Cap-04
Jensen acordou cedo, preparou tudo que precisaria para recolher qualquer coisa estranha. Chegou as 9:00 h na delegacia, e Jared, que já tinha saído, deixou ordem para ajudá-lo no que ele precisasse.
Examinou os carros que Jake e Chad usavam, depois olhou as celas, a sala de interrogatório, a sala de espera, os banheiros para o público. Deixou por último a sala do xerife, o almoxarifado em anexo à sala e o banheiro particular dos policiais.
Jared chegou, e foi informado que Jensen estava revirando toda a delegacia. Trocou os presos de cela, entrou no banheiro das mulheres e uma senhora queria dar queixa dele. Nesse exato momento ninguém sabia onde ele estava.
Jared riu, e lamentou não estar presente. Adoraria ver as confusões do loiro, apesar de que não quereria estar na sua própria pele se o médico descobrisse sua armação. Estava tão concentrado nesse pensamento, que quando se sentou em sua cadeira e não percebeu que Jensen estava embaixo de sua mesa. Apesar de Jensen não ser um homem pequeno, a mesa era grande e o loiro cabia tranquilamente em baixo dela, na posição em que se encontrava, de quatro.
- O que posso fazer por você xerife? – Jared se assustou quando o loiro falou com ele.
Jared olhou para baixo, e ver o Dr. daquele jeito embaralhou seus pensamentos. Principalmente quando viu a cabeça loira emergir entre as suas pernas, no rosto do médico um óculos transparente, desses usado para proteger os olhos e aumentar o tamanho dos objetos. Mas o que chamou atenção do xerife foi a boca perfeita com um sorriso sem vergonha desenhado nela.
- Um boquete seria perfeito. – Quando Jensen arregalou os olhos percebeu que não tinha apenas pensado e sim falado. – Me desculpa! – E sua mente começou a pensar em uma desculpa. - Estou no atraso, você sabe, a Gen, religião, entende...
- Claro. Ainda bem que ela é morena, para não confundir. – Jensen queria se sentir ofendido, mas não conseguiu. "Ele fica tão fofo, assim sem jeito. Eu pensei fofo? Tenho que sair daqui antes que eu o mande abrir a calça."
Com seus pensamentos confusos Jensen se precipitou e saiu sem Jared se levantar e dar espaço para a sua saída e acabou de joelhos entre as pernas do xerife, se o xerife abaixasse só um pouco a cabeça poderia beijar a boca do loiro.
- Desculpa, mas primeiro tem que rolar beijo na boca. – Tentou dizer isso em tom de brincadeira, porém ele sentiu que sua voz estava bem mais rouca que o normal. Seus olhos fixaram na boca de Jared, por alguns instantes que pareceram horas. Aquele momento foi interrompido por uma batida de porta.
"Mas que droga foi isso?" pensou Jensen quando se viu livre e se levantou. – Bem, aqui já terminei, vou para a sala ao lado. O que tem lá? – O médico falava rápido, para não pensar no que tinha acontecido momentos atrás.
- É o almoxarifado, tem muito mofo. – Respondeu o xerife, também disfarçando.
- Não se preocupe estou preparado. – Jensen sorriu antes de colocar a máscara, e foi rapidamente para a sala ao lado.
Jensen estava acabando a revista quando resolveu olhar atrás de uma estante de ferro baixa, ele visualizou algo estranho e se debruçou para enxergar melhor. Porém se desequilibrou e ficou de cabeça para baixo com as pernas ligeiramente levantadas e a posição não o deixava voltar a ficar em pé, sem outra solução começou a chamar o xerife.
Jared se assustou com a posição de Jensen, mas não agüentou e começou a rir.
- Será que daria para rir depois, e me ajudar antes? – Perguntou irritado com a risada do xerife.
O moreno se aproximou para ajudá-lo, o segurou pela cintura e já ia puxá-lo quando loiro interrompeu.
- Espera! Me segura. Ainda não examinei aquele negócio estranho ali no canto.. – Disse o loiro se esticando um pouco mais. – Credo! É um rato mumificado. – Falou com nojo.
