O restante da semana transcorreu da mesma maneira, sem nenhum paciente para atender, almoço com o xerife e o doutor Beaver, e corrida noturna com Jared.

No final de semana ficou de plantão, quase morreu de tédio, até o momento que o xerife chegou com uma cesta de sanduíches e refrigerantes, na hora do almoço.

- Também estou de plantão, a cidade está calma e os mineiros também. – Disse Jared sentando na cadeira a sua frente e colocando um rádio portátil em cima da mesa junto com a cesta.

Passaram boa parte da tarde conversando, às vezes o silêncio acontecia, mas eles sorriam uma para o outro e conversavam com o olhar, até que o xerife recebeu um chamado.

- Alguém tem que trabalhar nessa cidade. – Brincou Jared.

- Vê se atira em alguém, e manda para mim. – Falou Jensen. – Xerife, amanhã eu trago os sanduíches.

- Amanhã, é dia de eu almoçar com minha família. – Disse Jared, com um sorriso triste. – Acho que é até segunda, meu plantão é 24 horas diretas, não tem corrida hoje.

"Será decepção que eu vi no rosto do Dr.?" Pensou Jared.

- Então até segunda. – Respondeu Jensen. "Por que estou tão decepcionado?".

No domingo pela manhã Jensen foi cumprir seu plantão, mas antes resolveu conhecer a igreja local, afinal os fiéis pertencentes a ela eram os principais suspeitos dos assassinatos em série.

Era um prédio simples, mas bonito por dentro. Além dos bancos de madeiras, que pareciam não serem confortáveis, as janelas eram todas de vitrais, com desenhos de árvores, e no chão embaixo de cada janela uma cruz de madeira. A madeira não era manufaturada, estava no seu estado rústico, a parte vertical, era um grosso tronco e a horizontal um tronco mais fino.

Essa decoração interna refletia nas origens daquela religião. No passado adoravam deuses pagãos da floresta, hoje representados pelas árvores, e para fugirem das perseguições no tempo da Inquisição, aceitaram o Cristianismo. Assim que o tempo de caça as bruxas cessou, a junção estava completa, porém a rigidez ainda era muito presente, nos poucos lugares onde essa religião sobrevivia.

- Dr. Ackles. – A cerimônia ainda não tinha começado e o missionário veio lhe cumprimentar. – Sou o missionário Pellegrino, é um prazer lhe ter na casa do Senhor.

- Obrigado. Posso participar celebração?

- Claro, seja bem vindo.

Jensen foi em direção a um banco no fundo da igreja, onde o xerife estava sentado, mas o missionário o impediu dizendo que seu lugar era ali na frente.

Ao lado do altar um grupo de crianças estava sentado. Todas se vestiam iguais, jardineiras jeans, com blusas brancas. Quietas demais para suas idades, sérias, até mesmo tristes, mas uma garotinha loira, quando o viu, lhe presenteou com um belo sorriso, fazendo-o sorrir.

O sermão era cheio de ameaças e nenhuma esperança de felicidade na vida terrena. Jensen não sabia como uma religião assim ainda sobrevivia no mundo atual. Ele se lembrou das pregações, na paróquia em que freqüentava, muitas vezes eram rígidas como deveriam ser, mas cheias de amor e perdão ao próximo. Geralmente saia da igreja feliz, com esperança para a solução de seus problemas, mas aqui ele só via o fogo do inferno na sua frente.

No final o pregador se dirigiu ao final da igreja.

- Vocês perdidos nos pecados, que quiserem voltar ao seio da salvação ajoelhem-se junto às cruzes. – Ninguém se manifestou. - Que Deus tenha compaixão de suas almas. – Gritou irado. E assim que se acalmou se aproximou do banco onde Ackles estava sentado.

- Você que obedeceram ao coração e vieram hoje aqui nessa casa onde o Senhor habita, querem fazer parte dos eleitos e alcançar a glória de Deus? Abram seus corações! Abracem o símbolo do perdão. – Gritou, apontando para a enorme cruz de madeira no altar.

