Temporada de Caça: Aberta - Sarah Mlynowski


Capítulo Sete

Mais Carne


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Ok, não fui na quarta-feira depois do trabalho, mas não foi por preguiça, juro. Foi porque agora eu jogo de um jeito diferente com a vida: penso na frente. Em vez de seguir atropelando como normalmente faria, eu ligo primeiro para marcar um encontro. Está vendo como posso ser organizada quando ponho minha cabeça para funcionar? O professor, Mestre Nan-Chu, me disse para ir no sábado de manhã às onze para uma aula teste. Uau, uma aula grátis! Espera um minuto – por que eu preciso de uma aula teste? E se ele não gostar de mim? Será que pode me recusar?

Amanhã é sábado, por isso não posso voltar tarde para casa. Não muito tarde.

Se tenho que estar na academia de tae kwon do às onze, então terei que sair de casa às 10:30, o que significa que precisarei acordar às dez. Espera – provavelmente terei que comer antes de ir. É recomendável esperar pelo menos uma hora depois de comer antes de nadar; a mesma coisa deve valer para artes marciais. Ok, tenho que terminar de comer às 9:45, o que significa que tenho que começar a comer às 9:30 e, por isso, acordar às 9:15. Talvez às 9:25, considerando que não faz sentido tomar banho se vou ficar toda suada.

Mas não vamos botar a carroça na frente dos burros. Hoje à noite vou para o Orgasmo com Rosalie. Assim que ela chegar aqui, é claro. Fiquei esperando uma eternidade no saguão, sacudindo-me com minhas botas novas, que estou usando debaixo da calça porque, embora ninguém consiga vê-las, fazem com que eu me sinta bem sexy.

Até que, finalmente, um BMW para cantando pneu na pista circular. A motorista tem dentes brilhantes que parecem saídos de um comercial de pasta de dente, cabelos negros, longos e lisos, e acenando freneticamente ao seu lado está Rosalie. Abro a porta do automóvel e sento no banco de trás.

Rosalie nos apresenta, olhando para mim pelo espelho retrovisor.

- Bella, esta é Heidi.

Heidi? Será uma atriz pornô?

- Oi, Heidi, prazer em conhecê-la.

O braço da moça se levanta levemente como se fizesse um cumprimento. Suas unhas são tão falsas e eu também não estou muito certa da expansão do seu peito. Aposto que ela tem um aperto de mão desprezível e que seu pulso é do tamanho de um palito. Meu pai sempre diz que você pode julgar uma pessoa pelo seu aperto de mão.

- Como é que você conheceu Rose, Heidi?

- No colégio.

Suponho que não tenha sido na faculdade. Ela tem a palavra puta escrita por toda a sua compleição provocante.

- Ginásio?

- Não, colegial. – sua voz é baixa e rangente.

- Heidi mora perto da esquina da minha casa. – diz Rosalie, tentando compensar a falta de habilidade que a vizinha tem para a conversa. Não que ela seja muito melhor nisso.

- Legal. – pausa. Agora é hora de você me fazer uma pergunta, Heidi, querida.

Silêncio.

Tudo bem, minha vez novamente.

- O que você faz em Boston?

- Moro aqui.

Sim, posso imaginar, sua imbecil. Queria saber se você tem um emprego ou frequenta uma escola, mas agora imagino que fique todo dia sentada sobre esse traseiro esquelético, lixando as unhas falsas, exceto quando resolve encontrar as amigas para almoçar folhas de aipo.

Desde o episódio do sujeito que ficou à nossa espreita, Rosalie se recusa a ir a pé para qualquer lugar.

- Onde vamos estacionar? – lanço a pergunta para ouvidos aparentemente surdos. – Estacionar? Alô? Carro? Alguém?

Rosalie se vira para me encarar.

- Heidi estaciona no corpo de bombeiros.

- No corpo de bombeiros! Quem você conhece no corpo de bombeiros?

Não houve resposta.

- Seu pai é bombeiro?

- Não, é cirurgião.

Bem, com licença. Pelo menos sei como deduzir uma resposta: implica uma linhagem de servidores públicos.

- Então isso quer dizer que você é bombeira? - ainda não entendo por que tendo a insistir.

- Não, eu sou dentista.

Com certeza por essa eu não esperava. Aparentemente ela não é uma vagabunda - só uma filha-da-mãe. Na verdade, isso até faz um certo sentido, já que é tã doloroso ficar perto dela.

O corpo de bombeiros fica logo atrás do Orgasmo. Seis homens, que suponho serem bombeiros (que suposição brilhante, eu sei), estão fumando na esquina. Há algo muito errado com este quadro; quer dizer, bombeiros não deviam fumar, certo? Heidi estaciona numa vaga atrás de um caminhão e desliga o motor.

- Joga um charme para o Garrett, ok?

Garrett? Que Garrett?

Heidi sai do carro e eu percebo que a descrição da pasta de dente é muito mais precisa; ela de fato se parece com um tubo de Colgate - um tubo usado. Como quando eu enrolo a parte de baixo para empurrar o resto para o topo. Bem, não faço exatamente assim. Eu torço e espremo para conseguir extrair as últimas porções de pasta. Alice é que enrola. De qualquer maneira, qualquer pasta de dente que aida resta no corpo de Heidi já foi espremida para cima e agora se acumulou na forma de seios. Definitivamente estou pensando em implantes de silicone. Implantes, aliás, muito vistosos.

