Vamos aos disclaimers de hábito.
Saint Seiya não me pertence. Blá, blá, blá. Essa fic não tem fins lucrativos. Blá, blá, blá.
Avisos:
- Essa fic não é yaoi. Nesse universo paralelo, todos os cavaleiros (todos!) são (ou alegam ser) héteros. E eu não vou questionar (muito). Está classificada como M por conter situações maduras.
- Por ser uma fic de tentativa de comédia, esta NÃO É uma releitura fiel do canon (embora eu, pessoalmente, duvide que isso exista dentro do fandom, uma vez que o 'canon' de StS é a colcha de retalhos que é e blábláblá... Mas isso, definitivamente, não é uma coisa para se comentar aqui, né?). Então, muita coisa foi adaptada para o melhor andamento da história. E, isto posto, eu não poderei garantir que alguns personagens ou situações não fiquem meio OOC, embora eu esteja tentado ao máximo que isso não aconteça. Mas no geral eles estão, sim, bem mais comunicativos que o costume.
Assim, estejam todos avisados.
On with the show.
No capítulo anterior...
Os cavaleiros de Atena foram convocados pela S.H.I.E.L.D. para mais uma missão onde deverão lutar pela paz na Terra frente a uma terrível organização criminosa conhecida como Camorra, e cujo líder Benicio Basili está refugiado em um luxuoso hotel-cassino em Mônaco. Com a ajuda dos dotes femininos(?) de ninguém menos que Kanon de Gêmeos, convertido em uma curvilínea moça após um mergulho acidental em uma lagoa encantada; nossos intrépidos guerreiros pretendem atrair o famigerado criminoso a uma engenhosa armadilha, para então capturá-lo e trazê-lo às garras da justiça...
SUI GENERIS
Capítulo 15
Ou:
Variante da Lei de Murphy no Amor: Se parece bom demais para ser verdade... ...provavelmente é.
Casino Royale(1), em Monte Carlo, principado de Mônaco...
Saga de Gêmeos olhava a si próprio no espelho enorme do hotel-cassino de luxo, agora que estava devidamente paramentado para sua missão.
Era certo que nunca teve do que reclamar em relação a sua aparência física. Era um homem muito bem apessoado, e tinha consciência disso; embora não fosse exatamente vaidoso. Os olhos azuis e o rosto bonito foram obra e graça dos genes, talvez a única coisa boa que herdou dos pais que não conheceu. O corpo trabalhado era fácil para si de manter em dia, com a rotina de exercícios dos treinamentos do Santuário. Os cabelos loiros e longos davam bem menos trabalho do que o esperado, resumindo seus cuidados em lavá-los e desembaraçá-los todos os dias. E, pessoalmente, ele não tinha paciência para ter uma rotina de beleza muito maior do que seus banhos e seus exercícios físicos, ao contrário dos outros belos mais famosos do Santuário.
Mas mesmo apesar de tudo isso, Saga não podia deixar de ficar admirado ao se ver no espelho com o tal smoking que ele deveria vestir em sua missão, e que seguramente era a roupa civil mais bonita e bem cortada que já tivera o prazer de vestir em sua vida.
Estava quase, quase entendendo o chilique do mais famoso belo do Santuário (e vaidoso assumidíssimo) Afrodite de Peixes ao ver que ele teria a oportunidade de usar algo assim.
Terminou de ajeitar o terno, o colete e a gravata borboleta, dando um sorriso de satisfação com o que via no espelho enquanto arrumava os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo. E, a propósito, tinha que concordar com o Kanon em relação a não devolver aquela roupa de jeito nenhum.
- Mas olha aí, que 'cê tá numa estica, hein? - Máscara da Morte, que o esperava na antesala da suíte junto com Camus, Shura e Afrodite, também trajava um smoking. - Dá até pra pensar que você é gente fina...
Saga fez um muxoxo.
- O Kanon já está pronto? - Perguntou Shura, compenetrado como sempre ficava em missões, enquanto Afrodite se ajeitava em frente a um espelho.
- Ainda não. E vocês, estudaram a planta do cassino direito?
- Sem problemas, chefe. Já tá tudo devidamente estudado e memorizado, relaxa. - Máscara da Morte tentava afrouxar a gravata borboleta. - Só tá faltando mesmo é a noivinha ficar pronta...
