Sesshoumaru & Kagome
Capítulo 2
O grupo estava de novo na estrada à procura de mais fragmentos de jóia depois de uma noite de descanso. Como habitual, Inuyasha guiava o grupo, logo atrás vinha Sango e o monge pervertido. Shippo brincava com a Kirara. Kagome caminhava mais lentamente e parecia estar em pensamentos. A noite agitada não lhe saia da memória, e quando se lembrava do que acontecera na fonte termal, ficava vermelha. No entanto algo a intrigava. Nunca havia visto o Daiyoukai agir daquela forma. Iria perguntar à Sango sobre isso já que ela sabia mais sobre como funcionava o mundo dos demónios. Sem se aperceber começou a ganhar distância do grupo até que alguém apareceu à sua frente a berrar palavras nada gentis.
− Oi, queres parar de nos atrasar idiota! Ainda temos muito terreno para cobrir hoje, por isso toca a andar! – Falou impaciente e furioso.
Kagome simplesmente olhava-o com uma expressão neutra, sem expressão alguma, mas por dentro as palavras doíam-lhe. Desde há um ano atrás que ele começara a ser assim para ela. Chamava-lhe nomes, comparava-a sempre com a Kikyo, e por vezes, sem mais ninguém ver, magoava-a fisicamente. No início começou com pequenas coisas, mas ultimamente as agressões eram maiores e mais violentas. No final ele obrigava-a a usar os seus poderes para se curar por inteiro. Ninguém sabia, excepto o seu filho Shippo. O qual ela havia feito prometer não contar nada por receio à sua vida. Por mais que sofresse não iria deixar ninguém tocar no seu filho.
− Qual é a tua com essa expressão? Estás a ouvir-me sua estúpida? – A sua voz carregava ódio e muita fúria.
Sango e Miroku iam para pôr um fim naquele comportamento, mas a Kagome disse-lhes que não fazendo um gesto com a cabeça. Os dois sempre tentavam intervir, mas a morena sempre lhes dizia para não o fazerem. Já há algum tempo que desconfiavam que algo mais se passava e em conjunto iriam tentar descobrir. Mas a cada discussão que havia, era mais difícil de estar quieto. O tratamento de Inuyasha estava cada vez pior e parecia que até eles estavam a começar a ser alvos da raiva dele.
− Ouvi perfeitamente Inuyasha! – A sua voz baixa, transmitia medo e hesitação.
− Espero bem que sim, porque não vamos parar até ser noite!
E com isso ele voltou ao seu lugar como líder e resumiu-se a caminhar, nem olhando para trás para saber se o seguiam, pois já sabia que eles o iriam fazer sem hesitação alguma.
Desconhecido para eles, alguém os vigiava e encontrava-se no momento num ataque de fúria por assistir ao tratamento que a sua filha recebia da pessoa que devia ser a sua protectora. Parou por um momento, já sabia o que ia fazer para se vingar do hanyou e finalmente fazer a sua filha ver a verdade. Alguns mensageiros que a rodeavam, arrepiaram-se ao verem o pequeno sorriso que aparecia na face da linda Deusa. Alguma coisa em grande iria acontecer no futuro e ela estaria envolvida.
-X-
Num escritório de um castelo pertencente ao Lorde das terras do oeste, Sesshoumaru caminhava de um lado para o outro a pensar na maneira como a sua besta agiu ao ver a sacerdotisa a banhar-se. Não compreendia a razão de querer aquela mulher para companheira por toda a eternidade. Ela era uma simples e fraca humana. Mas a sua besta continuava sempre a insistir que era a ela que queria.
− Estás enganado! – A sua besta mais uma vez incomodava-o por causa dela. – Ela é única! Tu agora não podes ver isso, mas daqui a algum tempo vais perceber o que eu quero dizer!
− Dizes sempre a mesma coisa, mas nunca me dás uma resposta clara! Tu dizes que ela é única… porquê? – Ao ouvir que ela era única, a sua curiosidade foi espicaçada, e agora precisava de saber aquilo que o seu outro eu conhecia e não lhe queria contar.
− Não te posso dizer! Mas porque não tentas tu descobrir isso? Arranja maneira de passar mais tempo com ela e logo verás!
− E como sugeres que eu faça isso?
− Junta-te ao grupo deles! Assim matas dois coelhos numa cajadada só! Conheces Kagome e com sorte elimina-mos Naraku!
Por norma, não ouvia aos disparates que ouvia da sua besta, mas desta vez parecia-lhe sensato o que lhe foi proposto. Iria tentar juntar-se ao grupo do detestável do seu meio-irmão e depois o resto pensaria como fazer.
-X-
− Kagome-chan! – A Sango chamou-a baixinho para o hanyou não ouvir. – Estás bem? Tens estado muito pensativa o dia todo!