As mãos do xerife o seguravam pelas pernas e pelo tórax praticamente o abraçando. O calor do loiro emanava sensações que percorriam todo o seu corpo e se concentrava em seu baixo ventre. E apesar da posição, Jensen estava apreciando o toque o xerife e por isso demorou mais do que o necessário.
- Jared? O que está acontecendo? – Perguntou Genevieve.
- Já acabou aí Dr.? – Perguntou o xerife.
- Já pode me puxar! Obrigado xerife. – Disse Jensen segurando o rato morto na pinça que usou para retirar o animal. – Acho que acabei por aqui.
- O Dr. está verificando se existe algo aqui na delegacia que fez mal para Chad e Jake. – Falou para a morena, que ainda esperava uma explicação para a cena presenciada, que por sinal a desagradou muito. Sabia que apesar da aparente inocência, para Jared significou muito ter o médico em seus braços, dava para ver isso estampado no rosto do xerife.
J&J
Jared foi para o banheiro, pensando que talvez - ou melhor, com certeza - precisasse de um banho frio. Pensando nisso abriu seu armário e começou a tirar sua roupa, estava apenas de boxer quando Jensen entrou, e rapidamente o xerife virou de costas, fingindo pegar algo dentro do armário. Na verdade queria esconder sua ereção, que ainda não estava totalmente calma.
- Xerife, será que eu poderia tomar banho aqui? Pode ser depois de você, já que parece que vai fazer o mesmo. – Falou o médico. – Não quero ir para a clínica assim, por motivos de segurança.
- Claro. – Respondeu Jared sem olhar para Jensen. – Mas tem dois boxes de chuveiros, não tem a necessidade de esperar.
- Então ok. – E loiro começou a tirar a roupa. Para ele era normal ficar nu na frente de outros nessa situação, estava acostumado a fazer isso no quartel do FBI. E para Jared também isso não era problema. O problema era Jensen Ackles. Parecia que o loiro tinha acordado hoje e dito: "Vou provocar o xerife, e ver até onde ele agüenta sem me agarrar". O problema é que o limite do moreno estava chegando.
Aproveitando que o xerife não virava de frente procurando não sei o que no armário, Jensen começou a examinar o corpo do moreno. Pernas longas, bunda empinada e firme, músculos das costas bem definido, na sua concepção uma visão perfeita.
- Vira de frente.
- O que foi Dr.? – Perguntou Jared e Jensen percebeu que tinha falado alto e o pior que estava duro. Rapidamente o loiro parou de tirar a calça e se sentou em um banco, para retirar as meias. – Estou indo para o banheiro. – Jared se enrolou na toalha, e aproveitou que o loiro estava de cabeça baixa para se virar e ir para o Box, mas parou assim que viu o peito nu de Jensen, que nesse instante levantou a cabeça.
Os olhos do médico percorreram o peito musculoso do xerife e sem querer fixou o olhar no baixo frente percebendo a ereção do moreno que mordeu os lábios, envergonhado.
- Parece que as coisas estão animadas. – Falou Jensen, sentindo suas calças apertarem no mesmo lugar. – Desculpe! Mas parece que a Gen anda provocando demais. – Enquanto falava o loiro tentava deixar de olhar, sem muito sucesso.
- É. "Antes fosse."– Jared confirmou, agradecendo mentalmente a desculpa dada pelo próprio Dr., e foi para o chuveiro.
Jensen retirou o resto da roupa e se dirigiu para o Box ao lado do xerife.
"Cara que história é essa? Ficar empolgado por um homem! Tudo bem que ele tem um sorriso encantador e um corpo perfeito, espera! Pensei perfeito? Isso não tem nada a haver, não me confundi! Não tem problema nenhum achar que um homem é lindo... Quero dizer, que tem presença. Mas voltando ao assunto." – Jensen conversava por pensamento com o seu pênis que continuava duro, principalmente por ouvir a água caindo sobre um moreno no chuveiro ao lado. – "Você está todo animadinho né? Posso até fazer o que você quer, desde que seja pensando na enfermeira gostosa. Certo, pensa naquele corpo pequeno, bem feito, nos cabelos ruivos,..." – Nesse momento a ereção começou a murchar. – Não acredito nisso! – Jensen exclamou alto e começou a rir de maneira sarcástica.