- E o Afrodite, já está pronto? - Saga olhava de soslaio o colega da décima segunda casa, que seguia em frente do espelho, agora ajeitando um discreto topete nos cabelos presos.
- Acho que agora ele já deve estar nos retoques finais... - Camus deu um suspiro.
- Eu já estou pronto, só estava averiguando uns detalhes. - Afrodite sai da frente do espelho, um tanto irritado. - Mas você tem que entender, Saga, que nossos tuxedos não são feitos sob medida como o seu, são prêt-à-porter. A sorte é que eu, com minhas medidas perfeitas, consigo o caimento ideal mesmo de um modelo pré-pronto.
- Sei, sei. - Saga rolou os olhos. - Mas vamos revisar os detalhes, antes de irmos para lá. Todos os nossos movimentos tem que ser friamente calculados.
- Velho, relaxa! - Máscara da Morte impacientou-se. - Eu não te falei que nós já memorizamos toda a planta dessa joça? Tá tudo tranquilo!
- Tranquilo, sei! E você, Máscara da Morte, se mantenha sob controle, ouviu bem? Eu não quero saber de excesso de violência por aqui. Já nem era pra você ter vindo, você veio porque eu insisti.
- Nossa, tudo bem, eu prometo que não vou cortar nenhuma cabeça. - O italiano riu, fazendo troça da lenda urbana das cabeças cortadas na parede de sua casa, que ele deliberadamente ajudara a disseminar utilizando uma ilusão criada pela manipulação de seu cosmos sobre a sua coleção de máscaras mortuárias(2). - A propósito, por que foi que você insistiu tanto pra que eu viesse, então?
- Você e Afrodite fizeram um bom trabalho em distrair as defesas do Santuário para facilitar nossa infiltração durante a batalha contra Hades... - Saga disse, em um tom pensativo.
- Então tá. É pra servir de boi de piranha de novo?
- Não, eu já disse. Eu e o Kanon vamos fazer o contato com o alvo, e vocês ficarão de tocaia dentro do cassino, infiltrados como frequentadores. E, antes que eu me esqueça, senhor Lucchese, não é pra sumir atrás de rabo de saia também não, entendeu?
- Mas umas paqueradinhas pode, não pode?
Saga rolou os olhos, de novo.
OOO
Na suíte ao lado...
- Moça, ainda falta muito pra você terminar esse cabelo?
- Só mais uns minutinhos, senhorita Tiropoulos... (3)
Kanon soltou um suspiro. Já estava há quase uma hora com a maquiadora e cabeleireira dando toques e retoques em seu cabelo, embora não tivesse deixado que ela colocasse muita maquiagem além de um pouco de sombra, blush e batom.
A situação toda era insólita, para dizer o mínimo. Olhava para o espelho, e quem olhava para si de volta era uma das mulheres mais bem arrumadas que já tinha visto na vida. O cabelo preso em um coque fofo, a maquiagem leve ressaltando os olhos grandes e claros, o corpo embrulhado num vestido de artista de cinema, como diria Marin.
Suspirou resignado. Pois bem, se isso não fosse capaz de atrair o tal mafioso, ele não sabia mais o que poderia ser.
- Muito bem, senhorita. Está pronta.
- Ah... - Kanon olhou de novo para o espelho, enquanto a maquiadora se afastava. Levantou-se e olhou-se demoradamente. - Muito bom...
- Me perdoe a indiscrição, mas a senhorita está linda de morrer!
- Obrigado...
O ex-rapaz levantou-se, mal e mal podendo disfarçar o desconforto. Não se sentia bem com o fato de estar andando de salto, vestido e maquiagem, posto que nunca (nunca!) tinha feito isso em sua vida. E por mais que soubesse que agora era uma mulher, ainda assim não conseguia se desfazer da impressão vívida de que todos chegariam facilmente na conclusão de que ele era um homem travestido.
Bom, nada contra quem curtia e tudo, mas é que essa não era sua praia, definitivamente.
Mas nada, nada naquela história toda estava lhe dando tanto desgosto quanto suas unhas dos dedos das mãos pintadas de vermelho cor de sangue(4).
