Temporada de Caça: Aberta - Sarah Mlynowski
Capítulo Dois
Não, não sou uma prostituta, mas às vezes gosto de me parecer com uma
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- Alô? Allie?
Ora! Ninguém em casa. Não há nada que eu goste mais do que andar num apartamento vazio. Mas nem sempre as coisas foram assim. Quando fui para Penn e morei com Angela, não havia nada que eu gostasse mais do que chegar em chegar em casa e ver minha melhor amiga jogada de bruços no sofá vendo TV, com as pernas em cima das almofadas floridas, vermelhas e rosa que sua avó havia nos dado. – Ora! Você está em casa – diria Angela, antes de prepararmos um café com baunilha (dois pacotinhos de adoçante para mim e uma colher de açúcar para ela), para que contássemos tudo o que aconteceu durante o dia nos mínimos detalhes:
- E então eu entrei no restaurante e vi Leah Clearwater e Quil Ateara.
- Eles ainda estão juntos?
- Sim, depois que ele a enganou. Dá para acreditar?
Acho que foi meio egoísta da parte dela ir para Nova York e me deixar assim sozinha.
A luz vermelha do meu telefone está piscando, indicando que tenho mensagens na secretária eletrônica.
- Você tem três novas mensagens. – diz a voz no meu aparelho.
Não vou pensar que uma delas talvez seja de Jacob. Não vou esperar que ele tenha mudado de ideia e, assim que apertar o play,ouvir ele dizer "oi, sou eu, sinto muito a sua falta" com sua voz de locutor radiofônico nova-iorquino. Sei que só irei receber uma mensagem dele quando eu menos esperar. É assim, desse jeito doentio, que o mundo funciona. Posso ver o quadro: aperto distraidamente o play, sem que seu nome me venha à mente uma vez sequer, e o "oi, sou eu, sinto muito a sua falta" me atingirá como uma ducha gelada que tenho que tomar toda manhã porque Alice gasta toda a água quente durante suas maratonas de quarenta e cinco minutos.
Olhe para isso! Tenho mensagens! La, la, la. De quem são? Vou ouvi-las sem ligar para quem possa ser.
"Oi, Alice, é sua mãe. Ligue-me assim que puder." Bipe.
"Bella! Bella, cadê você? Liguei para o seu trabalho e você não atendeu. Vou sair agora, mas preciso falar com você. Estou tendo uma crise emocional. Matthew disse para Mandy que gosta de mim e que eu não gosto dele, o que faço? Ligue-me assim que chegar em casa. Mas estou de saída. Deixe um recado." Bipe.
Iris está sempre no meio de uma crise emocional. Quem é Matthew?
"Oi, Isabella. É Renée. Só estou ligando para dar um alô. Ligue-me assim que puder." Bipe.
Droga.
Renée é minha mãe. Quando eu tinha quatro anos, ela insistia para que eu a chamasse pelo primeiro nome. Tal proibição tinha algo a ver com o fato do rótulo "mãe" ser parte de uma conspiração ideológica burguesa que servia para manter o poder e a posição da classe dominante – os pais. Mas, assim que fiz cinco anos, meu pai foi promovido de gerente do departamento de lingerie para diretor de roupas de frio para senhoras, e minha mãe começou a botar para fora suas filosofias marxistas, descobrindo seu eu interior materialista. Mas aí já era tarde para que eu pudesse começar a chama-la de mamãe novamente. O aprendizado estava completo. Amo Renée profundamente, não me leve a mal, mas ela é um pouco biruta.
Isabella Marie Swan é o meu nome completo. Jamais uso o Marie. Detesto o nome Marie. Ainda não sei por que meus pais me deram um nome tão medonho*. Renée deve ter me batizado durante uma viagem com alguma droga alucinógena nos anos 70. Convenci-a a me chamar pelo meu primeiro nome (uma vez que ela me chamava com os dois. "Isabella Marie, faça o que estou mandando!"), mas meu pai parece ter uma certa dificuldade de aprendizado no que abrange a tal tópico.
