Carta - Scorpius POV

- Scorpius, eu acho que era melhor não entrares. Ela não quer falar com ninguém.

- Eu não sou ninguém, - voltei a repetir à rapariga que envergava a gravata amarela e preta dos Hufflepuff - e ela vai querer falar comigo.

Ela olhou para mim uma última vez antes de se afastar e me deixar entrar na maldita sala de aula vazia em que Rose Weasley se tinha metido. Tinha estranhado a ausência dela quando não apareceu hoje ao pequeno-almoço, e a coisa ficou ainda pior quando ela faltou às aulas da manhã também. Rose Weasley não falta às aulas. Ponto final. Da ultima vez que ela faltou às aulas foi à anos atrás quando eu a arrastei até ao lago e quando caiu da vassoura no jogo contra os Slytherin, em que quase fazia a Madame Pomfrey dar em louca por não parar de insistir que não podia faltar às aulas desse dia.

Agora que entrava pela sala a dentro, podia ter a confirmação das minhas desconfianças quando ouvi-a soluçar, sentada numa cadeira, de costas para mim.

- Cleo, vai-te embora, já disse que não queria ver ninguém.

Mas eu não respondi, continuei a aproximar-me dela, até ficar-mos a pouco mais de dois metros de distância.

- Rose? - chamei por ela.

Assim que ouviu a minha voz, ela pareceu congelar, como se fosse uma das coisas que ela menos queria ouvir neste mundo.

- Vai-te embora Scorpius, eu não quero falar com ninguém. - a voz dela parecia fria, como se eu não fosse nada, ou ainda menos do que isso.

- Rose, o que é que se passa? - exigi saber, mas ela não me respondeu, continuou sentada, a olhar em frente, sem mexer um músculo ou dar um único sinal de que me estava a ouvir.

Passei a mão pela cara, tentando lembrar-me do que poderia tê-la feito voltar à primeira base, mas não encontrei nada. Absolutamente nada.

- O que raio se passa, Rose? - voltei a repetir, a minha voz a ficar mais dura enquanto a exasperação se abatia sobre mim aos poucos - Rose, fala comigo! -acabei por gritar e isso pareceu fazê-la acordar.

Ela ergueu-se subitamente da cadeira e virou-se para mim, a cara coberta de lágrimas e os olhos azuis profundos vermelhos. Nas mãos tinha um pedaço de pergaminho e ao lado dela, pousada em cima da cadeira, estava uma coruja na qual eu ainda não tinha sequer reparado.

- O que se passa Scorpius Malfoy? Queres saber o que se passa? É isto que se passa! - gritou-me ela de volta, com um dedo a oscilar entre nós os dois - Passa-se mas nunca se deveria ter passado, e sabes porquê? - ergueu a mão que agarrava o pergaminho com força - O meu pai foi muito explicito sobre o que pensa sobre isto, sempre foi, mas nunca tanto como agora. Ele odeia-me, sabes o que isso é Malfoy? Sabes o que é a pessoa que mais amas e admiras neste mundo te odiar?

Ela fez uma pausa e respirou profundamente, fechando os olhos por segundos.

- James não soube ficar calado. - continuou ela - E a cena do Salão foi a gota de água para ele, e sendo o idiota que é, que não sabe meter-se nos próprios assuntos, - ela parecia quase cuspir as palavras - teve de ir escrever uma carta devota ao meu pai, a dar-lhe a conhecer a minha corrente situação. E foi isto que resultou. - voltou a abanar o pedaço de pergaminho - Não sei como é que ele ainda me chama filha na carta, mas sei com toda a certeza que se isto continuar vou deixar de o ser.

Rose voltou a parar e depois olhou-me como se esperasse uma resposta qualquer, um pedido de desculpas, ou sei lá o quê. Nada que ela fosse receber.

- Achas que eu me importo? - perguntei, mais friamente do que desejava.

A boca dela abriu-se de espanto, ou talvez mesmo de horror.

- Claro que não. - disse ela fechando-a, e erguendo as sobrancelhas, como se fosse óbvio - Claro que não porque tu és o grande Scorpius Malfoy, que se preocupa única e exclusivamente pelo seu umbigo. Não foi o teu pai que te enviou uma carta a dizer o quanto lhe metias nojo pois não?

- Achas que eu me importaria se fosse? - voltei a dizer, talvez com um pouco menos de frieza.

Ela rodeou o corpo com os braços, como se eu lhe tivesse atingindo com um feitiço qualquer e olhou para mim como se eu fosse um estranho. Talvez essa tenha sido a coisa que mais me magoou. Talvez. Neste momento tinha a certeza de muito pouca coisa.