Andou até a porta da suíte onde estava Saga e os outros, se concentrando mais do que achou que faria para andar em cima dos saltos agulha que tanto encantaram a amazona de Cobra. E ainda tinha essa: ter que tentar andar com elegância em cima daqueles instrumentos de tortura.
Bateu na porta levemente, sendo recebido do outro lado por Camus.
- Você está muito elegante, Kanon. - O francês levantou uma sobrancelha. - Maquiagem leve, vestido perfeito... Très chic.
- Isso não é um elogio, Camus.
- Não, realmente. É uma constatação. - O francês pegou o ex-rapaz pela mão. - Unhas vermelhas, bien sûr...
- Estou quase pra pegar um vidro de acetona e tirar esse negócio. - Kanon puxou a mão que Camus segurava, vexado.
- Por quê? Unhas vermelhas são muito elegantes. Eu pessoalmente gosto muito. Muito mesmo... (4)
Kanon soltou um suspiro irritado.
- Está todo mundo pronto?
- Até agora sim, mas se você demorasse apenas um pouco mais o Afrodite poderia muito bem arrumar alguma outra pendência em seu visual. - Camus acompanhou o ex-rapaz porta adentro.
- Ah. Então descemos até o salão, agora?
- Oui, mademoiselle.
- Camus... - Kanon rosnou, recebendo apenas um sorriso de volta.
- Ah, finalmente... - Saga suspirou. Mas não pôde deixar de reparar na visão encantadora em que se convertera o ex-rapaz, e até pensou em fazer uma piadinha avulsa, mas deixou para lá ao perceber, também, o desconforto da agora moça. - Está pronto, Kanon?
- Mais pronto impossível. - Suspirou o ex-rapaz, resignado. - Vamos acabar logo com isso. Shura, passa o rádio pra equipe de fuga e avisa que nós vamos descer...
OOO
Enquanto isso, ainda em Monte Carlo, Mônaco; mais precisamente numa van preta estacionado nos arredores do Cassino Royale...
- Olha, eu vou te contar, isso é perseguição... - Aiolia estava agastado. - Enquanto eles estão lá no fresquinho dentro de um hotel cassino cinco estrelas, a gente tem que ficar aqui, dentro desse forno.
- Nossa, Aiolia, dá pra parar de reclamar só um pouquinho? Porque, sabe, ficar trancado aqui dentro com você reclamando de cinco em cinco minutos não é a ideia de programa legal de ninguém! - Milo rebateu, irritado.
- Mas bem que o Aiolia tem razão nessa... - Aldebaran completou, aborrecido. - Custava pelo menos o carro ter ar-condicionado, pôxa?
- O carro não pode ficar ligado, Aldebaran. - Mu disse, casualmente, enquanto se abanava com um pedaço de papel. - Então a gente tem que se contentar só com o ventilador, mesmo.
- E esses macacões quentes, pelos deuses? Precisavam disfarçar a gente com esses macacões dentro dessa van calorenta? Olha que nem o inferno é quente desse jeito...
- Gente, parem de bater boca e concentrem na missão, pelo amor de Zeus! - Mu interrompeu Aiolia, e estava irritado como não se lembrava de estar há muito tempo. - Até porque a gente tem que estar atento porque nós vamos ter que estipular a rota de fuga!
- E os agentes da S.H.I.E.L.D., não eram pra estar cobrindo as outras saídas? - Aldebaran perguntou.
- Eles estão, já confirmei pelo rádio. - Disse Milo, num tom entediado.
Nisso, o 'beep' do rádio se faz ouvir no ambiente.
- QAP? QAP?(5)
- QRV, prossiga. - Milo levou o rádio a si, num movimento entediado. - Escorpião da equipe Rescue-alfa na escuta.
- Capricórnio falando.
- Aaah, graças. Qual o QTH de vocês?
- Saindo da suíte.
- Ainda?
- A gente tem que se preparar aqui, você sabe. Todos os nossos movimentos são friamente calculados, palavras do líder...
- Hunf. Pois avisa seu líder que da próxima vez, é ele quem vai ficar dentro de uma van quente com o Aiolia torrando a paciência.
- Vai à m****, Milo. - O aludido não se fez de rogado.
- E vocês, qual o QTH?
- Entrada de serviço da ala esquerda, como combinado. - Milo respondeu, para acrescentar ironicamente em seguida. - Nós já estamos em posição há mais de uma hora.
