QUATRO ANOS DEPOIS.
A escuridão e o silêncio dominavam a casa naquele momento, enquanto Isabella andava pelo local, apertando a blusa de frio mais contra si.
Ela bocejou mais uma vez, lamentando por ter acordado tão cedo. Coçou os olhos e puxou os cabelos em um rabo de cavalo desajeitado, rumando até a cozinha, onde começou a preparar café.
Ela pegou uma xícara e um bolo e biscoito do armário, colocando tudo sobre a bancada. Então, enquanto esperava a água ferver, sentou-se e apoiou a cabeça nas mãos.
- Sabe... – Uma voz que ela conhecia muito bem soou na porta da cozinha e Bella se virou, se assustando. – Quando a minha mulher sai da cama, eu acordo... Isso de colocar travesseiro não me engana, mesmo dormindo.
- Bom dia, amor – sorriu, recuperando do susto e indo até o marido, que sorria para ela. – É que está muito cedo, não queria incomodar.
- Volta para cama... – resmungou, puxando-a para um abraço e afundando o rosto no seu pescoço. Bella sentiu cada pelo do seu corpo se arrepiar. – É cedo demais...
- Não consigo – riu. – E não posso. Estou fazendo café.
Edward se afastou, fazendo um biquinho.
- E pode parar com isso. – Isabella afastou-se. – Quer um pouco de café, amor?
- É o jeito – tornou a resmungar, indo se sentar. – Então... o que a faz estar de pé tão cedo?
- Temos um dia cheio hoje – deu de ombros. – Não consegui dormir.
Edward sorriu.
- Consegue acreditar que Emily está completando sete anos hoje? – indagou. – Passou tão rápido...
- Eu sei – sorriu também, enquanto servia café para ele. – Pelo menos a fase de Tinker Bell acabou, hã?
Edward riu, balançando a cabeça em concordância.
Emily passara da fase da pequena fadinha aos quatro anos e meio. Depois disso ela demorou um pouco para conhecer outra coisa que gostasse tanto: até o seis anos, quando conheceu Hannah Montana.
Com avós tão bobos e babões, Emily ganhou mochilas, CDs e DVDs da cantora pop adolescente. E agora, seu aniversário de sete anos seria sobre essa cantora.
- Agora é Hannah Montana... – Bella balançou a cabeça. – O que não fazemos pelos filhos?
Edward riu mais uma vez, puxando a mulher para o colo.
- E o que eu não faria por você? – sussurrou, mudando o clima totalmente.
As bocas se uniram naquele beijo intenso e gostoso, provocando arrepios e gemidos em ambos. As mãos de Edward subiram pela blusa de Bella, acariciando suas costas. A morena arqueou o corpo, puxando mais a nuca dele para si e aprofundando o beijo ainda mais.
- As crianças... – gemeu Bella, sem querer se afastar.
- Estão dormindo – sussurrou ele, voltando a beijá-lo logo em seguida.
Bella assentiu e voltou a beijá-lo. Enrolou as pernas na cintura dele, aproximando ainda mais os corpos.
- Vamos para o quarto? – ela indagou. – Não quero traumatizar ninguém.
Edward concordou e voltou a beijá-la, erguendo-a no colo e começando a sair da cozinha e caminhando para o corredor.
- Mamãe?
Ambos gemeram, mas se afastaram. Edward colocou a esposa no chão e ela suspirou, já caminhando até o quarto do filho mais novo.
Anthony tinha quatro anos e era super parecido com Bella, herdando praticamente só o cabelo dos pais – bagunçados e acobreados – e algumas outras características.
- Bom dia, filho. – Bella sorriu, entrando no quarto azul. Os mesmos olhos castanhos que ela via quando se olhava no espelho a encararam e ele sorriu.
- Tô com fome – disse, ainda deitado na cama.
- Mas é claro que você está. – Bella pegou-o no colo. – Você parece filho do seu tio Emmett.
- Ele é meu filho – disse Edward, puxando o filho para o colo assim que a mulher apareceu no corredor.
- É claro que é – revirou os olhos. – Basta olhar para esses cabelos, esse nariz...
Os três seguiram para a cozinha e enquanto Edward brincava com o filho, Bella preparava o café da manhã dele.
Ela olhava por cima do ombro e sorria ao ver os dois conversando.
