Perguntas - Scorpius POV

Isto definitivamente não estava nos meus planos. Não estava nos meus planos beijar Rose Weasley, não estava nos meus planos que ela fugisse, nem que ela deixasse de me falar as férias de Verão inteiras. Ignorou todas as minhas cartas, e quando voltámos para Hogwarts para o nosso sexto ano não olhou uma única vez para mim, fez questão de evitar estar no mesmo espaço fechada do que eu e sentar-se o mais afastada possível de mim nas aulas que tinhamos juntos.

Tinha de admitir. Eu tinha-a perdido. Outra vez.

Por mais que eu tentasse falar com ela, sabe-se lá como, ela arranjava sempre maneira de se escapulir, de fugir de alguma maneira às minhas tentativas de a por a falar. E a verdade é que para além de ter perdido a rapariga de quem gostava, tinha também perdido a minha melhor amiga. Não que ela parecesse importar-se, estava rodeada de amigos, dia após dia o circulo à volta dela ficava cada vez maior, mas de uma coisa ela não se podia escapar.

Rondas.

Ela era uma Perfeita desde o quinto ano, uma verdadeira Granger claro, e após o Fllipper ter sido apanhado numa sala à noite no meio da coisa, tinham-lhe tirado o distintivo de Perfeito e, sorte ou talvez não, este ano tinha sido eu nomeado Perfeito para o substituir. E como Perfeitos, era nosso dever patrulhar os corredores à noite. Desde que a Professora McGonagall se tinha tornado diretora as rondas eram agora feitas com pares de equipas diferentes, em vez de duas pessoas da mesma equipa, os pares das rondas eram cada um de equipas diferentes que iam rodando uma vez por período. O que queria dizer que no final do ano todos um Perfeito já fez rondas com um colega de todas as outras equipas. Isto servia para desenvolver a cooperação entre equipas, depois da Segunda Guerra e blá, blá blá... O que interessa é que mais tarde ou mais cedo a Weasley ia ter de ficar a sós comigo, nem que fosse para fazer as rondas, e eu não ia deixar escapar essa oportunidade.

Para minha sorte, e para azar dela, eu tinha ficado com uma rapariga qualquer dos Hufflepuff no primeiro trimestre do ano, no segundo com a Weasley e no terceiro com uma Ravenclaw que não me dei ao trabalho de saber o nome.

Esperei pacientemente pelo final do primeiro período, fui de férias para a Mansão durante o Natal e voltei depois, pronto para encostar a Weasley a uma parede se fosse preciso e obrigá-la a falar comigo nem que fosse a última coisa que eu fizesse.

E no segundo dia de aulas do segundo período, ao avançar pelo corredor deserto até ao ponto de encontro que estava marcado, sentia-me extremamente mal disposto. Será que eu queria mesmo saber o que a Weasley tinha para me dizer? Perguntas não me faltavam, e maneiras para a fazer falar também não, mas quereria eu realmente saber as respostas?

Esbofeteei-me mentalmente. Eu sou um Malfoy. Um Malfoy sabe sempre o que quer, e tem sempre o que quer. Sempre foi assim. Nada vai mudar isso.

Foi então que eu virei a esquina e dei com ela ao pé da estátua da feitiçeira de um só olho. Estava a olhar na direção contrária, mas vi-a contrair-se e soube que ela tinha dado pela minha chegada. Caminhei até ela mas não fiz intenção de parar quando passei por ela, esperando que ela me seguisse para começar as nossas rondas. Não fiz uma única tentativa de falar com ela. Nem de olhar para ela. Também não lhe toquei ou fiz qualquer coisa que desse a entender que sabia que ela ali estava. Era como se estivesse a fazer rondas sozinho. E pensando melhor, talvez fosse melhor se estivesse mesmo.

A Weasley começou a descontrair passado algum tempo, mas logo depois começou a olhar para mim pelo canto do olho, como se me avaliasse, perguntando a si mesma porque é que eu não tentava nada, porque é que eu não falava com ela. Depois de algum tempo a curiosidade pareceu tomar conta dela e ouvi-a perguntar:

- Não vais dizer nada?