- Parabéns pra vocês, então. Nós estamos descendo. Fiquem a postos, que agora vamos nos comunicar pelo tal ponto eletrônico(5). Ok?
- Ok. - Milo soltou o botão do rádio comunicador e mudou a frequência do rádio para a que seria usada pela equipe no cassino, para então falar para os colegas. - Olhaí, eles estão descendo.
- Só agora? - A expressão de Aiolia era quase dolorida.
- É.
- Eu tô falando que é perseguição. Ah, porque é fácil não ter pressa se não são eles que ficam dentro desse caixote abafado aqui!
Mu e Milo rolaram os olhos.
OOO
Cassino Royale, no imponente salão de jogos...
- Uau, olha que chique... - Kanon não queria demostrar, mas estava um tanto nervoso. Afinal, se sentia literalmente fantasiado, mas sabia que tinha que tentar fingir naturalidade. Mas o ambiente opressivamente luxuoso não ajudava. - Eu acho que só vi um salão assim em filme, mesmo.
Saga não respondeu, porque o tal ponto eletrônico em sua orelha o incomodava sobremaneira. Nunca tinha usado aquilo antes, e a voz de Nick Fury ou Shion lhe passando uma enxurrada de instruções estava começando a ultrapassar os limites do suportável.
- Ei, que cara é essa? - No meio de tudo isso, ainda ouviu a voz de Kanon. - Faz uma carinha de contente, que em teoria você é um empresário podre de rico que veio aqui se divertir com a prima!
- Mas como é que se aguenta esse negócio na orelha da gente? - Saga deu vazão ao seu incômodo. - É muito ruim ficar com uma pessoa o tempo todo falando no ouvido enquanto você tem que fingir que não tem nada acontecendo...
A risada seca da agora moça o deixou ainda mais irritado.
- Qual é a graça?
- Bem... - Kanon era o único membro da equipe que não estava utilizando o ponto, por conta de não ser possível colocar o colar indutor. Em vez disso, carregava um pequeno rádio comunicador disfarçado de batom(5) dentro da bolsa. - Não deixa de ser irônico, porque eu juro que eu pensei que de todos aqui, você seria o mais acostumado a escutar vozes que ninguém mais escuta.
- Isso foi cruel, Kanon, até para você. - Replicou Saga, num tom amargado. Kanon não pareceu se importar e apenas meneou a cabeça num gesto de indiferença.
- Equipe tática Alfa um, câmbio. - A voz de Nick Fury se fez ouvir no ouvido do mais velho.
- Diga. - Disse Saga, virando-se para Kanon como se estivessem conversando entre si, para disfarçar a comunicação com a central de operações.
- Já fizeram contato visual com o alvo?
- Ainda não, e não vai ajudar se você ficar perguntando de cinco em cinco minutos. Desligue isso e me deixe concentrar...
- Saga... - Kanon tentava chamar a atenção de Saga, que agora fixava o olhar em um ponto inespecífico.
- Que é, Kanon?
- Tessália, queridão. O alvo está na entrada à nossa esquerda, cercado de capangas aparentemente armados, e vai até a roleta.
- Oh.
- O que acha de eu tentar a sorte nos dados, priminho?
- É uma chance de aproximação...
- Me acompanha? - Kanon deu um sorriso e ofereceu o braço para que Saga o guiasse até a roleta, o que o outro fez de forma mecânica.
OOO
Em outro ponto do salão de jogos do cassino...
- Olhem que gente bonita e elegante que está em torno da gente! - Afrodite estava empolgado, apesar do desgosto inicial de saber que ele estaria usando um smoking prêt-à-porter Hugo Boss e não o tão cobiçado smoking Armani feito sob medida de Saga. Mas enfim, não era como se ele tivesse em seu armário um Hugo Boss legítimo, afinal de contas. E para sua sorte, a roupa realmente caíra bem em si, como em seus outros colegas. - Isso é que é ambiente! Olha que luxo! Vocês prestaram atenção no tapete persa da entrada? E naquele lustre de cristal? Eu aposto que é feito com cristais Baccarat legítimos!