E se lembrou de quando se descobriu grávida – exatamente dois meses depois de ter voltado com Edward – e da gravidez toda.
Flashback On
O despertador soou alto, despertando Bella, que gemeu e se encolheu mais na cama. Ela não queria levantar...
O barulho foi interrompido logo em seguida e ela sabia que Edward tinha o desligado. Continuou ali, deitada, e não demorou muito para começar a se sentir sonolenta novamente.
- Amor... – Edward sussurrou, se aproximando dela. Um braço envolveu seu corpo e ele a puxou mais para si. – Hora de levantar.
Bella gemeu mais alto, sem saber se deveria falar com Edward sobre o mal estar que sentia naquele momento.
Decidiu ser sincera.
- Não quero – murmurou.
Ele riu.
- A gente tem que trabalhar – disse. – E levar nossa filha para a escola.
Bella balançou a cabeça, lutando contra a náusea.
- Não me sinto bem – sussurrou, sem querer admitir aquilo.
Imediatamente ele a virou, fitando-a com preocupação.
- O que você tem? – perguntou.
- Enjoada – murmurou. – Muito. Acho que comi algo estragado...
Edward insistiu para que ela ficasse em casa, mas logo após levantar e correr para o banheiro, ela se sentiu bem.
E achou que tinha ficado melhor.
Os enjoos se tornaram constantes, assim como o cansaço excessivo e a fome. Foi quando ela olhou para o calendário e se descobriu atrasada que decidiu marcar um médico.
Talvez fosse coisa de sua cabeça, pensou. Assim decidiu não comentar nada com Edward.
Mas quando ela teve o resultado positivo em suas mãos... Ela simplesmente não pode conter as lágrimas.
E quando Edward soube...
A felicidade era mais que visível.
Rosalie estava com 7 meses de gravidez, ela com 2. Foi impossível não sorrir, se sentindo ainda mais feliz quando descobrira que engravidara na noite que Edward e ela voltaram.
Os preparativos do casamento deles estavam indo a todo vapor. Adiantaram as coisas devido à gravidez, e Isabella achava que iria explodir de tanta felicidade quando se vestiu de noiva e caminhou até Edward, que desde o sim e o eu os declaro marido e mulher havia se tornado seu marido.
Eles fizeram uma pequena viagem de duas semanas para a Inglaterra. Emily ficara com os avós e Bella e Edward morreram de saudades da filha.
Edward comprou uma casa para eles assim que voltaram da lua de mel. Uma casa maior, com um quintal maior e uma piscina.
Quando a barriga começou a aparecer de verdade – aos quatro meses de gestação –, Bella e Edward decidiram conversar com a filha, explicando que agora ela não seria mais filha única. Foi um pouco difícil e ela teve, sim, um pouco de ciúmes, mas conforme o tempo foi passando e eles foram conversando com Emily, ela pareceu entender.
Nesse meio tempo, Royce, filho de Rosalie e Emmett, nasceu, trazendo felicidade para a família Cullen.
Edward foi ficando mais preocupado à medida que a gravidez se avançava, visto que Isabella se cansava mais rápido, tinha enjoos pelas manhãs e sentia muita dor de cabeça. Foi um pouco assustador para ambos descobrir que a pressão dela estava ficando um pouco alta e que eles teriam que cuidar disso.
Eles decidiram não tentar descobrir o sexo do bebê, embora Carlisle, ao ver a ultrassonografia, dizer que já sabia. Pediram então que ele mantivesse segredo.
Todos estavam ansiosos, esperando pelo nascimento de mais um Cullen.
- Três netinhos. – Os olhos de Esme brilhavam ao dizer isso. – Mal posso acreditar nisso.
Foi um pouco assustador quando, em abril, ao completar sete meses e meio, Bella começou a sentir contrações. Eles tentaram evitar que o bebê nascesse mais cedo, mas não teve jeito.
Anthony nasceu prematuro, no dia 15 de abril. Passou um tempo no hospital, apenas para se fortalecer, mas logo foi para casa, para a felicidade do casal e de toda a família.
Foi um pouco difícil no começo conciliar tudo. Emily novamente teve um pouco de ciúmes, agora que dividia a atenção com Royce e Anthony, mas com o tempo tudo foi se ajeitando.