- O aconteceu alguma coisa Dr.? – Perguntou Jared.
- Não! – Respondeu, mas pensou "Só o meu pau que virou gay" – Foi algo que lembrei.
- Posso ajudar?
"Pode", pensou, mas respondeu. - Eu resolvo sozinho! Obrigado.
- Ok!
"Seu idiota burro, já pensou na possibilidade que se por acaso, digo, se por acaso, eu e o xerife, sairmos junto, você pode não entrar na festa? Sou capaz de apenas dar para o xerife, apenas para te sacanear, pela audácia de ficar duro para um cara e se negando para uma ruiva espetacular. Claro que isso vai doer mais em mim do que em você. Caramba, acabo de descobrir o real sentido, dessa frase."
- Dr.? Você está bem? Está ai parado e nem ligou o chuveiro ainda? Eu já terminei!
- Estava conversando com meus botões, coisa estranha considerando que estou nu. – Respondeu o loiro rindo e ligando o chuveiro.
- Deve ser uma conversa bem interessante. "Interessante, também, deve ser te ver nu".
- Bastante esclarecedora.
Jared riu sem entender nada e saiu indo se vestir, percebendo que não adiantou de nada o banho. Continuava querendo o médico, e resolver sair logo dali antes que invadisse o Box e agarrasse o loiro ali mesmo.
- Vou para o restaurante da Rose, posso encomendar logo o teu almoço?
- Pode, obrigado, logo estarei lá.
Durante o almoço apesar da aparente tranqüilidade, existia uma tensão no ar entre os dois, que impedia a conversa fluir normalmente, pois muitas vezes se perdiam no olhar um do outro, ou em seus pensamentos.
J&J
Após o almoço, Jensen voltou para a clínica e começou a separar o material recolhido na delegacia. A primeira vista, não tinha nada de nocivo, mas ele só teria certeza quando os resultados do exame dos policiais chegassem.
- Dan? Você poderia vir aqui me ajudar a catalogar um material, por favor. – Pediu Jensen para a enfermeira que estava na recepção conversando com a Gen, as duas lhe olharam de maneira estranha. – Algum problema?
- Licença Gen, vou conversar com o Dr. – Disse a ruiva se despedindo da amiga.
- Dr., nem sei por onde começar...
- Que tal pelo começo. – Brincou.
- Eu não sei qual foi a intenção do xerife. Mas ele pediu para os ajudantes fingirem uma doença qualquer. – Danneel, falou rápido, como se estivesse constrangida.
- O que? – Perguntou incrédulo.
- É isso mesmo, e hoje pela manhã, o fato de você ter ficado na delegacia, revirado tudo, deixou de atender pacientes reais. Gerou comentários.
- Comentários?
- Sim, coisas do tipo, esse médico é maluco, está revirando a delegacia por causa de uma dor de barriga, imagine o que ele vai fazer com uma doença mais séria, entre outros. Sei que seria importante o que você fez, se por acaso as doenças de Jake e Chad fossem verdadeiras. – Continuou a Dan, falando em um tom indignado, e provocando a mesma sensação em Jensen.
- Mas você tem certeza? - O que incomodava Jensen era a mentira de Jared.
- Tenho! A Genevieve veio se consultar com os mesmos sintomas a pedido do xerife, mas ela não concordou e me contou. Por favor, não fale nada para o Jared, senão ele vai brigar com a Gen.
Jensen ficou remoendo seus pensamentos, sem acreditar que Jared o tinha feito de palhaço, não respeitando seu trabalho. Nunca esperou isso da parte dele, depois do que contou a ele, "Realmente a medicina não é para mim. Um bando de caipiras, fazendo graça com a minha cara" – Em seu rosto o médico deixava transparecer toda sua raiva.
"Tarefa cumprida." Pensou a enfermeira antes de pedir licença e se retirar da sala do médico.
Alguns minutos atrás
- Dan, você tem certeza que o o Dr. Ackles é hétero? – Perguntava Gen.