*No original, a personagem se chama Fern Jacquelyn Norris. Como nome "medonho", ela se refere ao Fern. Eu faria o mesmo =x
Numa determinada época, morei com Renée e meu pai numa casa que ficava numa rua chamada Lazar, em Danbury, Connecticut, e minha melhor amiga era uma garota de tranças chamada Angela que tinha a mesma altura que eu. Hoje em dia, Angela é bem mais alta, ainda é minha melhor amiga e suas tranças se foram (elas reapareceram durante um breve período dos anos 90, como um resgate daquele visual "gracioso"). Meu pai – chama-se Charlie, mas eu tinha permissão para chama-lo apenas de papai –, como mencionei, trabalhava com roupas femininas enquanto Renée fabricava braceletes. Ela criava milhares deles, alguns com imitações de diamante feitas de vidro, outros com pequenas luas e estrelas prateadas. Vendia um e outro para as butiques das redondezas, mas guardava a maioria em velhas caixas de sapato que acumulava como se fossem tijolos ao lado da estante de livros. O bom disso era que, na época, ela estava sempre na moda e comprava muitos pares de sapatos.
Quando fiz seis anos, descobri que meus pais, que eu acreditava terem um casamento maravilhoso, não gostavam um do outro. Isso agora faz todo o sentido do mundo. Tudo fica tão claro quando você olha para trás – a resposta correta numa prova, o cara que gostava de você e você achava mais ou menos até a líder de torcida começar a namorá-lo, o ponto cego que você deveria ter checado antes de fazer aquela curva súbita que a fez perder o seu espelho retrovisor – mas na época achei aquela mudança súbita de opinião apavorante. Papai se mudou para um quarto de solteiro, e eu e Renée nos mudamos para um apartamento de dois quartos que ficava do outro lado da cidade.
Alguns meses depois, papai se casou com Sue, que trabalhava como agente de viagens em meio expediente, e ambos se mudaram para uma casa em Dufferin. Alguns meses depois disso, Renée se casou com Phil, um jogador ofuscado, e nos mudamos para seu apartamento de dois quartos, que era apenas um pouco maior do que o nosso antigo, na Avenida Carleton. A essa altura eu estava com oito anos, Renée estava grávida de Iris, e nós três e meia nos mudamos para um de três quartos em Finch (Iris, por acaso, foi encorajada a chamar Renée de "mamãe"). Quando minha meia irmã tinha quatro anos, Renée decidiu que estava cansada de ouvir os vizinhos no andar de cima, de se sentir como se vivesse numa pista de boliche, de não poder colocar seus CDs dos Beatles no volume máximo sem que a polícia viesse e mandasse baixa-lo (sim, isso de fato aconteceu), e resolveu que iríamos nos mudar para a nossa própria casa.
Fomos para a Avenida Kelsey e ficamos por lá até Renée entender que estava farta de não poder usar suas sandálias Birkenstock, com medo dos carrapatos. Nos mudamos então para Boston. Graças a Deus, esse nós não me incluiu. Foi quando eu fui para Penn. Eles moraram quatro anos em Newton até que Renée decidiu se mudar para a Virginia, pois "todo mundo podia andar menos de quinze minutos e molhar o pé no mar".
Nos meus vinte e quatro anos vivendo neste planeta, já tive, até agora, quatorze quartos diferentes. Para chegar a esse número, tenho que incluir meu alojamento na faculdade, meu primeiro apartamento em Penn com Angela e meu primeiro apartamento em Penn depois que Angela conseguiu seu emprego no banco de investimentos em Nova York. Fiquei, a princípio, para fazer o meu mestrado, mas na verdade queria estar perto de Jacob. Também faz parte desta lista o apartamento no qual meus pais viveram quando Renée estava grávida de mim.
Ainda não estou com vontade de retornar a ligação de Renée. Prefiro ficar deitada no meu sofá, vendo um pouco de televisão para aliviar a mente. Clique. Clique, clique. Nada a não ser notícias chatas.