Ao final da cerimônia, Jensen se levantou se despediu do missionário Pellegrino.

- Ainda não é o momento, mas logo Deus tocara seu coração. – Disse Pellegrino olhando dentro dos olhos de Jensen, e segurando a mão do médico, mas tempo que o necessário. O médico sorriu e foi falar com Jared, que sem o sorriso habitual o apresentou ao pai.

- Dr. Ackles, esse é meu pai, Gerald Padalecki. – Jensen estendeu a mão para um homem alta com feições rígidas. "Jared deve ter herdado da mãe o jeito risonho", pensou Jensen.

- Prazer Dr., foi uma alegria imensa tê-lo aqui conosco em apenas uma semana. – Disse Gerald apertando a mão de Jensen.

Foi apresentado para os irmãos de Jared, Jeff e Meg, antes de se despedir do moreno com um aperto de mão.

- Até amanhã xerife.

J&J

Misha ligou no meio da tarde.

- Oi, loirão!

- Oi Misha, como andam as suas investigações? Conheci um dos missionários da igreja, Mark Pellegrino. O sermão dele me deu tanto medo que minha vontade era abraçar a cruz, para escapar do fogo do inferno.

- Ele é um dos principais suspeitos, dois meses depois que chegou à cidade começaram os assassinatos, mas como não temos provas... Na verdade todos os missionários são suspeitos, inclusive o pai do TEU morenão. - Era assim que ele se referia ao xerife, dando ênfase ao TEU, das primeiras vezes Jensen reclamou, mas depois desistiu. – Por sinal ele está ai?

- Não. - Respondeu desanimado.

- E essa tristeza, é saudade? – Como resposta Jensen desligou o telefone.

Jensen não entendia por que as brincadeiras do amigo o irritavam tanto, mas a verdade era essa ele estava com saudades do "morenão", como chamava Misha.

J&J

A segunda até o meio da manhã parecia que iria se repetir o que aconteceu durante toda a semana, quando um mineiro chegou carregado vomitando e com muitas dores na barriga. Dr. Beaver estava ocupado e Danneell chamou Jensen para atendê-lo. Quando o loiro entrou no consultório o paciente gritou que queria um médico de verdade, e não deixou que Ackles o tocasse. A confusão interrompeu Jim que veio atender o mineiro, o loiro voltou para sua sala, indignado, sem entender qual era o problema da cidade com ele.

- Bom dia Dr.- Disse Jared que estava o esperando em sua sala.

- Bom dia pra quem xerife? – Respondeu Jensen entrando na sala.

- Má hora? Muito ocupado? – Jared estranhou a resposta mal educada, mas não se importou, pois o loiro estava adorável com raiva, beicinho, andando de um lado para o outro.

- Ocupado. – Jensen riu, parando na frente do xerife o encarando, abrindo o xaleco e colocando as mãos na cintura. – Fui o melhor aluno em medicina da minha turma, ficando entre os dez melhores desde que a universidade foi fundada, em Harvard. Fiquei como residente dois anos sob a chefia do Dr. House. Fui o único que conseguiu agüentar os desmandos, o humor, ou melhor, o mau humor, daquele... Mas ele é o melhor infectologista do país.

Jared ouvia o que o loiro dizia, mas seu cérebro não se concentrava. O som da voz rouca de Jensen, a sua proximidade... Se o xerife estende-se os braços poderia envolvê-lo em um abraço.

- E depois de tudo isso eu estou sendo tratado como... Nem sei como. – Continuou Jensen. – Estão me julgando pela aparência, por eu ser de fora, por ser jovem, desde quando competência vem estampada na cara. – Disse Jensen se encaminhando para sua cadeira, apesar de ter desistido de seguir a carreira de médico, ele não gostava de ficar sem fazer nada e o mineiro tinha mexido com o seu ego.

- Calma Dr. Logo eles se acostumam e isso vai acabar. Você terá tanto trabalho que sentirá saudades desses dias. – Falou Jared se sentando na cadeira enfrente a mesa de Jensen e colocou a sua mão em cima da mão do loiro, que não a retirou e se entregou as suas lembranças sentindo o reconfortante calor das mãos de Jared.