- Quando ele chegou me olhava de tal maneira que parecia arrancar a minha roupa com os olhos, mas depois, parece que esfriou. - Respondeu a ruiva pensativa. – E a amizade dele com Jared, tão rápida, eles se vem todos os dias, almoçam juntos e correm todas as noites. Você sabe de alguma coisa?
- Sei que não existe nada entre eles, caso contrário o Jared já teria me dito. Porém a amizade entre eles está muito próxima, e na verdade não sabemos qual é a do médico. O Jared está tão apaixonado que mandou o Jake e Chad inventarem uma doença, apenas para o Dr. não ficar chateado por não está atendendo ninguém!
- Que dizer que o dr. passou a manhã na delegacia por nada?
- Isso mesmo!
- Acabo de ter uma idéia.
Nessa hora Jensen a chamou.
Agora
Jensen saiu da clínica com uma maleta na mão e foi em direção a delegacia.
- Chad e Jake. Que bom que os dois estão aqui. Onde está o xerife? – Jensen estava muito sério.
- Ele está na sala dele. – Informou Jake.
- Então vamos para lá, tenho algo para comunicar a vocês e ao xerife. – Disse Jensen já se dirigindo a sala de Jared.
- Boa tarde Xerife, desculpe interromper. - Jared achou estranha tanta formalidade. – Eu examinei o material encontrado e como eu suspeitava uma bactéria a octariuscavucandus, encontrada em região de minas, ocasionou as dores e enjoos que os dois estavam sentindo.
- Ela é perigosa? – perguntou Chad, assustado, pois mesmo não estando doente a presença da bactéria sinalizava perigo.
- É, por que ela vai percorrendo o corpo e fazendo pequenas perfurações. No caso de vocês ela parece que atacou o estômago. Quando as perfurações aumentarem e chegarem nos intestinos, seu sangue vai se misturar com a fezes, e acontecerá uma infecção generalizada e depois a morte.
- Eu nunca ouvir falar dessa bactéria. – Disse Jared preocupado e aliviado, afinal por causa de uma armação de repente ele salvou toda a corporação.
- Ela é rara, porém perigosa, dificilmente o diagnóstico é dado até que seja tarde demais.
- E o que o senhor irá fazer? – perguntou Jake.
- Sabendo que eu viria para cá, trouxe o único remédio que combate essa bactéria. No caso de vocês acredito que o estrago total ainda não ocorreu, então gostaria de medicar toda a corporação, por prevenção. – Jensen retirou da maleta varias seringas com agulhas enormes e um liquido incolor.
Apesar de não estarem sentindo nada como era prevenção resolveram tomar a injeção, que na verdade se tratava de um placebo, que não fazia bem, porém não fazia mal.
- Primeiro o senhor xerife.
- Claro. – Disse o xerife, já enrolando as mangas da camisa.
- Infelizmente não é no braço. Tire a calça e vire-se.
"Sonhos se realizam, às vezes nem sempre como esperamos." Pensou Jared rindo. – Vocês, virem de costa. – Disse Jared para seus ajudantes. O xerife baixou um pouco a calça, mas ficou a segurando com uma das mãos enquanto a outra puxava para baixo a beira da boxer preta que usava.
- Se apóie na mesa. – Disse o médico bem próximo, empurrando Jared em direção a mesma, nessa situação o xerife soltou sua calça e esta arriou até o meio das pernas, revelando por inteiro as nádegas firmes do moreno, apesar da raiva Jensen apreciou a visão. Por sinal foi a magoa que estava do xerife que impediu o médico de ficar duro naquele momento. – Vou abaixar mais um pouco a sua boxer, pois a agulha é grande e preciso de mais carne.
Jensen estava distraído passando o algodão com álcool na bunda de Jared. "Que coisa mais linda e perfeita." – Conte até três, não vai doer nada. – Falou, e sua voz saiu baixa e mais rouca.
Quando Jared disse o numero um o médico enfiou a agulha com força desnecessária, fazendo-o gritar de dor e pela surpresa.