Decido ficar admirando as botas pretas de couro e de salto alto que comprei na rua Newbury quando ia para o trabalho. Toda garota que acabou de ficar solteira precisa de botas novas. É o primeiro passo no processo de recuperação.
Existem, de fato, cinco etapas para uma boa recuperação. Angela e eu as escrevemos na faculdade depois que ela terminou com o... qual era o nome dele? O veterano da Economia que a traiu com a menina que usava cintos verdes... ah, sim, o Cabeção.
Encontro a lista na minha gaveta de bugigangas, entre uma fita cassete com músicas para o Dia dos Namorados, que traz clássicos como "I Just Called to Say I Love You", "Lost in Love" e "Glory of Love", e dois canhotos de ingressos para show do New Kids on the Block. Acho que estávamos planejando manda-la para a Cosmo ou coisa parecida. A lista, escrita com tinta roxa, cheira a maços de Marlboro velhos. Foi feita na época em que queríamos nos tornar fumantes.
Como se Recuperar de uma Separação
1. Compre botas pretas de couro e salto alto.
2. Corte o cabelo num novo estilo. Descubra um salão de beleza extravagante, onde lhe sirvam café e os gays fiquem dizendo que você tem o cabelo mais deslumbrante que eles já viram.
3. Ligue para uma amiga a fim de que possa falar sobre o quanto sente a falta do seu ex e para que ela possa lembra-la de todas as vezes em que o dito-cujo a irritou, enquanto admite que jamais o achou belo ou atraente, que você pode conseguir coisa melhor, que ele era desprezível, que tinha um cheiro estranho, etc. Esta etapa pode ser mais bem realizada com uma amiga medíocre em vez da melhor amiga, caso você pretenda se reconciliar com seu namorado.
4. Ligue para amigos do sexo masculino para que eles possam lembra-la do quanto é desejável. Não faça bobagens com esses amigos. Você precisará deles durante alguns meses, depois da sua separação.
5. Compre biscoitos de chocolate e/ou uma caixa com barras de chocolate tremendamente finas e caras, com vários recheios diferentes, e coma a caixa e/ou pacotes inteiros.
É incrível! Cinco anos se passaram e as regras ainda são (quase) válidas:
1. Botas. Confere.
2. Cabelo. Tenho que fazer uma pesquisa cuidadosa antes de passar por essa etapa. Nada é pior do que terminar a etapa número dois aos prantos, tendo que usar o boné do time de beisebol do Red Sox que Jacob comprou para que eu parecesse uma integrante da torcida.
3. Ligar para uma amiga. Confere. Bom, meio que confere. Considerando que eu e Jacob nos separamos cinco vezes em três anos, já perdi todas as minhas amigas medíocres e me recuso a correr riscos com as que sobraram.
4. Ligar para um amigo. Esta etapa é meio problemática devido a minha falta de capacidade para manter ou conhecer amigos do sexo masculino desde que eu e Jacob começamos a sair.
4.a. Fazer amigos do sexo masculino.
4.b. Ligar para amigos do sexo masculino.
5. Chocolate. Confere. Ter biscoitos de chocolate no freezer é tão crucial quanto guardar uma nota de vinte na carteira para uma emergência. Não que eu não consiga guardar os vinte na minha carteira. Recentemente modifiquei a quinta regra. Como chocolates enquanto assisto a Sex and the City ou Ally McBeal para me lembrar que há outras mulheres solteiras, atraentes e bem-sucedidas por aí e que, ao contrário de mim, têm mais de trinta anos.
As etapas de um a cinco devem ser repetidas livremente até a moça superar a separação. As regras um e dois devem ser levemente alteradas a cada dispensada, com o uso de sandálias sexy, calças de couro, tops que deixam as costas nuas, realces, permanentes... Você entendeu.
Hoje à noite, no entanto, não há tempo para me empanturrar de chocolate.