Flash Back

- Jensen Ackles, filho de Roger Ackles, dono do Medical Center of Califórnia, belo currículo, fácil de ser comprado. – E Dr. House jogou o papel que tinha em mão no lixo. – Assim como foi fácil de comprar o meu tempo para ensinar algo que não pode ser aprendido. Talento. Para um garotinho mimado, que não deve ter nenhum. Mas como o papaizinho tem dinheiro, a Drª. Cuddy me cobrou alguns favores e também vou ganhar uma bela televisão para assistir meus programas favoritos, enquanto o escravizo. Mas o que você fez? Para o seu pai pagar para lhe fazer sofrer?

- Ele acha que o senhor é o melhor. Na verdade eu não preciso do melhor, afinal não vou seguir a profissão.

- Então realmente seu currículo foi comprado?

- Acredito que não.

- E por que se esforça tanto por algo que não quer?

- Gosto de fazer as coisas bem feitas. – Na verdade Jensen desistira da medicina quando uma criança morreu em suas mãos. Ele não era culpado, mas para um recém formado, foi um impacto imenso. Principalmente por ter que falar para a família, sendo agredido com um soco no rosto, pelo pai da paciente. E por ser filho de quem é, ao invés de apoio, seus colegas o massacraram. Com isso resolveu seguir um sonho de criança, ser agente do FBI. Quando foi falar com seu pai sobre isso, ele o fez prometer que faria pelo menos dois anos de residência, e depois podia até ser hippie que ele teria seu apoio. Jensen aceitou.

- Vamos fazer um trato. A condição de o hospital ficar com o dinheiro é que eu lhe aceitar, como meu discípulo. Não posso lhe mandar embora, a não ser que faça uma tremenda burrice, mas caso o que esteja escrito naquele papel embolado no lixo seja verdade, dificilmente isso irá acontecer...

- Parece que meu currículo lhe impressionou? – Disse Jensen interrompendo.

- Não me interrompa. Lembre-se que você é meu escravo, escravos só falam apenas quando o amo manda. Você entendeu? – Jensen ficou em silêncio. – Eu não ouvir a resposta?

- Sim, entendi!

- Ótimo, então continuando. Pela quantia em dinheiro tenho que te agüentar, mas você pode pedir para sair, se isso acontecer ficaremos todos felizes. Menos o seu pai, mas os filhos servem para isso; deixar os pais infelizes. O que acha?

- Eu fiz uma promessa para o meu pai. Dois anos de residência, e eu vou cumprir.

- Promessas foram feita para serem quebradas. E além do mais você pode cumprir sua promessa noutro lugar, longe de mim.

- Infelizmente temo que não!

- Foi a morte da garotinha... Muito triste. – Falou House querendo atingir o ponto fraco do loiro, e quase conseguiu. Jensen resistiu vontade de sair dali, mas ele não ia desistir no primeiro round. Porém ele percebeu o que enfrentaria com o médico.

- Lamento dizer , que ficaremos ambos infelizes durante os próximos dois anos. Igualmente a mim, o senhor terá que me suportar.

- A diferença que eu vou poder me divertir. – Jensen sentiu o aviso por trás da frase.

Os dois anos teriam sido insuportáveis se Jensen não aprendesse a admirar House, o elegendo como o melhor na área. Assim o médico amenizou a perseguição e conseguiram conviver um com outro.

No final Dr. House não lhe entregou o documento que o avaliava, pois Jensen realmente tinha desistido da medicina, já que não sabia lhe dar com a morte dos seus pacientes.

- Quando você voltar para a área o documento será seu; desde que apareça de tempos em tempos aqui para fazer uns servicinhos para mim.

- Mas...

- Boa sorte!

E assim acontecia, mas Jensen não contava para a sua família. De vez em quando trabalhava para House, principalmente quando ele tinha de invadir alguma residência para investigar as causas prováveis das doenças dos seus moradores. Afinal esse era o método de House, investigativo. Jensen gostava disso, e como ele não precisava lidar diretamente com os pacientes, era o ideal, não se afastava totalmente da medicina, que amava, mas não precisava lidar com a morte, coisa que odiava.

