- Podem parar com isso! Não quero confusão em meu restaurante! - Rose saiu de trás do balcão, para defender Jensen, que ainda estava surpreso pelas reações das pessoas.
- Então não deixa entrar lixo aqui! Pois lixo é para ser colocado na rua. - Disse um dos homens, na voz desprezo e raiva.
- Lógico que ela vai defender esse anormal. O filho dela era um doente. Igualzinho. Que fizeram o favor de matar. - Disse outro no mesmo tom.
- Fora daqui! - Gritou Rose quando se referiram ao seu filho. - Fora seus canalhas!
Na saída pretendiam bater em Jensen que ainda não tinha conseguido reagir. Por sorte Misha estava no local, ainda calado, e o levantou. Jensen reagiu pronto para se defender, mas percebeu quem era e se acalmou.
- É agente, fica de olho nesse Doutorzinho, que o próximo a aparecer de joelhos no mato, pode ser ele. - Um dos homens falou ao passar por Misha e Jensen.
Danneel continuava sentada no mesmo local, no rosto bonito, uma máscara de ódio.
- Rose. - Jensen chamou a dona do restaurante. - Me desculpa. Eu...
- Você não tem culpa pela ignorância das pessoas. - Falou a mulher com os olhos brilhando pelas lágrimas contidas.
- Mas... - Jensen também estava abalado, pois não esperava a reação tão violenta, e cheia de desprezo, pois mesmo os que não o agrediram, o olhavam com repulsa.
- Tenha cuidado, apenas isso. Agente, acompanhe o Dr. até a clínica. - Disse a mulher, passando a mão sobre o seu rosto com carinho.
Com a cabeça baixa Jensen saiu do restaurante. - Levanta a cabeça. - Disse Misha. E Jensen obedeceu, mesmo querendo se enterrar. Se sentia envergonhado, apesar de ter certeza que não tinha feito nada de errado.
- Jensen, por que você fez isso? - Perguntou Misha, assim que entraram em seu consultório.
- Queria me livrar de vez da Danneel, e o objetivo da missão não é esse? Então pronto, agora tenho um alvo pintado na minha testa.
- Acho que na tua bunda! - Disse Misha, que recebeu um olhar mortal de Jensen. - Desculpa. Vou ligar para o QG, acho que é o momento de colocar o plano em ação. - Você vai ficar legal? - Jensen apenas confirmou com a cabeça. - Jensen o que...
- Misha, não quero falar disso agora, por favor! - O médico sabia que o amigo ia tocar no relacionamento dele com o xerife.
- Tudo bem! Mas você sabe que pode contar comigo! Certo?
- Eu sei.
Misha saiu preocupado com o amigo, tinha medo que Jensen não aguentasse a pressão. Não que o loiro fosse fraco, mas Jensen sempre foi amado, invejado, admirado, o garoto perfeito. Nem Bulliyng ele sofreu na escola.
No ensino médio foi o Rei do baile, na universidade continuava o mais popular, podia se dizer que era uma unanimidade. Todos gostavam de Jensen. Os que diziam ao contrário, guardavam para si, pois podiam adquirir inimizades.
Poucas provações ele passou, a maior ele não superou. A morte de uma criança, sua primeira paciente. Isso o afastou da medicina que ele amava. E por mais que não o culpassem pela morte da criança, aquilo o abalou.
Apenas não desistiu de tudo por causa do trato que fez com o pai, porém não deu certo. Jensen não se acostumou com a morte, e um médico que não sabe lidar com a morte, está na profissão errada.
No FBI se tornou um dos melhores agentes, tinha um futuro de sucesso, sério candidato a ser um dos chefes. "É loirão, é agora que vamos descobrir de material você realmente é feito." Pensou o agente.
J&J
"Oi, amor, acabei de chegar. Por que não me atende? Beijos" – Era a mensagem de Jared no celular de Jensen, depois que o loiro não atendeu a três chamadas.
"Estou morto de saudade! Vai começar o treinamento, sairei de área. Na hora do almoço, eu te ligo! Espero que não seja nada grave que esteja atendendo por aí. Beijos". Outra mensagem do xerife, depois de mais duas ligações.
A cada toque e a cada mensagem o coração do loiro se apertava ele não sabia como agir. Os fatos ocorridos pela manhã não lhe saiam da cabeça, e tudo era relacionado com Jared.
J&J
Às dez da manhã resolveu sair, mesmo apreensivo, para ver Jenny, gostava da garota.
- O senhor não é bem vindo aqui. – Disse a senhora Blair, pelo portão trancado. Jenny lhe olhava de longe, segurada por Danneel. Dava para ver que a criança chorava.
- Por quê? – Perguntou mesmo sabendo a resposta.