- Tu realmente não te importas com nada, pois não? Para ti é tudo uma brincadeira. Se isto acabasse neste preciso momento tu ias apenas virar costas e ir a correr ter com uma das tuas Slytherin puro-sangue que tanto gostas de foder. - atirou-me ela, como uma gata que tinha sido ferida.

- Mas isto o quê Weasley? - atirei de volta - Nós nem sequer temos nada. Absolutamente nada.

Não tinha sido a coisa acertada a dizer, de todo. Ela assentiu com a cabeça um vez, e depois outra.

- Tens razão. Não temos nada. E eu não vou trocar o meu pai por nada pois não? - e quando as palavras tiveram o impacto certo em mim, ela já tinha passado por mim e deixado-me sozinho com os meus pensamentos.

Não era nada daquilo que eu queria dizer, mas sendo quem sou, eu nunca digo o que quero dizer. Tenho um talento especial para dar às pessoas a pensar aquilo que não quero, e depois acabo tal como estou, na merda. A coruja piou, ainda no seu lugar, deitando-me um olhar desiludido.

- O que é que foi pássaro? Também tu vais meter-te na minha vida, é?

Virei-me abruptamente e deixei a sala, e olhei para os dois lado do corredor à procura de quaisquer sinais de Rose Weasley, mas não encontrei nenhuns. Ia tentar procurá-la quando encontrei Lyanna Nott pelo caminho. Ela olhou-me e um sorriso cínico apareceu-lhe no rosto imediatamente.

- Então, então. Vejam se não é o famoso Scorpius Malfoy, o novo solteirão de Hogwarts. - a voz dela assolou-me, como facas.

- Como é que sabes disso?

- Ora bem, pela maneira como a Miss Weasley passou por aqui, parecia um pouco de coração partido, não? E tu Scorp, tens o coração partido? Eu posso ajudar a concertá-lo, sabes disso não sabes? - ela aproximava-se de mim a pequenos passos, e eu não fazia absolutamente nada para a afastar, porque faria, tal como ela dizia, eu era solteiro - Já ajudei antes, e tu gostaste. E sabes que mais, eu sou muito mais do que a Rose Weasley, e não precisas de te esforçar tanto para me teres a mim. - empoleirada em mim, sussurrava-me ao ouvido - E tu odeias esforçar-te por algo, não odeias Scorp?

Peguei-lhe por um braço, e arrastei-a para uma sala vazia o mais depressa que consegui, virando costas a Rose Weasley, e a toda a trapalhada que a envolvia. Lyanna era muito mais fácil. A Weasley tinha razão, nós nunca deveríamos ter acontecido, e desta vez não pus limites em mim, passei tempo de mais nisso com Rose Weasley e estava absolutamente farto, era de sexo que eu precisava, e precisava ainda mais de tirar Rose Weasley da minha cabeça. Mas no entanto foi a voz dela que ressoou na minha cabeça enquanto Lyanna Nott me envolvia nos braços.

Se isto acabasse neste preciso momento tu ias apenas virar costas e ir a correr ter com uma das tuas Slytherin puro-sangue que tanto gostas de foder.


N/A: Ups, sorry about that. Pois é, as coisas ficaram muiiito feias. Eu acho que ainda não tinha mostrado este lado do Scorpius, mas é assim que o imagino, a ir pelo caminho mais fácil, afinal de contas ele é um Malfoy. As coisas a partir de agora vão ficar mais hot, eles estão a ficar mais velhos e tudo mais e isto tem de aquecer.

Outra coisa que eu ando para dizer à algum tempo mas me tenho esquecido, se houver algum momento que vocês gostariam de ver descrito nesta fanfic, digam-me que eu posso escrevê-lo :D

Alexanda, ainda bem que você gosta de pt-pt *-* Ahahaha, eu não te invejo, odeio inverno, a unica coisa boa que tem aqui em Portugal é o Natal, aí nem isso tem né? D: Eu não sei qual é o teu estilo de música, mas devias ouvir por exemplo: Carta - Toranja, Insónia - Filipe Pinto, Primavera - The Gift, Anda Comigo Ver os Aviões - Azeitonas. São algumas musicas que eu gosto, depois diz-me o que achaste :D

Mina, bem-vinda e muito obrigada, é muito bom ouvir isso :D

Jacih, um beijo enorme como sempre, e ainda bem que gostaste *-*

Até ao próximo amores :)