Demorei bastante dessa vez, mas tenho minhas próprias razões para isso. Tenho que fazer uma escolha muito difícil e importante em minha vida. Não estou animada com o as opções que tenho, mas terei que escolher de qualquer forma! Ainda tem meu mestrado consumindo minha cabecinha. Pelo menos algo para me distrair um pouco e me tirar de meu próprio marasmo! Espero que curtam esse capitulo de hoje. Já vou avisando que esta fic está chegando ao seu final. Sempre me emociono quando cito essa palavrinha irritante: final. Mas tudo tem fim, e não posso mudar isso. Espero que ainda tenha leitores para ela. Conto com os reviews de vocês e espero que me digam quando encontrar algo fora do lugar!
Um grande beijo a Ane Momsen pelos reviews. Sinal que ainda tenho leitor aqui no .net. Não falei que estava acabando antes para não estragar a surpresinha!^^
Sonhar para os fracos é sua própria maneira de sobreviver ao vazio imposto por esse mundo. [JJ]
...
O hospital ficou completamente em polvorosa pela quantidade de repórteres que cercavam o lugar. Todos queriam uma exclusiva sobre a saúde da jovem Kuchiki. Havia algumas horas que Rukia fora carregada por Ichigo até o hospital de Ishida. Byakuya não demorou em chegar e sem atender aos apelos da mídia para dar seu próprio pronunciamento, entrou rasgando a parede formada por eles. Um andar inteiro foi reservado para acomodar a pequena. Muitos pacientes tiveram que ser transferidos para outros andares para não encontrarem a menina. Ichigo não gostou nada dessa atitude mesquinha do Kuchiki, mas não podia sair de perto de Rukia naquele momento crucial. Os médicos e enfermeiros não conseguiam aproximar-se da garota sem que essa se encolhesse e tremesse em desespero. Somente uma pessoa podia aproximar-se dela, seu namorado. Kurosaki Ishin também foi convocado para a junta médica, e aproveitou a proximidade de seu primogênito para conseguir realizar os exames necessários.
Ukitake também foi chamado para acompanhar a menina, pois era seu terapeuta de longa data. Mas o que viu o deixou triste, pois toda a melhora que ela havia conquistado através de seu trabalho até aquele momento foi absorvido pelo medo e a dor de ser seqüestrada. Ficou mais apreensivo quando soube por Ichigo, que Grimmjow era o estuprador de Hisana-san. Então entendeu o porquê da regressão em seu estado mental. Não a culpava, era um grande choque que teria que trabalhar muito. No quarto em que Rukia estava Byakuya tentava ouvir o que o jovem Kurosaki conseguiu da pequena, já que ela não se encontrava acordada para falar por si mesma. Estava sedada e demandaria tempo para conseguir falar algo sobre o assunto. Por isso, aproveitaram o momento para expor todo o acontecido.
- Ela me disse que queria matá-lo. Que foi ele quem matou a irmã ha anos atrás. Se eu soubesse disso antes, teria perseguido o cretino. Mas não podia deixar Rukia naquele inferno! – O rapaz esfregou os cabelos laranja num gesto irritadiço. Não havia descansado um só instante desde que soube que a namorada fora seqüestrada. As marcas nos olhos e os gestos descompassados deixavam claro que entraria em colapso em questão de horas. Kuchiki percebeu isso, apesar de não gostar muito do rapaz. Também ficou furioso por saber que o algoz de sua amada esposa estava freqüentando sua casa nos últimos meses. Não permitiria que o rapaz saísse inteiro nessa historia toda. Desde o momento que ouviu a versão de Kurosaki ligou para seu pessoal para encontrarem Grimm o mais rápido possível. Queria destruí-lo com as próprias mãos. Saber que a pequena irmã também queria matá-lo o fez ficar mais irado ainda. Conhecia o coração doce e benevolente da pequena, e pensar nela fazendo tal ato, o deixava sem chão.
- Não se preocupe garoto. Já estou tomando minhas próprias providencias! Isso não vai ficar assim! – Levantou-se exaltado e sem despedidas saiu da sala, não sem antes voltar-se para ver pela ultima vez no dia a pequena Kuchiki adormecida placidamente na cama. Isso lhe deu mais coragem para prosseguir com seu intento. Vingaria Hisana e Rukia de uma vez só. Agora que ela estava segura, nada impediria de ter sua justiça realizada. Mas primeiro, iria confrontar aquele que um dia acreditou ser um de seus melhores aliados; Jaegerjaquez Kei. Percebeu Ishida Ryuken parado ao lado da porta e acenou para que o seguisse.
