Toque - Rose POV

Estávamos de volta a Hogwarts para o nosso segundo ano, e eu não via Scorpius Malfoy desde aquele trágico dia na biblioteca. Literalmente. Sabe Merlin como, mas consegui manter-me suficientemente afastada do Malfoy para não voltar a sentir-me tentada a olhar, nem que por um segundo, para ele.

Tinha prometido ao mau pai algumas coisas, e eu pretendia cumpri-las. E uma delas era manter-me, a mim e aos meus olhos curiosos, longe do loiro para o resto da vida, se tivesse de ser.

Claro que a minha tarefa acabou por se tornar mais dificil, quando o meu primo e melhor amigo Albus Potter decidiu escolher precisamente o Malfoy para melhor amigo. Tornou-se dificil conciliar o facto de querer estar com o meu melhor amigo, com o facto de não poder aproximar-me do Malfoy, visto que estes tinham o raio do hábito de andar sempre juntos. Sentia que um duelo começava a formar-se entre o lado de mim que já não queria saber das ordens do pai ou mesmo das regas, e o lado certinho, que jamais poderia ignorar, sendo eu filha de Hermione Granger.

- Vá lá Rose, ninguém te está a pedir para gostares dele ou qualquer coisa desse género. É só, sei lá. Suportá-lo. Ele não é má pessoa Rosie. - pela milésima vez Albus tentava fazer-me mudar de ideias.

E pela milésima vez eu respondi:

- Al, sabes bem o que o meu pai disse. Não me posso aproximar do Malfoy. Lamento mesmo muito Albus.

Iamos a andar pelo corredor em direcção à aula de História da Magia, uma das poucas que eu e Albus tinhamos juntos, sendo eu Gryffindor e ele um Slytherin. O que básicamente queria dizer que Malfoy também estaria lá. Eu carregava os meus quatro livros junto ao peito, e uma sacola ao ombro, enquanto Albus levava apenas um livro debaixo do braço.

Típico de um Slytherin claro. - pensei, revirando os olhos, apesar de saber que Albus sempre seria assim, sendo ele um Slytherin, Ravenclaw, Gryffindor ou mesmo Hufflepuff.

Estava tão atenta a analisar Albus que não reparei no rapaz que corria na minha direcção, e choquei contra ele, cambaleando para trás e deixando a minha pilha de livros cair toda ao chão.

- Ai. - ouvi o outro rapaz resmungar, mas não me dei ao trabalho de olhar para ele.

Tinha os meus olhos fixados no molho de livros que estava espalhado pelo corredor, páginas dobradas e capas amarrotadas. Mordi o meu lábio enquanto corria até eles, esticando a mão para pegar um a um, quando a minha mãe encontrou outra.

Ergui os meus olhos para ver a quem pertenciam e o meu corpo gelou em choque quando percebi que era nem mais nem menos que o rapaz que eu tinha passado o ano inteiro a tentar evitar, e que o destino parecia querer brincar comigo, fazendo-me chocar contra ele no meio do corredor. Pior, eu tinha tocado nele.

Scorpius Malfoy olhou para mim também, mas eu apressei-me a desviar o olhar e a apanhar todos os livros do chão rapidamente, amontoando-os novamente numa pilha e prensando-os contra o peito, já não me interessando no estado em que eles estavam.

- Depois vemo-nos Albus. - disse ao meu primo, depois desatando a correr pelo corredor a fora, que nem Voldemort a fugir de Harry Potter.

E nesse momento a batalha dentro de mim estava rapidamente a ser ganha por um lado que eu nunca pensei que ia ganhar. Afinal, até o destino estava contra mim, não é? E não se pode remar contra o destino.

E nesse momento eu soube que em breve as palavras do meu pai iam ser apenas vagas memórias que não me iam pesar mais na consciência. O meu espírito de Gryffindor estava a vir ao de cima, e com ele, o espírito de quebrar regras.

Afinal, até a filha de Hermione Granger pode cometer algumas loucuras, não é?