Pensando bem, o nariz dela também me parece um tanto vistoso.

Um homem de baixa estatura e com o corpo bem trabalhado vem andando em nossa direção.

- Oi, Garrett. - Heidi acaricia o braço do sujeito. - Sentiu a minha falta?

- Amor da minha vida! Achava que você tinha se esquecido de mim.

- Esquecer de você? Impossível. - ela beija Garrett... olha só isso... nos lábios.

Será que ele é um namorado? Um Romeu servidor público?

- Lembra-se de mim, Garrett? - pergunta Rosalie com a voz falsamente amuada.

- É claro que me lembro de você! Como alguém poderia esquecer um rosto tão lindo? - e então a beija, também nos lábios.

Será que tenho que beijá-lo também?

- Oi, rapazes! - grita Heidi para os outros bombeiros, me salvando.

Todos aqueles grandalhões a cumprimentam de longe. Garrett, que com certeza tem a mesma idade do meu pai, pisa no seu cigarro e pergunta:

- Estão aqui para nos divertir?

- Hoje à noite não, querido. - responde Heidi. - Estamos indo para o Orgasmo.

- Precisam de alguma ajuda? - pergunta ele. Ei, isso realmente vale uma vaga para o carro?

- Noutra hora. Suponho que não haja problema se estacionarmos aqui. - Heidi não pergunta. Apenas informa.

- Quem poderia dizer não para três gatas como vocês?

- Obrigada, estou realmente muito grata. - ela o beija novamente. Nos lábios.

Rosalie o beija novamente. Nos lábios.

Eu aceno de longe.

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A garçonete me dá um alô; aparentemente ganhei status de frequentadora do local. Mas é Heidi, no entanto, que sabe o seu nome e arruma uma mesa perto do bar. De acordo com os olhares incomodados de duas garotas que usavam couro sintético, aquele lugar parecia ser disputado. Heidi e Rosalie pegaram as cadeiras de frente para o bar, deixando-me virada na direção da janela. A não ser que os sujeitos que frequentam o bar tenham fetiches por costas femininas, posso muito bem passar como uma mulher invisível.

A garçonete vitaminada vem até a nossa mesa.

- O que eu posso trazer para vocês, garotas?

- Um Manhattan. – diz Heidi.

Realmente quero perguntar o que é um Manhattan, mas sei que parecerá uma pergunta estúpida.

- Quero o mesmo. – diz Rose.

- Para mim também, por favor. – Ok, eu sou uma maria-vai-com-as-outras. Mas Heidi parece ser o tipo de garota que sabe o que pedir em lugares como o Orgasmo.

- Não acredito! – grita Rose. – Acho que acabei de ver Irina Powell. Não, não pode ser. Passei por ela na semana passada na Saks e sua aparência era péssima. Tinha olheiras do tamanho de sacolas de compras...

Concentro-me nos seus olhos, que vagueiam sem parar por todo o ambiente. É como se Rosalie e Heidi fossem atrizes de teatro instruídas para encarar a plateia em vez de olhar uma para a outra.

A garçonete coloca três drinques vermelhos e chiques servidos em copos de martíni na nossa mesa.

- Saúde. – dizemos as três ao brindarmos.

Humm. Muito bom. Bastante alcoólico. Pelo menos você presta para alguma coisa, Tiffany. Debbie. Heidi. Tanto faz.

- Você viu o anel de Kate? – pergunta Rosalie enquanto anota alguns números no seu caderno de calorias.

Heidi passa os dedos na cabelereira.

- Você chama aquele seixo se pedra? Que embaraçoso.

Não dá para aguentar aquele discurso ridículo.

- Já volto. – digo para a dupla de fofoqueiras. Vou dar uma volta pelo bar.

Obstáculo número um: dar uma volta é uma designação incorreta. Forçar passagem com os cotovelos pelas brechas liliputianas* que separam a pele exposta das mulheres de homens muito pegajosos seria um termo mais preciso. Minha incapacidade de andar nas alturas apenas piora a situação; não consigo enxergar acima da cabeça de ninguém.

*De Liliput, terra imaginária habitada por pessoas de minúscula estatura (Viagens de Gulliver, do inglês Swift); muito pequeno, anão, homúnculo.

Problema número dois: cada vez que forço a passagem com o cotovelo, o meu drinque espirra pela borda. Quem tomou a decisão de servir drinques nessas estúpidas taças em "V"?

Finalmente, consigo percorrer metade do bar. O final assoma à distância como se lá houvesse um pote de ouro. E se a minha alma gêmea estiver me esperando no final do bar? E se ele só ficar naquele ponto exato durante os próximos quatro minutos? Se eu não conseguir esbarrar com o sujeito nesse intervalo de tempo, o momento irá se perder para sempre e serei forçada a perambular sozinha pela Terra durante o resto da eternidade.