- Eles estão na mansão Jaegerjaquez? – Perguntou seco e sem emoção.
- Ninguem permitiu que fugissem! Tanto Kei quanto Emmy estão aguardando sua presença. Disseram que Grimmjow não passou por lá! Fizemos uma revista e não encontramos vestigios dele. Provavelmente está escondido com algum amigo. Já estamos investigando os locais que frequentava e pessoas com o qual convivia. Dentro de algumas horas teremos todos nossos homens procurando por todo o Japão se precisar! – Arrumou os óculos e seguiu ao lado de seu velho amigo.
- E Aizen? – Lembrou o Kuchiki daquele que teve especial responsabilidade no sequestro de sua irmã de consideração.
- Urahara está em busca dele. Já sabe mais ou menos aonde ele vai se esconder, segundo seu contato no grupo inimigo. Resta só aguardar que o peixe morda a isca, como ele mesmo citou! Creio que Aizen seja interesse de Kurosaki Ishin! Afinal eles têm uma richa de longa data. Não creio que nos dará tempo de fazermos nossa própria justiça! – Pronunciou solene, mesmo vendo Ishin passar por eles com uma leve saudação. Estava apressado e não parou para um cumprimento melhor. Correu para o estacionamento. Byakuya e Ryuken pararam ambos para contemplar ao longe o médico acelerar seu automóvel para com certeza encontrar seu inimigo.
- Parece que não terei que me preocupar com esse mafioso afinal! Sabe o motivo dessa richa? – Curioso, questionou já que nunca se preocupou muito com a trajetoria de Aizen. Ryuken observou o companheiro de trabalho sumir na estrada noturna, e se voltou para comentar algo que nem mesmo ele fazia questão de mencionar.
- Ele matou a mulher dele! – Foi tudo o que disse. Kuchiki não precisou de detalhes. Compreendia bem o que o doutor sentia. Passaram pela mesma experiência. Resolveu dar fim a sua própria curiosidade e continuou caminhando firme para enfrentar um de seus problemas atuais; a imprensa.
- Se quiser, podemos sair pelos fundos como fez Ishin! – Ishida percebeu o desconforto do jovem lider ao ver no portão de entrada um amontoado de pessoas e equipamentos de filmagens.
- Não! Mais cedo ou mais tarde isso tem que acontecer! Vou dar a eles o que querem, a minha maneira! – Tomou a famosa pose fria da familia e se dirigiu a mesa que lhe haviam preparado para a comitiva de repórteres de várias emissoras locais e nacionais.
Enquanto o sangue escorria, Ulquiorra seguia submerso em suas próprias lembranças. Um dia desejou ser como Grimm? Voltou ao seu tempo de menino de rua. Ao tempo em que quase tirou a própria vida por achar desnecessário continuar mantendo-a. Foi ali naquele momento que o encontrou. Nunca deveria ter-lhe dado ouvido. Deveria ter seguido em frente e ter tirado seu ser daquele inferno que alguns chamam de mundo. Mas foi idiota o bastante para deixar-se seduzir-se pela proposta de Grimm de uma vida cheia de aventuras e prazeres que valeriam a pena vivenciar. "E morto não poderia gozar isso, não?" Foi uma das frases que lhe ficou marcada na época. Sentiu vontade de continuar um pouco mais. Grimm lhe deu essa vontade. Mas como se arrependia de ter aceitado. Nunca foi feliz ou mesmo satisfeito em ter nascido. Para sua mente analítica, se você não tem alguma contribuição para deixar ao mundo, então não merece viver. Ele se encaixava nisso. Não tinha família, casa, amigos, emprego decente ou qualquer tipo de contribuição que poderia dar. Então achou por bem por fim a isso. Não teria remorsos, já que ninguém se importaria com ele. Mas aquela frase simplória o fez mudar de idéia. E para que? Para estar agora sentado naquele sofá, aguardando aquele que um dia imaginou ser seu companheiro, já que nunca se imaginou tendo amigos, morrer de hemorragia a sua frente? Não ouvia mais seus gemidos. Grimmjow permanecia inconsciente e sangrando muito pelo ferimento no ombro. Com certeza não atingiu nenhum órgão, já que o buraco do projétil foi no topo próximo ao braço esquerdo. Se ficasse ali morreria sem duvida. Voltou-se para sua pistola que permanecia pousada em seu colo. Tomou-a