- Não permitimos pervertidos junto as nossas crianças. Vá embora e não volte mais aqui. Senão chamo a policia, e nem sua amizade com o xerife irá lhe salvar. Amizade que não durará depois dele descobrir, que espécie de gente você é. – Disse a mulher com de desprezo.
Jensen olhou para Jenny, que fez um coração com as mãos para ele. Mesmo quebrado com os acontecimentos tentou sorrir. E para não causar problemas para a menina pegou o carro e voltou para a clínica.
J&J
Jensen tentava se distrair no computador, quando a porta do seu consultório abriu.
- Desculpa Dr., entrar assim, mas não tem ninguém aqui na recepção. – Disse um homem, branco, não muito alto, musculoso, tipo entroncado, cabeça raspada. Entrou meio desconfiado, e ficou em pé na frente do médico lhe encarando.
Jensen estranhou a atitude, mas como aparentemente o homem não esboçou nenhuma reação, indicou a cadeira para o mesmo sentar.
- Cidade pequena é assim mesmo Dr.
- Tudo bem! – Jensen deu um ar de riso, mas não queria falar disso. – O que o senhor está sentindo? - Perguntou cortando o assunto.
- Sempre senti isso.
- Isso o que?
- Essa vontade de beijar a tua boca, desde que lhe vi pela primeira vez. – Disse o homem se levantando e indo em direção a Jensen.
- Fora daqui! – Falou o médico se levantando também para se defender melhor.
- Por que Dr.! Você está aqui sem ninguém, posso lhe satisfazer. – O homem lhe prensou na parede, jogando todo o seu corpo contra o de Jensen. – Sente como estou duro, só de te olhar.
- Me solta! – Gritava enquanto empurrava o agressor, que apesar de mais baixo, era muito forte.
- Você vai gostar. – E tentou beijar a boca de Jensen, segurando seu rosto. Esfregava seu corpo de encontro ao do loiro, que conseguiu atingir com o joelho o sexo do homem, e este gritou de dor. E aproveitando o estado indefeso do mesmo lhe jogou para fora do consultório.
- Vou lhe denunciar por agressão, seu bicha tarado. – O homem gritava.
- Olha! Red, se você fizer algo contra o Dr. a cidade inteira saberá dos seus gostos, começando com a tua mulher. – Missouri tinha acabado de chegar, quando viu o homem sendo colocado porta afora, pelo médico. – Agora fora daqui, e vê bem o que tu vai fazer! - Vou buscar um copo de água para você. – Disse a enfermeira, lhe fazendo um carinho com ares maternais. – O que deu em você? Bateu a cabeça hoje pela manhã? – perguntou a enfermeira depois de lhe entregar a água.
- Pelo menos não tenho trabalho hoje. – Tentou brincar.
- O que vai ter de gay dentro do armário, tentando algo com você... É melhor se acostumar.
- Se apenas tentar tudo bem, mas querer me agarra a força é outra coisa.
- Cuidado! Você não deve saber o risco que esta correndo. Vou fazer umas cruzadas aqui fora.
J&J
O telefone de Jensen tocou e o loiro viu que não era o xerife, e sim Michael Rosenbaum, um dos agentes que viriam para a cidade, a fim de se juntar a Misha, na proteção e investigação do caso.
- Oi, Jensen! O Misha disse que você está comendo o diabo aí nessa cidade. – Disse seu colega1.
- É, está terrível, e foi apenas uma manhã. Não sei como chegarei ao final do dia. Acredita que um louco tentou me agarrar?
- Ainda bem que você não é gay, caso contrário, não ia agüentar a pressão. Mas logo isso acaba, e tudo volta ao normal. Chegaram duas gatas no departamento, loucas para te conhecer.
- Legal! Guardas elas para mim aí! – Disse entrando no clima, mas sentiu que estava traindo Jared.
- Bem estamos saindo daqui agora, não ficaremos na cidade para não assustar. Acredito que a noite já estaremos por aí. Sua bicha louca! – Rosenbaum brincou. – Quando acabar com a missão e sair da pele de cordeiro, ou devo dizer pele de veado. – Michael riu com a piada. - Pega toda a mulherada da região.
"É! Michael tem razão, quando acabar, minha vida volta ao normal." Jensen riu com o pensamento. "Sem preconceito, sem xingamento, sem cara feia... Sem o sorriso de covinhas, sem o beijo que lhe tira o fôlego e dar vontade de se entregar, sem Jared!" E esse último pensamento lhe deu vontade de chorar.
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Na hora do almoço os telefonemas começaram, e como não foram atendidos, vieram às mensagens.