Oh, meu Deus, é o garoto das listras! O gatinho louro de óculos nova-iorquinos da semana passada! Ele está sentado sozinho num banco no canto e eu estou aqui, ocupada com uma velha questão matemática de undécimo grau: se eu sempre tenho que atravessar metade do caminho antes de chegar ao final, como é possível chegar ao meu destino, já que todo meio de caminho é um destino e todo destino tem um meio de caminho? Está vendo aonde eu quero chegar? Se a distância entre uma garota e o final do bar é, digamos, de seis metros, ela tem que passar pelo meio do caminho depois de percorrer três deles antes que consiga chegar ao final, mas antes tem que chegar ao meio do caminho desse trecho, que fica a mais de um metro e meio daí por diante... Meu Deus, sempre haverá um outro meio do caminho, e jamais conseguirei chegar à minha alma gêmea. Oh, moço das listras, meta adorável e inalcançável.*

*É oficial: Tirem o Manhattan da Bellinha que ela já passou da cota diária de álcool!

O que pode ser uma boa coisa, pois James Gradinger está, no momento, bem no meio do caminho, com o cotovelo apoiado no bar, usando uma blusa preta de gola olímpica, o que reforça a minha regra de que eu não-saio-com-caras-que-usam-camisa-de-gola-olímpica. Que tipo de homem vai à um bar vestido assim? Dou-lhe as costas e sigo na direção dos outros meios de caminho aos quais sobrevivi para chegar até aqui.

E á que estamos falando disso, por que o garoto das listras é obcecado por listras? Uma disfunção da sua infância? Talvez ele seja o tipo de sujeito que faça planos lineares para o futuro. Como eu. Não resolvi fazer um planejamento antecipado quando liguei para o Mestre NanChu? O moço das listras provavelmente já tem um plano de dez anos: Conhecer uma bela garota. Eu. Apaixonar-se por uma bela garota. Eu. Propor casam...

Uma mecha de cabelo acobreado pipoca em outro meio de caminho. Edward? Graças a Deus. Finalmente posso conversar com alguém que eu conheço, enquanto provo a todos os céticos (principalmente o próprio Edward) que eu de fato tenho amigos.

Esse Edward está sempre falando com todo mundo. Sempre fazendo uma cena. Dou cotoveladas para chegar até onde ele está. Empurrões. Cotoveladas. Empurrões. Alguém passa a mão na minha bunda.

Edward sorri quando me vê.

- Ei, Bella. – braços gentis me envolvem pela cintura.

Destino completo. A teoria matemática se provou falsa.

- Achei que tinha te visto de longe. Você está aqui sozinha? – pergunta ele.

Dou um tapinha de leve no braço dele.

- Não, não estou aqui sozinha. Rosalie está sentada ali no...

- Estou brincando. – ele toma um gole da cerveja. – Tenho certeza que você não sai sozinha toda noite. – meu amigo sorri e seus olhos verdes assumem a forma de meias-luas.

- E então, quem é a loura?

- Loura? Onde? – ele olha em volta do bar, simulando uma busca. Dou um tapinha no seu braço.

- Tânya. Aquela que parece atriz de cinema, estilo das gêmeas de Sweet Valley.

- O que é uma gêmea de Sweet Valley?

- Será que não te ensinam nada em Harvard?

- Parece que não.

- Aliás, quando é que você estuda? – perguntei. – Mais parece um Sr. Cena.

- Não sei nada sobre Sr. Cena nenhum... Só saio do meu apartamento quatro vezes por ano.

- Sim, claro. E as últimas três foram nas duas últimas semanas. – o que ele é, um socialite em fase de negação?

- A pergunta mais importante é a seguinte: onde você passou o ano todo?

- Circulando por aí. – circulando pela droga do meu apartamento.

Uma morena já topou por acaso com ele algumas vezes e Edward fica batendo na minha perna.

- Só saio quando Emm me arrasta. – explica meu amigo, aparentemente ignorando nosso contato corporal.

Hum. Ele está bem perto de mim. Será que percebe o quanto está próximo? Será que está assim colado de propósito? Você sabe quando alguém está perto de você a ponto de poder senti-lo, muito embora não o esteja tocando?

- Quem é Emm? – pergunto, depois de pigarrear.

- Meu colega de quarto. Você não o conheceu na semana passada? Ele é quem você devia chamar de Sr. Cena. – a morena desaparece e Edward volta a sua postura anterior de alguém que não-está-tão-colado.

- Ele é bonito?

- Bonito? Não posso dizer se outro cara é bonito.

- Bobagem. Eu posso dizer se outra garota é bonita.

- Que garota você acha bonita?

- Pode esquecer. Não vou permitir que você tenha fantasias lésbicas até me dizer, pelo menos, se esse tal Emm é solteiro. – morena? Morena? Volte aqui, morena! Volte logo de onde quer que você esteja!

- Emm! – ele chama um homem forte que usa camisa social. – Você está solteiro hoje à noite? – grita Edward acima da música.

Dou-lhe outro tapa.

- Ai. Por que você fica me batendo?

- Porque dá vontade de te bater. – Meu Deus.

- Toda vez que me bate, um pouco do conteúdo do seu drinque cai no chão... Emmett! – ele levanta o seu copo para o sujeito forte e alto que vem em nossa direção.

O solteiro-hoje-à-noite me olha da cabeça aos pés e fala arrastado.

- Oooooolá.

- Emm, Bella. Bella, Emmett.