Mas eu não respondi, nem olhei para ela, nem sequer fiz alguma coisa que indicasse que a tivesse ouvido. Continuei a andar, a patrulhar como se estivesse sozinho. E no fim da ronda, quando voltámos a entrar no corredor da estátua onde era suposto separarmo-nos, eu virei-me abruptamente para ela e quando ela percebeu o que eu ia fazer já era tarde demais.

Impulsionei o meu corpo contra o dela até o estar a pressionar contra a parede fria do corredor e pus os meus dois braços apoiados na parede, um de cada lado da cabeça da Weasley, impossibilitando qualquer hipótese de fuga. O meu olhar encontrou o dela e o dela o meu, sem nunca se separarem. A respiração rápida dela batia-me no pescoço e eriçava os pêlos que lá se encontravam, enviando arrepios involuntários pelo meu corpo.

- Porquê? - perguntei, a voz rouca de não falar, e profunda, como se a pergunta viesse de um canto recôndito do meu ser.

Mas ela não respondeu. Olhava apenas para mim, a respiração a acalmar aos poucos, e sem fazer qualquer tentativa de fugir. Então eu tentei outra vez:

- Porque é que fugiste? Porque é que não me falas? Porque é que me andas a evitar à um ano? - bati com o punho na parede, a ira a tomar conta de mim, mas ela não aprecia assustada e tão pouco surpreendida.

Estava calma, quase como se esperasse que este momento acontecesse à muito tempo.

- Porquê Weasley? Porque é que andaste a beijar aquele idiota? Para que foi aquela cena toda?

A voz falhou-me no fim da pergunta e eu calei-me, esperando pelas respostas que eu exigia, que ela tinha de me dar. Mas elas não vieram. Eramos só os dois a respirar fortemente, presos um no outro, num silêncio de morte. E quando eu pensei que ela não me fosse responder de todo, ouvi a voz dela, mas em vez de uma resposta, dos lábios dela saiu uma pergunta:

- Porque é que me beijaste?

E assim do nada, eu não sabia o que lhe responder. Assim do nada eu percebi que ela não tinha quaisquer respostas para mim, apenas mais perguntas, tal como eu. Percebi que eramos os dois uma pilha de perguntas sem respostas e pensamentos emaranhados, sem saber o que fazer com o que sentiamos.

Assim do nada, percebi que Rose Weasley tinha acabado de me dar numa pergunta a única resposta que eu precisava.

Porque as verdadeiras respostas era eu que as tinha.


N/A: DESCULPEEEEM! Ai Merlin, desculpem por vos ter feito esperar séculos por isto e eu sei que a minha desculpa vai ser a de tantos outros autores, mas que não deixa de ser verdade. Estamos no último período de escola aqui em Portugal e eu estou no décimo ano, o que quer dizer que tudo o que eu fizer vai estar a contar para a Universidade. E a minha média está a baixar, o que não é NADA bom. Mas enfim... Desculpem pelo capítulo tardio e não muito brilhante também, não tenho a certeza de que era isto que eu queria mesmo escrever e tenho medo que tenha ficado um bocado estranho, mas não podia fazer-vos esperar mais, sabe-se lá quando é que vou ter tempo para escrever outra vez.

Se estiver a maior bosta, por favor, digam-me, se há coisa que eu não quero e ter leitores insatisfeitos e uma história a ir para o caminho errado.

Muito obrigada por todas as pessoas novas que começaram a seguir a fanfic, obrigada a todos os que seguem do ínicio também. Eu nunca me canso de agradecer porque acho que todos os agradecimentos não serão suficientes por tudo o que têm feito por mim só por lerem e fazerem review ao que eu escrevo. Muito, muito obrigada. Beijos enormes a todos vocês (especialmente à Jacih, que tenho quase a certeza que está para me matar por eu não escrever à tanto tempo, e também porque sei que ela adora que eu a mencione nas notas de autor *-* Adoro-te fofa).

Até ao próximo amores. :D