"Muito ocupado ai meu amor? Espero que tenha sido apenas comida estragada novamente. Liga para mim quero ouvir a tua voz."
"Se não me ligar vai ter de compensar a saudade que estou de você."
"Jensen, está me deixando preocupado! O que aconteceu? Por que não me liga?"
O coração do médico se quebrava a cada telefonema, a cada mensagem, que via e ouvia. Mas ele decidiu que era o melhor a ser feito, se afastar, antes que a paixão que sentia se tornasse algo mais forte. "Quer enganar a quem?" Sua consciência perguntou.
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-Dr.? – Rose abriu a porta e encontrou o loiro olhando desesperado para o telefone. Havia 20 chamadas não atendidas, apenas de Jared. Ele queria desligar, mas não conseguia e ficava olhando para o aparelho em uma briga silenciosa consigo mesmo. Sua vontade era de atender e chorar suas mágoas e preocupações com o xerife e ouvir do moreno que tudo ia dar certo, que ficariam juntos, independente de qualquer coisa2.
- Rose, eu não quero almoçar. – Disse Jensen.
- Não perguntei se quer, você vai almoçar. Vamos já arrumei a mesa na copa. – E a contra gosto seguiu a amiga. Comeu obrigado. Cada colherada era um sacrifício para engolir, muitas vezes teve que beber água, e ele não gostava de fazer isso durante as refeições, mas apenas assim chegou ao final. O silêncio imperou durante todo o almoço.
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O telefone tinha silenciado de vez, Jared não ligara mais para ele. "É melhor assim". Pensou.
- Jensen! – Jenny entrou correndo em seu consultório. Pulando em seus braços. – Querem me levar embora. – Falou a menina chorando, abraçada junto dele.
- Por quê?
- Para me afastar de você, disseram que é um amaldiçoado. Mas já falaram isso de mim também! Então não tem problema sermos amigos, mas não aceitam. Vão me mandar para outro orfanato, para longe de você. Nunca mais vou te ver. – E ali abraçados os dois choraram, Jenny soluçando alto e Jensen de maneira silenciosa. Apenas seus lábios tremiam.
- Pega, esse são os números de todos os telefones que pode me encontrar, e ter noticias minhas. Todos, até da minha família. Onde você estiver me liga, que irei te encontrar. – Disse Jensen assim que os soluços da menina cessaram. – Guarda bem, não deixa ninguém pegar.
- Você jura que não vai me esquecer? Vai ser sempre meu amigo?
- Juro. – Disse o loiro beijando os dedos. – Pega! – Disse Jensen pegando a mãozinha da menina e depositando um beijo na palma da garota. – Agora engole.
- Mas o que é isso? – Perguntou Jenny, ainda com a mãozinha fechada.
- Um pedaço do meu coração, e assim enquanto estivermos longe, estaremos sempre juntos. – Disse Jensen, se lembrando que era isso que seu pai fazia, quando viajava pelos congressos de medicina. Muitas vezes quando adolescente, ao se sentir com algum problema, pegava um estetoscópio e ouvia o seu coração.
- E como faço para tirar um pedaço do meu? – Disse a menina, ainda com a mão fechada.
- Basta o meu!
- Mas se eu engolir, quando eu for ao banheiro, não vai sair? – Perguntou vermelha3.
- Não. Quando ele passar por sua garganta gruda no seu coração. – Disse Jensen, pela primeira vez querendo rir depois do café da manhã naquele dia. - Agora ouve. – disse Jensen colocando o estetoscópio em seu peito e depois no da Jenny. – Ouviu? Agora os nossos corações batem igualzinho.
- É mesmo! Posso ficar com isso? - Pediu o estetoscópio.
- Pode, mas vai conseguir escondê-lo?
- Deixa comigo. – Fechou o aparelho e escondeu no bolso, que quase tomava a perna toda da calça de sua jardineira jeans, dava para disfarçar bem.
- Vamos Jenny! – Blair abriu a porta, ela sabia que a criança estava lá.
- Não me toca que vou andando. – Disse a criança com medo de que a administradora fosse segurá-la no colo e sentisse o objeto escondido.
- Lhe quero longe das minhas crianças! Por sua causa Jenny está indo embora hoje, e assim ficar livre de sua influência nefasta.– Disse a mulher antes de sair.
Jensen desmoronou, e tomou uma decisão. – Pai. É o Jensen.
- Claro que é o Jensen, acha que não conheço a voz do meu filho! – Disse o médico Roger Ackles.
- O senhor está muito ocupado?
- Tenho uma reunião com a diretoria, mas aqueles velhos podem me esperar. Afinal é tão difícil falar com meu filho rebelde... Apesar de que pela voz, está com problemas. O que foi?