Flash Back off

Jensen contou tudo para Jared, menos a parte que abandonou a medicina e foi para o FBI.

- Sabe o que é agüentar dois anos, uma pessoa como Dr. House? E depois ser tratado como uma pessoa sem competência? – Jensen falava e suas mãos continuavam envolvidas entre as do Jared. Quando terminou de contar sua história percebeu e as retirou sem graça. – Desculpe.

- Sem problema. - Respondeu Jared. – Vamos almoçar? – Convidou.

- Estou sem fome. – Jensen agora estava triste. E isso acabou com Jared, ver o loiro assim. Resolveu que ajudaria o médico nem que ele mesmo ficasse doente.

- Greve de fome não vai adiantar. Vamos. - E puxou o Dr. Ackles levantando-o de sua cadeira, e o levando para o restaurante.

- Você quer sair de mão dada na rua ou vai por vontade própria?

- Tudo bem! – respondeu enquanto pensava "Não me importaria de ficar segurando sua mão. Acho que essa falta do que fazer está afetando minha cabeça."

- Boa tarde, xerife. Ainda não tivemos a oportunidade se sermos apresentados. – Disse um deles encarando Jensen, sou Kurt Fuller e esse é Frederic Lehen, esperamos que você se integre a nossa comunidade.

- Estão indo almoçar? – Perguntou Lehen.

- Sim. – Respondeu Jensen.

- Então um bom almoço para os dois. – Disse Kurt Fuller.

- Obrigado. – Responderam Jensen e Jared juntos.

- Quando esse frio na espinha vai passar? – Disse Jensen para o xerife, assim que os dois se afastaram.

- Pensei que era apenas eu que sente esses calafrios quando os vejo.

- Quem diz que não sente, está mentindo. – Juntos começaram a rir e seguiram para o restaurante da Rose.

J&J

No meio do expediente o milagre aconteceu, e Jensen recebeu seu primeiro paciente. Jake Abel, ajudante do xerife.

- Estou enjoado, com dores no abdômen, parece que minhas tripas estão dando um nó. – Jensen ouviu o relato, mandou Jake tirar a camisa para examiná-lo. Quando Jensen tocou na barriga do rapaz, Jared pensou "Acho que vou pedir para ser examinado".

- Aparentemente não consigo identificar algo errado, mas irei passar alguns exames e você leva isso para a Missouri. – E entregou uma receita. – É uma injeção para dor e enjôo, e você xerife ficou sem ajudante por hoje.

- É tão sério assim? – Perguntou Jared.

- Poderei afirmar alguma coisa depois dos resultados dos exames, mas devido os sintomas, é melhor descansar.

– Você é que manda aqui! Jake nada de namorar é para descansar. – Disse Jared rindo e se despedindo do seu ajudante. – Doutor. Vamos correr hoje?

- Claro! Mas, o que você fez? Ameaçou Jake com prisão? Ou prometeu uma folga?

Jared riu.

- Nem uma coisa e nem outra, ele é jovem tem uma mente mais aberta, apenas isso. Até a noite.

J&J

Durante a corrida Jensen era apenas sorriso.

- Nunca vi ninguém tão feliz por que o outro está doente. – Disse Jared para provocar.

- Não é isso, apenas...

- Eu sei doutor! – Disse Jared que não resistiu e passou a mão nos cabelos de Jensen, assanhando-os.

- Ei, não sou criança!

- Mas às vezes parece!

- Não mais do que você com esse cabelo caindo na testa, e esse sorriso lindo. – Quando Jensen falou isso mordeu os lábios e desviou o olhar. "Droga" foi a única palavra que veio em sua mente.

- Sorriso lindo? – Perguntou Jared sorrindo mais ainda.

- É dentes perfeitos. Nós estamos aqui para correr, certo? – E Saiu em disparada com Jared logo atrás com um sorriso bobo no rosto.

