Temporada de Caça: Aberta - Sarah Mlynowski


Capítulo Treze

A quase namorada suspirou


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Minha noite começa exatamente igual à página 94 de O milionário arruma uma noiva. Só que o herói não é um milionário e eu não sou sua noiva.

Depois do jantar, eles vão para o quarto dela. Ele a devora com seus beijos e sua boca é puxada na direção da parceira por uma atração magnética indefinível. Ele desabotoa sua blusa azul-celeste com movimentos ansiosos e deliberados, sem abandonar os seus lábios em nenhum momento. Finalmente, ele retira a blusa da moça, expondo a maciez cremosa de sua carne (e o maravilhoso desenho no meio dos seios, graças à Victoria's Secret). As mãos do rapaz acariciam seus ombros delicados, seus braços, seu ventre com curvas (meu eufemismo para "ela não vem fazendo seus abdominais matinais"), e se enfiam por dentro do seu sutiã. Ele o desabotoa (o fecho fica na frente; ela se surpreende com o fato de o rapaz tê-lo aberto com tanta facilidade) e seus seios pálidos transbordam sobre as mãos ansiosas do moço. Ele acaricia primeiro o seio direito, depois o esquerdo (nosso herói é muito metódico) e depois passa a língua de leve nos mamilos macios e eretos (mais uma vez, primeiro no esquerdo e depois no direito). Lentamente, cada vez mais lentamente, ele baixa as mãos até a parte mais fina das suas costas e, com uma urgência que não dá para negar, a esmaga contra o seu peito tenso.

Ela mergulha no parceiro, descansando sua boca saborosa contra o lóbulo dele. Seus quadris estremecem involuntariamente enquanto a moça, sedenta, o puxa para que fique sobre o seu corpo. Um calor intenso queima nas suas coxas, ameaçando consumir seu corpo e sua alma. Os seus dedos apertam o cabelo, as costas e os ombros do mancebo.

Com um gemido (ele gosta de fazer barulho, uau!), o sujeito arranca sua blusa e sua calcinha (me esqueci de dizer que o moço já havia tirado o jeans). Ela retribui o gesto puxando a cueca samba-canção (samba-canção? Que tipo de herói usa cuecas samba-canção?). O momento chegou.

Um alarme toca na cabeça da garota.

- Você tem uma...

- Não estava achando que...

- Mas eu estava e tenho. – ela estica a mão até a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tira uma camisinha. Rasga o envelope e cobre a sua virilidade ansiosa que já está de prontidão (seria impressão da moça ou havia algo um pouco menor ali?).

Envolvendo a cintura do rapaz com suas pernas, ela faz com que ele deslize para dentro da sua região úmida, enquanto o coração martela em seu peito de mulher. Ele deixa escapar mais um gemido e então... bingo – é aqui que acaba, de forma abrupta, qualquer semelhança com O milionário arruma uma noiva.

Gozar, aqui, é a palavra-chave.

Ele explode num orgasmo.

Explode num orgasmo?

É isso? Era por isso que eu tanto ansiava? Foi para isso que lhe preparei um jantar? Qual é a necessidade de haver um herói que goza logo depois da primeira estocada? O que aconteceu com as horas de paixão? E o que houve com os meus orgasmos múltiplos?

Será que os homens percebem quando são ruins de cama ou será que esse é um fenômeno semelhante ao das pessoas feias que não reparam que são grotescas?

Mas espera um minuto (gostaria que ele tivesse esperado mais um minuto, melhor ainda, uma hora). E se ele fosse virgem? Isso compensaria o seu, bem, vamos chamar de super zelo.

Será que eu deveria ficar lisonjeada?

Mas, e se ele souber que gozou muito rápido e estivesse esperando que eu dissesse: "Tudo bem, querido. Não se preocupe, querido. Não importa, querido". Sim, está certo.

- Não quero ir para casa, benzinho. – diz ele com a voz abafada. Ainda está sobre mim e sua cabeça repousa sobre o meu ombro.

- Então fique. – na verdade, preferiria ter a cama toda para mim, mas deixa para lá. Pelo menos podemos tentar novamente. No entanto, no presente momento, estou tendo dificuldades para respirar com o seu peso por cima. Fecho os meus olhos. Ele deveria realmente sair de cima antes que a camisinha se desenrole dentro de mim e tenhamos que correr para a emergência mais próxima a fim de removê-la cirurgicamente.

Dou-lhe uma sutil cutucada. Meu Deus, será que pegou no sono?