com sumo cuidado. Abriu o tambor para certificar-se de que ainda tinha bala. Restava-lhe somente uma. Os pentes que algumas horas atrás – ou no dia anterior, se considerar que já terminava o presente dia – havia descarregado em seus próprios companheiros para salvar aquela mulher que lhe chamou atenção, estavam abandonados no chão da cozinha. Não havia comido nada. Por alguma estranha razão, sabia que Grimm viria buscar guarida caso algo saísse errado com a princesinha dos Kuchiki. Aguardou pacientemente no mesmo lugar. Saindo pouquíssimas vezes para satisfazer suas necessidades biológicas, e nada mais. O mundo a sua volta havia desaparecido. Tinha apenas uma meta. Vingar-se daquele que se interpôs a seu destino de anos atrás. Aquele que lhe "salvou" de um suicídio necessário. Recolocou o tambor e vagarosamente posicionou a pistola em sua têmpora. Não satisfeito com o que imaginou acontecer, colocou-a em sua própria boca. Sim, essa seria uma forma mais satisfatória de destruir seu próprio cérebro, sem chances de sobreviver, mesmo que alguém viesse tentar salva-lo. Não falharia duas vezes em sua vida. Não permitiria que nenhum sorriso por mais inocente, como o daquela mulher ruiva, o devolvesse a esse mundo que considerava podre desde que se entendia por gente. Não deixaria que nenhum "filhinho de papai" viesse tentá-lo a conhecer mais dos prazeres oferecidos aos habitantes desse planeta que considerava atrasado e desnecessário. Sim, destruiria de uma vez por todas aquele corpo vazio e sem coração, para que ninguém mais o olhasse diferente ou com piedade. Não permitiria mais viver sem uma meta ou sonho. Não possuía isso. Nunca sonhou e jamais sonharia. Nunca amou, e jamais permitiria esse sentimento fraco e desnecessário tomar-lhe. Um gemido baixo o fez voltar-se a realidade. O dedo fino já estava prestes a apertar o gatilho que o livraria de seu próprio jugo.
- Ul... Qui...or...ra? – Odiava aquele desejo estúpido de sobrevivência de Grimmjow. Como o odiava por isso. Tiveram vidas similares, apesar de ser em países completamente distintos. Mas tinham ideais completamente contrários. Grimm amava viver, ter prazer e dinheiro para curtir o que a vida lhe podia oferecer. Isso era a maior razão de sempre duvidar que realmente lhe deu ouvidos um dia.
- O que quer? – Respondeu ao retirar a arma da boca. Aguardou longos minutos até obter sua resposta de um moribundo.
- Por... Que? – O corpo retesado de Grimm o fez perceber que ele ainda mantinha forças para continuar lutando contra a morte. Isso fez franzir o cenho. Como era irritante sua persistência.
- Por quê? Eu quem pergunto! Já deveria estar debaixo da terra a anos. Mas você com sua ideologia estúpida me fez continuar aqui. Para que? Matar você? A própria vida faria esse favor à sociedade. Mas não... Você tinha que me seduzir com sua estupidez de menino sonhador. Isso é o que mais detesto nos seres humanos. Sonhar! Para que? Tudo o que fazem é apenas ficar correndo de um lado a outro sem sair do lugar, para depois tudo cair contra suas cabeças. Depois dizem que valeu a pena. O que valeu a pena Grimm? Viver? Para depois morrer? Deixar tudo o que fez pra trás. Para outros que não fizeram nada por merecer usufruir de seu suor? Sinceramente não vejo graça nisso. Foi somente por isso que atirei em você. Vai me odiar por isso? – Esperou uma resposta, mas não teve nenhuma. Pela respiração agitada do rapaz caído, ele havia prestado atenção em cada detalhe e palavra que pronunciou. Voltou a posicionar a pistola na boca.
- E-u vo-u so-bre-vi-ver... – Aspirou forte e apertou as mãos pousadas ao lado do corpo inerte em punhos. – E vo-cê va-i me a-co-panhar... Va-i me ver ser gran-de... Gran-de... – Aquilo fez Ulquiorra soltar a pistola no chão. O que era aquilo? Não conseguia matar-se com aquelas palavras. Olhou para a arma caída aos seus pés e xingou uma maldição baixinho. Olhou novamente para seu companheiro caído e se aproximou com passos vagos e descompassados. Estava atordoado.
