A Dominação de Lâminas


Talon sentiu uma lâmina não muito afiada em seu pescoço, tentou olhar para aquele que o encurralava, em vão.

– Tenho algo a te dizer. – Ele tentava pegar sua navalha no bolso da calça enquanto o homem que o cercara o puxava para o canto mais escuro do beco, então o mesmo se descuidou por um momento e Talon conseguiu pegar a navalha. Torceu o braço direito do homem para trás, o empurrou e logo foi encostando-o na parede. Foi fincando a navalha vagarosamente na garganta do homem, vendo formar pequenas bolhas de sangue.

– Espere! – O homem falou em tom de súplica, seus olhos refletiam desespero puro. Sabia que iria morrer, afinal, foi atrás de Talon apenas para ser um informante, e morreria nas mãos dele. – O Alto Comando sabe de você. Querem que você junte-se a eles. – Ele berrou de dor enquanto Talon começava a afundar a navalha. – Caso contrário, te executarão.

Assim que ele acabou de falar, a outra mão de Talon que estava segurando o rosto do homem para o olhá-lo enquanto o matava, pegou um punhal de prata que estava escondido na calça. Traçou a barriga dele horizontalmente, o fazendo cair no chão. Talon chutou-o, com intenção de deitá-lo, e continuou espetando as costas do homem até que não houvesse mais nenhuma gota de sangue a se derramar.

Logo após tal ato, ele deixou o corpo ali mesmo, que os corvos devorassem o resto daquela carne infortuna. Talon decidiu ir comer, Gauthier era um homem com a aparência de uns 50 anos, de estatura baixa, com cabelos apenas do lado das orelhas, havia engordado após a morte da esposa, ele era o dono do bar onde sempre visitava. Desde os 15 anos, Talon comia ali. Gauthier fazia pela metade do preço para ele, e se aproveitava disso. Aparentava ser um dia comum lá, observava a movimentação do ambiente sentado em um lugar afastado de todos. Ele havia tirado o capuz para ser reconhecido por Gauthier, o mesmo que ficava atrás de um balcão como se quisesse se esconder. Havia apenas uma garota que atendia as mesas, se Talon não se enganava, era a filha de Gauthier, logo após a morte de Fluer, sua esposa, o bar havia sido a única fonte de renda. Uma vez que Fluer prestava serviços ao Alto Comando.

– Edmond, será que você ainda lembra-se de suas dívidas? – Um homem de cabelos loiros esverdeados, do qual Talon não se recordara de ter visto ali, encostou-se no balcão e puxou a blusa de Gauthier, ficando centímetros de distância de seu rosto.

– Pai! – Talon ouviu uma voz fina entrando no ambiente. Era a atendente, com duas trançinhas uma de cada lado, o assassino dava no máximo 15 anos para ela. Ela se colocou no meio, tentando impedir o homem, mas pelo o que parecera, ele não estava sozinho. Havia mais dois homens se aproximando perto dele, todos com uma veste exageradamente cara. Seriam homens do Alto Comando?

– Amélia, não se meta nisso. – Dito isso, Gauthier empurrou a garota que caiu sentada no chão. Talon se levantou, e jogou algumas moedas para ele, indo em direção a saída. Amélia se levantou rapidamente, e arrumou os cabelos castanhos claros, e bateu as mãos no vestido azul claro que usava.

– Talon, espera! – Ele se virou novamente para o balcão, ela saiu correndo por de trás de seu pai e de um armário tirou uma caixa de madeira com um pano rosa a cobrindo. – Eu... – Voltou correndo, parecia um pouco exausta. Talon levantou uma sobrancelha quando a garota inclinara o objeto, o oferecendo para ele. – Eu encontrei essa adaga caída no chão. Pensei que você poderia usar... – Ele a viu ficar vermelha. Deu as costas para ela, fazendo com que o sorriso nos lábios morresse.

– Não preciso disso. – Ao dizer, voltou a colocar o capuz roxo e saiu pelas ruas.