- Mike? – não há resposta. – Mike? – cutuco-o novamente. – Mike! – empurro-o para o lado. – Tenho que ir ao banheiro. – a dica de revista de moda número seis diz que se deve fazer xixi logo depois do sexo para evitar uma infecção na bexiga. Ou talvez uma infecção por vermes. Não que o que Mike e eu fizemos possa realmente contar como sexo.

Uso o banheiro, abrindo a "torneirinha" de um modo que ele não possa ouvir. Tem coisa mais ridícula? Como se os homens não soubessem que as mulheres mijam. Faço um pit stop na cozinha e pego dois copos d'água. Ainda não estamos no estágio em que dividimos um único copo.

Será que estou sendo muito dura com ele?

Quando deito de novo na cama, reparo na hora. São 11:55. Ele está sentado no colchão, esperando. Noto que uma tenda está se armando sob o lençol.

Agora sim!

Eis que me vem uma coisa. Lembro-me subitamente de ter lido sobre a teoria de vamos-dar-logo-a-primeira. O sujeito goza rápido deliberadamente, pois sabe que o pequeno Mickey ficará em pé, em posição de sentido, durante horas.

Às 11:59 ele adormece novamente.

Chega de teoria.

Quatro minutos? O que são quatro minutos? Quatro minutos é quanto dura um intervalo comercial. Quatro minutos é o tempo de duração de um videoclipe qualquer. Quatro minutos não pode ser sexo.

Estamos namorando agora, e seu braço envolve confortavelmente a minha cintura. Está muito quente aqui. Jamais pegarei no sono. Oh, Deus, ele está dormindo do meu lado na cama. Por que está dormindo aqui, afinal? Será que sua mãe não está preocupada? E, a título de prevenção, que tipo de homem não carrega camisinhas consigo?

Quando acordamos na manhã seguinte, temos o papo obrigatório com-quantas-pessoas. É provavelmente o tipo de conversa que você deve ter antes de fazer indecências, mas deixa para lá.

- Quatro. – afirmo. – Incluindo você. – se é que posso conta-lo, coisa que ainda não decidi.

- Quem foram?

Que curioso.

- Minha primeira vez foi na faculdade, a segunda foi uma pequena indiscrição no segundo ano e Jake, meu ex. E quanto a você? – é melhor ele não me dar uma desculpa esfarrapada do tipo "estive esperando a vida inteira por alguém tão especial quanto você".

- Hum, mais do que quatro.

- Cinco?

- Mais do que cinco.

Esse jogo já está se prolongando muito.

- Desisto. Quantas?

- Treze. Incluindo você.

Treze? É possível que ele tenha dormido com doze outras mulheres e nenhuma delas, nem umazinha delas, ter lhe dito que uma estocada não é o suficiente?

Talvez eu seja a azarada número treze. Talvez Mike tenha transado alucinadamente com as doze anteriores. Ou talvez eu seja tão atraente que ele não tenha conseguido se controlar.

É, gosto mais dessa explicação.

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- E, então, o que eu faço?

- Treine-o. – diz Rosalie.

- Deixe uma Cosmo aberta numa página que fale sobre sexo. – opina Alice.

- Mas ele não entende que precisa de treinamento! Nem chegou a ficar envergonhado! É como se estivesse absorto de toda e qualquer referência ao sexo já feita no cinema, na literatura, na música e na televisão. O que ele acha que "passar a noite inteira" significa? Uma boa conversa?

- Há truques para se resolver esse tipo de problema. – diz Allie com conhecimento de causa.

É possível fazer uma mágica para que alguém passe a transar bem?

- Tipo o que, por exemplo?

- Existe a técnica de parar-e-começar. Faça sexo durante alguns minutos, depois pare e vá fazer outra coisa. E depois comece de novo.

- Fazer outra coisa? – olho cética para a anã. – Pedir uma pizza? Além do mais, não é fácil parar quando há uma camisinha envolvida na história. Afinal, o que acontece com ela durante o intervalo de encolhimento?

- Talvez o seu problema seja exatamente esse. Camisinhas. – opina Rosalie.

- Isso não faz sentido. Camisinhas, tecnicamente, devem desacelerar o processo, não apressá-lo. – raciocino à beira do desespero. – Se não tivéssemos usado preservativo, o show teria acabado com meia estocada.

- Experimente duas camisinhas. – sugere Alice.

- Não, Alice. Está louca? – Rosalie balança a cabeça. – Duas podem fazer com que ele goze mais rápido. Ele ficará tão preocupado que não sentirá nada no meio daquele plástico todo e a compensação será exagerada.

As duas me olham por alguns segundos, como se quisessem rir da minha desgraça.

- Tente novamente. – aconselha Alice. – Provavelmente foi o nervosismo da primeira vez.

