Beijo - Scorpius POV
Hoje tinha de pedir desculpas à Rose. Tinha de lhe dizer que ontem os meus genes de Malfoy tinham levado a melhor sobre mim e acabei por dizer coisas que não queria, e acabei por a culpar de algo que ela não tinha culpa. Apetecia-me lançar um feitiço a mim mesmo só de me lembrar que a deixei pensar que preferia não a ter salvo, sabendo as consequências, sabendo que isso é perfeitamente mentira. Eu nunca seria capaz de a ver cair e não a salvar. É quase como que um impulso que está dentro de mim.
Subi as escadas que saiam das masmorras e perguntei-me onde estaria a Rose. Porém não tive de me perguntar por muito mais tempo, porque parecia que toda a gente estava a falar dela. Ia soltar um olhar ameaçador ao grupo de raparigas que pareciam estar a falar, outra vez, sobre o quanto eu a amo e estamos perdidamente apaixonados e que eu a ter salvo foi o acto mais romântico de sempre. Porém ouvi algo mais, algo que me fez mudar de ideias.
- ...não vês? Cá para mim o Malfoy gosta dela mas ela não lhe dá bola nenhuma! Eu vi! Ela está aos beijos com o Troppson!
Não foi muito difícil encontrar a Rose, na verdade. Bastava seguir as pessoas aos sussurros e ela também não parecia querer esconder-se. Na verdade, parecia querer que toda a Hogwarts visse a cena. Foi do lado de fora do Grande Salão que eu a encontrei, mas ela não estava sozinha...
O meu coração caiu-me aos pés no momento eu que eu vi a Rose, a minha Rose enrolada do Troppson, um Hufflepuff estúpido que mal sabia jogar Quidditch, quanto mais ser capitão. Mas eles não estavam só enrolados. Eles estavam a fazer muito mais do que isso. As bocas estavam coladas num beijo que parecia estar a durar séculos, as mãos dela em volta do pescoço dele e as mãos daquele estúpido estavam nas costas dela.
A minha primeira intuição foi a de agarrar a varinha e apontá-la para aquele estúpido de meia tigela. Onde é que ele pensava que estava a por as mãos? Não era na Weasley de certeza, ele não merecia nem que ela a olhasse, quanto mais. Pensei em qualquer maldição que cortasse as mãos dele, mas para a felicidade dele, e minha infelicidade, não encontrei nenhuma. Em vez disso cheguei-me à frente e empurrei o Troppson para longe da Weasley, fazendo-os soltarem-se por fim.
- O que é que estás a fazer? - gritou-me a Weasley, completamente enfurecida, mas a minha raiva conseguia sobrepor-se à dela.
- O que é que eu estou a fazer? O que é que tu estás a fazer não é a pergunta mais adequada Weasley? - gritei-lhe também.
- Não tens o direito de te meter na minha vida Malfoy, eu beijo quem eu bem entender.
- Precisamos de falar. - interrompi, e antes que ela pudesse protestar mais eu peguei nela pelo braço e comecei a arrastá-la dali para fora, para um sítio onde o raio dos olhares de toda a Hogwarts nos estivessem a observar.
- Malfoy! Malfoy, larga-me imediatamente! - ouvia ela gritar atrás de mim, e ela contorcia-se numa tentativa vã de se libertar de mim, mas eu era mais forte do que ela.
Quando chegámos a um corredor vazio qualquer soltei-a por fim e voltei-me para ela, ainda com a fúria a dançar nos meus olhos.
- O que é que tu pensas que estavas a fazer Weasley? - voltei a gritar.
Ela agarrou-se ao braço eu que eu a tinha puxado e eu tive a ligeira sensação de que lhe tinha deixado uma marca e de que em breve estaria roxo. Ao contrário do que eu pensei ela não gritou. Em vez disso olhou para o chão e disse apenas:
- A cumprir uma promessa.
E é nesse momento que as palavras dela me vêm à cabeça e tudo começa a fazer sentido Amanhã já está tudo resolvido, não te preocupes. Não vais ter de ouvir os rumores por muito mais tempo.
- Raios Weasley, e vais-te pôr a beijar um rapaz qualquer para fazer parar os rumores? É essa a tua ideia brilhante? - continuo a gritar, ainda com mais força, apesar da explicação dela a ira continua dentro de mim e eu não sei bem porquê - O que raio tens tu na cabeça?
Ela volta a olhar para mim e desta vez volta a gritar.
- Não te percebo Malfoy, juro que não! Primeiro salvas-me a vida e depois culpas-me por isso e pelo raio dos rumores, os quais eu não tenho culpa. E quando eu finalmente acabo com eles ficas ainda mais furioso comigo. - eu conseguia perceber que ela estava prestes a chorar, e por esta altura ela aproximou-se de mim e começou a bater no meu peito com os punhos fechados - Eu não sei o que fazer, Malfoy. Eu não sei o que te fazer. O que raio queres tu de mim?
Eu fiquei apenas no silêncio, os pensamentos a mil, deixando-a bater no meu peito, deixando-a descarregar a sua fúria. Ao ver que não conseguia arrancar-me uma resposta a Weasley parou de me bater, encostando apenas os punhos fechados ao meus peito, os olhos marejados, e fixos em mim.
- O que é que tu queres de mim? - voltou a perguntar, apenas num murmúrio.
E eu fiz a última coisa que um Malfoy faria. A última coisa que eu ou a Weasley pensámos que eu próprio faria. A única coisa suficientemente louca, a única que podia exprimir aquilo que eu queria dela.
Eu peguei na cara dela com as minhas duas mãos e inclinei-me gentilmente para ela, dando-lhe tempo que sobra para se afastar se quisesse.
Eu beijei Rose Weasley. E beijei-a com tudo aquilo que tinha guardado para mim todos estes anos na esperança de que ela retribuisse, na esperança que ela compreendesse.
E quando dei por mim, a Weasley estava a beijar-me de volta.
N/A: Olááá :D Eu estava tão anciosa por escrever este capítulo *-* Espero que tenham gostado. Obrigado por todos os followers e todos os comentários, sem vocês eu não estaria aqui.
Beijos enormes e até ao próximo ;D
