Ada acordou bem mais cedo que Leon. Saiu das cobertas de fininho para não acordá-lo, foi até o armário e escolheu algo para vestir, um jeans justo, os pares de botas e a blusa grossa de lã por cima, que a deixava sempre com um ombro de fora mas o suficiente para aquele dia frio. Desceu as escadas e preparou a mamadeira de Philip, sentia-se horrível pelo que fez na noite anterior, fingindo pegar no sono e deixando Leon somente na expectativa daquela maneira. Decidiu fazer algo mais para ajudá-lo durante o dia.
Foi até o quarto do bebê e o encontrou acordado, trocou sua fralda e o entregou a mamadeira. Perdeu alguns minutos assistindo o pequeno comer e depois disso, desceram juntos até a sala. Ela percebeu que o menino estava louco para dar seus primeiros passos, e nessa idade já poderia estar andando. Lembrou que para todos os efeitos, a mãe da criança esteve fora por três meses, e tudo o que ele teve foi uma amiga da família, um adolescente e um pai muito ocupado. Talvez pudesse ajudar nisso.
Deixou Philip de pé segurando na beirada do sofá e afastou-se um pouco, não muito, estendendo as mãos para ele. "– Vem rapaz. É fácil. Vem?"
O menino piscou os olhos apertadinhos algumas vezes, fez menção de se mover, mas quando viu que não poderia mais se apoiar no sofá mudou de ideia.
"– Ah... não. Sem medo, eu estou pertinho, olha as minhas mãos aqui... vem..."
Ele se abaixou, provavelmente pensando em engatinhar.
"– Não!" – ela o repreendeu. "– Neném anda! Vem, no pezinho." – Por alguns segundos pensou se não tinha soado muito dura com ele, afinal, ele pareceu assustado no começo. Mas sua surpresa foi justamente quando ele mudou para uma expressão determinada, rapidamente deu um passo e soltou do sofá, com o segundo passo imediatamente após o primeiro, chegou até ela. "– Isso! Viu só? Você conseguiu." – Foi muito rápido e foram apenas dois passos, mas ela se sentia orgulhosa de si mesma, pois o fez perder o medo de soltar do apoio.
Deixou escapar um sorriso pensando em que tipo de mãe ela seria afinal, se seria muito dura, muito exigente. Pensou também em como ela seria como uma instrutora de artes marciais... Chegou à conclusão de que provavelmente sim, contudo, observando aquelas crianças, vislumbrou uma Ada não tão carrasco quando imaginou que pudesse ser um dia, afinal eles pareciam gostar dela, e segundo Leon, ela tinha alunos que a adoravam.
Preferiu não ficar pensando mais nisso. Apenas deixou que Philip segurasse novamente no sofá e repetiu a dose, dessa vez o fazendo trocar três passos. Foi quando Scott entrou porta adentro.
"– Mãe? Bom dia."
Ele pareceu assustado, Ada se perguntou se por um acaso ela estar colocando um bebê para andar parecia algo tão amedrontador.
"– Bom dia."
"– Eu... estava pondo o lixo para fora."
"– Ok, Bonitinho." – Ela respondeu espontaneamente como um deboche, achando a atitude dele um pouco suspeita, afinal, ela não perguntou ou mostrou qualquer interesse no que ele estava fazendo para que ele viesse assim, contando. E segundo, porque se flagrou chamando o filho do Bonitão de Bonitinho assim tão naturalmente.
"– Posso ajudar?" – O rapaz ofereceu sentando-se de frente para ela.
"– Deve." – Respondeu Ada.
Imediatamente começaram uma atividade que para o pequeno Philip parecia mais uma diversão do que qualquer outra coisa. Onde o irmão o jogava para o colo da mãe e vice-versa e no meio desse caminho, ele trocava dois ou três passos, uma ou outra vez, quatro passinhos.
Philip ria alto, e não demorou muito tempo para que Leon descesse as escadas. Ada o observou ali, escorado no corrimão, observando-os. E ela mesma não conseguia evitar olhar para ele. Leon estava de banho tomado e a blusa de frio branca lhe caía maravilhosamente bem, sim, ele era um homem lindo, cheio de outras tantas qualidades, e ela, sempre o amou... estar em uma situação como essa, era algo que se tornava cada dia mais embaraçosa, e Ada já não sabia mais o que fazer.