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Necas.

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Você recebeu uma mensagem.

Um e-mail da Mande-um-sorriso começa a piscar no meu monitor. "Oi, benzinho!", diz o texto. Ao seu lado está um desenho que mostra um sujeito bem-apessoado usando um uniforme de manicômio, cuja legenda diz "estou louco por você".

Vinte minutos depois, o "Você recebeu uma mensagem" começa a piscar na minha tela novamente.

Outro e-mail da Mande-um-sorriso. "Um dia inteiro sem você é o fim da picada". A imagem de um outro sujeito boa-pinta sendo picado por um mosquito todo fofinho aparece na tela.

Este problema requer uma análise profunda. Estou prestes a mandar um e-mail para Alice quando percebo que preciso de um feedback imediato. Por que alguém não desenvolve um sistema de e-mail no qual os sons são transmitidos instantaneamente? Funcionaria da mesma forma que uma sala de bate-papo, só que com vozes e mais rápido.

Pego o telefone. Alice provavelmente está em casa agora, por isso tento encontrá-la por lá.

- Socorro! Já experimentei todos os truques que há no livro. Por exemplo, no meio da primeira estocada eu disse: "Espera, não goza ainda não. Está tão bom". O sujeito disse ok, que iria tentar, mas duas estocadas depois estava tudo acabado, ele rolou para o lado e pegou no sono. Como posso ter um relacionamento com um cara desses? Digamos que temos três transas por semana e cada uma dura cinco minutos. Ou seja, fico apenas quinze minutos por semana transando, enquanto passo 167 horas e 45 minutos fazendo outras coisas! Como posso passar 1/700 da semana fazendo sexo? O que farei no resto do tempo?

- Oi, Bella. – diz Alice. – O que há?

- É possível que eu não goste mais dele porque ele gosta de mim? Será que o desafio acabou? Será que estou confusa? – estou quase histérica. – Talvez Sue tenha razão. Talvez eu precise de terapia. Será que só gosto de homens que não me querem? Será que vou passar o resto da minha vida correndo atrás de homens que não ligam para mim, enquanto ignoro os que me idolatram? Ele quer que eu conheça os seus pais. Não quero conhece-los. Por que iria querer isso? Não posso me casar com um sujeito que seja 1/700.

- Não, você não precisa de terapia. – responde Allie. – Não está gostando do Mike porque ele é péssimo de cama. A vida é muito curta para sexo de baixa qualidade. Dispense-o. Tenho que ir agora.

Que avaliação profunda da situação.

- Isabella? – Ops. Jessica.

- Sim, Jess?

- Obrigada por revisar O milionário arruma uma noiva.

Obrigada? Obrigada? Desde quando Jessica me agradece por qualquer coisa?

- Ah, de nada. É o meu trabalho.

- Está certa. É mesmo.

Por algum motivo, Jess parece perturbada. Será que sabe que estou dormindo com o irmão de outra revisora?

- Então, hum... O que você achou? – pergunta ela.

Achar? Desde quando tenho que achar alguma coisa?

- O que eu achei do livro?

- Sim. Você gostou?

- É. Uma boa trama.

- Sério? Que mais?

Bem, como ela está perguntando...

- Ok. Tenho algumas sugestões. Em primeiro lugar, sabe quando ele a vê pela primeira vez? Acho que o autor precisa acrescentar alguns detalhes sensoriais. A cena é um pouco fraca. Não consigo sentir o seu aroma. Qual é o seu cheiro? Será que está usando colônia? Conta-se muito e mostra-se pouco. E a cena do casamento precisa de um certo ajuste do ponto de vista. Está um pouco dissonante. A narrativa fica dando saltos o tempo todo e não encontra um porto seguro. Sei que o autor quer que o leitor se identifique com ambos os personagens, mas isso cria uma sensação incômoda. Assim que começo a entrar na cabeça do herói, sou levada de volta para a da heroína. É necessário que o leitor tenha condições de fazer isso de uma forma um pouco mais confortável. E, especialmente, não ligo para o ponto de vista da mãe durante o casamento. Deixar que os pensamentos venham à tona é um erro. E a tia na trama? Não tem o menor sentido. Todas as suas falas podem ser ditas pela mãe. Diga ao autor para apertar mais o botão de "deletar" e se livrar dela.

Jessica parecia atordoada. Bem, ela perguntou. Aparentemente não sabia que eu era capaz de falar.

- Com certeza irei levar em consideração as suas opiniões na hora em que fizer a edição final.

- Oh, mais uma coisa. Grandes cenas de sexo. Isso não tem nada a ver com a Amor Verdadeiro. É mais Amor e Luxúria.

