Promessa - Scorpius POV

- Rose! - gritei, o mais forte que consegui, e quando não ouvi resposta nenhuma voltei a gritar - Rose Weasley! Eu sei que estás aí dentro!

A resposta não foi imediata, mas depois de mais algum tempo e de bater mais uma meia dúzia de vezes à porta ouvi passos a descerem escadas e dei três passos para longe de porta. Se havia coisa que eu conhecia, era a fúria de Rose Weasley, e tinha de salvar a minha vida, nem que fosse o tempo suficiente para lhe dizer tudo aquilo que tinha para dizer. Poucos segundos depois a porta da frente do pequeno apartamento abriu-se e revelou Rose do outro lado.

Ao principio mal a reconheci, oito meses depois da última vez que a vira e parecia que tinham passado anos. Ela tinha vestido um vestido verde escuro casual, e um casaco cinzento comprido a cobrir-lhe os braços, estava descalça, como se tivesse acabado de chegar de algum sítio. Os cabelos ruivos estavam mais compridos do que eu alguma vez os vira, esticados, davam-lhe quase pela cintura. O tempo passara por Rose Weasley e algures no tempo eu que eu deixara de a ver a adolescente tinha desaparecido e à minha frente estava uma mulher. Mas depois olhei para os olhos azuis e era como se tempo algum tivesse passado e todas as memórias de Hogwarts que eu tanto tinha tentado fechar a sete chaves voltaram a mim com toda a força. Mas em vez do sorriso que eu queria ela tinha no rosto uma expressão confusa.

- Hey. - digo, momentaneamente sem palavras, tudo o que eu lhe queria dizer parecia querer escapar-me por entre os dedos.

E depois a cara dela intensificou-se ainda mais e eu preparei-me para o que estava para vir, sabendo muito bem que merecia cada palavra que ela dissesse e muito mais.

- Hey? Oito meses sem notícias tuas, abandonada sem sequer uma razão à qual me agarrar, e a única coisa que tens para me dizer é hey?

Abri a boca, mas ela não me deixou falar.

- Tu sabes o que é que fizeste Scorpius Malfoy? Tu foste embora e prometeste que voltavas, prometeste tanta coisa e sabes qual foi o pior? Foi eu ter acreditado em tudo. E depois nunca mais voltas a aparecer, não respondes às minhas cartas, não dizes absolutamente nada. Abandonaste e nem sequer tiveste a decência de me avisar que eu estava a ser abandonada? Quem és tu Malfoy? Porque eu cheguei à conclusão que não te conheço, não te conheço de todo. Nem sequer uma razão a que me agarrar, sem saber o que tinha acontecido de errado. Sabes quantos meses... Não. Claro que não sabes, e aparentemente não quiseste saber, portanto não venhas bater à minha porta com um hey qualquer, porque isto acabou Malfoy. Já não estamos em Hogwarts, e eu já não sou tua namorada.

Quando ela parou estava ofegante e vermelha e eu sabia que muito em breve ela me fecharia a porta na cara e eu nunca mais teria uma oportunidade, nunca mais na vida, e eu não podia deixar isso acontecer. Portanto quando a minha oportunidade chegou, eu agarrei-me a ela com todas as forças.

- Tens razão. - Rose, com uma cara de confusão, olhou-me nos olhos, incrédula, enquanto se agarrava à porta - Nada do que eu possa dizer pode salvar estes oito meses, achas que eu não sei disso? Achas que eu não sei que estraguei absolutamente tudo Weasley? Mas é isso que eu faço. Eu estrago as coisas, portanto antes que me feches a porta na cara para sempre, deixa-me dizer tudo aquilo que preciso.

Por momentos achei que ela fosse mesmo fechar a porta na minha cara, mas depois fez outra coisa totalmente diferente.

- Quem é que te disse que eu morava aqui? - perguntou-me num tom acusatório.

- Albus. - disse, e só depois percebi que tinha acabado de por o meu melhor amigo em grandes sarilhos - Não o culpes, eu quase que tive de lhe apontar a varinha à garganta para ele me dizer onde raio é que tu moravas agora.

Ela não se riu e eu suspirei.

- Tens razão, eu desisti de nós. Fui para casa com um saco cheio de esperanças e coragem e quando contei ao meu pai tudo ele fez a única coisa para a qual eu não estava preparado. Eu já previa os berros, as ameaças, ser posto fora de casa, ser deserdado, nunca mais conseguir falar com ele, e mesmo deixar de poder usar o nome Malfoy outra vez. Mas ele fez outra coisa, ele simplesmente disse-me a verdade, disse-me que ele nunca nos ia aceitar, que a tua família nunca nos ia aceitar e que íamos viver todos os dias divididos por causa das nossas famílias.

- Achas que eu não levei com isso do meu pai também? Achas que não foi difícil para mim também? - retaliou.

- O que queres que te diga, que és mais forte do que eu? Mais persistente? Leva todos os elogios que quiseres Rose, mas a verdade é esta. Eu acreditei nele, eu acreditei em cada palavra que ele disse e desisti de nós.