- Calma xerife. – Disse Jensen segurando o algodão no local da picada. Parou e se concentrou no que estava fazendo ali, pois a raiva queria passar, dando lugar ao desejo. Era isso que anunciava seu membro desde que viu as nádegas do xerife.
- Acho que não vou poder sentar uma semana. – Disse Jared. – Agora é a vezes de vocês. – Disse o xerife levantando as calças.
- Acho que não é a vez de ninguém. – A voz de Jensen soou dura. Jared percebeu que o loiro tinha descoberto tudo, e que resolvera fazer toda aquela encenação. E pediu que os dois, Jake e Chad saíssem.
- Dr...
- Por que xerife?
- Você estava tão chateado...
- Ai resolveu me deixar feliz. Sabe xerife, ficou pensando, qual é a imagem que estou passando? De galã, médico de seriado, ou de criança mimada que é preciso arranjar um brinquedo para ela não chorar? – Jensen falava com mágoa, e Jared não sabia o que dizer. – E agora graças a você, um médico que não sabe nem reconhecer uma doença inventada. Obrigado xerife! – E dizendo isso Jensen se retirou.
- Dr... – Chamou Jared, mas a porta já tinha sido fechada com um estrondo após a saída do médico. "Octariuscavucandus. E eu seria qual bactéria, octariusfuradus ou a octariuschorandus?". Chorar. Essa foi a vontade do xerife, que se sentou à mesa e colocou a cabeça entre as mãos pensando em como corrigir essa situação.
J&J
Jensen entrou na clínica, passou pelo Dr. Beaver como um furacão sem falar com o velho médico, que o seguiu, encontrando-o andando de um lado para o outro. Preocupado, perguntou o que tinha acontecido, recebeu uma narração irritada de Jensen, que no final se sentou em sua cadeira, olhando sério e bicudo para Jim.
- Não se preocupe. A partir da semana que vem isso vai acabar, e você vai começar a merecer o teu salário. – Disse Jim.
- O que o senhor vai fazer? – Perguntou Jensen curioso.
- Não vou inventar nenhum paciente, prometo. Prezo o meu traseiro. – A resposta fez Jensen rir. – Simplesmente vou sair de férias, estou precisando, então vou aproveitar a sua presença e passar o dia todo pescando. E a bunda do xerife?
- Linda. – Jensen ficou vermelho. – Quero dizer ficou lindamente dolorida. – Corrigiu gaguejando e dando um sorriso sem graça.
- Sei... Pelo menos esqueceu a enfermeira Harris.
- Claro que não. – Respondeu Jensen meio na defensiva.
- Mas qual o traseiro mais bonito? – perguntou Jim cinicamente.
- O senhor tem dúvida?
Jim saiu da sala rindo, ignorando a pergunta do médico.
O resto do dia Jensen passou remoendo os acontecimentos, afinal era a única coisa que tinha para fazer.
A noite na hora em que o moreno passava na sua casa para a tradicional corrida noturna, Jensen sentiu falta do xerife. "Acredito que o xerife não vai poder correr hoje." Esse pensamento fez surgir em seu rosto um sorriso cínico, mas triste.
"Desgraçado desse médico. Se ele não fosse tão gostoso, juro que daria um tiro no mesmo lugar em que ele me aplicou essa injeção." O pensamento fez Jared sorrir apesar da dor. "Não vou pode correr hoje". Na verdade não era pela dor da injeção e sim a falta da companhia do médico.
Jensen demorou a dormir. "Essa falta de exercício me faz perder o sono."
Jared também demorou a dormir. "Essa dor está me incomodando." Mas ele não estava se referindo a injeção.
J&J
Jensen acordou desanimado e irritado pela noite mal dormida. Chegou na clínica, sem tomar café, e lembrou que quando isso acontecia ligava para o xerife, ou mesmo o moreno ia falar com ele e levava um copo. Foi até a Rose, mas antes olhou em direção a delegacia e não viu o carro do xerife. "Será que ele está bem? Pode ter inflamado o músculo. Acho que devo ligar!"
Quando retornou a clinica viu o xerife chegando e andando normal, ficou aliviado, mas ficou triste quando Jared olhou em sua direção e não lhe sorriu.