− Eu estou bem! – Deu uma pausa antes de continuar – Sango, tu sabes algumas coisas sobre o mundo dos youkai, não é?
− Sim! Porquê?
− O que significa quando os olhos deles começam a mudar de cor?
− É quando as suas bestas, ou o lado mais instintivo tenta tomar controlo do corpo. Normalmente acontece quando estão em fúria, mas também pode acontecer quando alguma fêmea lhes interessa e ficam excitados! Porquê? Não me digas que aconteceu alguma coisa? – Perguntou desconfiada de que tivesse alguma coisa a ver com Inuyasha.
− Ontem à noite eu… − Interrompeu subitamente quando sentiu um fragmento de jóia. – Shikon No Kakera!
Perante eles apareceu um Oni de um tamanho imensurável, possivelmente devido aos efeitos da jóia. O seu primeiro olhar foi para a sacerdotisa que continha mais fragmentos.
− Tu pareces ser deliciosa! – Deu um sorriso malicioso e faminto – Mal posso esperar para te saborear!
Sango e Miroku colocaram-se à frente dela para a proteger. Shippo manteve-se no seu ombro escondido no seu cabelo preto. Kirara mudou para a sua forma maior e colocou-se em posição de ataque. Inuyasha partiu logo para o ataque dizendo que ninguém iria roubar a Jóia dele.
De alguma forma, o demónio de aspecto horrendo conseguiu passar por Inuyasha e a uma velocidade estonteante foi em direcção à sacerdotisa. Sango atirou o seu Hiraikotsu, mas foi uma tentativa fútil já que o Oni mandou-o para longe com o braço. Miroku abriu o seu buraco de vento, mas alguns insectos venenosos que pertenciam ao Naraku foram sugados, obrigando-o a fechar a mão rapidamente.
Kagome via os seus amigos a serem derrubados e terror enchia-lhe o coração. Não iria sobreviver a um ataque do demónio à sua frente. Um pequeno choro e um aperto no cabelo fizeram-na olhar para o seu ombro. Shippo chorava e tremia. Determinação encheu a sua alma. Iria proteger o seu filho com tudo o que tinha. Sem mesmo saber como, criou uma barreira à sua volta. O monstro chocou contra a protecção da miko e repetidamente tentava quebrá-la com murros atrás de murros. Inuyasha saltou de novo em acção, mas uma braçada do Oni mandou-o para longe, fazendo-o ficar inconsciente por ter embatido numa árvore. Sango e Kirara atacaram de novo mas também foram postas inconscientes. Miroku não se conseguia mexer e com a visão bassa devido ao veneno, via a barreira da amiga começar a quebrar contra a pressão.
Kagome estava a ficar exausta pela quantidade de energia que estava a utilizar. Pouco a pouco a barreira enfraqueceu, até que quebrou por completo, deixando-os desprotegidos. Um terror tão grande encheu o corpo da morena, que ela abraçou fortemente Shippo e fechando os olhos esperou pela morte certa.
− Patético! – Uma voz fria e indiferente comentou – Fraca demais para merecer o título de miko!
− Sesshoumaru! – Kagome abriu os olhos e espantou-se ao ver à sua frente Sesshoumaru a defendê-la do Oni. Os olhos dourados observavam-na atentamente como se estivessem a avaliar a sua condição. O demónio deu um rugido e voltou a atacar, desta vez sendo Sesshoumaru o alvo. Com o seu chicote venenoso, o Daiyoukai eliminou-o em questões de segundos.
− Estás bem Shippo?
− Sim, mama! E tu?
− Também! – Ofereceu-lhe um sorriso e em seguida levantou-se do chão para fazer uma pequena vénia de agradecimento – Obrigada Sesshoumaru-sama!
O homem de cabelos prata simplesmente a mirava e quando ia para falar alguma coisa, Inuyasha finalmente consciente, começou a berrar para o seu irmão. Sango e Kirara que também já haviam recobrado a consciência, tentavam ajudar o monge a levantar-se.
− O que estás aqui a fazer Sesshoumaru? – Perguntou Inuyasha já com a mão no punho da sua espada.
− Venho para apresentar-vos uma proposta que beneficiará os dois grupos!
− Não quero ouvir nada que venha de ti! – O Hanyou nem esperou para ouvir mais.
− Mas pode ser algo que nos interesse Inuyasha! – Comentou Kagome.
− Eu também quero ouvir! Oportunidades únicas não se devem desperdiçar! – Falou de seguida Miroku.
− Eu não preciso da tua permissão para falar hanyou desprezível! – Sesshoumaru lançou-lhe um olhar feroz que prometia muita dor no futuro – Eu quero propor-vos a união dos nossos grupos!
Capítulo 3
