Capítulo 4

De novo na clareira em que já estivera antes, Kagome vira-se a sentar ao lado da mulher que se dizia sua mãe. Não sentia nada, a sua alma estava completamente quebrada em dois. A linda paisagem não lhe trazia alegria ou fascínio. Para ela era tudo parte de um vazio negro cheio de falsas belezas e espinhos bem colocados para magoarem quando menos se esperava.

− Minha filha!

A pobre Deusa já estava arrependida do que tivera feito. O estado deplorável da sua filha eram autênticas facadas de dor que ela própria havia causado. Os olhos normalmente cheios de vida, pareciam dois poços negros vazios, sem uma única emoção neles.

− O que é que eu estou a fazer aqui? – A voz vazia e indiferente causaram uma dor ainda maior no coração de Tsukuyomi.

− Isso é óbvio minha querida! Eu chamei-te aqui!

− Para quê?

− Para saber se já acreditas no que te disse. E também para esqueceres esse amor irracional que tens pelo hanyou!

− Ele chama-se Inuyasha!

A linda Deusa sentia-se enfurecida pelo que Kagome acabara de fazer. Defender quem a magoara profundamente ao ponto de nem deixar um pingo de felicidade no seu coração. A raiva que sentia pelo hanyou aumentou ainda mais. O maldito conseguira fazer uma lavagem cerebral à sua pobre filha e agora era este o resultado.

Kagome dava-se consigo a pensar porque raios defendia Inuyasha. Já não sabia o que estava a dizer, ou aquilo que o seu coração sentia. Estava confusa e magoada demais para pensar completamente bem.

− Ainda defendes aquele animal depois de eu te ter mostrado o canalha que ele realmente é? – A mulher colocou a mão sobre a própria boca depois de ter percebido o que havia dito. Olhou rapidamente para Kagome e sentiu-se uma idiota de primeira por estragar ainda mais as suas hipóteses de reconciliação com ela.

− O que é que disseste? – A sua voz saia como um murmúrio. – Foste tu que fizeste aquilo? – Algo inexplicável saiu da sua voz. Esperança. – Isso quer dizer que Inuyasha ainda pode vir a me amar!

Tsukuyomi ficou completamente atónita com que ouvira. Parecia que a sua filha estava pior do que parecia. O maldito merecia a morte pelo que lhe fizera e não iria descansar até o conseguir. Enquanto isso Kagome sentia-se mais feliz pela possibilidade de ter a vir Inuyasha ao seu lado para sempre. Nos seus próprios pensamentos não notou quando a Deusa que estava sentada até agora, levantou-se com olhos mortíferos, uma aura aterradora e aproximou-se dela.

− Kagome! – A sua voz possuía um tom etéreo característico de uma divindade como ela. Kagome sentiu-se pequena perante um olhar tão severo e mortal. Engoliu em seco. Sentia-se completamente medrosa perante a mulher que dizia ser sua mãe. – Como minha filha e herdeira do meu trono, irás comportar-te como a mulher ajuizada e poderosa que és! Eu não vou permitir que um hanyou maldito destrua o que eu tenho de mais precioso. – Aproximou-se ainda mais e deu-lhe um beijo na testa, deixando lá marcada uma lua crescente da mesma cor que a sua. – Tirei o selo apenas a metade dos teus poderes. Irei remover-te o selo por completo quando fores digna para isso!

Kagome tremia, o seu corpo inteiro estremecia com os batimentos cardíacos tão acelerados. Um medo inexplicável percorria-lhe o sangue quente. Quando viu a Deusa a aproximar-se pensou que iria ser a sua morte. Mas ficou abismada quando esta lhe deu um beijo maternal na testa. Ficou ainda mais surpresa quando ouvira que tinha agora metade do seus poderes sem selo. Antes que pudesse pensar mais na situação viu-se a acordar repentinamente para dar de caras com um Daiyoukai que a olhava curioso e olhos de quem a vira pela primeira vez.

− O que foi Sesshoumaru?

− Tu não és uma simples miko! – Calou-se ao ver que os outros acordaram e que um certo hanyou os observava atentamente. Antes de se levantar para ir caçar, lançou um último olhar para a morena e murmurou-lhe apenas para ela ouvir – É melhor que escondas a marca na tua testa!

Kagome rapidamente agarrou num espelho que tinha na sua mochila amarela para ver a sua testa. Os seus olhos arregalaram-se quando viu uma lua crescente igual à da mulher dos seus sonhos. Os olhos abriram-se ainda mais quando se apercebeu que afinal, tudo o que ela lhe havia dito era verdade. Depressa fez a marca desaparecer para poder iniciar o seu dia.

-X-

Sesshoumaru pensava na Kagome enquanto caçava. Aquela rapariga não era quem dizia ser e a sua curiosidade estava a ficar cada vez mais espicaçada. Ainda se lembrava da energia que havia sentido antes dela acordar. A sua besta tinha razão. Ela era única. Agora só faltava descobrir o que ela era exactamente e o que significava aquela lua tão parecida com a dele.