Jensen e Jared se encararam e viraram de costa um para o outro, sem se cumprimentarem.
O almoço foi outra tortura para os dois, pois estavam acostumados a companhia um do outro. Jensen pediu que Danneel fosse buscar sua comida, coisa que a ruiva fez com prazer. Afinal seu plano deu certo, a amizade entre os dois tinha acabado. Ela aproveitou e trouxe a sua refeição também para a clínica, e na copa almoçou junto com o loiro, jogando charme. Vez ou outra alfinetava Jensen contra o xerife, e isso se tornou o problema, pois o médico só prestava atenção no que ela dizia quando o nome Jared.
J&J
"Será que tem campeonato de paciência?" Pensava Jensen jogando no computador. "Se tiver vou me inscrever, assim esses dias não ficarão totalmente perdidos. Ganhei mais uma". Uma gritaria interrompeu seus pensamentos.
Saindo do seu consultório encontrou Jared com uma criança no colo, atracada no pescoço do policial.
- Eu quero falar com o médico. – Gritava a menina.
- Jenny para isso não precisa de médico, eu mesma posso fazer. – Dizia Danneel.
- Não! – E quanto mais a ruiva a puxava, com mais força a menina se agarrava ao xerife.
- O que está acontecendo aqui? – Perguntou Jensen.
Ao ouvir a voz dele, a menina soltou Jared e estendeu os braços para Jensen. Nesse momento o médico percebeu o sangue que escorria de uma das mãos da menina.
Jensen se aproximou da criança e olhou para a mão ferida.
- Dr. Deixa que eu cuido disso. – Falou a ruiva já avançando para pegar a menina.
- Não. Eu cuido. – Disse para a enfermeira. – Vem gatinha. – E pegou a Jenny no colo. – O que aconteceu xerife?
- Não sei. A encontrei correndo na rua acho que vinha para cá. – Explicou Jared.
- Que dizer que a pestinha fugiu! Quando voltar para o orfanato vai ficar de castigo. – Jenny se encolheu nos braços de Jensen, escondendo o rosto no pescoço do médico.
- Enfermeira, a senhorita não está ajudando. Por favor! – Falou Jensen e com gesto mandou a ruiva sair.
- Depois eu a levo de volta! – Disse Jared. – Dr., vou à minha casa trocar a roupa e depois eu volto. – Falou o xerife que estava com a camisa do uniforme suja de sangue.
- Não há necessidade! Eu mesmo a levarei. – Disse Jensen.
- Mesmo assim voltarei aqui. – Respondeu Jared, triste por tanta formalidade.
- Precisa de ajuda Dr.? – Perguntou Missouri.
- Pega o material necessário e deixe aqui, vamos fazer uma costura bem fina. Não quero nem uma marquinha nessa mãozinha linda. – Jenny agora chorava silenciosamente, apenas por causa do corte.
- Como aconteceu isso? – Perguntou Jensen, para a garota.
- Esta cortando um pedaço de carne, aí a faca escapuliu e me cortou. – Explicou a garota.
- E por que você estava cortando carne? – Jensen conversava enquanto limpava o ferimento, não apenas para saber o que tinha acontecido, mas também para distrair a menina.
- Para o meu gatinho, a mãe e os irmãos dele morreram. Ele não gosta de pão, então eu vi a carne na cozinha e fui pegar um pedacinho, mas me cortei.
- E por que você estava sozinha vindo para cá? – Jensen preparava a anestesia, e sorriu ao ver os olhos de Jenny, que se arregalaram ao ver a agulha.
- Por que ninguém viu. Sai escondida. Vai doer? – Perguntou com a voz chorosa.
- Vai. – A garota abriu mais ainda os olhos. - Mas você sabe que isso é errado, agora devem está preocupados com o seu sumiço.
- A Dan já deve ter me dedurado. – Jensen sorriu.
- Missouri segura essa mãozinha aqui, e você princesa, feche os olhos e conte até dez bem devagar, quando chegar ao dez, você abre os olhos e se prepara para dor.
Quando a Jenny abriu os olhos, Jensen já estava suturando o ferimento.