- Ah... - Shura estava se sentindo um pouco deslocado; dado que, como cavaleiro que era, estava muito pouco habituado a um ambiente tão luxuoso, e não estava entendendo patavinas da longa enumeração dos sonhos de consumo que Afrodite estava tendo a chance única de ver ao vivo e a cores. - Eu não sei não... Eu acho que eu prefiro ambientes mais... Informais, sabe...
- Eu não acho, eu tenho certeza. - Máscara da Morte também se sentia deslocado, e incomodado com a gravata borboleta em volta de seu pescoço. Podia contar com folga nos dedos de uma mão as ocasiões onde usara uma gravata borboleta e um smoking. - Eu não vejo a hora de tirar esse negócio.
- Isso porque vocês tem mesmo alma de gente pobre. Pelos deuses, uma oportunidade de ouro dessas pra vocês tentarem ver o que é elegância, luxo e finesse e vocês ficam aí reclamando.
- Luxo, sim, Afrodite... Mas o resto ficaram devendo. - Disse um Camus pouco impressionado. - Eu realmente não estou vendo elegância e finesse por aqui, sinceramente. Bem que eu digo que o dinheiro tira a pessoa da pobreza, mas não tira a pobreza da pessoa...
- Ai, Camus, como você é chato... - Afrodite fez um muxoxo, enquanto parava diante de um espelho na parede do salão para conferir (pela enésima vez) sua aparência.
- Eu não estou sendo chato, só estou constatando que o tanto de dinheiro que é movimentado por esses jogadores compulsivos seria muito melhor empregado pelo hotel para comprar coisas que realmente valem a pena.
- O quê, por exemplo? - Shura ficou curioso.
- Obras de arte. Muito bonito o lustre e o tapete persa, mas eu não vi uma obra de arte digna de se admirar por aqui. - Camus respondia o colega enquanto alçava a mão até a bandeja de um dos garçons que circulava pelo ambiente, para pegar uma dose de uísque. - Aquela escultura da entrada era uma falsificação grosseira de uma peça de bronze de Rodin. E as pinturas na parede? Todas de péssimo gosto...
- Camus, não era bom você beber no meio da missão.
- Shura, por quem você me toma? Apesar dos seus pesares, vocês nunca me viram perder a compostura com bebidas, ou com o que quer que seja. Menos, sim? - Camus tomou um pequeno gole da bebida, para em seguida fazer uma careta de desgosto e abandonar o copo num canto. - Agora eu me decepcionei de verdade.
- O que foi?- Perguntou Máscara da Morte, um tanto surpreso de ver o colega colocar o copo de lado.
-Eles estão economizando na bebida. Isso que eles estão servindo como uísque doze anos não deve ter nem a metade disso.
- Sério? - Shura tomou um gole e, pouco tempo depois, rebateu. - Não tô sentindo diferença.
Recebeu um olhar gélido do francês em resposta.
- Ei... - Máscara da Morte interrompeu a charla. - Parece que o Saga e o Kanon vão fazer contato com o alvo. Eles estão na roleta.
- Ótimo. - Suspirou Camus, impassível. - Melhor nos separarmos para cobrir a área. E Afrodite, pelo amor de todos os deuses, saia de perto desse espelho, sim?
OOO
Kanon e Saga estavam na roleta, vendo outros apostadores fazerem suas jogadas enquanto esperavam a aproximação do mafioso.
Saga, especificamente, batalhava contra a impaciência causada pelo maldito ponto em seu ouvido e a voz de Nick Fury lhe dando ordens.
- Eu juro que vou tirar esse troço da orelha. - Ele disse, entre dentes, inclinado em direção da agora moça.
- Saga, faz o que você quiser, mas me deixe concentrar pra ver como eu vou me colocar dentro da mesa de pôquer que eles estão montando.
- Estão?
- Claro.
- E não é só entrar lá e jogar?
- Não. Acha o quê, que é assim, você vai chegando e entra numa mesa de jogo em que só tem tubarão? Nada. Só pra você saber, tem que ter dinheiro do buy-in pra entrar...
- Buy-in?
- É, Saga, você paga pra entrar no jogo. Fora, claro, que também tem que ter como cobrir o cacife.
- Cacife?
- É, Saga. Não sabe o que é cacife?
- Não é uma expressão que traduz seu poder de fogo, compra, barganha... como quem diz que você tem como bancar algo que você diz, é ou faz?