Ele puxa a minha mão na direção dos seus lábios e a beija.

- É um prazer conhece-la. – cumprimenta, sem me largar. – Você gostaria de um drinque?

- Por que você não devolve a mão da moça e vai pegar umas doses para nós? – pergunta Edward.

- Mas a pele dela é tão macia... – ele roça os lábios na minha mão. Lábios muito macios. Mais uma vez, quem é esse sujeito?

- Esqueça, ela é zona proibida.

Zona proibida? Será que Edward gosta de mim? Será que devo fazer algum comentário? Ou deixar pra lá? Será que gosto de Edward?

Emmett dá uma mordidinha nos meus dedos e eu começo a rir. Ele solta a minha mão, sorri e volta para seja lá de onde veio.

Faço uma pergunta direta:

- Por que você está acabando com as minhas chances de me dar bem com um solteiro obviamente disponível?

- Porque Jake jamais me perdoaria se eu a deixasse sair com Emmett.

Jake? Jake?

- Jacob?

- Só pretendia...

- O único motivo de você estar falando comigo é para se certificar de que eu vou ficar aqui sentada e esperar virginalmente pelo retorno de Jake enquanto ele come todo mundo que vê pela frente? – minha voz fica subitamente mais alta. Por que ele trouxe o assunto Jake à tona? Será que é idiota? Ou apenas um sujeito metido a besta e completamente insensível? Aqui estou eu, há pelo menos quinze minutos sem pensar em Jake, e ele tem que chegar e estragar tudo.

- Epa! Eu não tive essa intenção. Durma com quem você quiser, mas como seu amigo, e como velho amigo do seu ex, não posso em sã consciência recomendar que você vá para casa, e muito menos para o meu apartamento, com um sujeito que trepa com três garotas por semana, no mínimo, e bebe uma garrafa de vodca por dia.

- Oh. – opa.

- A não ser que você goste de playboys beberrões.

- Particularmente não. – dei uma fungada na minha mão beijada. Cheirava a scotch.

- Nesse caso, você está perdoada pelo seu acesso de raiva. Pelo menos não me bateu de novo.

- Tome aqui, gostosa. – disse Emm, enquanto me passava duas doses de um líquido indefinível.

- O que é isso? – pergunto.

- Não se preocupe, minha doçura. – ele belisca minha bochecha com sua mão pegajosa. – Para a amiga gostosa de Edward. – diz ele enquanto levanta o seu copo com a outra mão.

- Sem dúvida, posso beber a isso. – olho bem nos olhos dele. O que posso dizer? Protetor, playboy, beberrão... apesar dos avisos de Edward, me sinto tentada... mas não muito tentada.

- Saúde. – diz Edward com um sorriso malicioso em minha direção.

Tomamos o primeiro gole daquela aguardente não identificada. Emmett levanta a segunda dose no ar e faz outro brinde:

- A uma transa. Hoje à noite.

Eu quase fico sufocada com o resíduo que queima na minha garganta.

- Quer ir pra casa comigo hoje à noite, amiga gostosa do Edward?

Faço uma pausa de um instante em falsa contemplação.

- Não.

Emmett encolhe os ombros, toma um gole e volta para o bar.

- Com base nos sons que vêm do quarto dele, acho que você tem muito a perder. – apesar da brincadeira, ele faz uma careta descontente.

- Duvido. Provavelmente, o que você escuta é ele vomitando no lixo. Ou o som do seu choro quando descobre que não pode trepar, dado o seu estado alterado.

- Tem certeza de que você não quer reconsiderar? Ele não é um mau sujeito, apesar de tudo.

- Há um minuto você era contra a ideia. Agora virou meu cafetão?

- Para que servem os amigos?

Amigos? Conceito interessante.

- Você ficaria surpreso em saber como é difícil fazer amigos do sexo masculino numa cidade nova. – confidencio. – Por algum motivo, aproximar-se de um estranho e perguntar a ele se pode trocar umas lâmpadas lhe dá uma ideia errada das minhas intenções. Será que existe algo fálico relativo a lâmpadas que ainda não entendi?

- Trata-se de um sistema de escambo... trabalhos manuais por sexo. De quantas lâmpadas estamos falando exatamente? – pergunta Edward rapidamente interessado.

- Umas duas dúzias. – talvez isso dê certo. – E também há uma estante que eu queria montar.

- Deixa eu ver se entendi. – o ruivo dos olhos verdes sorri. – Você quer que eu dê uma de escravo no seu apartamento para não ganhar nada em troca?

Você pode ter o que quiser como recompensa.

- Você ganha a minha amizade para sempre. E um jantar.

- Você sabe cozinhar? O que sabe preparar?

Cozinhar? Meu Deus, não.

- Eu tenho um talento especial para pedir pizza. – respondo, já com as costas meio viradas para sair dali e voltar para onde Rose está. – E faço ótimos pedidos pelo telefone.

Tenho que me sentar. Meus pés estão em frangalhos. Por que as botas mais bonitas são sempre as mais desconfortáveis? Oh, que felicidade, tem um lugar vazio ao lado de Rosalie. Estou prestes a me sentar quando percebo que o moço das listras está no lugar de Heidi.

- Voltei. – afirmo. Ele é bonito. Seu cabelo louro lhe dá um visual de cantor de boy band, mas seus óculos escuros acrescentam alguns anos de idade.