Talon continuava vagando, havia seduzido uma garota tola, e roubado seu dinheiro. Adorava assaltar mulheres, além de conseguir sexo, conseguia mais um pouco para sustentar seus vícios. E talvez comprar o terreno que tanto queria. Passou por uma loja onde os mesmos homens do bar de Gauthier estavam. Imediatamente, eles olharam para Talon, e trocaram sinal entre si. Os três homens corriam atrás dele, quando uma fila de homens armados com espadas de mesmas vestes o cercavam. Fizeram um circulo ao seu redor e o assassino se viu encurralado. Ele não pensou duas vezes antes de arrancar o punhal e a navalha, um em cada mão. Era apenas isso que tinha a lutar.

– Irá se juntar a nós, verme? – O homem loiro esverdeado abriu um sorriso irônico enquanto apoiava sua espada no chão.

– Diga ao Alto Comando, que me recuso a servi-los. Caso esteja vivo, óbvio. – Talon falou em bom tom enquanto retirava o capuz roxo da cabeça, olhava nos olhos daquele homem, queria fazer de tudo para que ele se sentisse ameaçado.

Um corajoso atreveu-se a confrontá-lo direto, Talon quebrou seu braço em uma rapidez absurda, enquanto viu outro vindo em sua direção, deu um chute naquele que ainda segurava o braço, o empurrou para o que vinha, fez um traço no rosto daquele, pegando desde a testa, até o queixo, e fincou o punhal no peito dele. Retirou imediatamente a lâmina dentro do corpo do homem, e começou a brincar com os outros três que vinham. Os quatros tentaram ir para cima de Talon, mas ele rolou no chão, perfurando as pernas deles. O loiro esverdeado parecia ser o líder, Talon o deixaria por último. Havia mais cinco homens que tentaram atacá-lo, ele pegou uma espada que havia no chão, e saiu cortando os braços de cada um. Talon olhou para os lados, via apenas corpos se remexendo no chão. A face do único que sobrara estava horrorizada, e assim, em um movimento rápido, Talon apareceu pro trás dele, cortando sua garganta imediatamente, fazendo-o cair, revistou os bolsos dele, retirou de lá um revólver e pegou sua espada ainda fincada ao chão.

Aproximou-se dos quais ainda estavam vivos, e os matava com um tiro na cabeça, enquanto olhava ao rosto do último, uma sensação familiar veio em sua cabeça. Era Gauthier. Ele havia tentado matá-lo junto com aqueles insetos. Não hesitou em dar três tiros bem dados naquele cretino.

– Papai! – Talon ouviu novamente aquela voz fina, seu corpo contraiu. Não queria lidar com uma garota agora. Ela veio correndo com a mesma aparência de mais cedo, as lágrimas já estavam nos olhos, e ao chegar mais perto do corpo de seu pai, caiu de joelhos. – T-Talon... – Ela colocou as mãos a boca aberta, os olhos azuis demonstravam uma dor que o assassino nunca havia sentido. A dor de perder alguém que se ama. – Por que... Por que fez isso com meu pai? – As palavras proferidas por ela saíram como um berro.

Talon olhou para suas vestes cobertas com o sangue dos homens, observou o corpo com um tiro na testa, outro na mandíbula, e o último no peito. Ele havia morrido com a facada nas pernas. Era uma pena, Talon gostava de pagar menos, às vezes até não pagava nada. Olhou dentro dos orbes azuis que escorriam lágrimas sem ao menos piscar, uma imensidão azul. Pegou a arma e encostou-a bem no meio da testa da Amélia.

– T-Talon... N-Não! Eu te amo! – A pupila castanha de Talon dilatou, aquela criança não sabia o que estava falando, pouparia sua dor.

– Irá ser morta por aquele que ama, patético. – Dito isso, puxou o gatilho sem hesitar. Ouviu o corpo ir de encontro ao chão, e virou-se para dar atenção aos outros corpos. Escolhera um local específico para colocar os cadáveres, montou uma pilha em um fosso, perto a cede do Alto Comando. Essa era sua resposta.


RÁ! Postei ainda hoje porque estava com uma criatividade infinita \o/ (Kat vai demorar pra aparecer... e_e) Aproveiteeeeeeeeeeeeeem!

Obrigada

Hiviann