J&J

Na primeira parte do dia, as mesmices de sempre: sem pacientes. Os que Jim obrigava a passar com Jensen iam embora. Nem o almoço com o xerife teve, por sinal ainda não tinha o visto. Como sempre sentia falta quando isso não ocorria, confundindo um pouco a sua cabeça, pois sem ter com o que se preocupar, pensava no xerife.

"Como pude dizer aquilo sobre o seu sorriso, vai pensar que sou gay. Mas estou aqui para isso mesmo, qual é o problema? Pensa na enfermeira gostosa, viu como a saia molda a bundinha dela? Porém a do xerife é mais bonita, parece ser mais firme... Ei, esse pensamento não é meu, alguém está colocando coisas na minha cabeça!"

- Dr.? – A Dan o chamou interrompendo seus confusos pensamentos, e isso o fez sorrir, Harris se empolgou e entrou na sala. – O Sr. tem um paciente. – Disse fazendo charme.

- O mande entrar.

- Sim. Desculpe sei que não é a hora, mas o sorvete da Sally é delicioso, e hoje é o festival para arrecadar fundos para o orfanato, gostaria de ir comigo? – Teve essa audácia por causa do sorriso do médico. Que encheu-lhe de falsas esperanças.

- Puxa adoraria! Mas sempre corro com o xerife, deixa para a próxima vez! Mas pegue para ajudar e tome um sorvete por mim. – Disse Jensen entregando uma nota de 20 dólares. – Quando estiver com meu talão de cheque, darei uma contribuição maior. E mande o paciente entrar.

- Obrigada Dr. – Respondeu com um sorriso sem graça.

O paciente era Chad Lindenberg, o outro assistente do xerife, e estava com os mesmos sintomas de Jake.

- Missouri, chamou a outra enfermeira, os exames de Jake já estão prontos?

- Não Dr. O laboratório que trabalhamos na cidade vizinha deu um problema e eles tiveram que transferir todos os exames para a outra cidade mais distantes, mas acredito que logo teremos os resultados.

- Ok! Então repita os exames com o Chad. E o mesmo medicamento para ele também.

- Claro Dr.

Jensen ficou preocupado, e resolveu investigar a delegacia, ia falar com Jared sobre essa possibilidade. "Espero que ele apareça hoje à noite."

J&J

Quando Jared chegou, não veio preparado para correr, estava vestido com uma calça jeans escura, e uma blusa de manga também escura e uma jaqueta por cima, e os cabelos lindamente desarrumados e com seu belo sorriso.

- Ainda encantado com o meu sorriso? – Perguntou se referindo a noite passada.

- Sempre. – Respondeu Jensen sem pensar. – Mas parece que hoje não vai ter corrida.

Jared não esperava uma resposta tão simples vinda de Jensen, e em seu coração nasceu uma ponta de esperança.

- Hoje tem um festival de sorvete, pensei em ir lá, é para ajudar o orfanato local. Você quer ir?

- A Dan me convidou para esse festival, eu não aceitei... Por causa de nossa corrida. – Quase deixou sair "Por sua causa". Jensen balançou a cabeça, tentado fugir de seu próprio pensamento. "Se Misha não fosse tão filho da mãe poderia conversar com ele sobre isso", o gesto pareceu como se fosse de desagrado.

- Mas se você não quiser ir, posso trocar de roupa e fazemos a nossa corrida.

- Sem problema, Dan disse que o sorvete é gostoso. Vou me arrumar.

Quando Jensen voltou estava vestido com um jeans desbotado rasgado nas coxas, uma camiseta preta e uma jaqueta de jeans claro.

– A Gen e a Dan estão ajudando na venda.

"Menos mal", pensou Jensen. "Maldito pensamento! O xerife está lindo, vestido assim. Estou pirando agora; reparando nas roupas que ele veste."

"Por que ele está tão perdido em pensamentos? Deve estar arrependido de não ter ido com a Dan. Ele está perfeito com essa roupa; queria tanto meter a minha mão entre os rasgões dessa calça e sentir essa pele." Pensava Jared enquanto se preparava para liguar o carro.