Eles eram um casal. Eram uma família.
E não podiam estar mais felizes com isso.
Fim do Flashback.
Bella sorriu mais uma vez ao se lembrar de tudo e se virou, sentando-se de frente para Edward e seu filho. Ela lhe dava comida enquanto Edward o segurava, porque, como Emily, Anthony tinha uma capacidade incrível de se sujar.
- Parece que nossa princesa resolveu dormir até mais tarde hoje – comentou Edward, colocando Anthony no chão e o assistindo correr pela sala.
- Fica de olha em tudo, ok? – pediu a esposa. – Vou dar uma olhada na nossa pestinha mais nova.
Edward sorriu e assentiu, juntando tudo e dando uma ajeitada na cozinha. Quando terminou, decidiu ir assistir a TV, no quarto dele e de Bella, mas parou em frente a porta de um quarto, com uma placa pendurada, onde se lia Amy Cullen.
Seu coração batia acelerado cada vez que ele lia o Cullen ali. Ele se lembrara perfeitamente de quando Bella mudara o nome da filha, logo após eles se casarem, como parte do presente de casamento.
Aquilo o fez chorar feito um bobão, mas ele não tinha vergonha de admitir. Bella já dissera mil vezes que o perdoara por tudo e que confiara nele novamente, mas a maior prova disso, sem dúvida, era o fato de que ela dera seu sobrenome a filha mais velha.
Com cuidado, e com medo de acordar sua pequena Amy, Edward abriu a porta, sorrindo ainda mais quando viu o quarto todo pintado de rosa, com um pôster grande da Hannah Montana. Ele já previa uma reforma no quarto da filha quando ela se enjoasse da cantora.
Seus olhos voltaram para a cama que ficava localizada no centro, onde se podia ver apenas um emaranhado de cabelos ondulados e castanhos. As cobertas estavam em uma bela bagunça e algumas até estavam no chão.
Ele se aproximou devagar, apenas para fitar o rosto adormecido da filha. A cada dia que passava, ela se encontrava mais parecida com ele e com Bella de uma forma tão perfeita, numa linda mistura, que deixavam todos a sua volta apaixonados.
Os olhos continuavam verdes e os cabelos castanhos. O nariz e a boca pertenciam à mãe, mas o resto era o pai.
Ela daria muito trabalho para ele quando virasse adolescente. Edward já podia imaginar o telefone tocando, em intermináveis ligações para convites de bailes e festas.
Ele precisaria contar com a ajuda de Anthony, Royce e todos os homens daquela família para proteger sua garotinha.
Porque por mais que Emily estivesse completando sete anos e já conseguisse pronunciar o r nas palavras, ela sempre seria sua princesinha.
Até quando tivesse 30 anos.
Ele se sentou no chão, ao lado da cabeça dela e ficou ali um tempo, apenas observando-a, desejando que ela ficasse daquele tamanho para sempre.
Era doloroso imaginar que um dia ela teria que partir. E logo depois Anthony.
Ele queria seus filhos com ele, mas sabia que era impossível. Estava os criando para o mundo.
Sempre seria assim.
Ficou ali tanto tempo que se assustou quando os olhos da filha se abriram e ele viu aqueles verdes que ela tinha herdado dele, e sorriu.
- Bom dia, minha aniversariante favorita – sussurrou, sem deixar de sorrir.
- Bom dia, pai. – Emily bocejou, se virando na cama e derrubando ainda mais cobertas.
Ele aproveitou que a filha arredara e se deitou na cama, puxando-a para seus braços.
- Feliz aniversário, princesa – disse, dando-lhe um beijo na cabeça. – Que você continue assim, a filha que todo pai queria ter.
- Pai... – murmurou e ele riu, adivinhando que ela estava corando. – Obrigada.
- Papai te ama, meu bem – sussurrou, seu coração batendo de um jeito tão acelerado que parecia que iria explodir de tanto amor.
- Eu também te amo, pai – disse.
Edward sorriu – se é que em algum momento tinha deixado de sorrir – e virou Emily na cama, distribuindo cócegas, fazendo com que ela soltasse aquela gargalhada gostosa de ouvir.
Ele podia ficar ali ouvindo para sempre.
- P-para – pediu, lágrimas escapulindo de seus olhos verdes. – P-pai!