- Eu queria que o senhor procurasse uma criança e a adotasse, e depois passasse a guarda para mim. – Disse Jensen de uma vez.
- Mas...
- Pai, ouça. – E Jensen passou todos os dados da menina, e da instituição da qual o orfanato era ligado. – Tente fazer de uma maneira que eles não possam saber que está ligado a mim. Ela é uma criança tão doce, e essa religião é tão cruel, que tenho medo que a destruam. Ela quer ser médica. – Completou, pois sabia do fascínio do seu pai pela medicina. Qualquer um, que quisesse ser médico, merecia atenção especial.
- Jensen e por que você não pode ser ligado a ela?
- Por que eu sou gay. – Disse Jensen sem pensar.
- Gay? – Ouviu seu pai rir do outro lado. – Você gay?
- Na verdade não, estou trabalhando disfarçado de gay. "Não preciso falar sobre isso, afinal quando tudo terminar, voltarei para a minha vida normal, sem Jared", esse pensamento quase o fez chorar4
- Você esta servindo de isca naquele caso onde estão matando os homossexuais? – Perguntou o pai dele com a voz assustada.
- Mas não se preocupe! Tem toda uma estrutura de proteção. O Misha está comigo 24 horas praticamente. E quando isso terminar, poderei adotar Jenny sem problema.
- Jensen, essa missão não está te fazendo bem! Você esta com uma voz péssima; se duvidar, deve estar chorando. Lembra que tem um pedaço do meu coração contigo? – Jensen sorriu com tristeza. - Sei quando você está sofrendo. Tenho alguns contatos que te transferiram em um piscar de olhos.
- Não pai, por favor. Está tudo certo, é que a cidade descobriu que sou gay, ou melhor, acham que sou gay, e o senhor sabe que o ser humano pode ser muito cruel. É só isso, logo passa.
- Tem certeza?
- Tenho! Pai, se eu fosse gay, o senhor iria ficar muito decepcionado?
- Jensen, a única vez que me decepcionou foi quando resolveu abandonar a medicina. O sexo de quem você ama não influencia no meu amor por você. Desde que essa pessoa te faça feliz. Tem alguma coisa para me dizer?
- Não! Sabe qual é o meu disfarce? – Mudando de assunto.
- Qual é?- Entendendo.
- Como sou formado em medicina, estou trabalhando como médico.
- Sério? E que tal? As pessoas gostam do seu trabalho?
- Cidade pequena, preferem o médico antigo, e agora acho que não vou ter nenhum paciente mais.
- Eles não sabem o que estão perdendo.
- Eu fiz um parto. Quase desmaiei. A criança ganhou meu nome.
- Um meninão? – Perguntou o pai rindo e feliz, pois a voz do filho se animou falando da experiência como médico. A chama da esperança surgiu novamente.
- Não uma menina! Vocês me arranjaram um nome esquisito! – Seu pai caiu na gargalhada. – Bem, vou desligar. Obrigado!
- Se precisar de algo não se envergonhe de me ligar, e lembre-se que eu te amo, e sempre estarei do teu lado. Sempre, entendeu?
- Eu também te amo. Dá um beijo na mãe, na Mac e no Joshua, diz que estou com saudades, assim que isso terminar, irei visitá-los.
Jensen desligou o telefone e ficou ainda perdido em seus pensamentos.
Do lado de fora de seu consultório
Três pessoas ouviram a sua conversa, os missionários Fuller, Lehen e Danneel.
Saíram sem que Jensen os percebesse. No rosto da ruiva um sorriso enorme, no coração uma esperança renovada. Correu para a delegacia, precisava conversar com a amiga. Afinal tinha que bolar uma nova maneira de se aproximar do loiro.
J&J J&J J&JJ&J
Nota: Poucos reviews, muitos queriam ver o loirão apanhando! Mas eu nunca faria isso com o MEU Jensen. Próxima coloco o Jared, ai eu não garanto! Rsrsr
Nem demorou muito a atualização! Beijos para todos!
Respondendo Reviews:
Elisete: O Jensen tinha de se mostrar no momento que ele não tem ninguém para defende-lo, o Jared está distante! Desculpa! Mas quem sabe a cena que descreveu aconteça em outro momento? Beijos! Obrigada pela paciência! Logo Atualizo Piratas também!
Clea: Que bom que alguém que que o loiro se salve, mas não conseguir da uma boa surra nele! Ele é intocável! Srsrsr Beijos!
Notas da beta:
1-(o diabo eu não sei, mas um Padalecki lindo está!);2-(tadinho do loirão... ele ainda tem dúvida!);3-(fofaaa!); 4-. (claro que quase o fez chorar! Dá pra imaginar isso? Eu quase chorei!).