- Esse é o sentido figurado da palavra, animal. O sentido literal é o que vem da mesa de pôquer, onde ele corresponde ao quanto é apostado no decorrer do jogo.
- Ah? Não sabia...
Kanon soltou um bufido impaciente e rolou os olhos.
- Também não é minha obrigação saber de tudo isso, não? - Saga franziu um pouco o cenho. - Eu nunca fiz questão de saber jogar cartas na minha vida. Porque eu...
-...Acha isso perda de tempo. Sei. Mas olha aí como é a vida: Agora você precisaria de conhecimentos de carteado pra fazer essa missão acontecer. Fora, claro, que sua vida teria ficado bem menos enfadonha se você soubesse jogar um pouquinho que fosse.
Agora foi a vez de Saga rolar os olhos.
- E quanto é o valor desse cacife? - Perguntou o mais velho dos gêmeos.
- Numa mesa dessa? - O ex-rapaz arregalou os olhos. - Capaz de nem ter cacife, então o céu é o limite. Mas, bem... Isso é um problema da S.H.I.E.L.D, não nosso...
A agora moça parou, pensativa, para então se colocar mais ao lado de Saga.
- Que foi?
- Ele está do nosso lado. - Respondeu Kanon, num sussurro. - E está conversando com o crupiê que está organizando a mesa...
Saga levantou os olhos, vendo que Kanon tinha razão. E, num gesto fluido, sem querer acabou derrubando sua taça de champanhe, respingando uma boa parte do líquido na agora moça.
- Ei! - Protestou o ex-rapaz, para logo em seguida ver Saga arregalar os olhos em uma consternação que ele sabia ser fingida.
- Oh, me desculpe! - Saga seguia fingindo o acidente, o que acabou chamando a atenção do crupiê e, como esperado, do alvo. - Mil perdões!
- Ah... - Kanon sentiu sua surpresa desvanecer-se ao ver que a manobra de Saga tinha dado certo. - Não tem problema... Só gostaria de um guardanapo ou um lenço para...
- Aqui, minha jovem. - O mafioso logo estendeu um lenço de linho em sua direção, com um olhar amistoso mas algo sugestivo. - Fique com o meu...
- Ah, não precisa, obrigada... - Sorriu amavelmente a agora moça.
- Imagine, mia bella, faço questão. Até porque seria um pecado ver um vestido tão bonito ficar sujo, ainda que seja de champanhe, não?
- Ah, muito obrigada, senhor...
- Benicio. Pode me chamar de Benicio.
- Muito obrigada, senhor Benicio.
- E qual sua graça, mia bella?
- Eu sou... Tessália Tiropoulos.
- E o senhor que te acompanha, é seu consorte?
- Não, ela é minha prima, quase criada como irmã. - Apressou-se Saga, agora estendendo a mão para cumprimentar o alvo. - Saga Tiropoulos.
- Ah, sim... - Benicio, apesar de ter cumprimentado Saga, não tirava os olhos da agora moça. - É a primeira vez de vocês aqui em Mônaco?
- A minha sim. - Kanon respondeu, com um sorriso amável. - Saga vem sempre por aqui, mas a negócios. Dessa vez eu o pedi que me trouxesse...
- E que negócios faz o senhor, Tiropoulos?
- Minha família atua no ramo de construção de barcos... - Saga repetiu o script recebido pela S.H.I.E.L.D, onde usava a coincidência de ter o sobrenome igual ao de uma das famílias gregas mais influente na construção e de comércio de barcos. Embora não houvesse nenhum grau de parentesco real, por ora seria uma afirmativa convincente.
- Oh, sim, claro. - Benicio Basili deu um sorriso, ainda encarando insistentemente a agora moça, que fingia que nada acontecia. - Não sabia que entre os Tiropoulos havia uma beleza tão ofuscante como a sua, senhorita Tessália.
Bem, depois dessa ficou difícil fingir que nada acontecia.
- Ah... - Kanon engoliu a cantada. - Obrigada, o senhor é muito gentil.
- Com licença... - O crupiê chamou polidamente o italiano. - Sobre o jogo...
- Sim, claro. - O mafioso voltou sua atenção ao crupiê. - A mesa está pronta?
- Falta um jogador.
- Oh. - O rosto de Benicio Basili ficou um tanto mais sombrio, numa demostração indireta do quanto aquele homem detestava ser contrariado.