"– Scott, o lixo já está la fora? Posso levar?"
"– Já pai."
Leon saiu e Ada divagou novamente, aquele rapazinho diante dela realmente existia, tinha muito dela nele, porém mais no aspecto físico... O jeito de andar, falar, de franzir as sobrancelhas... tudo nele lembrava o pai. E esse mesmo rapazinho a chamou de mãe... Ela não sabia dizer o que sentia quanto a isso e enquanto tentava descobrir, foi interrompida pelo estrondo da porta da frente sendo quase arrebentada num chute.
"– Scott!" – Leon gritou.
O rapaz deu um salto e não respondeu. Leon continuou: "– Que porra é essa?!".
A voz de Leon era fria e pausada, contudo muito alta e grave, quase como o rugido de um leão. Ada viu o que ele tinha em mãos, o pequeno plástico transparente e o punhadinho da erva que estava lá. Ela olhou novamente para Scott, o rapaz mostrava mais que nunca que era filho de uma asiática mestiça e um branco, com os olhos arregalados, maiores do que qualquer chinês poderia ter, e seus olhos brilhavam tanto que chegaram a mostrar que eram definitivamente mais verdes do que os da mãe algum dia chegaram a ser. "Então é isso, Tenente Kennedy, hoje vou assistir você fazer uma batida por porte de maconha num adolescente, mesmo quando ele é o seu próprio filho... com direito a palavrão e tudo."
Ada sentiu um toque de curiosidade e até achou graça no primeiro momento, até que a voz de Scott a chamou a realidade.
"– Não é meu..." – Ele tinha os olhos rasos d'água e estava apavorado.
"– E porque estava no seu lixo?" – Perguntou Leon dando dois passos para frente.
"– Não é meu..." – Respondeu dando dois passos para trás
"– Scott... eu..." – Leon fechou os olhos e tentou se controlar, respirou fundo se preparando para dizer algo.
"– Não é meu pai!" – O menino já estava chorando.
Ada pôde ver ambos com a face vermelha, Leon de raiva e visivelmente decepcionado. Scott de vergonha, e desespero por ter desapontado o pai.
"– Eu preciso saber quem te vendeu isso, Scott..." – O policial tinha a vou baixa agora, mas terrivelmente ameaçadora. – "– Ou você me conta, ou...".
"– Ninguém, eu não comprei, eu juro."
"– Então me fala o nome de quem te deu! Há quanto tempo você tá usando isso, Scott?"
"– Eu não uso, eu já disse que não é meu!"
Ada estava de pé com um bebê assustado no colo, Philip a abraçava forte e escondia o rostinho contra o seu pescoço. Dalí ela assistia a cena, Leon tentava a todo custo conter sua ira, pois dessa vez não se tratava de um adolescente qualquer, era o seu próprio filho e do outro lado estava o rapazinho escolhido contra a parede e o que é pior, parecia estar falando a verdade. Independente do que fosse essa realidade que estava vivendo, uma coisa é certa, ela foi uma espiã, já trabalhou para gente muito perigosa, já participou de várias sessões de tortura, inclusive, já foi torturada... Se tem algo que ela aprendeu muito bem, foi a perceber uma mentira e não seria um adolescente de quatorze anos que a enganaria por causa de um punhado de maconha.
"Se não é dele, ele não usa, não comprou... nem ganhou... então isso só pode...".
Leon parecia ter perdido a cabeça e finalmente berrou: "– Me fala quem foi o filho da puta que te vendeu essa porra Scott!"
"– Leon!" – O policial estava partindo para cima do menino quando ela o parou, segurando-o pelo braço e em seguida tocando-o no peito.
"– É o meu filho de quatorze anos, Ada... Eu vou pegar o desgraçado que fez isso e vou..."
" – Leon, não é dele." – disse Ada bastante calma.
" – O quê?"
" – Ele está protegendo alguém. Pense, se ele usasse, por que jogaria no lixo? Mais ainda, porque usaria aqui dentro, com um pai policial? Dá para perceber que ele não é um menino burro o suficiente para ser pego assim... Ao mesmo tempo, ele está muito nervoso e com muito remorso para ser inocente. Ele conhece o dono..."