Ela sorri.

- Obrigada.

- De nada. – até que foi divertido.

Você recebeu uma mensagem.

Se isso for mais um cartão meloso de Mike, eu me mato. Não, vou matar ele. Se me disser mais uma vez o quanto sou especial, vou me separar dele.

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Oi, Bella.
Estou em casa! Na casa dos meus pais em Nova York. Como estão as coisas? Fiz uma viagem fantástica. Mal posso esperar para te mostrar as fotos. Ligue para mim ou escreva de volta.
Jake.

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Oh meu Deus. Oh meu Deus. Oh meu Deus.

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Será que devo ligar para ele? Não posso ligar. Mas ele quer me ver. Quer me mostrar as fotos. Está em casa. Será que a piranha holandesa aparece nelas? Será que ele vai tentar evitar ferir meus sentimentos tirando todas as fotos dela do álbum? Será que tem dois álbuns separados, um especialmente para mim, sem fotos da piranha, e outro para os observadores psicologicamente estáveis? Será que ele faria esse tipo de esforço por mim? Será que me ama tanto assim? Será que ainda está planejando se mudar para Boston a fim de completar seu mestrado? Se o fizer, provavelmente irá viver no Orgasmo. Será que também vai morar em Back Bay? Será que já tem um apartamento?

Vou perder uns dois quilos só para quando esbarrar com ele no Orgasmo. Terei um zilhão de homens à minha volta e ele me verá do outro lado do bar, impressionado com o quanto eu estou fantástica. Estarei usando as minhas botas de puta, uma saia e um top bem indecentes, e ele se esquecerá de por que me abandonou.

Se quiser tanto falar comigo, ele irá ligar. Ou me mandar outro e-mail. Se me enviar outro e-mail, escreverei um de volta.

Sabe de uma coisa? Já não vejo Angie há um bom tempo. Talvez devesse visita-la em Nova York por volta do Natal. Tenho certeza de que ela adoraria me ver. Poderemos botar em dia nossos papos calcinha. Quero ir para Nova York. Para ver Angela. Quero ir a Nova York porque não vejo Angela há meses. Estou indo para Nova York porque sinto falta de Angie.

- Estou pensando em ir até aí visita-la. – digo a ela naquela mesma noite.

- Agora não é uma boa hora. – responde Angela.

Não diga isso. Estou indo. Tenho que ir.

- Por que não?

- Não saio do trabalho antes da uma da manhã. Não vou ter como passar algum tempo com você.

- Mas é Natal! – será que ela não podia simplesmente me deixar as chaves do apartamento?

- Data que, sendo judia, eu não comemoro.

- Mas a sua empresa comemora. Não podem obriga-la a trabalhar quando todo mundo está de folga.

- Isso é verdade. Acho que posso tirar um dia de folga. Metade de um dia, pelo menos. Talvez...

Deus existe.

- Isso é bom.

- Você virá até Nova York só para me ver durante um dia? – Oh, não. Acho que ela está suspeitando de alguma coisa.

- Sinto a sua falta.

- E a sua visita não tem nada a ver com o fato de Jake estar em Nova York?

Caiu a máscara.

- Como você sabe que ele voltou?

- Nosso departamento estava tendo o seu jantar de Natal no Katsura, o novo restaurante da moda, quando dei de cara com ele no bar.

- Você o viu e não me falou nada?

- Não queria magoá-la. Sei que você está numa fase preocupante com Mike e achei que esse tipo de informação poderia tirá-la dos eixos.

Ela o viu e não me contou? Como poderia fazer isso? Devia ter me ligado imediatamente do bar.

- O que você quer dizer com me magoar? Com quem ele estava? Será aquela vagabunda holandesa? Não me diga que estava com a piranha. Ela é bonita? Mais bonita do que eu?

Angela suspira longamente.

- Estou certa de que esse caso da Tailândia não veio para Nova York. Ele estava no bar com alguns colegas de Penn. Jared, Quil e Leah.

Leah, não é? Ele sempre gostou da Leah.

- Ele estava com a Leah ou simplesmente com a Leah?

- Estava com o grupo. Nem o vi conversando com Leah.

Uma vez ele me disse que achava Leah Clearwater, que também fazia parte do conselho estudantil, muito bonita. Como se eu quisesse ouvir aquilo. É melhor que não tenha ficado com ela.

- Não ligo a mínima para o fato de ele ter voltado. – falo sem motivo. Sem motivo porque sei que estou mentindo e Angie sabe disso também. A única razão para você mentir é quando acha que alguém vai acreditar em você; se esse alguém não é a pessoa para qual está mentindo, ela deve ao menor ser você.