- Onde você estava? – pergunta Rosalie. – Venha se sentar.

- Estava conversando com Edward.

- Edward? Ele está aqui? Onde?

Aponto para o canto.

- Com quem ele está? – pergunta ela.

- Um cara. Emmett.

- Emmett McCarty?

- Não sei.

- Alto? Bonitão? Com covinhas?

- Sim.

- Bêbado?

- Isso mesmo.

- Aquele cara está sempre bêbado. – observa o moço das listras.

Rosalie olha em sua direção e depois se volta para mim.

- Já volto. – diz ela, o que traduzido quer dizer: vou sumir durante o resto da noite, por isso espero que vocês dois tenham algo para conversar. – Heidi não quer que percamos a mesa, por isso não saia daqui.

Ir a alguma parte? Ela está brincando?

- Oi, eu sou Bella. – não é um ótimo ponto de partida, mas já é um começo.

- Riley. – apresenta-se o garoto, estendendo a mão. Eu a aperto. O aperto é firme. Personalidade forte. Papai iria aprovar.

- Fale-me sobre você, Riley. – uma coragem branda se instala.

- Sou escritor. – ele segura seu drinque.

Nossa. Isso obviamente é o destino.

- Sou revisora. – nossos olhos se encontram acima das palavras não ditas e não editadas entre nós. – O que você está escrevendo?

- Um romance.

- É seu primeiro?

- Sim.

- Sobre o quê?

- Um garoto que alcança a maturidade em Boston.

Oh, meu Deus. Juro que não estou dizendo isso da boca para fora, mas se algum dia fosse escrever um romance, seria exatamente sobre isso que falaria. Ok, não sobre um rapaz que atinge a maturidade; minha compreensão da mente masculina não é tão profunda. De fato, desde Jake, eu me pego perguntando se a alma masculina possui alguma profundidade. Por isso, provavelmente escreveria sobre uma menina que está virando mulher. E provavelmente faria com que a história se passasse em Connecticut. O único lugar de Boston com o qual eu tenho alguma familiaridade é este pé-sujo, e o banheiro daqui não é o lugar para uma garota de bem ter sua primeira menstruação.

Seus lábios se curvam no mais típico estilo demoníaco popularizado por Jack Nicholson.

- Como foi que você virou revisora?

- Formei-me em literatura inglesa. Depois fiz metade do meu mestrado.

- Em que você se especializou?

- Minha graduação foi em literatura geral. Para o meu mestrado, concentrei-me nos períodos romântico e realista da literatura americana. – bem, eu tranquei a matrícula depois do primeiro ano para seguir Jake cegamente em sua vinda a Boston. "Tranquei" foi o que disse a mim mesma. – Suponho que você também tenha se formado em literatura inglesa.

Ele sorri.

- Há algo mais?

Nunca saí com ninguém envolvido com literatura. Que nada, não havia era moços de listras na turma que estudava a Rainha das Fadas, de Spenser.

Por alguma razão, minhas turmas eram divididas em mulheres legais e garotos nerds. Não estou falando no bom nerd que consegue cortejar uma garota enquanto divide xícaras de café expresso às duas da manhã num pequeno bar, usando sua profunda compreensão do universo como isca. O bom nerd, quando perguntado sobre algo que irá impressionar você, pode responder "minha ideia de euforia é ler Karl Marx, nu, numa praia no México". O tipo de nerd que sentava nas minhas aulas, fazia pequenos buracos na pele seca da mão com a ponta do lápis e, quando lhe perguntavam sobre algo que fosse impressionar você, dizia que "eu tenho um lápis grande", e estava realmente se referindo a um lápis. Não pênis. Lápis.

- E você? No que se especializou? – se ele responder poesia, a busca acabou. Darei minhas botas pretas de salto alto para a caridade e vou aceita-lo como meu destino. Quem pode argumentar com o destino?

- Fiquei pulando por aí. Tentei me concentrar na poesia lírica.

Oh, meu Deus. Oh, meu Deus! Daqui a cinquenta anos estaremos sentados num alpendre balançando enquanto o sol se põe. Estarei ajudando-o com seu último manuscrito. Quem sabe numa cabana com encantamento interno, um computador e um forno a lenha – e um piano. Com certeza um piano (talvez eu devesse começar a ter aulas agora). Ficaria ali, tocando, e ele pagando as contas. E colecionaríamos cinzeiros e obras de arte.

Tenho uma sensação de déjà vu. Ah, deixa para lá.

- O que você revisa?

- Hum... originais.

- Que tipo de originais?

- Ficção para mulheres.

- Ficção feminista? A Virginia Woolf do momento? Chopin?

Não exatamente.

- Eu trabalho para a Cupid.

- Histórias românticas? – ele ri. – Henry James iria rolar no túmulo agora. Diga, você gostaria de um drinque?

- Um Manhattan, sem dúvida.

- Manhattan. Sofisticado.

Amo a Heidi.

- Sou uma garota sofisticada.

- Terei que voltar correndo, então.

- Por favor.

Isso está acontecendo perfeitamente de acordo com o meu novo plano de vida. Já encontrei a minha alma gêmea e isso só levou 48 minutos.

