Aconteceu - Rose POV

Estava encostada à mesma árvore em que eu, Albus e Scorpius nos encostávamos tantas vezes nas tardes de Sábados ou de Domingos, sem absolutamente nada para fazer para além de apreciar o Sol e o vento que nos bate na cara suavemente e as piadas e histórias que partilhávamos.

Ultimamente tinha saudades desses tempos, em que estava tudo bem, em que Albus não tinha de dividir o seu tempo ao meio para estar com os melhores amigos porque estes estavam chateados, ou não conseguiam estar no mesmo lugar sem que a tensão se ergue-se no ar, quase ficando palpável.

Acima de tudo, tinha saudades de Scorpius.

Da última vez que o tinha visto ele estava tão confuso como eu, talvez até mais. Não sabia o que tinha sido pior, as perguntas urgentes dele ou a minha ausência de respostas, porque eu não ter resposta para uma pergunta não acontecia muito frequentemente. Mas ultimamente tudo o que dizia respeito a Scorpius eram perguntas para as quais me parecia impossível encontrar as respostas.

Enquanto fechava os olhos e inspirava profundamente o ar fresco do fim de tarde ouvi alguém aproximar-se calmamente. Ao principio pensei que fosse apenas um rapaz qualquer dos primeiros anos que viesse dar uma olhada ao Lago Negro, de quem toda a gente fala e que se diz conter criaturas do mais bizarro que existe. Ou então podia estar a dirigir-se para a Floresta Negra. Mas os passos não se afastaram, estavam a aproximar-se cada vez mais até que pararam mesmo ao meu lado. Depois ouvi alguém a encostar-se à árvore e a deixar-se cair lentamente até estar sentado ao meu lado.

Nesse momento abri os olhos para encontrar um Scorpius Malfoy sentado ao meu lado, com os olhos fixados no lago. Ele trazia o cabelo despenteado, como usava ultimamente, desde que eu lhe tinha dito que o cabelo dele ficava muito melhor desta maneira. Trazia uma camisa branca e a gravata da sua equipa larga à volta do seu pescoço. Usava também as normais calças e sapatos pretos do uniforme de Hogwarts.

Agora que pensava nisso, devia ser uma imagem estranha de se ver. Scorpius Malfoy, um Slytherin com o seu uniforme verde ao meu lado, Rose Wealey, que tinha o cabelo cor do fogo comprido e solto, uma camisa branca e a gravata da minha equipa por cima, a saia cinzenta escura prendia a blusa e depois os sapatos comuns de Hogwarts, com uns pequenos saltos. Verde e vermelho. Verde. Vermelho.

Sem dúvida uma imagem estranha de ser ver.

- Não sei. - responde ele a uma pergunta que eu não me lembro de fazer.

Quando volto a focar os meus olhos nele ele continua a olhar em frente para o lago, mas parece profundamente embrenhado num qualquer pensamento.

- O que é que não sabes? - pergunto.

- Não sei porque explicar-te porque é que te beijei. - responde-me.

Suspiro pesadamente e olho também em frente. Talvez eu já soubesse que ele não tivesse uma resposta para mim, talvez quando eu lhe fiz a pergunta não esperasse uma resposta de todo.

- Aconteceu. - completa ele.

- Tudo acontece por uma razão - repito o que a minha mãe sempre me diz, porque obviamente que Hermione Weasley sempre tem uma razão para tudo.

Talvez se ela estivesse aqui também me conseguisse explicar o apertão no estômago que me veio neste preciso momento, ou mesmo a vontade que eu tenho de lhe dizer a plenos pulmões qualquer coisa que tenho encravada na garganta e que não sei o que é. Ou talvez saiba e não queira admitir. Ou os pêlos arrepiados na parte do meu braço que está a tocar no dele.

A sua atenção volta-se para mim lentamente.

- Será? Não tenho a certeza.

E de súbito a minha coragem Gryffindor e o meu instinto reuniram-se todos contra mim e dei por mim a dizer:

- Então podemos sempre testar.

Levo a minha mão à sua gravata e dou por mim a puxá-lo por ela. Não que ele proteste, sem que eu faça qualquer força nenhuma ele aproxima-se de mim mais e mais, e antes de conseguir pensar no que raio estava eu a fazer a minha boca estava na dele e a dele na minha, a moverem-se em sincronia numa dança desconhecida. Não, realmente eu não sabia o que era aquilo e tal como ele eu não conseguia explicá-lo. Mas sabia bem. Muito bem.

As mãos dele voaram para as minhas costas, uma delas a puxar-me para ele e outra no meu cabelo, e a minha mão livre puxa-o também pela camisa, como se a gravata não fosse suficiente. E não era. Qualquer espaço entre nós parecia ser imenso, demasiado.

Demoraram-se séculos até nos separarmos. Os meus olhos encontraram os dele numa pergunta silenciosa.

- Aconteceu. - repeti o que ele me tinha dito.

Com um sorriso ele respondeu-me, antes de ser voltar a aproximar:

- Então deixa acontecer.


N/A: OMG, agora é que foi. It's for real now *-* Eu achei isto tão fofo, a sério. Espero que tenham gostado, especialmente tu Jacih (muahaha, agora vou mencionar-te em todos as minhas notas *.*). Obrigado pelos novos seguidores, sinto-me grata por poder partilhar a minha história com vocês, bem como a minha mente retorcida ;D E obrigada pelos reviews também.

Sintam-se livres para me dizerem o que acharam. Não, a sério, digam. Façam review. JÁ.

Kakakakaka, brincadeira. Beijos a todos *-* Até ao próximo.