Choro - Rose POV

Eu sabia. Eu sempre soube. Assim que a Killan me disse que a McGonagall me queria ver na sala da directora o mais depressa possível eu soube que alguma coisa estava mal. Eu sabia que não tinha feito nada de mal, eu não sou do tipo de rapariga que leva detenções, ou que tira más notas. Raios me partam, eu sou a filha da Hermione Granger. Portanto só havia outra hipótese. Algo tinha acontecido. Algo de muito mau.

E quando eu finalmente ouvi as palavras que sabia que estavam a chegar não consegui responder por muito tempo. Desenvencilhei-me dos braços da minha mãe e do meu pai, que tentavam, em vão, fazer-me crer que tudo ia ficar bem. Mas é claro que não ia! Nada ia ficar bem! Ela tinha morrido, como é que alguma coisa podia ficar bem?

Lembro-me de correr para fora do gabinete da directora, lembro-me de ouvir pessoas chamarem por mim, vagamente, mas eu não parei. Continuei a correr pelos corredores de Hogwarts sem parar, até não ter mais forças para seguir em frente, até não conseguir mais controlar as lágrimas e a energia que me tinha assolado à momentos atrás acabar, e eu encostar-me a uma parede fria de um qualquer corredor deserto.

Deixei-me escorregar pela parede abaixo, até cair completamente no chão. Neste momento as lágrimas já haviam começado a cair e eu não me incomodei a tentar controlá-las. Para quê? Ninguém me estava a ver de qualquer maneira, e duvidava que tivesse assim tanta força para controlar algo tão forte. Envolvi as minhas pernas com os braços e apertei-as fortemente, enquanto as lágrimas continuavam a cair e começava a soluçar violentamente.

Não sei quanto tempo passou, e sinceramente não estou interessada em saber. A minha reserva de lágrimas parece não acabar, e tenho a sensação de que tenho as roupas encharcadas, mas também não me importo. Na verdade, eu não me importo com nada neste momento, até ao momento em que alguém aparece a correr pelo corredor a dentro. Não me dou ao trabalho de olhar para ver quem é, mas com a raiva com que estou neste momento sou capaz de lhe gritar com todas as forças que me restam para se pôr a andar daqui para fora. Não quero ver ninguém, não quero que ninguém me abrace nem me console, não quero sequer ouvir as palavras de ninguém... Ninguém , excepto a pessoa que agora sussurrava o meu nome docemente, como se lhe causasse sofrimento ver-me assim.

- Rose...

Ninguém, excepto Scorpius Malfoy.

Levanto o meu olhar do chão para o olhar, quase implorando para que ele não se vá embora, porque acabo de perceber que é dele de quem preciso neste momento. Não devo estar com bom aspecto, porque a cara já de preocupação dele acentua-se ainda mais e ele corre até mim. Ele parece cansado, consigo reparar nisso. Parece que tem andado a correr... Talvez tenha andado à minha procura. Agora que penso nisso, toda a gente deve andar à minha procura.

Ele senta-se ao meu lado e puxa-me para ele, passando um braço à minha volta, e eu encosto a minha cabeça no seu peito, molhando imediatamente a sua camisa inteira com as minhas lágrimas. Ele parece não se importar.

Mais uma vez arrebento em lágrimas e em soluços, e ele fica apenas ali, passando a mão pelas minhas costas e puxando-me mais para ele. E o que mais me surpreende é que ele não me diz que vai tudo ficar bem, talvez porque ele saiba que não vai. Porque quando alguém morre, não volta mais. Por vezes oiço-o sussurrar o meu nome, mas ele não diz mais nada para além disso, e eu agradeço-lhe, porque eu não quero promessas vãs de que tudo vai correr bem. Raios me partam, a minha avó morreu. A Avó Granger, que sempre esteve lá para mim, que me ensinou a cozinhar sem a ajuda de magia, que me ensinou que a vida sem magia também pode ser boa, que o amor é a maior magia de todas, e para isso ninguém precisa de varinha. Ela foi-se, e não vai mais voltar.

E depois as lágrimas param, porque acho que não tenho mais nada para chorar, mesmo que queira, e fico apenas a soluçar. E depois, quando me parece que se passaram horas, Scorpius leva a sua mão ao meu queixo, e ergue-o, para que eu fite os seus olhos cinzentos.

- Eu estou aqui.

É a única coisa que ele diz, e assim tão simplesmente, é a única coisa que eu preciso. Dele. Ali.

Ele abraça-me mais, como se me quisesse mostrar que não vai a lado nenhum e eu agradeço a Merlin. Eu agradeço a Marlin que o tenha enviado para mim. Porque Scorpius consegue juntar os pequenos pedaços de mim e pô-los juntos de novo, apenas com um abraço. E eu rezo para que ele fique aqui para sempre, porque sinto que se ele alguma vez se for embora, eu vou-me partir outra vez, e dessa vez não restará ninguém para me voltar a juntar.


N/A: Oii *-* Tadinha da vóvó Granger :c E tadinha da Rose né. Scorpius muito fofo neste capitulo só para vocês *-* Espero que tenham gostado. Beijos enormes.