- O que quer de mim Grimmjow? Basta! Estou cansado disso aqui. Deixe-me em paz! – Confessou ao rapaz. Grimm de forma lenta e dolorosa alçou a cabeça para mostrar seus olhos azuis e intensos para os verdes de Schiffer. Um sorriso brotou daquele rosto pálido. Ulquiorra ficou desconcertado com a confiança daquele riso em Grimm.
- Por-que não nasce-mos para mor-rer... So-mos ca-çadores e não a ca-ça! – Esforçou-se para sentar o pesado corpo, diante de um abismado e boquiaberto Ulquiorra.
- Hunf! Você não tem salvação. – Sentou-se ao lado do rapaz que tentava recuperar o próprio fôlego com o esforço para se levantar. Não sabiam nada do que estava acontecendo lá fora, mas pouco se importavam com isso. O mundo já não existia para nenhum dos dois. Agora só tinham suas próprias metas para alcançar.
- Idiota! – Proferiu de forma vazia o jovem Ulquiorra. Mais uma vez seu intento teria que esperar. Por alguma razão, sentiu-se pressionado a realizar o desejo daquele perdedor. Arrependeria disso com toda certeza, mas pouco importava agora. Não tinha nada para fazer mesmo.
- Nanao? – Ichigo sussurrou ao ver sua amiga passar pela porta. Logo atrás pôde ver seus companheiros sorrindo. Não suportou e deixou-se ser abraçado com intensidade pela jovem. Aquele calor era o que mais precisava agora. As pálpebras pesavam e as vozes começaram a ficar distantes de si. Não percebeu quando Tatsuki entrou no quarto enorme. Desmaiou nos braços de Ise. Todos acudiram ao rapaz ruivo. Uma maca foi trazida por uma enfermeira, e seguida a ela vieram às gêmeas Kurosaki para certificar-se de que seu irmão estava vivo.
- Meu Deus! Afinal o que está acontecendo aqui? – Karin chamou a atenção de todos. Elas eram as que menos sabiam do que estava acontecendo. O máximo que ouviram fora a mídia quem fez questão de pronunciar.
- Parece que terei que explicar algumas coisas para todos vocês, certo? – Shunsui se fez presente aquele amontoado de amigos, conhecidos e penetras. Ishida, Nel, Hisagi, Hiraku, Nanao, Tatsuki, Yuzu e Karin aguardavam ansiosos para saber o que estava acontecendo afinal. Tudo isso era confuso e sem sentido. Por que tantas famílias envolvidas em um só caso?
- Então explique o que a Orihime tem haver com tudo isso? – Tatsuki se adiantou aos outros. Os queixados de todos inundaram o quarto, tendo que a enfermeira reclamar e exigir que todos saíssem do quarto, já que duas pessoas precisavam de cuidados médicos ali. Saíram dali envergonhado pela reprimenda, mas não escondiam a curiosidade em saber tudo o que aquele homem de porte estranho tinha a dizer.
- Primeiro, sentem-se. Acho que todos aqui merecem saber tudo o que está acontecendo. Mas já vou informando que se quiserem saber mais perguntem para os envolvidos. Ichigo, Ishin, Byakuya, Ishida, Jaegerjaquez e Aizen! – Numerou cada um dos principais protagonistas daquela imensa historia.
- Meu pai? – Ishida Uryu exclamou apos ouvir seu sobrenome exposto.
- Sim e muito mais. Sua familia inteira, para ser mais preciso. E todo o gatilho foi à morte de duas mulheres. – Confidenciou Shunsui para assombro de todos. Todo aquele quadro por causa da morte de duas mulheres? Não era a mafia a causadora disso tudo? Não era somente pelo dinheiro que o sequestro de Kuchiki havia sido arquitetado? – Kuchiki Hisana e Kurosaki Masaki! – Finalisou tendo a atenção especial das gêmeas ao ouvir o nome de sua mãe pronunciada.
Por quanto tempo Grimm irá viver? Parece que Ulquiorra estará presente nesse quesito. Qual a verdadeira historia sobre a morte de Masaki? Foi assim que as duas familias se encontraram contra o mesmo inimigo? Kuchiki e Kurosaki versus Aizen e Jaegerjaquez. Espero que curtam. Eu estou gostando muito de escrever essa fic. Apesar de meu estado de espirito (diga-se de passagem uma droga!), estou curtindo muito escrever. Bem. Deixo-vos por aqui. Que essa semana seja cheia de alegrias para todos e muita prosperidade. Grande beijo a todos,
JJ
