Revelações - Scorpius POV

Atirei-a para dentro da sala mais rudemente do que queria. Depois fechei a porta atrás de mim e encostei-me a ela, não lhe dando qualquer hipótese de fuga.

- Posso saber que raio se está a passar? - perguntou-me ela, a levar uma das mãos ao braço que parecia estar vermelho com a força com que a tinha agarrado.

- Sim, Weasley, podes. Quero saber o que raio se anda a passar entre ti e aquele otário. - fui direito ao assunto, não queria perder tempo de mais do que o necessário com esta conversa.

Ela não parecia zangada, pelo contrário, parecia a pessoa mais calma de Hogwarts. Até quando eu a arrastei de perto do novo namorado dela ela não pareceu importar-se, acenou-lhe, como se isto acontecesse com naturalidade, e enquanto eu a arrastava por metade de Hogwarts ela não fez questão de se soltar ou de me parar. Agora ali, parecia mais calma do que nunca, olhou em volta da sala de aula vazia, cheia de pó e com algumas mesas e cadeiras espalhadas. Ela saltou para cima de uma mesa e sentou-se ali, como se achasse que a conversa ia durar muito tempo e ela não estivesse disposta a ficar em pé durante todo esse tempo.

- Bem, eu e o Mathew Caswell, caso te tenha escapado o nome, estamos a fazer uma coisa que se chama namorar. Sabes o que é Malfoy? É quando uma pessoa tem um compromisso com outra.

A maneira como ela dizia as palavras, quase como se as brandisse como uma faca fez-me perguntar de novo o que é que eu estava ali a fazer, e qual o propósito desta conversa. Na verdade, não fazia ideia. Tinha-a visto com o Ravenclaw e tive de arranjar uma maneira qualquer de a tirar de pé dele. Já andava a remoer nesse assunto há algum tempo.

- Eu entendo muito bem a definição de compromisso, mas obrigado pelo momento eu sei tudo sobre tudo, Weasley. - atirei.

Ela pareceu nem me ter ouvido. Balançava agora as pernas na mesa, como se estivéssemos a discutir um trabalho de História da Magia. Não... Se estivéssemos a discutir um trabalho de História da Magia ela estaria mais interessada.

- E que cena foi aquela na outra noite Weasley? Andas a atirar-me à cara que eu faço coisas impróprias e depois vais fazer exactamente a mesma coisa?

Ela lançou-me um sorriso desdenhoso.

- Eu sei que tu gostas de exclusividade de actos Malfoy, e que não queres que eu te roube o protagonismo, mas eu faço o que bem entender com quem bem entender, e tu podes ir à merda. - ela atirou uma madeixa de cabelo ruivo que caíra para a sua cara e atirou-o para trás - E também tenho mais do que fazer do que estar aqui sentada a dar-te explicações sobre coisas que não te dizem respeito, portanto...

Mas antes que ela pudesse saltar da mesa eu aproximei-me a passos largos e pus uma mão apoiada de cada lado das coxa dela, os nossos corpos a poucos milímetros de se tocarem.

- Ambos sabemos que tu não gostas dele Rose, tu e eu sabemos que não o amas. E amos sabemos também porquê.

Ela não respondeu. Parou de balançar as pernas para não me tocar mas também não se afastou. A expressão mudou, agora já não estava totalmente indiferente. Fixava os meus olhos, mas eu não sabia o que ela me queria dizer através deles.

- Tu amas-me Weasley. Admite. Tu estás completamente apaixonada por mim, e não há nada que possas fazer para o mudares, e é por isso que não vai resultar com o Caswell, nem com nenhum outro.

E por momentos pensei que ela ia perder todo o controlo e dizer que sim, pensei que ela ia por aqueles braços pequenos à minha volta e abraçar-me, e beijar-me, e deixar Mathew Caswell completamente de lado. Mas eu vez disso ela ergueu um braço e empurrou-me suavemente, tão suavemente que eu deixei que ela me afastasse. Depois vi-a, sem nenhuma reacção possível, saltar da mesa, passar por mim e dirigir-se até à porta.

Virei-me para a ver ir-se embora, mas em vez disso ela virou-se para mim, já com a mão na maçaneta e disse:

- Eu estou apaixonada por ti. - as palavras dela tão suaves, mas tão marcadas que tanto me podiam dar um abraço como uma bofetada - Mas isso não muda absolutamente nada.

E depois abriu a porta e saiu.