- Ah... Que jogo, senhor Benicio?
- Oh, mia bella, estamos montando uma mesa de jogo de pôquer.
- Eu... posso participar, Saga? - Kanon virou-se para o outro, com voz pedinte e biquinho. - Acho tão lindo esse clima de cassino, de jogo, acho tão sexy...
- Ah? - Saga fingiu surpresa ao ouvir a pergunta, se controlando para não trair sua vontade de estourar em gargalhadas enquanto via Kanon encarnar o papel de loira bonita mas não muito inteligente que adoraria estar em uma mesa de jogo. Mas era uma oportunidade dourada, não tinha como negar. - Tessália, não sei se é uma boa ideia, afinal faz tanto tempo que não a vejo jogar...
- Oh, sim, claro! - Já Benicio Basili adorou a ideia, especialmente depois de ouvir aquela loira sexy dizer que achava jogo de pôquer... sexy. - Não só a mesa estaria completa, como a bela loira por quem seus olhos estavam hipnotizados estaria agora na mesma mesa que ele, pronta para ser impressionada pela sua habilidade. - Aliás, cara mia, faço questão que você se sente ao meu lado!
- Ah, mas o Saga tem razão, eu nem sei jogar muito... - Kanon seguia encarnando o papel que se prestara a representar, que estava funcionando muito bem.
- Não há problema algum, querida. Eu posso ensinar você a jogar direitinho... - O mafioso disse num tom sedutor que fez Kanon se arrepiar involuntariamente.
Saga, apesar de saber que aquilo era esperado, arrepiou-se também. Sabia que uma parte da missão, a de fazer contato com o alvo, estava cumprida; e agora se iniciaria a fase de atraí-lo, mas não pôde evitar o mau pressentimento.
- Então, em alguns minutos tudo estará pronto, senhores e... senhorita. - O crupiê fez uma reverência discreta para então dar seguimento aos preparativos.
Saga e Kanon trocaram um olhar entre si. O verdadeiro jogo, porém, tinha começado.
OOO
Conseguirá Kanon infiltrar-se com sucesso na mesa de pôquer e usar seus dotes para atrair o perigoso capo da Máfia para a armadilha montada pelos intrépidos cavaleiros de Atena? Conseguirão os outros cavaleiros presentes no cassino cobrir a segurança da infiltração, mesmo que Afrodite siga se admirando nos espelhos do lugar? E conseguirão Milo, Mu e Aldebaran sobreviver à terrível van abafada e ao mais terrível ainda mau humor de Aiolia?
Tudo isso e muito mais nos próximos capítulos!
Stay tuned...
1 - A referência é, claro, o Cassino Royale de 007 - Cassino Royale, com Daniel Craig como James Bond. Só que o Cassino Royale de 007 é em Montenegro, e esse é em Mônaco. Okey?
2 - Bem, eu já disse isso no capítulo quatro, mas nessa leitura de StS, o Máscara da Morte não pendura cabeças na parede de sua casa, mas sim 'molda' máscaras mortuárias nos rostos de suas vítimas para colocá-las nas paredes da quarta casa. E, durante a execução de seus golpes, ele usa sua coleção de máscaras mortuárias (uma alusão ao nome Deathmask escolhido por Kurumada para o cavaleiro de Câncer, que remonta do costume de algumas regiões da Europa - e também na Sicilia- de moldar Máscaras de cera no rosto dos mortos para preservar sua aparência, hábito antigo que persistiu até o século XVII e deu origem ao Museu Mme. Tussaud's...) para criar uma 'base' para que seu cosmo transforme as ditas máscaras imagens de cabeças decepadas (muito embora, eu ache as representações do mangá e do anime muito mais parecidas com máscaras entalhadas na pedra do que cabeças em si, mas como o fandom fala tanto dessas malditas cabeças, embora eu sinceramente ache que foi mais uma falha de roteiro de MK e cia.). Eu peguei a ideia emprestada de Daga Saar (uma escritora que eu recomendo muitíssimo para los que hablan y leen español), e me pareceu muito mais condizente com esse universo aqui, em particular, do que um servidor de Atena que corta cabeças pra pendurar na parede. Mas todo o resto de escabrosidades ele fez, como moldar máscaras nos rostos das pessoas que assassinou. Mas né, ele agora é um cavaleiro redimido.
