pai – suspirei. – Tomara.
Minha mãe, Alice e Rose tinham ido às compras, mas logo chegaram. Jasper e Emmett vinham logo atrás.
E todos eles riam.
- Cadê Bella e Emily? – minha mãe me indagou, depois de me abraçar. – Eu estou com saudades delas.
- Elas não vieram, mãe – sorri triste. – Sentem-se, eu quero contar algo a vocês.
- Um minuto! – Alice gritou. – Vem aqui comigo um minuto, Edward.
Ela me pegou pela mão e me arrastou em direção ao corredor. Depois de se certificar que ninguém havia nos seguido, nem estava ouvindo nada, sussurrou:
- A Bella descobriu tudo, não é? – Assenti. – Sinto muito, Edward. Tenho certeza de que com o tempo ela vai voltar atrás.
- Eu não tenho tanta certeza disso – admiti.
- Eu vou conversar com ela amanhã – sorriu. – Não concordo com o que você fez, mas sei o quão apaixonado por elas você é.
- Obrigado, Allie – a abracei. – Agora eu tenho que ir contar ao resto de nossa família que Emily é nossa parente de sangue.
Nós voltamos à sala, onde todos já esperavam.
Esperei que Alice estivesse acomodada e falei.
Falei sobre como descobri, do meu plano, de como me aproximei de Bella e como me apaixonei por ela e nossa filha. Falei do que havia comprado para Emily de presente de aniversário e de que iria contar toda a verdade para Bella após o aniversário de três anos de nossa filha.
Ninguém me interrompeu, ninguém tentou me interromper.
E eu agradeci por isso, porque caso acontecesse, eu seria capaz de perder toda a coragem que eu tinha.
- É isso – suspirei.
Ninguém falou nada durante alguns segundos, até que minha mãe se irrompeu em um choro.
- Ela é minha neta! – murmurou. – Oh, querido, eu sinto tanto.
Eu não esperava os abraços, os sussurros de consolo e palavras de encorajamento que recebi da minha família. Eu tinha consciência de que havia feito algo errado, mas, para ser sincero, eu não me arrependia. Eu tinha tido uma experiência incrível com minha filha, com Bella.
E por elas, eu faria tudo de novo.
Bella POV.
Alice tentou me ligar, tentou vir a minha casa, mas eu não atendi. Eu não sabia o quão próximos do plano a família Cullen estava. Até agora, tudo o que sabia, era que Carlisle sempre soube de tudo.
Eu precisava de um tempo para mim, um tempo para colocar minhas ideias em ordem, um tempo para que tudo fizesse sentido.
E nesse tempo, eu queria me manter longe de todos eles.
Emily me perguntou de Edward, falou que estava com saudades e eu odiei mentir para minha filha.
- Ele está viajando, Amy – sussurrei. – Eu não sei quando ele volta.
Ela chorou naquela noite.
Ela chorou quando pediu para ver Esme e Lisle – como havia apelido Carlisle – e eu disse que eles estavam trabalhando. Chorou quando disse que queria ficar com Alice, Rose...
E eu disse que não podia.
Era de partir o coração e eu não sabia que efeito a falta deles teria na vida dela, mas achei melhor conversar com um amigo psicólogo.
E ele disse que afastá-los talvez não fosse a solução.
- Ele nunca quis tomar sua filha de você – disse-me Mike. – Ele só quer estar presente na vida dela e isso é bom, Bella. Mostra que ele sabe o quão um pai faz falta na vida de um filho. Talvez você devesse deixá-lo participar da vida de Emily. O resto é com você.
No dia seguinte, eu liguei para Alice, disse que ela podia vir a minha casa no fim de semana, buscar as roupas de Edward. Ela agradeceu e disse que viria no sábado, logo depois do almoço.
Emily passou semana seguinte toda fazendo perguntas e mais perguntas. E logo era meu pai que começava a fazer também. Ele estava achando estranho meu sumiço e as perguntas que Emily fazia quando estava com ele.
Perguntas que ele não sabia como responder.
Eu me abri com meu pai na noite de quinta-feira, dizendo-lhe tudo o que havia descoberto. Ele não me julgou nem nada do tipo, apenas me disse que Edward parecia realmente amar a nós duas.
Mas eu não consegui acreditar.
Acreditava que Edward amava Emily, isso era mais do que óbvio. Mas ele se aproximou de mim com o objetivo de estar perto dela. E isso era imperdoável.
Não podia simplesmente esquecer e seguir em frente.
No sábado eu arrumei Emily, dizendo-lhe que Alice viria visitá-la. Ela pareceu feliz – verdadeiramente feliz – e eu me culpei por estar lhe causando dor.
Ela já não podia mais ficar afastada de todos eles.
Vesti-me de forma simples já que não pretendia sair de casa.
Alice chegou algum tempo depois. Emily a abraçou com força e a arrastou para o quarto. Depois de meia hora lá, brincando com minha filha, ela veio conversar comigo.
- Edward está arrasado – disse-me. – Ele sente sua falta, sente falta de Emily.
Eu tentei não demonstrar o quão aquilo havia mexido comigo.
- Você já sabia? – indaguei-a.
- Eu descobri... – admitiu. – Edward prometeu que contaria, não era dever meu passar por cima dele.
Assenti. Não a culpava.
- Quem mais sabia? – perguntei.
- Só eu, Carlisle e Edward.
- Certo. – Andei até meu quarto e ela me seguiu. Apontei para uma mala em cima da cama. – Aí estão as coisas dele que ficaram por aqui. Se eu achar outra coisa, eu mando para ele depois.
- Bella... – Alice parecia hesitante. – Eu sei que ele errou, mas ele é louco por vocês duas. Assim como Emily parece ser maluca por ele. Só não afaste os dois, não se afaste. Ele não está agüentando... E pelo visto, nem você.
Eu assenti.
- E Emily... – continuou. – Emily me perguntou três vezes quando o Ed volta da viagem. Ela sente falta dele.
- Eu sei disso – sussurrei. – Eu só preciso de um tempo.
- E você vai tê-lo. – Me abraçou. Eu retribuí ao abraço.
- Obrigada, Alice.
- Por nada, Bella.
Eu a observei se afastar e conversar alguma coisa com Emily, antes de trazê-la para mim. Joguei-me na cama, com minha filha nos braços e tomei minha decisão.
- Sabe quem iremos ver amanhã, filha? – indaguei.
- Vovô? – perguntou, sorrindo um pouco.
- Não, Amy. – Acariciei seu rostinho e fitei aqueles olhos verdes que eram idênticos aos do pai. Antes eu tinha pensado que era só coincidência. – O Ed volta de viagem amanhã.
E ao ouvir o gritinho feliz da minha filha, eu sabia que estava fazendo a coisa certa.
Eu não queria ter nada com Edward, mas Emily precisava de um pai.
Ela precisava de Edward.