Tomo banho, de água quente para variar (chego até a usar a amostra de sabonete caro que eu tinha guardado para a volta de Jake. Está vendo? Praticamente já superei sua perda), seco o cabelo até ele ficar liso (isso leva um pouquinho mais de tempo e faz com que eu queime meus dedos sem parar, mas não ligo porque me deixa muito chique), coloco minha saia preta que vai até a altura dos joelhos e tem uma abertura na lateral das coxas, um top vermelho e provocante relativamente novo e minhas botas que, neste instante, parecem valer os US$ 150 que eu não podia gastar.
Uau. Estou demais.
Ando um pouco pelo quarto para me acostumar com o salto (nunca fui muito boa com relação à coordenação motora, mas consigo driblar meus probleminhas de equilíbrio – tudo bem que demorei vinte e quatro anos para isso!).
Encontro a página da Cosmo que ensina a fazer sombras nos olhos e tento seguir as instruções sem cutucar a minha pupila. Vou encantar os homens com meus olhos castanhos-chocolate, usarei um delineador nos lábios para destacar o meu sorriso e sorrirei mais que o normal.
Estou até usando uma pulseira de couro para dar sorte.
Estou cansada de esperar que as coisas aconteçam. É hora de sair por aí e agarrar a vida pelo... bem, você sabe. Tenho 24 anos, sou jovem, recuso-me a ficar sentada vendo minha bunda crescer enquanto Jacob fica circulando por aí se divertindo. As mulheres ficam sempre esperando que os homens venham até elas, chamem-nas para sair e as beijem.
Espera, espera, espera! A primeira vez que fiquei esperando por um beijo foi quando estava no primário. Parecia que todo o resto do mundo já tinha dado um beijo de língua (ficava imaginando o sujeito dando um beijinho na minha língua, e que eu tinha que botá-la para fora antes), incluindo Angela, que havia brincado de rodar-a-garrafa* na festa de aniversário do seu primo.
*No original, spin-the-bottle. Brincadeira maliciosa em que a garrafa é posta deitada no chão no meio de um círculo de pessoas, e então girada. Quando para, o gargalo aponta para uma pessoa que deve fazer uma proposta "indecente" para a outra que se encontra do lado oposto do gargalo.
Brady e eu já estávamos saindo há uns dois dias e estávamos sentados à mesa de piquenique que ficava fora do salão de dança do colégio, conversando sobre nada em especial (está quente aqui fora, hein?), experimentando aquele suar de mãos, aquele coração que palpitava irregularmente, aquela sensação de o-que-acontece-se-eu-desmaiar-acho-que-estamos-prestes-a-nos-beijar. Finalmente, seu rosto meio que caiu sobre o meu, e logo estávamos nos beijando. Bem, não exatamente nos beijando, pois nossas bocas estavam fechadas e nossos lábios meio se batendo, como se fôssemos duas pessoas num vagão de metrô lotado que, por acaso, estavam dividindo o mesmo ponto de apoio. E, de repente, estávamos nos beijando. As instruções de Angela me vieram à mente: é só manter a boca aberta e ficar mexendo a língua para todos os lados. A língua dele era carnuda e dava para sentir o gosto de chiclete no fundo da sua boca.
Esperar nunca é fácil. Depois do primeiro beijo, as garotas precisam esperar pelo seu primeiro amor, e depois temos que esperar para perder a virgindade. Ou, se você está cansada de buscar seu amor eterno, pode dormir com Tyler Crowley, o Penetra, que chamava (e provavelmente ainda chama) todo mundo de "almofadinha" e usava (e provavelmente ainda usa) roupas manchadas de propósito. Sim, você pode transar enquanto espera, como eu fiz.
Você sabe o que eu mais odeio na TV e no cinema? As pessoas nunca paqueram. Ou elas se beijam ou elas fazem sexo. Um sujeito começa a desabotoar o jeans de uma garota e ela diz "ainda não estou pronta para transar com você" e o cara responde que está tudo bem, ela fica vestida e tudo acaba ali. Você nunca ouve nada sobre as fases pelas quais as pessoas que eu conheço passaram antes que a ideia de fazer sexo tivesse de fato lhes ocorrido. Bem, estou certa de que lhe ocorreu.