Ele volta – é claro que ele volta; ficou inexplicavelmente atraído por mim – com dois Manhattans.

- Que bom, você ainda está aqui.

Como se eu fosse sair daqui sem ele, agora que combinamos literariamente (não confunda com combinamos literalmente – ainda é muito cedo).

- Quero saber mais sobre o que você escreve. – digo entre um gole e outro. Olho para o meu drinque e começo a sentir uma certa fome. E se meus dentes ficarem vermelhos por causa desse drinque? Terei que engolir muito cuidadosamente sem fazer gargarejo. Quem dera eu pudesse usar canudinho. – Onde você já foi publicado?

- Na Heat, na Other People's Money, na Playboy… E mais algumas outras. Publiquei contos, na maior parte das vezes, mas também já fiz algumas entrevistas. Costumava escrever...

Abafo o resto da conversa porque fico empacada na parte que diz respeito à Playboy.

- Playboy? O que você escreveu para a Playboy?

- Um conto.

- Sério? Gostaria de lê-lo.

- Você lê histórias eróticas?

Histórias eróticas? Sou a rainha do erotismo. Se não fosse por mim, a literatura erótica estaria cheia de vírgulas supérfluas e frases sem abertura de parágrafo.

- Eu trabalho para a Cupid, lembra-se?

- É verdade. O que você vai fazer amanhã à noite?

Isso foi inesperado. Ou nem tanto assim, considerando que estava esperando 24 anos por este encontro de almas. Finjo que estou pensando na possibilidade.

- O que você tem em mente?

- Gostaria de te chamar para tomar um drinque.

Finalmente, o tipo de nerd que eventualmente te corteja em meio a goles de café expresso e bebidas alcoólicas às duas da madrugada num pequeno boteco!

- Isso seria ótimo. Supondo, é claro, que o seu interesse em me ver não tenha se originado da minha afirmação de que trabalho com pornografia. – estou brincando, é claro; com certeza ele deve estar sentindo a mesma atração cósmica que eu.

- Em parte. – ele ri. – Mas principalmente porque estou vendo que meu amigo está acenando. Acho que ele quer ir embora. Tenho que me certificar de que a verei novamente.

Um bom motivo. Ele não é apenas sensível (uma emoção obrigatória para um escritor), mas é inteligente também.

Riley anda até o bar para pegar uma caneta e um pedaço de papel e vejo o barman dando um sorriso malicioso antes de falar:

- Acertou no milhar? – que imaturidade.

Escrevo o meu telefone no que espero que se pareça com uma letra sensual. E depois escrevo Bella embaixo, só para me garantir. Alma gêmea ou não, meu nome foi a primeira coisa que eu lhe disse, e é possível que não tenha sido subjugado pelo destino até agora.

Agora estou sentada numa mesa excelente, completamente sozinha. Ok, sei que provavelmente serei repreendida por Heidi, a fada dos dentes, mas não vou ficar três horas aqui sozinha e sentada. O bar não está tão cheio a essa hora, então só preciso abrir caminho com os cotovelos, sem forçar a passagem.

- Ei. – digo para Rosalie que está sentada perto do bar com Emmett.

- Oi. – responde ela. – A conversa com Riley foi boa? Parece que vocês dois fazem mais ou menos a mesma coisa.

- Sim, ele parece legal. Chamou-me para sair.

- Sério? Achava que ele ainda estava com... Qual o nome dela? Bree?

- Acho que não. Quem é Bree?

- Ele já tem essa namorada faz tempo. – ela dá de ombros.

- Acho que já acabou. Ele é legal?

- Para ser sincera, ele é muito legal.

Uau. Minha alma gêmea é muito legal!

- Quem é muito legal? Eu? – pergunta Emm soltando uma baforada azeda de scotch.

- Riley.

- Que Riley?

- Riley...

Droga. Provavelmente isso é uma das coisas das quais eu devia me lembrar. Será que ele chegou a me dizer o sobrenome dele? Não consigo me lembrar. Nunca fui muito boa para lembrar de detalhes como esse, aniversários, ou onde coloquei as passagens de avião. Mas problemas com passagem de avião só me ocorreram uma vez, juro. E ainda estou bem certa de que a de volta caiu embaixo do meu assento da aeronave. As coisas caem. É só perguntar para Renée – ela está sempre reclamando que sua bunda anda caída, e o seu rosto também. Na noite passada ela me ligou histérica, reclamando que suas calças tamanho 40 não estão mais cabendo e que ela tinha que comprar 44. Vai chorar no raio que a parta.

De qualquer maneira, o fato de eu só ter perdido uma passagem de avião em toda a minha vida é bem impressionante quando se pensa nisso. Duas vezes, talvez, se você contar a vez em que Renée me disse que havia mandado uma passagem para o dia 6 de junho, às sete da noite, mas que de fato era para 7 de junho, às seis da tarde. Se não tivesse se mostrado tão segura de si, eu teria checado a data. Sério.

- Riley Biers. – Rosalie salva o dia.

Bella Biers soava muito bem.

Emmett bufou.

- Você vai sair com Riley Biers? Aquele sujeito é um mané.

Rosalie revirou os olhinhos.

- Você chamou três caras de "manés" nos últimos vinte minutos. Diga-me, há algum cara neste bar, tirando você, é claro, que não seja um mané?