- Esqueceste-te de enviar a carta a avisar. Não me digas que não havia pergaminho na tua casa? Tinta?

Revirei os olhos à ironia e simplesmente continuei.

- Eu estava errado está bem? Eu não consigo fazer isto, não consigo viver sem ti, e podes crer que é a coisa mais parva que eu já disse a uma rapariga, mas também é a mais verdadeira, portanto cala a boca e ouve, pode ser? - isto fez-la retrair um pouco, como se eu lhe tivesse espetado uma faca algures, e isso fez-me suspirar e levar uma mão à testa, a última coisa que eu queria fazer era magoá-la mais ainda - Eu pensei que conseguia perfeitamente voltar à minha vida normal, mas não consigo parar de me questionar o que teria acontecido se eu tivesse lutado, percebes? Eu ando completamente perdido! Não sei o que fazer da minha vida, e dou por mim a perguntar-me... Coisas... Eu estou perdido Rose. Eu estava perdido antes de te conhecer, só que não sabia o quão perdido estava até entrares na minha vida.

Quando olhei para ela nos olhos vi um mar de lágrimas a formar-se nos olhos dela e as barreiras dela a desvanecerem-se.

- Não Scorpius. Não faças isto, porque eu consegui por-me de pé depois de sete meses, mas não sei se consigo depois disto. Tu tens de ir embora... Tu tens de sair da minha vida. Nós acabámos à muito tempo atrás.

- Nós estamos longe de acabar, e tu sabes disso Rose.

Ela abanava a cabeça negativamente, como que dizendo não a si mesma.

- Tu abandonaste-me. Não sabes o que é que isso me custou! Não sabes! Não pode acontecer outra vez, não posso ser abandonada outra vez... Vai-te embora raios, sai daqui! - Rose tinha começado a gritar, mas isso não me tirou do meu lugar.

- Eu não te vou abandonar. Cometo erros uma vez só, nunca duas.

- Por favor, vai-te embora. - Rose Weasley parecia estar a implorar à minha frente - Não percebes que eu não te quero ver? Eu não quero ter nada contigo, magoaste-me o suficiente, tiveste a tua chance, agora vai-te embora.

- Diz-me que não imaginas. - gritei também - Diz-me que não pensas em mim e imaginas como poderia ter sido e eu vou-me embora. Prometo.

Mas em vez de fazer isso Rose Weasley continuou diante de mim, pés assentes no chão, encostada à porta entreaberta e lágrimas a rebolarem pelas faces já coradas dela.

- Esquece. Esquece-me. É o melhor para todos. - respondeu-me, passado alguns momentos.

- Não. Lembras-te de falarmos daquele momento nas nossas vidas em que damos o tudo ou viramos as costas? Lembras-te de falarmos de um momento que acontece em que tens dois caminhos por onde seguir, e é isso que vai decidir toda a tua vida a partir daí? Este é o meu cruzamento, este é o meu dar tudo ou virar as costas, Rose, e eu não vou virar as costas, porque já fiz isso uma vez e custou-me a única coisa que eu realmente precisava. Eu vou escolher um caminho, e esse caminho és tu, se tu quiseres...

Com as mãos meio a tremer, levei a mão ao bolso do casaco e tirei de lá uma caixinha de veludo preta e no momento seguinte ajoelhei-me à frente de Rose Weasley, e encarei-a nos olhos, enquanto abria a caixa.

- Rose Marie Weasley...

- Tu estás louco... - ouvi-a murmurar, pelos lábios entreabertos enquanto os olhos dela se abriam mais do que nunca e ela fixava os olhos na pequena caixa, para confirmar se o que ela estava a ouvir era verdade.

- ...queres casar comigo?

Durante aquilo que me pareceram anos Rose permaneceu de pé completamente chocada e eu permaneci de joelho no chão, preparando-me mentalmente para o não que chegaria em breve. E quando eu já tinha perdido a conta do tempo e o meu joelho já me doía Rose avançou a medo, quase como se fosse um gato magoado com medo de dar confiança à pessoa errada, ela caminhou pé ante pé até mim e depois, muito lentamente, pegou na mão que não estava a agarrar a caixa e fez-me levantar.

Há oito meses que não estava tão próximo dela, ou sentia o cheiro de baunilha que a pele dela tinha, e apetecia-me abraçá-la, mas não podia. Porque ainda me faltava uma resposta. Oiço-a suspirar ao de leve, e depois estica a mão esquerda para mim, olha-me nos olhos com uma intensidade que me podia ter morto logo ali e diz:

- É bom que este caminho seja o certo, Scorpius Malfoy. Porque se não for deves-me o resto da minha vida.


N/A: Desculpem o atraso e espero que tenha valido a pena *-* O que acharam? OBRIGADA ENORME a todos os reviews, especialmente à Maria Jlia - se não fosses tu, este capítulo nunca seria publicado.

A história ainda não acabou, ainda tenha cinco ou seis capítulos planeados. Beijos enormes e novamente, muitas desculpas pela demora.