Não dormi com Tyler imediatamente. Passamos por todas as fases, dando voltas, voltas e mais voltas, até o final do meu primeiro ano na faculdade, quando finalmente me enchi de ver a tal ideia me ocorrendo e resolvi que queria partir para a ação.
Nossa primeira vez foi num domingo à noite, na cama apertada do seu quarto no alojamento, enquanto o aparelho do som tocava Skeletons from the Closet. Na hora em que começou a segunda faixa, "Truckin", tudo estava acabado. Parecia que meu corpo havia sido dilacerado, enquanto nos sentávamos em sua cama fumando. Minhas mãos cheiravam a borracha e me lembro de ter pensando: "É só isso?"
Com Jacob, tudo foi subitamente... diferente. Ele deslizaria sua enorme mão pela parte inferior das minhas costas e eu perderia toda a capacidade de me concentrar em qualquer coisa a não ser nos deus dedos. Ele tinha mãos perfeitas. Tinham o dobro do tamanho das minhas, nunca ficavam suadas e cheiravam a folhas em brasa. A uma boa distância. Não era do seu feitio segurar as minhas mãos, mas ele estava sempre com o braço em volta dos meus ombros, costas ou joelhos.
Chega disso. É melhor trocar o meu canal mental.
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Coelhinhos da Páscoa.
Olhem para mim, eu sou Sandra Dee.
Bem, não exatamente igual a Sandra Dee. Estou esperando Rosalie, vestida que nem uma puta, quando ouço Alice e Jasper se aproximando da porta da frente. Às risadinhas. Eles estão sempre rindo. São daqueles casais que estão sempre se tocando, fazendo com que todos à sua volta fiquem pouco à vontade.
Não percebi, quando assinei o contrato de aluguel, que dividiria o apartamento com duas pessoas.
Tudo bem, a verdade é que eu raramente vejo Jasper. Alice tem uma TV e um banheiro em seu quarto, e os dois raramente saem. Eles apenas fazem sexo. Muito. E ficam vendo Law and Order, que por alguma razão passa seis vezes por dia.
O que realmente me incomoda na Alice é o seu olhar de por-que-você-não-pode-limpar-a-sua-bagunça-pois-ela-realmente-me-incomoda. Como o que desfere quando encontra as minhas meias na mesa do café. Ou quando pergunta por que eu sempre deixo os restos das coisas no refrigerador, como uma caixa de leite, uma forma de pizza só com migalhas, o jarro de chá gelado com uma borda de gel marrom no meio mas sem nada de chá. Uma vez, ela me disse, enquanto jogava a metade mofada do meu sanduíche de queijo na lata de lixo, que da próxima vez não precisaria guardar nada para ela comer depois. E não houve nenhum sarcasmo nisso.
O negócio é o seguinte: acabar com alguma coisa sempre envolve limpá-la ou jogá-la fora, e provavelmente também envolve a substituição de um saco de lixo já cheio por outro vazio, que por sua vez deve ser jogado na lixeira – e tudo isso junto significa muito trabalho.
Tenho os mesmos problemas com relação à água filtrada. Eu jamais acabo com uma jarra. Detesto ter que enchê-la novamente.
Allie fica incomodada com o fato de eu fazer com que tudo seja sua responsabilidade. Como juntar o dinheiro do aluguel, pagar as contas, molhar as plantas, alimentar o gato... Sempre me asseguro de que ela vai tomar conta dessa parte porque eu tomo conta da outra, certo? Não me peça para definir essa outra parte; por hora, estou num momento intangível (Jake, Jake, Jake). Por sorte, Alice acaba fazendo tudo, caso contrário teríamos uma nota de despejo, plantas marrons e um gato morto.
Estou brincando no que diz respeito ao felino. Eu me lembraria de alimentá-lo. Nós nem temos um gato, posso jurar.