Não resistindo e com a desculpa de pegar algo no porta luvas do carro Jared se esticou e apoiou a mão nas coxas de Jensen bem em cima dos rasgões, sentindo o que queria: o calor da pele de Jensen.

A mão do xerife apoiando em sua coxa era quente, o perfume que emanava de seus cabelos era inebriante, se Jared tivesse demorado um pouco mais, Jensen teria afundado a cabeça na nuca do xerife, apenas para sentir com mais intensidade aquele cheiro.

Antes de retirar a mãos, Jared deu um leve aperto, imperceptível, para não parecer proposital.

- Desculpe. – Falou Jared. – Acho que deixei noutro lugar.

- Ok. – respondeu Jensen. "Não quer procurar de novo? Acho que estou possuído é a única explicação para esses pensamentos".

Quando chegaram ao orfanato, o festival do sorvete acontecia nos jardins, foram direto falar com Dan e Gen.

- Olá garotas! – Falaram juntos.

- Olá doutor. Pensei que ia correr!

- E ia, mas o grandão queria tomar sorvete, agora meus dias de corrida serão todos jogados fora.

- O senhor está lindo, não precisa fazer nada. A senhorita Harris, coitada, não pode comer um docinho que a barriga só falta explodir. – Jensen olhou para baixo e viu uma garotinha loira com belos olhos verdes, com no máximo sete anos. Reconheceu como a mesma da igreja.

- Mulheres desde pequenas são tão maldosas uma com as outras. – Disse Jensen sorrindo.

- Isso é raiva. – Disse a ruiva.

- Por quê?

- Por que não ganhou o dólar para tomar sorvete. Aqueles vintes dólares que você me deu os troquei e dei um para cada criança, e ela não ganhou.

- Você devia ter dado 21 dólares, nós somos 21 crianças. – Disse a garotinha.

- Posso corrigir esse erro imediatamente. – Disse Jensen.

- Não Dr., não foi apenas por isso que ela não ganhou, mas também por que está de castigo.

- E por que tão terrível castigo?

- Não podemos ter animal aqui no orfanato e ela teima em trazer tudo quanto animal de rua que encontra para cá, estava escondendo uma gata com quatro gatinhos.

- Mas aqui tem uma área tão grande, por que não criar algum animal? – Perguntou Jensen.

- Por causa das doenças doutor.

- Eles são limpinhos! – Exclamou a garota.

- Isso não existe. Qual o sorvete que você vai querer? – Perguntou Danneel para Jensen, ignorando a pequena.

- Nenhum. Como é seu nome? – Perguntou para a garotinha.

- Jenny.

Jared olhava para Jensen encantado com o jeito dele com a menina. E Gen, olhava para Jared, nos olhos uma mistura de admiração e raiva.

- Mas por que você não vai tomar nenhum sorvete? – perguntou Jared.

- Se a Jenny não tomar, não posso fazer isso na frente de uma criança.

- Cancela o meu também. - Disse o xerife.

- Mas isso é um absurdo! – Exclamou Dan.

- Dannyzinha perdoa! Só hoje, afinal ela escondeu os gatinhos por uma boa causa. – Disse Jensen fazendo carinho nas mãos da enfermeira.

- É Dan, quero tomar sorvete. – Jensen sorriu da cara que o xerife fez ao falar isso.

- Tudo bem!

- Pode ser um duplo?- Perguntou Jenny para Jensen.

- Não, é simples como de todos. – Respondeu Harris.

- Então são dois. Todos ganharam dois. – Disse a garota.

- Mas...

- Dan...

- Ok, você não conhece a peça. Qual você quer Jenny?

- Chocolate.

- O meu de morango. – Falou Jensen.

- O meu quero de flocos. – Pediu Jared.

- O meu está pequeno. – Falou Jenny. Realmente o sorvete dela era o menor.

- Troca comigo. – Disse Jensen.

- Dr.!