Edward parou por um momento, deixando que ela respirasse, enquanto observava seu sorriso.
- Será que tem lugar para mais dois aí? – A voz de Isabella soou na porta, fazendo com que os dois virassem.
Ela colocou Anthony no chão, que correu em direção a irmã, com um embrulho grande demais para suas pequenas mãos. Edward o ajudou a subir na cama, enquanto observava a esposa se aproximar.
- Feliz anivelsálio, Amy – sorriu, estendo o embrulho.
Emily riu e puxou o irmão para um abraço, dando um beijo no seu rosto. Anthony deu um sorriso lindo para a irmã, enquanto a observava abrir o embrulho.
O grito que Amy soltou podia ser ouvido por toda a vizinhança.
- Todas as temporadas! – gritou. – Obrigada, obrigada, obrigada!
Bella e Edward – assim como Anthony –, receberam abraços e beijos da filha mais velha.
- Parabéns, querida – sussurrou Bella, prendendo-a no abraço.
Depois de alguns minutos escutando felicitações, Edward e Anthony deixaram o quarto, deixando as duas mulheres da casa começarem a prepararem as coisas da festa que teria mais tarde.
Os quatro almoçaram juntos e enquanto Bella arrumava a cozinha, Edward ia dando banho em Anthony, deixando Emily conversando ao telefone com suas amiguinhas.
Horas mais tarde, já a noite, todos se encontravam prontos e seguiam para o mesmo salão de festa que usaram anos atrás, quando Emily completou três anos de idade.
Ela recebeu abraços de seus avós e de seus tios, partindo para os amiguinhos logo em seguida.
Anthony e Royce se divertiram também, correndo pelos cantos e brincando, sempre juntos. Como eles tinham uma idade muito próxima – três meses, devido ao fato de Anthony ter nascido prematuro –, eles faziam de tudo juntos.
Seriam grandes amigos quando crescessem também.
Emily adorou a decoração da festa. O bolo de Hannah Montana, os painéis, o local de colocar presente sendo um pequeno palco. Tudo tão lindo que a garota de agora sete anos, não conseguia parar de sorrir.
Já se passava das onze quando todos foram embora para casa. Anthony dormia tranquilamente no banco de trás, cansado depois de brincar tanto. Emily piscava os olhos verdes com cuidado, quase dormindo também.
E, naquele momento, observando a família, Edward e Bella não poderiam estar mais felizes.
Eles haviam passado por muito, mas passaram por tudo isso. Não foi fácil, é claro, só que tudo dera certo.
Edward estacionou em casa e saiu do carro, dando a volta para abrir a porta para a esposa. Bella sorriu com isso e revirou os olhos, como fazia toda vez. Mesmo depois de casados e com mais um filho para criar, Edward nunca deixara de ser cavalheiro.
- Pai... – A voz de Emily soou um pouco alta, chamando a atenção dois. – Me carrega?
Ele sorriu imensamente e foi para a porta de trás, abrindo e tirando de lá sua filha mais velha. Os braços dela rodearam o pescoço dele e sua cabeça descansou em seu peito. Emily suspirou, feliz, e seus olhos se fecharam.
- Obrigada pela festa – disse, abrindo os olhos para fitar a mãe e sorrir para ela. – Vocês dois são os melhores pais do mundo.
Bella pegou Anthony e os quatro entraram em casa.
Depois de devidamente vestidos em seus pijamas e acomodados em suas camas, Bella e Edward saíram cada um de do quarto de seus filhos e se encontraram no corredor, trocando um sorriso e um olhar apaixonado.
Eles combinaram de pegar os presentes de Emily no dia seguinte e trancaram a casa, sem dizer praticamente nada.
O silencio pairava no ar novamente, como fora naquela manhã. Os dois filhos deles ressonavam tranqüilos e o casal pôde aproveitar isso, entregando-se a paixão.
Eles tinham seus problemas, como todo casal, e sabiam que brigas iriam ocorrer às vezes. Mas eles eram felizes – extremamente felizes.
E até um cedo poderia ver isso.
FIM.
N/A: Prontinho, meninas! Mais uma concluída (: Obrigada pelo carinho de vocês e pelos reviews.
A próxima fanfic já está postado, bastam ir ao meu perfil. Espero que gostem dela também.
Besos imensos ;*