3 - Os nomes de Saga e Kanon, nas certidões de nascimento de minhas fics, são Saga e Kanon Tiropoulos. Só pra constar, antes que alguém venha reclamar o nome. Se bem que eu acho que isso é coisa de jardim de infância, mas né, tem gente pra tudo, então...
4 - Nota da autora: Não entendo a chateação, o esmalte é o vermelho clássico da DIOR lindo de morrer. E a ideia... é de uma leitora bacana! Stella de Aquário, taí o Kanon de unha verrrrrmelha! Chique no úrrrtimo! E quanto ao Camus gostar de unhas vermelhas... Sorry, não resisti, é uma piadinha ao fato de que no mangá ele pinta (!) as unhas de verrrrmelho. Homem de unha VERRRMELHA, gente. Como assim não pode e assim não dá, ele nesse universo aqui gosta de mulher de unha vermelha ao invés de matar sua vontade com os próprios dedinhos e um vidro de Rebu. Okey?
5 - O código que eles estão usando na comunicação via rádio é o código internacional Q (disponível na wiki pra vcs darem uma olhada, eu só não coloco o link aqui porque o FFnet é uma chatice pra links). E o aparelho de ponto eletrônico usado pelos cavaleiros é composto por um pequeno aparelho que é encaixado dentro do canal auditivo (de modo a ficar imperceptível ao olho nu, mesmo para pessoas ao seu lado nos casos de aparelhos menores) e um colar indutor colocado em volta do pescoço por baixo da roupa, muito usado por equipes de segurança, espiões e repórteres... Eu realmente não sei se essa tecnologia estava disponível nos anos oitenta (por pesquisas preliminares, acredito que sim mas eu não 'agarantho') mas vamos simplesmente aceitar que, por ser um equipamento fornecido pela S.H.I.E.L.D, nesse caso eles desenvolveram essa tecnologia avançada para a maior discrição possível na comunicação entre seus agentes. Okey? E o mesmo vale para o 'batom' comunicador de Kanon.
Hello people!
E cá estou eu DE VOLTA com mais um capítulo de Sui Generis! Espero que gostem!
E vamos aos agradecimentos a Jules Heartilly, Becky Gemini, Needy, Lum, Stella de Aquário, RavenclawWitch e mais uma leitora linda pro time, Isuzu Behemot! E ela e a Needy resolveram deixar review pros capítulos todos! DILIÇA, DILIÇA, ASSIM VCS ME MATAM! (AHAHAHAHAHA)
BEIJOS BEIJOS pra essas LINDAS todas!
Como sempre, quem tem conta no FFnet recebe meu amor e carinho via PM! Mas de novo e mais uma vez (ehehe) deixo meu muito obrigado aqui pra vocês!
E agora respondendo pra quem não tem conta no FFnet:
- Lum: Então, esse capítulo está BEM inspirado em Ranma, mesmo AHAHAHAHAHAHA! Mas tem como não lembrar do 'homem entre os homens' usando vestidos e até lingerie para ganhar seus desafios em artes marciais, gente! Rumiko Takahashi, sua gênia! E que bom que vc gostou desse capítulo, sério. Fico meio insegura de entrar nesse humor mais 'ranmístico'... Siga acompanhando!
- Needy: Sua LINDA, vc não sabe o quanto eu fiquei FELIZ de receber sua 'chuva' de reviews! Sério, fico ÜBER feliz! E que bom que vc está gostando, e que tenha achado esse capítulo o mais engraçado até agora, viu? E, realmente, eu mesma ri muito imaginando o Ikki apontando a classe do Kanon... Mas confesso que fiquei com medo do Afrodite parecer afeminado demais. Porque ele, apesar de tudo, não é gay: ele é METROSSEXUAL. Okey? E, como sempre, siga lendo e mandando suas reviews! E, como vc pode ver, Kanon está maquiadinho e chiquetésimo, pronto para matar! E SIM, linda, ALCIDE como MdM. Pode morrer!
No mais, gente, o de sempre, stay tuned!
See u all!
PS.: Needy, Becky e Isuzu, calma aí que Skandalón tá quase lá! E atendendo a pedidos egoístas e especiais ahahahahaha!