- Dr. Se o senhor fosse um sorvete seria de flocos. – Disse Jenny.

- Por quê?

- Branquinho com pintas. – Jared não agüentou descrição, riu com gosto e passou a língua no sorvete imaginando ser Jensen. E o médico olhou nesse momento para o Jared, imaginando como seria ser aquele sorvete.

- Obrigada. – Disse Jenny. Jensen se abaixou e deu um beijo na bochecha da menina e recebeu outro.

Jensen e Jared continuaram passeando e conversando e resolveram brincar no tiro ao alvo. Jensen acertou todos ganhando a pontuação máxima. Para a surpresa de Jared, mas não teve chance de comentar, pois Fuller apareceu.

- O Dr., atira muito bem. – Disse Kurt Fuller.

- Sempre cacei com meu pai. – Justificou.

Jensen escolheu um gato gigante amarelo de pelúcia. Pensando em Jenny.

- O senhor me dá licença. – Pediu para Fuller, aquele homem lhe provocava arrepios. Jared foi falar com os seus pais, em momentos assim sua mãe saia de casa, ele aproveitou para ficar um pouco mais com ela.

Quando Jensen ia entregando o brinquedo para a Jenny, Dan interrompeu.

- Dr. Sinto muito, mas se o senhor presentear uma criança não é justo com as outras.

- Você está querendo dizer que tenho de ganhar outros 20 prêmios?

- Sim.

- Ok. Segura esse gatão e torce para eu estar bom hoje. – Disse para Jenny, que fez figa com as duas mãos.

Jensen começou a atirar e não errava nenhum tiro. Logo era atração da festival. Jared olhava espantado, mais logo resolveu participar da brincadeira, e acabou se tornando uma competição, onde um provocava o outro. No final conseguiram 22 brinquedos, 11 cada um, mas Jensen se anunciou vendedor, sob os protestos do xerife, o médico contou com o primeiro, o gato da Jenny, os dois brinquedos extras entregaram para a Dan e para Gen. A morena adorou seu urso de pelúcia, mas a ruiva recebeu o dela com ódio, pois parecia um prêmio de consolação.

– Bem pequenina, cuide bem do seu gato. – Disse Jensen dando um beijo de despedida na bochecha da Jenny.

- Obrigada doutor!- Respondeu a menina largando o gato e envolvendo o pescoço de Jensen com os bracinhos.

- Tchau meninas! – Disseram. - Jensen e Jared na saída.

Um olhar intrigado acompanhou o médico até ele entrar no carro do xerife.

J&J

- Devo dizer que você trapaceou. – Disse Jared se referindo a competição entre eles de tiro ao alvo, e esse comentário arrancou sorrisos do médico.

- Se eu soubesse que ia ficar assim, teria deixado você ganhar, afinal eu sou o xerife, a lei e o gatilho mais rápido da cidade. – Brincou Jensen.

- Vou querer revanche.

- Para quando você quiser. – Disse Jensen fechando os olhos e se espreguiçando no banco, e depois dando aquele sorriso de lado antes de olhar para o xerife. - Mas queria lhe pedir algo.

- Pode pedir se tiver ao meu alcance. "Espero que seja um beijo" – Jared sorriu com o próprio pensamento.

- Dois de seus ajudantes estão sentindo a mesma coisa, gostaria de verificar se a algo na delegacia, pois é o lugar comum deles. Posso?

"Não contava com isso, mas já que comecei, vou terminar" - Claro, e quando você vai fazer isso?

- Amanhã.

- Amanhã?

- Algum problema?

- Não – Jared sorriu. – Eu não estarei lá, mas deixarei avisado.

- Ok! – Respondeu.

"Se o Jensen descobrir, estou ferrado". Pensou Jared.

N/A: Não resistir, e coloquei o , amo esse ser mal humorado. O sorvete de flocos foi de propósito, é assim que comparo o Jensen quando tomo sorvete desse sabor. Espero que tenham gostado. Se não gostaram, leiam os próximos capítulos até amarem!

Já sabem o que eu quero!

Um beijo especial para a minha Anja!