Emmett balança a cabeça como se tivessem feito uma pergunta embaraçosa.

- Sim. – diz ele. – Edward.

- Você tem que dizer o nome de um sujeito que não seja seu melhor amigo desde os dois anos de idade.

Desde que tinham dois anos? Conta mais!

- Como você conheceu Edward aos dois anos? – pergunto.

- Nossos pais são (arroto) amigos.

A-hã. Ele está começando a engolir as palavras. Será que isso é uma mão nas minhas costas? Será que isso é a mão dele nas minhas costas? É a mão dele que está descendo cada vez mais pelas minhas costas?

- Onde está Edward? – pergunto, tentando me desvencilhar das suas garras.

- Não sei. – responde Emmett. – Eu vi Tânya. Acho que os dois se mandaram.

- Quem é Tânya? – pergunta Rosalie, com um interesse subitamente maior.

- A namorada dele.

Tânya, a atriz de cinema.

A mão de Emmett está na minha bunda. Digo a Rose que está na hora de ir embora.

De volta ao apartamento, 45 minutos depois, encontro Alice sentada no sofá, enrolada no seu cobertor de lã. A TV exibe um episódio de Beautiful Bride e minha amiga parece estar hipnotizada.

- Alôô? – chamo. – Você está viva?

Ela murmura alguma espécie de resposta enquanto eu retiro minhas botas apertadas.

- Será que temos alguma coisa para comer?

- Cereais.

Isso servia. Arrasto-me para o sofá e fico ao seu lado com a tigela de cereais na mão.

- O que aconteceu?

- Eu o odeio.

O que houve? Problemas? Oh, não, lá vêm lágrimas.

- Fale comigo. É para isso que servem os colegas de quarto; para ouvir queixas sobre o namorado. – não importa que, no momento, eu esteja numa entressafra de parceiros (não literalmente, infelizmente) e que não tenha ninguém de quem possa reclamar. Percebo, no entanto, que nunca ouvi Alice dizer que tinha uma amiga. – Normalmente, com quem você conversa quando está irritada com Jasper?

- O que você está querendo dizer? Eu falo com Jazz.

Uau. Esta garota precisa seriamente de um papo calcinha.

- Mais ninguém? – insisto.

- Minha mãe.

Meu Deus!

- Você não arrumou nenhuma amiga desde que você e Jasper começaram a namorar? Quando tudo começou?

- Há cinco anos. – ela ainda está olhando para a televisão. – Rosalie é minha amiga.

- E a última vez que você falou com Rosalie foi...

Subitamente, Alice olha para mim chocada.

- Você tem razão. Você tem cem por cento de razão. Não tenho amigos e possuo um namorado que jamais irá casar comigo.

Casar com ela? Quem está falando em casamento?

- Já estou com 25 anos e vou virar uma solteirona logo.

- Tenho uma notícia para você: a não ser que encontrem uma maneira de reconstruir o seu hímen, você jamais poderá ser uma solteirona. Além do mais, você está mais perto do casamento do que todo mundo que eu conheço.

- Quando eu nasci, minha mãe estava com 24 anos. Um ano inteiro a menos do que tenho agora! Casou-se quando tinha 21.

- Pois é, a minha também, veja só como tudo acabou.

Alice continua falando sem parar como se não estivesse escutando uma só palavra do que eu digo.

- Você não vê? Vou namorar Jazz até fazer 29, ainda assim ele não irá querer casar, meu relógio biológico começará a tocar, terei que me separar e ninguém mais irá me querer.

Relógio biológico? Eu nem mesmo tenho um relógio de pulso. Esse tipo de assunto está além do alcance do meu sistema de radar.

- Ok, primeiro você tem que parar de ficar vendo essa porcaria da TV. – desligo o aparelho. – Em segundo lugar, dê-me uma versão meticulosa de todo o seu relacionamento para que eu possa entender o problema. Desde o começo. Como vocês se conheceram?

- Ok. – soluçou. – Conheci Jazz na biblioteca. Ele estudava de frente para mim, na mesma mesa de sempre. Um dia, deixou um bilhete no meu livro de psicologia infantil...

- Por que você estudou psicologia infantil? Para entender os homens?

- Não, para entender as crianças. – ela rolou os olhos.

- Faz sentido. – murmurei.

- Então, a nota dizia "Oi, você quer fazer uma pausa para jantar?". É claro que eu disse sim e...

- Você escreveu de volta ou falou que sim?

- Falei que sim.

- Como você sabia quem ele era?

- Ora, ele sentava na minha frente na biblioteca.

- Mas você sabia que ele tinha escrito o bilhete? – não sei por que empaquei nisso.

- É claro que sim.

- O que você disse?

- Olhei para cima, ele estava me encarando e eu disse: "Adoraria jantar com você". No que ele respondeu: "Ótimo".

- Tecnicamente, ele poderia não ter escrito nada.

- É claro que escreveu! – Alice perdeu a paciência e eu não entendia o motivo.

- Como é que você sabe?

- Eu simplesmente sei. Você está sendo ridícula. Quer ouvir ou não?

- Tudo bem. Desculpe. Continue.

- Saímos para jantar, depois ele me chamou para sair novamente naquele fim de semana e desde então estamos namorando.