- Pode ficar comigo se quiser. – afirma Angela, relutante.

Muito bem. Onde mais eu poderia ficar? Será que ela acha que eu considerei a possibilidade de ficar com Jake? Quer dizer, posso até alimentar a esperando, mas não iria a Nova York sem um lugar seguro para me refugiar. Dá para imaginar a cena. Jake e eu olhando para uma foto do templo tailandês e ele me dizendo: "Isso me lembrou uma coisa, onde você está?". Tão logo me perguntasse, eu saberia que ele não esperava que eu ficasse na sua casa, e então teria que mentir dizendo que ficaria na Angela, pois se dissesse que ficaria num hotel, meu ex saberia que eu só vim para vê-lo e diria: "Que bom. Vou chamar um táxi". Eu teria que saltar do táxi na esquina seguinte, pois não tenho condições de andar de táxi a noite toda e acabaria andando pelas ruas sem rumo, tarde da noite, procurando um hotel barato, e provavelmente seria assaltada.

- Obrigada, obrigada, obrigada!

- Você vai ligar para ele?

- Não. Nós vamos encontra-lo casualmente.

- Nós não sabemos quais são os seus horários.

- Você já deu de cara com ele uma vez. Estou certa de que pode fazê-lo novamente.

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Uau! Natal em Nova York!

Sair daqui é uma boa. Todos estão fugindo de Boston. Alice e os dois irmãos estão visitando os avôs na Flórida; Rosalie e os pais irão fazer um cruzeiro no Caribe; e Edward irá visitar os pais em Chicago, onde nasceu.

- Sue ficará tão desapontada. – meu papai não ficou feliz com a minha mudança de planos.

- Eu sei, mas acabei de vê-lo no Dia do Trabalho e não vejo Iris e Renée desde julho. – será que eu vou para o inferno por mentir sobre onde eu irei passar o Natal? Posso ser a pior filha de todos os tempos. Minha mãe acha que eu vou ver meu pai em Connecticut e meu pai acha que eu vou visitar minha mãe na Virgínia. Ah. Estou tirando proveito da única vantagem que há em ter pais que se tratam como estranhos – eles não checam as coisas um com o outro.

Mike também não está feliz com a minha viagem.

- Por que você não passa o Natal comigo? – sugere ele. – Eu me visto de Papai Noel no orfanato.

Hum. Por algum motivo, pensar em Mike vestido com um uniforme me deixa ligada, mas não tanto quanto eu fiquei quando Edward me contou que fazia o mesmo. Talvez tenha um pouco a ver com aquela história de homem-com-uniforme. Talvez tenha a ver com o fato de que eu leio muitas histórias românticas de férias. Será que devia lhe dar uma outra chance? Afinal de contas, um pássaro na mão (Mike) é melhor do que um na floresta (Jake), ou no bacanal. Tanto faz.

Não.

Acho que o Papai Noel poderia ter mais alguns ajudantes. Ele não parece ser capaz de tocar os sinos do meu trenó.

Exemplo número um: Numa noite dessas, ele me trouxe um bicho de pelúcia e um cartão que dizia: "Te amo muito, meu doce de coco". Será que eu posso aguentar um cara tão meloso por mais tempo?

Exemplo número dois: Depois que Jake me mandou o e-mail, eu menti e disse para Mike que estava naqueles dias. Fiquei surpresa por ele não ter ficado decepcionado com o fato de que não poderíamos transar naquela noite. Surpresa pelo fato de ele não se lembrar que a minha menstruação havia acabado na semana anterior. Será que os homens não devem se lembrar dessas coisas? Se um cara é um namorado tão bom, será que não devia manter o controle da situação?

Tenho que acabar com essa insanidade.

Detesto terminar namoros.

Será que não basta simplesmente não retornar as suas ligações? Isso é errado?

Já que estou pensando nisso, creio que nunca discutimos a nossa relação. Como eu nunca me referi a ele como namorado (pelo menos na sua cara – e é isso que é relevante neste caso) e Mike nunca disse que eu era sua namorada, tecnicamente nunca chegamos a ser um casal. Por isso, tecnicamente falando, eu não tenho necessidade alguma de dispensá-lo.

Tudo bem. Estamos separados.


Pois é, agora o Jake vai dar as caras e até agora a Bells já está abanando o rabinho u.u

Muito obrigada pelas reviews e a todas vocês que apareceram para dar apoio *-*

Ah, e para quem acompanha VCET, até segunda-feira que vem ela será atualizada. Beijos e ótima semana para todas!