A Dominação de Lâminas


O dia amanhecera novamente em Noxus. Poucos raios solares tocavam seu solo, e por um incrível incidente, lá estava Talon sentando em uma rocha, vendo o mar. Havia andado a noite inteira apenas para chegar naquela praia. O cigarro que acompanhava seus lábios chegava ao fim, soltava a fumaça para cima, brincando com ela. O sol não havia tocado a areia ainda, só existia uma claridade que o assassino achava tediosa demais. Perguntava-se onde iria comer já que havia matado Gauthier. Por um breve momento, sentiu compaixão da garota, mas esse mesmo sentimento se transformou em remorso após as palavras soltas no ar. Olhou para o mar, as ondas naquela época do ano eram calmas, tranquilas. Passavam certa serenidade doentia, quando mais se desejava estar em paz, menos se podia. Esse era seu mundo. Talon havia conseguido um bom dinheiro vendendo aquela espada. Contava todos os dias cada centavo, e faltava pouco. Muito pouco. Sem contar o bolso daqueles outros homens, era ridículo pensar em levar dinheiro quando se vai matar um assassino pobre.

Os raios iluminavam seus fios castanhos curtos, logo após, seus olhos entre abertos e assim partiram para o nariz reto. Talon era um rapaz bonito, moreno não muito escuro, com cabelos castanhos lisos que tanto odiava quando ficavam longos. Alto e tinha bastante musculatura. Não sabia quem puxava, não havia nenhum rosto em sua mente. Às vezes, pegava-se pensando em como seriam seus pais, ainda estariam vivos? E se estivessem? Mataria-os sem sequer hesitar. Observou as ondas se quebrando novamente, gostava bastante daquela praia. Era um lugar esquecido, abandonado. Assim como ele. Talvez algum dia poderia construir uma casa ali... Algum dia. Talon admirava seu egoísmo, admirava ser tão prepotente, ser tão dominador. Ele era um vencedor, nada jamais poderia detê-lo. Dono de um intelecto muito alto, Talon se colocava na frente de qualquer coisa, somente sua vida importava. Poucos sentem aconchego em lâminas, poucos conhecem e admiram o sabor do aço. O assassino tinha inúmeras cicatrizes e feridas, poderia contar cada uma, lembrando como a adquiriu e voltar a sentir como no tal dia. Riu de sua própria desgraça, jogou o final do cigarro no chão e partiu novamente ao submundo de Noxus.

Chegou a sua casa, e analisou suas lâminas. Teria que andar com uma arma maior. Olhou para uma porta de madeira caindo aos pedaços e sorriu. Foi em sua direção, abrindo-a. Retirou de lá mais um revólver e uma espada de formato pouco conhecido. Talon a colocou, cobria sua mão e fazia movimentos de quem daria socos. A lâmina vinha de seu braço, passava pela mão fechada, e seguia mais meio metro. Era linda. Duas pontas, uma mais afiada que a outra. Ao sair do braço, era grossa e ia assim até a primeira ponta. Depois havia uma curva crescente que a afinava, e logo depois, entornando novamente na direção da outra ponta. A distância das duas pontas era parecida com uma pequena foice fechada, decapitar seria fácil com ela. Talon a polia e a afiava. Poderia levá-la também em suas costas, mas queria a mostrar. O sorriso em seus lábios aumentava cada vez mais, estava admirado com a beleza de uma arma. Talon carregaria ela, o punhal de prata no bolso, a navalha em sua jaqueta e o revólver no bolso de trás da calça. Sem contar o facão escondido em sua perna esquerda. Seria sortudo se conseguisse três sacos médios cheios de moeda, caso tivesse, na volta passaria na casa do homem do terreno.

Deitou um pouco em sua cama, fechando seus olhos. Queria descansar, horas e horas vagando em uma cerração, ainda bem que havia apenas visto o nascer do sol e já havia voltado, não pegando assim aquele sol quente na cabeça. Foi pegando no sono lentamente, uma respiração calma e serena se apoderava dele. Um vago flashbackcomeçava em sua mente. Momentos de quando era apenas uma criança, enquanto corria com um colar de ouro na mão, estava morto de fome. Roubara aquilo porque necessitava beber alguma coisa, se não acabaria morrendo de desidratação. O garoto com aparência de cinco anos estava com os ossos inteiros a vista, a pele morena era rala, o cabelo até as costas era enorme. Corria como sua vida dependesse disso, e dependia. Parou perto de uma lixeira, e sentou ali. Tentando descansar, mas seus olhos viram turvo e desmaiou. Sentiu um liquido em seus lábios, sem hesitar, segurou o copo e tomou tudo de uma vez. Havia um par de olhos verdes que o observava, o homem estendeu um pão grande, e deixou uma garrafa de água ali, e assim se foi. Talon acordou suando, não entendia o porquê de lembrar daquilo justo agora, tinha memórias ruins, muito ruins. Levantara-se e virou mais uma garrafa garganta a baixo. Sairia pelas ruas, não iria agüentar ficar dentro de casa tendo quase o valor necessário. Talvez depois de tudo, poderia visitar outras Cidades-Estado. Queria conhecer Freljord, ficar sem o calor de Noxus, sem aquele maldito submundo. Qualquer pessoa o chamaria de um tolo sonhador. Mas para Talon, sonhos eram apenas sonhos, guardados no seu travesseiro. Ele os chamava de objetivos, soava mais realista. Desde quando assassinos pobres tinham sonhos?

Ele vagava sem rumo, arrastando sua espada pelo chão. O assassino estava entediado, havia conseguido dois sacos médios com moedas, se conseguisse apenas mais um... Retirou um cigarro, e o acendeu. Não sabia de certo quando seu vício por tabaco começara, só sabia o quão relaxante era aquela sensação, a fumaça preenchendo seu pulmão era o que confortava sua alma. Seu ser, de dentro a fora, necessitava de alguma droga para sentir aconchego. E foi quando alguém esbarrara nele, derrubando seu cigarro. Seu sangue subiu ao vê-lo caído no chão, mas em um breve momento, viu alguns fios vinho, longos e lisos.

– Ei! Garota! – Talon berrou, e quando ela virou, sua musculatura se contraiu, a boca secou. A face não tão branca, lábios rosados e carnudos, os olhos verdes eram como duas esmeraldas prontas para serem roubadas. Mas seu olhar era intimidado, prepotente. Uma bela presa, bela mesmo. E do jeito que aparecera, sumira. Não era a primeira vez que se sentia deslocado, não era a primeira vez que pensava que não havia um lugar que lhe pertencesse. Ao olhar aquelas pupilas ele via competição, via poder, não era uma máscara. Eram apenas almas sedentas por sangue. Talon continuou andando até que todos que estavam no lugar, formaram um circulo ao seu redor, encurralando-o. Contara quinze homens dessa vez, seria mais divertido. E após acabar, compraria seu terreno.


Cap 3 on! E amanhã já tem o 4 *u*Realmente, tentei descrever a lâmina do Talon, masssssssssss e_ê well, tá aí! OBRIGADA AYAMIN *U* eu espero conseguir atingir o objetivo! Me adiciona sim! *000*

Obrigada

Hiviann