- Por que você não gosta da Dan? – Perguntou apenas para manter a conversa.
- Por que ela ficou ruim. – Disse Jenny.
- Ficou? Ela era boa? – Perguntou agora realmente curioso.
- Ela era maravilhosa. Brincava com a gente, nos levava para passear, tomar banho no rio, era muito legal. Eu queria que ela fosse a minha mãe, mas depois do James ela ficou ruim.
- James? – Perguntou por perguntar, pois estava achando errado saber da vida da Dan dessa maneira.
- Era noivo dela. Ele morreu, foi encontrado na floresta. – Quando a Jenny deu essa informação, o interesse do Jensen reacendeu.
- Depois que ele foi encontrado na floresta morto, ela ficou ruim?
- Não ela ficou ruim quando eles terminaram, começou a rezar muito e nos fazia ficar de joelhos, chorava dizendo que era uma maldita e pedia perdão. A Dan...
- Maldita é você, tão amaldiçoada que Deus levou teu pai e tua mãe de uma só vez. – Gritou Danneel, que tinha entrado na sala naquele instante ouvindo a última frase da garota.
- Dan, calma!
- Calma? O que essa fedelha sabe da minha vida? Dos meus sentimentos? – A ruiva estava descontrolada.
Nesse momento Jared chegou.
- Xerife, por favor, leve a enfermeira para o meu consultório, enquanto termino aqui.
Jared logo voltou, depois de ter deixado Danneel sob os cuidados de Genevieve. Jensen preparava duas injeções para aplicar na menina, e o moreno pensou no escândalo que presenciaria.
-Vamos tomar duas injeções, uma para não inflamar o dodói e a outra é uma antitetânica. Você irá fechar os olhinhos e contará até 10 novamente e se prepara para a dor. – Disse Jensen.
- Dá última vez não doeu.
- Por que aquela não era para doer. Mas essas doem. - Jensen sabia que a antitetânica era dolorida.
- Dr., o certo não seria mentir? Dizer que não dói? – Perguntou Jared.
- É melhor dizer que dói, assim a pessoa já fica preparada para a dor. – Explicou Jensen.
- Obrigado pela consideração. – Jensen lhe deu um sorriso de lado.
A delicadeza do médico aplicando a injeção na menina surpreendeu Jared. Quando Jenny chegou ao dez, reclamou um pouco, mas a agulha já nem estava em seu braço.
- A minha está doendo até agora. – Falou o xerife, com a voz meio manhosa fazendo com que o médico lhe olhasse. – Mas agora percebo que a intenção era essa.
Jared estava com a carinha de um filhote abandonado na chuva, e Jensen se perdeu naquele olhar. Sem perceber o xerife desviou os olhos para a boca do médico, ambos suspenderam a respiração.
- Jenny! Minha menina. Como você pode nos dar um susto desses? – Perguntou uma mulher loira desconhecida que aparentava ter uns 51 anos. Essa interrupção quebrou o clima que tinha se formado entre os dois. – Desculpe Dr., entrar assim, sou Linda Blair. Sou responsável pelo orfanato, gostaria de agradecer a excelente doação que o senhor nos fez, em outra ocasião melhor.
- É um prazer senhora Blair... -Jensen respondeu soltando a respiração que não tinha percebido que prenderá.
- Senhorita Blair. – Interrompeu a mulher.
- Desculpe, senhorita Blair. Mas não se preocupe com isso e nem com a menininha aqui. Agora ela está liberada, mas vai precisar de curativos todos os dias ate a retirado dos pontos.
- Não se preocupe! Nós mesmos faremos os curativos necessários. – Falou a mulher.
- Na verdade eu faço questão de acompanhar a evolução do ferimento até a cicatrização.
- Dr. nós temos 21 crianças e poucos funcionários, nem sempre temos voluntários disponíveis. De repente ficará ruim trazê-la todos os dias aqui, por mais que não seja distante.
- Eu posso vir sozinha. – Disse a menina.
- Não, você é muito pequena. – Disse Jensen para a Jenny. – Diga o melhor horário que irei lá, sem nenhum problema. – Falou olhando para Linda. – Afinal está é a minha primeira paciente real. – Finalizou olhando para o xerife que baixou a cabeça.