Alice abre a porta. Ela e seu anexo estão carregando, cada um, um saco de mantimentos.
- Olha só você! Que mulher sexy! O que vai fazer hoje à noite?
- Vou para o Orgasmo.
Jasper dá uma risada.
- Boa sorte.
Alice dá outra risadinha, larga sua sacola de mantimentos e agarra Jasper pela cintura (ela é muito baixinha e, arrisco dizer, que isso é tudo o que ela pode alcançar).
- É o bar Orgasmo, seu bobo.
- Eu sei. Só estava brincando, sua gatinha atrevida.
Jasper chama Alice de "gatinha atrevida". Não sei por quê. Nem mesmo sei o que ele quer dizer com isso.
- Eu sei, gatão.
Alice chama Jasper de "gatão". Não sei por quê. Não quero saber por quê.
- Com quem você vai? – pergunta Alice.
- Rose. Vamos ficar muito bêbadas e conhecer homens. Vocês dois querem ir? – por favor, digam não.
- Parece divertido. – afirma Jazz. – Mas vamos ficar vendo L. and O.
Graças a Deus.
Alice dá outra risada.
- Esse nome é novo? Que nem SNL e KFC?
- Tudo agora gira em torno de siglas, você sabe. – explica Jasper. – Se você se comportar bem, gatinha atrevida, talvez eu a leve depois para comer um sorvete no DQ.
- É normal alguém ser tão degenerado? – pergunta-me Allie enquanto apalpa o traseiro do seu gatão.
- Você é que é degenerada. – afirma seu anexo.
Pela segunda vez hoje, acho que vou vomitar.
Depois que ambos desaparecem por trás de uma porta que, graças aos céus, se fecha, decido preparar os instrumentos para nossa intoxicação enquanto espero por Rose.
Pego a vodca e duas taças. Ela vai chegar a qualquer momento. Posso muito bem me servir enquanto a espero.
Uau! Vou sair hoje à noite! Embora nunca tenha ido ao Orgasmo, já ouvi várias descrições do local feitas por Rosalie. "É o lugar para ser vista", explicou-me uma vez, depois que menti dizendo que não podia acompanha-la, pois tinha muito trabalho para casa. Com certeza não estão me pagando o suficiente para isso. Pagando o suficiente, ponto.
"Qualquer um que é alguém vai lá", disse ela. Fiquei levemente surpresa pelo fato de haver gente, além da rainha do baile nos filmes de TV, que de fato usava tal expressão.
Que se dane. Hoje à noite eu serei vista. Se Rosalie chegar aqui, claro. Rose, cadê você?
Jacob, cadê você? Pernas longas e holandesas me vêm à cabeça.
É melhor que eu tome a dianteira e tenha as minhas. Doses, quero dizer. Não pernas longas. Toda fantasia deve ser baseada, em algum grau, na verdade; qual a vantagem de ansiar por alguma coisa que pode jamais acontecer?
Ai. Isso queima. O drinque, não a verdade (embora esta também possa sacudir uma garota se ela deixar).
Maldita seja aquela puta holandesa e seu piercing de umbigo.
A dose está ali, sozinha, como se fosse o último biscoito de chocolate do pacote. Por isso a entorno na hora em que toca a campainha lá de baixo.
- Encontrei algo para usar. – a voz de Rosalie flui através do porteiro eletrônico. – Desce aí.
Está vendo? Se eu não tivesse tomado as doses, elas teriam sido desperdiçadas.
Tudo bem que essa Bells é completamente diferente da outra, mas... Cara, algumas coisas são tão verdadeiras! hahaha Quem nunca tentou passar por etapas para se recuperar do pé na bunda? LOL
Ah, se alguém tem alguma dúvida sobre algo dito no capítulo, me avisem ok? A autora utiliza muitas marcas comuns aos americanos e, às vezes, a gente fica flutuando no meio do texto sem entender muita coisa. NÃO DEIXEM DE AVISAR, caso haja dúvida.
Beijinhos e até sexta que vem (:
