Capitulo dezenove: Vida em familia...

- Como está sua vida de casado Severus?

Snape analisou o rosto de Remus com o olhar para ver se a pergunta, embora inocente, não teria algum sinal de zombaria. Supôs que sua intenção era boa. Lupin era assim... os que o estragavam eram aqueles animagos do demônio. E agora que nenhum do dois estava, o castanho era como deveria ser. Não se alegrava pela seu perda, mas tampouco sofria por ela.

- Muito bem – foi sua única resposta.

- E planejam ter filhos...seus?

- Não – fez uma careta - Com aquele moleque Lestrange temos o suficiente.

Ao serem presos, o casal Lestrange, deixou para trás um pequeno de apenas uma semana de vida Lucas Rodolphus Lestrange Black que ficou sob a tutela de sua tia Narcisa Black Snape e de seu marido Severus Snape. O moreno, que não era muito fã de crianças (apesar de ser o novo professor de poções de Hogwarts), pensava que com o menino já tinha suficiente, e graças a Merlin sua esposa pensava o mesmo. Por que Severus estava certo de que se Narcisa lhe pedisse um filho ele não poderia negar-lhe.

- Papai! – o grito provinha do pequeno loiro que entrou como um raio no estúdio onde se encontravam. Agitado, chegou perto do lobisomem que se agachou sorridente para abraçar o pequeno. O menino trazia em sua mão um lobo pequeno de pelúcia (único presente que Sirius chegou a lhe dar) que tinha uma pequena placa onde se lia a palavra "Moony" e uma bala de caramelo.

- Oi minha vida! Tão cedo e já está comendo doces?

Draco somente sorriu a maneira Lupin, essa que dizia "Não me tira ela ... sou um bom menino", que ninguém podia resistir.

- Tenho fome.

- Viesse me avisar e te trazia seu leite...

- Eu quelo lete...

O castanho carregou seu filho sorridente. Era somente ele quem cuidava de Draco, nunca quis uma babá e também preparava as comidas ele mesmo. Os elfos só tomavam conta do pequeno "senhor" se por motivo de força maior ele não podia estar em casa. Como por exemplo, os eventos sociais aos quais Lucius o levava, e é claro que os dois (papi e filho) sofriam muito cada vez que se separavam, para desgosto do veela maior. Para o castanho era motivo de piada, mas Lucius já tinha notado o quanto seu esposo era dependente de seu filho e vice versa e isso não o agradava em nada... lhe dava muitos ciúmes. Então dentro da Mansão os loiros competiam pela atenção do licantropo para diversão de quem estava assistindo.

- Agora mesmo eu venho Severus. Lucius não vai demorar.

O sonserino assentiu olhando para o homem em frente de si. Remus lhe parecia bem recuperado desde os acontecimentos do Hallowen do ano passado e Draco tinha muito a ver com isso. Era por isso que eles estavam tão unidos, pois Remus se refugiou no seu cuidado com Draco para se recuperar daquela tragédia e manter sua cabeça ocupada. E ele o entendia... suportar algo assim era muito duro. Quase invejava a força de Lupin. Se alegrava que ele estivesse bem, porque de todos os Marotos ele era o que lhe causava certa simpatia. E esse "afeto" cresceu quando pode conhecê-lo melhor e ver o bem que ele tinha feito a seu melhor amigo. Os Malfoy sempre foram frios e prepotentes, era verdade... até que Lupin se uniu a família. Certo que não havia muitos a quem mudar. Mas Lucius já não era esse ser desprezível que foi em seus primeiros anos de vida, a senhora Malfoy tampouco era mais tão arrogante como antes e Draco... bom, ele era pequeno, mas estando tão próximo a Lupin, estava seguro que sua personalidade o faria ter Malfoy só no sobrenome. A partir de agora as gerações futuras dos Malfoy seriam muito diferentes. E tudo graças ao grifinório.

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- Já estamos de volta – anunciou Remus entrando com seu filho nos braços. O pequeno abraçava com todas as forças seu lobo de pelúcia com uma mão e com a outra sustentava uma mamadeira. Sua expressão era de relaxamento total, pois todo mundo sabia que o melhor lugar para Draco Malfoy era os braços de seu papi – Me conta como estão às coisas em sua casa – pediu gentilmente.

- Tudo bem, Narcisa diz que quer estudar alguma profissão. Agora que seus pais estão mortos ela que se permitir esse luxo que as "mulheres da alta sociedade" nem sonham em ter. Porque se supõe que elas só devem se ocupar da casa e organizar essas aborrecidas festas – sorriu sarcástico – ela sempre quis ser medibruxa, mas com Lucas tão pequeno... ela teria que ficar fora de casa muito tempo. E ela igual a você, não quer se separar do moleque.

- E você? – perguntou malicioso.

Severus o fulminou com o olhar.

- É inevitável... vou estar a maior parte de meu tempo em Hogwarts.

- Não perguntei isso...

- Eu sei – murmurou – se você quer que te confesse que o moleque me cai bem, pois bem, sim eu gosto dele.

- Awwww, como eu queria te ver trocando fraldas – disse.

O moreno voltou a fulminá-lo com o olhar.

Remus sorriu como somente ele (e agora Draco) sabia fazer e interrompeu um instante a conversa para tirar a mamadeira das mãos de Draco e aconchegá-lo melhor, pois o pequeno já tinha adormecido.

- Lucius tem razão. Você o mima demais – Severus comentou.

- Ele foi meu salva-vidas quando precisei...

- Como você está? Fez um ano a pouco...

- Eu nunca vou me recuperar dessa perda. Mas a vida continua, seria inútil me deprimir por algo que não posso mudar – suspirou – O pior é que nunca soube por que Voldemort queria matar meus amigos. Dumbledore nunca me disse e eu não quis pressioná-lo.

Diante dessas palavras Severus empalideceu ligeiramente e se remexeu inquieto em seu assento.

- Remus... há algo que tenho que te contar.

O grifinório surpreendeu-se mais pelo uso de seu nome (pois Severus só o chamava de Lupin) do que pelo tom sério do padrinho de seu filho.

- O que?

- Eu sei por que o Lord queria matar os Potter... – inspirou fundo e cravou seus olhos negros nos de seu interlocutor – ...porque fui eu quem dei o motivo.

- Como...? Não entendi...

- Eu vou te confessar algo e te peço que escute tudo para depois me julgar – viu o castanho concordar – há quase um ano e meio entrei Na Cabeça de Javali para tomar um trago, estava alterado porque tinha recebido uma ameaça que colocaria em risco minha relação com Narcisa. Estando eu ali vi Dumbledore acompanhado de uma mulher estranha, não lhe dei muita atenção até que ela pareceu entrar numa espécie de transe. Começou a dizer uma profecia, mas algo me distraiu e não pude escutar tudo.

- Profecia?

- Isso mesmo. Eu não duvidei em contá-la a meu senhor. Mas pouco tempo depois, ao raciocinar essas palavras me dei conta de que poderiam ter algo a ver com dois casais que tinham filhos nascidos nesta data...

- Eu não estou entendendo.

- O que eu escutei foi isto: "O único com poder para derrotar o Senhor Tenebroso se aproxima... nascido daqueles que o desafiaram em três ocasiões, nascido quando o sétimo mês morre..."

- Harry...

- Sim... e também o garoto Longbotton.

- Foi por isso que...?

- Isso mesmo. Por isso os Longbotton também foram atacados – interrompeu – quando me dei conta que os Pottes corriam perigo tomei uma decisão que mudou minha vida. Decidi trair meu senhor e pedi ajuda a Dumbledore. Porque eu nunca simpatizei com Potter, mas de Lily eu gostava, podia se dizer que era minha "amiga". Eu sabia que o Lord iria matá-los quando tivesse oportunidade. Contei tudo isto a Albus, por isso que ele decidiu colocá-los debaixo do feitiço "Fidelio". Eu não pertencia ao circulo interno naquele momento... por isso nunca soube que Pettigrew era um Comensal.

- Lucius sabia.

- Ele nunca comentou comigo... assim é o destino.

Remus concordou com pesar e deixou várias lágrimas correr pelo seu rosto. Agora sabia a causa, mas isso não diminuía sua dor.

- O que você acha?

- Você fez o que tinha que fazer. Você não tem culpa do que esse louco fez. E a sua culpa você redimiu ao se tornar espião.

- Para algo serviu... – ironizou.

Houve um silêncio que Remus usou para secar as lágrimas e acomodar melhor seu bebê em seus braços.

- Por que você se tornou Comensal?

- Tomei o lugar de Narcisa. Ela e Bellatrix deviam se unir ao Lord ao terminar o colégio, mas ela não queria e decidi fazê-lo em seu lugar.

- Foi muito grifinório da sua parte...

Severus grunhiu. O velho louco me disse a mesma coisa...

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Três anos depois...

- Esses estúpidos do Ministério – resmungou Lucius lendo O Profeta – os filhos de trouxas não necessitam de leis para protegê-los. Agora que há paz não precisa perder tempo com isso. Esse Fudge é um adorador de sa... – pigarreou ao ver o olhar de seu marido – de trouxas e dos filhos deles, igual Dumbledore.

- Eu penso que ele está certo. Apesar de que Voldemort desapareceu, ainda ficaram alguns de seus vassalos que podem chegar a fazer algo contra eles.

- Isso é uma besteira.

- Eu pensei que você tivesse mudado sua forma de pensar sobre os filhos de trouxas nesses anos Lucius – disse receoso.

Lucius o olhou com superioridade e deu uma mordida em sua torrada.

-Vocês estão falando dos sangues ruins?

Remus deixou cair seu garfo ruidosamente e olhou seu filho surpreso. Lucius teve dificuldades em engolir seu pedaço de torrada.

- O que você falou minha vida? – perguntou incrédulo.

- Quero saber se estão falando dos sangues ruins.

- E onde, por Merlin, você escutou essa palavra? – disse olhando de soslaio seu marido que lia "demasiadamente" interessado o jornal.

- Qual?

- A que você usou para falar dos filhos dos trouxas.

- Ah... – sorriu – o pai me ensinou.

- Mesmo? – Draco concordou e o lobisomem girou sua cabeça para fulminar seu marido com o olhar. Ele continuou fingindo que lia o jornal.

- Sim, ele me disse que deveria chamar assim os filhos de trouxas porque eles são... – seu pequeno cenho se franziu – ...ah... escória. Sim isso escória – aclarou pondo mais lenha na fogueira.

A boca de Remus se abriu de surpresa e raiva.

- Lucius Malfoy! – resmungou aborrecido.

- O que? – perguntou tranquilamente enquanto dobrava o jornal.

- Como o que!? Você se atreveu a fazer! Eu tinha terminantemente te proibido!

- Meu filho tem o direito de saber!

- Ninguém tem direito! – exclamou – não é vital para Draco aprender essa horrível palavra!

- Todo sangue puro deve conhecê-la...

Os dentes do licantropo rangeram enquanto seus olhos adquiriam um brilho perigoso.

-Eu disse algo mal? – perguntou o menino inocentemente a beira do pranto. Ele achava que seus pais estavam brigando por causa dele.

O semblante do castanho se abrandou ao girar os olhos para seu bebê.

- Não minha vida. Você não fez nada de mal. Mas quero que me prometa que jamais vai chamar de sangue ruim os filhos de trouxas. Certo?

- Mas o pai disse...

- Não importa o que Lucius Malfoy disse sobre o tema Draco. Eu te proíbo. Ficou claro?

- Sim papi – sorriu. Era conhecida a adoração que o menino tinha por seu papi e como um bom meio-veela que era procurava agradá-lo em tudo.

- Bom, muito bom, minha vida.. Agora o que você acha? Gostaria que eu fosse dormir no seu quarto por uma semana?

- Não!/ Sim! – exclamaram pai e filho ao mesmo tempo.

- Você não pode fazer isso comigo Remus! A primavera começa amanhã!

- Foi você quem procurou. Eu te adverti do que aconteceria se você fizesse Lucius Malfoy – disse fulminado seu marido com o olhar – e nem sequer assume seu erro.

- Mas...

- Mas nada, eu vou dormir com Draco.

- Iupi! – Draco exclamou alegre atrevendo a mandar para seu pai um olhar de triunfo e superioridade digno de um Malfoy.

Maldito moleque mimado e traidor... Eu disse que seu papi não podia saber dessa conversa!