- Já que o senhor insiste. As 10:00 h da manhã está perfeito. – respondeu a mulher, vendo que não tinha jeito.
-Isso aqui é para você colocar na mão e assim evitar molhar o curativo. – Disse Jensen entregando algumas luvas descartáveis para a Jenny. E a desceu da maca onde estava sendo atendida.
– Xerife, o senhor poderia levá-las para o orfanato? Mas antes passe na Rose, e compre dois milke-shake. Apenas não faço isso, pois preciso falar com a Dan.
- Dr., não vejo necessidade disso. – Falou Linda.
- Faz parte do tratamento. – Disse Jensen piscando para a Jenny.
- Mas por que dois? – Protestou a mulher.
- O outro é seu, e não aceito desfeita. – Deu o seu sorriso que usava quando queria seduzir alguém.
- Me esperem lá na Rose, Senhorita Blair. Tenho que falar com o Dr. – Disse Jared.
- Xerife... – Jensen começou a falar assim que as duas sairam, mas foi interrompido pelo moreno.
- Dr., eu quero muito que você me perdoe, eu não sei o que me deu para agir assim. Não quero perder sua amizade, por causa de uma inconseqüência da minha parte, por favor. – Falou Jared, mas seu pensamento dizia "Eu preciso de você nem que seja como um amigo me perdoa? Por favor!"
"Claro que te perdoo. Ficar longe de você, sem ver teu sorriso está sendo uma tortura." Esta afirmação, feita para si mesmo, o assustou, fazendo-o que demorasse a responder. Jared tomou o silêncio como uma dúvida.
- Por favor! – Repetiu caprichando no olhar de cachorrinho perdido na chuva.
- Tudo bem xerife! - Jensen respondeu, e passou a língua nos lábios, novamente perdido no olhar de cachorrinho do Jared.
- Dr.! A Dan ainda não parou de chorar. Não sei o que faço, ela que conversar com você. – Disse Gen.
- Claro. Já vou lá! Xerife. Amigos? – Jensen estendeu a mão.
- Com certeza! Corrida hoje?
- Já dá para correr? – Perguntou Jensen arrancando uma risada do xerife. "Que saudade desse sorriso!" Foi o pensamento de Jensen vendo o xerife saindo.
J&J
Quando Jensen chegou em seu consultório, a enfermeira se jogou em seus braços chorando, soluçando alto.
- Calma Dan, senta aqui. – Jensen a sentou numa espécie de sofá que existia em seu consultório. – A Jenny não disse por mal...
- Ela é uma peste, fica falando o que não sabe... – Interrompeu Dan de maneira nervosa e agressiva.
- Calma! Tenho certeza que...
- Você quer saber a verdade?
- Não, vejo que esse assunto te deixa triste, não tem necessidade.
- Mas eu quero falar! – Respirando fundo Dan começou a contar a história de James. – Nós crescemos juntos, todos apostavam no nosso casamento. Assim na adolescência começamos a namorar, ele foi para a faculdade e perdemos contato. Mas quando ele retornou, retomamos o namoro e ficamos noivos até percebermos que não nos amávamos. Terminamos, ficamos amigos, até aquele fatal dia. – Nesse momento Danneel recomeçou o choro descontrolado, e abraçava o médico.
A enfermeira permaneceu abraçada com Jensen até depois de se acalmar. "Que cheiro bom." pensava Dan, quando ela levantou a vista viu Jared parado observando a cena. Dando um leve sorriso, afastou um pouco o médico e rapidamente capturou os lábios do loiro, que surpreso se deixou beijar.
O xerife baixou a vista e saiu silenciosamente da clínica.
N/A.: A minha beta conseguiu corrigir o capítulo, quando digo que ela é uma anja, não estou mentindo! Acredito que o Cass devesse recrutá-la e ainda teria a minha ajuda. Apesar da confusão existente no céu ela conseguiu um computador e fez o trabalho dela, que por sinal é maravilhoso! Beijos amada e muito obrigada por sua amizade! TE AMOOOOOOOOOOOO!