- Essa é a história?

- Essa é a história.

- Teria sido muito mais interessante se uma outra pessoa tivesse escrito a nota.

- Esqueça a maldita nota. O problema agora é que chegou a hora de dar o próximo passo.

Hã? Próximo passo?

- Você está me dizendo que vocês dois ainda não dormiram juntos? – talvez sua teoria de solteirona não seja tão furada assim.

- É claro que já dormimos juntos. Há outros próximos passos, você sabe.

Outros próximos passos?

- Desculpe, nenhum cara jamais me mencionou a existência de outros próximos passos.

- Já estamos juntos há cinco anos e acho que chegou a hora de morarmos debaixo do mesmo teto.

Será que ela está louca? Mais louca que o normal? Ou perdeu completamente a cabeça?

- Esse é um plano terrível. – estremeci.

- Por quê? – ela perguntou nervosa. – Você não acredita que se possa morar com um cara antes do casamento?

- É claro que sim. Só não acredito em deixar sua colega de quarto no meio do ano pagando sozinha o aluguel de um sala e dois quartos. – olhei para a tigela e suspirei.

- O que foi?

- Sobrou muito leite. Preciso de mais cereais.

Ele me ignora enquanto me levanto e vou equilibrar a proporção de cada ingrediente na tigela.

- Jamais iria deixar você sozinha pagando o aluguel. Procuraríamos uma outra pessoa para dividi-lo com você ou eu esperaria até setembro, quando termina o nosso contrato.

O que ela espera que eu faça? Não conheço ninguém com quem eu queira viver e que esteja em busca de um lugar para morar. Mal conheço alguém com quem não queira morar e que não esteja procurando um lugar para viver!

- Ainda não perguntei para ele, mas deixo um milhão de dicas por dia.

- Que tipo de dicas?

- Como no ano passado, quando Wendy estava saindo e eu perguntei a Jasper o que devia fazer. Ele só fez uma pergunta: "Por que você não coloca nos classificados?". Ele devia dizer que era a hora de morarmos juntos.

Às vezes, eu não entendia Alice.

- Você está magoada por causa de algo que ele disse há um ano?

- Não, estou magoada com o que ele me disse hoje à noite. Encontrei-o para comer comida chinesa depois do trabalho e ele perguntou por que eu não dormia na casa dele hoje e eu respondi "Tudo bem, só preciso pegar algumas coisas no meu apartamento". E ele fechou a questão com um: "Sabe, você realmente devia deixar uma escova de dentes e algo mais... no seu carro". No meu carro!

- No seu carro! – me juntei à sua fúria.

- No meu carro! Não no apartamento dele, mas no meu carro. Eu não iria para o apartamento dele depois desse comentário, como se eu fosse uma espécie de nômade.

- Talvez ele tenha compromissofobia.

- Que sorte a minha. Como você sabe?

Por sorte, tenho a resposta para essa pergunta na ponta da língua. Diagnosticar compromissofobia era uma das minhas especialidades.

- O que ele usa na boca?

- Por quê?

- A City Girls desse mês afirma que você pode dizer se um sujeito sofre de compromissofobia pelo que coloca na boca. Espera aí, vou pegá-la. – corro para o meu quarto e trago a revista. – Que tipo de antisséptico bucal ele usa?

- Antisséptico bucal?

- Sim... chiclete, balas de menta ou pastilhas que dissolvem na boca?

- Ele adora essas pastilhas. O que essa porcaria diz sobre Jazz?

A-hã.

- Que ele é propenso a sumiços.

- Ah, fala sério, Bella!

- Que tipo de prato o seu homem costuma pedir num restaurante? Frango ao limão, ravióli ou filé de costela?

- Hum... ravióli.

Balanço a cabeça. Nada bom. Isso quer dizer que "um nunca é o bastante".

- Isso significa...

Não está óbvio?

- Significa que ele não consegue se comprometer com uma só garota.

O desespero nubla os olhos normalmente castanho-claros e alegres de Alice.

- O que ele deveria comer então?

- O filé de costela.

Continuo a ler.

- Um homem que pede filé de costela está disposto a investir no seu relacionamento. E quando as coisas ficam difíceis, ele fica por perto.

- Quem come filé de costela? – ela pergunta.

- Jasper, obviamente, não.

- O que é um filé de costela?

- É o corte superior de uma costela de boi. Você devia comprar para ele.

- Não quero alimentá-lo, só que ele more comigo. – retruca minha amiga com desânimo.

- Boa sorte, mas espere até setembro, ok?

.

Quando finalmente me arrasto para a cama, são 3:30. Meu Deus, tenho que acordar às 9:30 para o tae kwon do! Estou determinada a ir ao tae kwon do. Ok, talvez eu desista do café e acorde às dez. Não, eu tenho que comer alguma coisa. Ou beliscar no caminho algo rápido.

Alguém quer um filé de costela?


Garotas, me perguntaram quando o Edward aparece para arrasar com o coração da Bella doida, mas lembrem-se que essa é uma história sobre as buscas de uma garota solteira como na vida real. Claro que ninguém é melhor que a Bells em atrair problemas, mas o romance vai demorar para vir :x

Beijos e até sexta que vem! :)