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Cinco dias depois o veela maior seguia sem dar o braço a torcer e desculpar-se por falar sobre "aquele tema" com seu filho. E Remus seguia implacável com seu castigo. O único feliz da vida era Draco, que tinha a oportunidade de dormir abraçadinho com seu papi e Moony (o lobo de pelúcia). Ele gostava que seus pais brigassem, pois o castigo de seu papi Remus era sempre o mesmo, embora o intrigasse muito porque seu papi não dormia com seu pai como castigo.

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Remus acordou cedo nesse domingo. Malditos passáros... se incorporou na cama e deixou sua preciosa carga de lado. Draco dormia abraçado ao seu velho lobo de pelúcia com uma expressão digna de um anjo. Somente quando dorme é que se parece com um... pensou com ternura. Escovou os dentes e depois de ajustar a bata saiu para buscar uma xícara de café na cozinha. Parou seu andar ao escutar um som estranho vindo do quarto que compartia com seu marido.

Duvidoso, entrou sem chamar e viu Lucius sentado na beira da cama de costas pra ele. Pode ouvir um gemido de dor e se aproximou assustado. Ao chegar perto de seu amor se horrorizou. Lucius estava se torturando com a própria varinha. Conhecia esse feitiço e sabia que era muito doloroso.

- Lucius o que você está fazendo? – sussurrou apanhando a varinha rapidamente.

- Aplacando meus instintos, essa é a única maneira – ofegou com um rictos de dor.

- Oh... meu amor – murmurou abraçando seu marido – não fazia ideia do que tinha que fazer para se controlar durante a primavera...

- Me deixa te fazer amor Remus. Por favor.

O grifinório concordou e o veela não perdeu tempo em devorar esses lábios que o deixavam louco. Arrancou as roupas de ambos e sem preparações o possuiu selvagemente, Remus não se queixou estava acostumado a ter sexo diariamente, estes cinco dias de abstinência também o haviam afetado. Além do mais a magia veela que seu marido soltava o fazia esquecer qualquer dor. Só sentia prazer.

- Onde você vai? – Lucius ronronou ao sentir seu marido se afastar dele.

- Vou ver Draco. Ele já deve estar acordado.

- Que os elfos se encarreguem – grunhiu abraçando o marido possessivamente – quero voltar a te fazer meu.

- A gente já fez três vezes Luc. Agora quero cuidar do meu filho – seus olhos se entrecerraram – além do mais... lembra que ainda continuo chateado com você. Se dei meu braço a torcer foi só porque não quero que você se torture e não porque te perdoei.

- Mmmhhh...

- Não pensa em se desculpar pelo que ensinou a meu filho?

- Ele também é meu filho... – gaguejou.

- Eu não nego isso. Mas achei que tinha deixado bem claro antes que ele nascesse que não ensinaria essas ideias absurdas sobre mestiços e sangue ruim.

- Mmmhhh…

- E ai?

- E ai o que? – grunhiu.

- Não vai me pedir desculpas?

Sentiu Lucius murmurar algo e sorriu de lado.

- Falou alguma coisa Lucius? Acho que não ouvi bem.

- Perdão! – resmungou soltando o agarre que tinha na cintura de seu marido.

Remus sorriu de uma maneira muito Malfoy para o gosto do loiro e saiu do quarto.

Maldita herança!

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- Porque demorou tanto? – resmungou aborrecido ao vê-lo entrar no quarto uma hora depois que Remus saiu.

O castanho se desvestiu completamente (acendendo o veela intencionalmente) e deitou na cama, se moveu até que sua cabeça descansou no peito de seu marido.

- Falei com Severus e expliquei sobre a nossa briga... – começou a falar descendo uma mão até o pênis semi ereto do loiro – e perguntei se ele não poderia levar Draco por uns dias.

- E o que ele te disse...? – gemeu cheio de prazer.

- Que não tinha problema... por isso demorei. Estive arrumando as roupas de Draco. Ele só volta na terça-feira.

Lucius não perdeu tempo e se lançou sobre o corpo de seu marido. Nem precisa dizer que nesses dias não saíram do quarto nem para comer. Pediam que os elfos deixassem a comida na antessala do mesmo... Estão pensando o que? Primavera ou não eles tinham que comer...

Continuará…

Próximo capitulo: brincadeiras de crianças

Nota tradutor: adorei ver Lucius de abstinência sexual hahahaha malvado aqui XD

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