Um duelo ocorria numa clareira. Um Daiyoukai e um hanyou combatiam pela posição de Alfa. Quem assistia abanava negativamente a cabeça pela infantilidade e atitude impaciente do Inuyasha. Claramente que era Sesshoumaru quem tinha a vantagem.
Kagome pensava na mudança que seria se Sesshoumaru ficasse como Alfa do grupo. Podia ser que Inuyasha parasse com o tratamento que lhe tem dado. Suspirou. No fundo ela sabia, que havia coisas que não mudariam. Era bem provável que piorasse. Tremeu só de pensar nessa hipótese. Havia prometido ficar ao lado dele há dois anos atrás e era por causa disso que ainda ali estava. Uma pequena esperança ainda lhe dizia que ele podia vir a amá-la. Mas a parte racional dizia-lhe que era inútil esperar, pois o seu grande amor era a Kikyo. A maior parte das vezes sentia-se uma tola e uma idiota por suportar tal desilusão que lhe deixou o coração em pequenos cacos.
Um estrondo tirou-a dos seus devaneios. Inuyasha encontrava-se no chão com uma mão no pescoço que o impedia de se levantar.
− Submete-te! Não há dúvidas de que eu sou Alfa! – Vendo que o hanyou não o fazia – Deixou que a sua besta tomasse controlo por alguns minutos. Ficando apenas com os olhos vermelhos, a besta rosnou em linguagem Inu. Inuyasha vendo que não tinha escolha submeteu-se. Assim que Sesshoumaru tirou a mão do seu pescoço, levantou-se e foi para a floresta com uma expressão de raiva.
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A mãe de Kagome sorria com os novos desenvolvimentos. Algo lhe dizia que o Daiyoukai seria importante para o seu plano. Provavelmente até conseguia fazer com que a sua filha ficasse com um companheiro digno para o resto da sua vida. Estava na altura de pôr os seus planos em prática e iria começar por mostrar o verdadeiro Inuyasha à Kagome.
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Já era de noite e os Taishi preparavam o acampamento para descansarem e comerem. Inuyasha ainda não tinha retornado deixando os outros preocupados. Sesshoumaru que havia ido buscar os seus companheiros de viagem, retornou antes do pôr-do-sol, ordenando que acampassem ali. Rin brincava com Shippo, Jaken estava sentado, encostado ao dragão de duas cabeças. Miroku, Sango e Kagome conversavam enquanto esperavam que o novo Alfa do grupo viesse com a comida.
− Vocês não acham estranho que o Sesshoumaru queira a união dos grupos? – Falou Miroku – Não é que me esteja a queixar, mas depois de tanto tempo à caça de Naraku, só agora é que teve interesse em juntar forças?
− Eu entendo o que queres dizer, mas neste momento não podemos criar problemas por causa disso, visto que a força dele é importante para a derrota de Naraku! – Retorquiu sango – O que é que achas Kagome? – Kagome estava distraída a olhar para algum ponto na floresta – O que é que foi?
Sango e Miroku olharam para o mesmo sítio que ela e ficaram apreensivos quando viram os shinidama da Kikyo. Ficaram confusos quando viram a Kagome a levantar-se e olhar para eles com um sorriso triste.
− Eu vou até lá! Acho que tenho que ver com os meus próprios olhos a verdade que eu sempre soube e nunca quis acreditar!
Sem mais palavras caminhou na direcção das luzes, calmamente e a pensar no que fazer quando os visse. Devagar e com cuidado para não fazer barulho, escondeu-se atrás de uma das árvores que eram grandes o suficiente para a esconder.
O seu coração não estava preparado para o que ia ver. Os dois estavam num enlaço de amor. Completamente nus, a devorarem-se um ao outro com beijos e movimentos.
− Amo-te tanto Kikyo! És a única que sempre amei e vou amar!
− E a minha reencarnação? – Perguntou sufocante.
− É simplesmente uma humana inútil que apenas serve para ver os Shikon no Kakera. Assim que tivermos a Jóia completa nas mãos, eu obrigo-a a fazer o desejo que queremos e depois matamo-la.
− E os restantes do teu grupo? Eles não serão tão fáceis de convencer de que a morte dela foi causada por outra coisa!
− Se for preciso seguem o mesmo destino que Kagome! – Respondeu com um sorriso perverso, enquanto aumentava a força e a rapidez dos movimentos.
Kagome sentia-se enojada com aquela visão. O seu coração estava completamente desfeito depois de ouvir a confissão de Inuyasha. Lágrimas assaltavam-lhe o rosto como uma torneira aberta. As pernas tremiam tanto que mexê-las parecia uma missão impossível. Teria de sair rapidamente dali sem que a notassem. Precisava de pensar num plano para proteger o seu filho e os seus amigos.
Assim que estava a uma distância segura, correu para o acampamento. Antes que eles notassem a sua presença, limpou as lágrimas e caminhando calmamente entrou no campo apenas para ser interrogada com olhares apreensivos e confusos.
− Kagome? – A Sango estava com receio de que a amiga tivesse quebrado por completo. Era óbvio que o hanyou estava com a kikyo. No entanto a falta de emoções na face da morena, mostrava que era pior do que ela pensava. Desta vez até a alma parecia estar a morrer.
− Está tudo bem! – Deu um sorriso vazio e foi-se sentar junto ao lume para comer alguma coisa.
− Miko! – Chamou a atenção dela – Para a próxima pedes autorização para sair daqui! Eu não quero ter que andar a salvar-te pelas tuas irresponsabilidades.
Sango ia para berrar alguma coisa mas uma mão tapou-lhe a boca.
− Não digas nada Sango! Kagome não parece estar em condições para ouvir discussões agora! – Ouvir o nome da amiga-irmã acalmou um pouco a sua raiva. Mas não iria deixar que o Daiyoukai a tratasse daquela maneira. Já bastava Inuyasha com os seus insultos e comparações irritantes.
− Sim, Sesshoumaru-sama! – Kagome respondeu praticamente sem emoção alguma para depois preparar o saco-cama para ir dormir mais o Shippo. A pequena raposa olhava tristemente para a rapariga que chamava de mãe. Nunca a vira tão sem vida como agora. Alguma coisa séria aconteceu quando ela foi à floresta. Não iria perguntar nada, iria apenas confortá-la na melhor maneira que sabia.
− Mama, vamos dormir?
− Sim! – Sorriu-lhe carinhosamente e afectuosamente. Por mais dor que sentisse naquele momento, nunca iria dar sorrisos sem significado para o menino que considerava seu filho.
Deitaram-se e depressa adormeceram num embraço de mãe e filho.