A expressão de desespero em Scott aumentou, e Ada teve certeza.
Leon bufou e caminhou de um lado para o outro, olhando severamente para o menino e algumas vezes, para Ada também. " – Sobe rapazinho! No seu quarto! Anda!"
Scott não ousou questionar o pai, apenas obedeceu subindo as escadas na frente. Ada olhou para os lados e avistou um cercadinho no canto da sala, colocou o bebê lá dentro e subiu atrás dos dois.
" – Abre o Facebook, e-mail, Skype... anda abre a porra toda!"
" – Mas... pai..."
" – Anda logo Scott."
Vencido, o menino sentou em frente ao computador e fez o que o pai mandou.
" – Agora levanta e vai pra parede. Fica olhando para a parede!" – Leon foi com o menino e ficou ao lado dele, no outro canto do quarto – " – Ada vasculha isso daí."
Ela podia não entender nada de criação de filhos, mas sabia muito bem no que Leon estava pensando. Seu primeiro filho, um adolescente tão amável, tão próximo a ele, tão querido, estava escondendo um segredo dele pela primeira vez, para proteger uma outra pessoa que poderia sim, ser só um adolescente sem juízo, mas também poderia estar metido com gente de caráter duvidoso, traficantes, poderia estar devendo dinheiro, dentre tantas outras opções nesse leque de possibilidades. Scott ainda era uma criança.
Longos minutos se passaram até que Ada olhasse o perfil do menino no Twitter e no Facebook, lesse as mensagens e os e-mails mais recentes por alto. Ela podia também escutar o rapazinho soluçar enquanto ela o fazia. Quando terminou ambos olharam para ela.
" – Mãe... por favor..."
" – Cala a boca, Scott!" – Disse Leon. – " – E então, achou alguma coisa?" – Perguntou para a ex-espiã.
Ada estava calma, mas sabia que Leon não se acalmaria tão fácil. Estava pisando em ovos ali, se simplesmente contasse o que viu, com aquele menino suplicando para que ela não falasse poderia criar um mal estar horrível entre os três. Um adolescente tão calmo e amoroso poderia se tornar rebelde... Ela sabia muito bem o quanto as questões do coração podiam mudar uma pessoa.
" – Leon..." – Ela o tocou no rosto, suavemente – " – Me deixa uns minutinhos a sós com ele? Por favor."
Leon revirou os olhos azuis pensando se deveria ou não sair Dalí.. então lembrou que Ada Wong, não importa em que estado, nunca dá ponto sem nó. " – Eu vou abastecer o Jipe, volto em meia hora.". Virou as costas e saiu.
" – Senta ali Scott." – Ada apontou para a cama, calmamente. Sentando-se ao lado dele logo após. " – Há quanto tempo vocês estão juntos?"
" – Quatro meses."
" – Você gosta dela, não é?" – Ela nem precisou escutar uma resposta, o menino ficou vermelho feito um pimentão. " – Scott, eu não vou contar nada que você não me autorize a contar... Mas eu sinceramente te aconselho a conversar com o seu pai."
"- Não dá, ele vai querer saber quem ela é, com quem ela anda e... e vai querer que a gente termine."
" – Scott, eu não preciso te dizer, você provavelmente já sabe, aquele homem lá fora te ama mais do que tudo no mundo, e você pode acreditar em mim... ele tem um coração enorme e sabe dar as pessoas uma segunda chance, eu sei disso melhor do que ninguém. Se algum dia ele te disser que você deve ficar longe dessa moça... é porque definitivamente ela não é boa pra você."
" – Ela é boa! Ela me entregou o que ela tinha, eu joguei fora, ela disse que não vai fazer mais."
" – Então não há motivos para você esconde-la do seu pai. Eu vou te contar um segredo... Eu mesma não era muito flor que se cheire quando eu conheci o seu pai..."
" – Você usava também?"
" – Não!" – Ada viu que falou alto pela primeira vez. " – Não..." – Repetiu, no seu tom de voz habitual. " – Eu... sonegava imposto quando cheguei na América..." – Foi a primeira coisa que passou pela cabeça...- " – Eu pensava muito em dinheiro e... fiz algumas coisas feias por isso. Ainda bem que eu conheci o seu pai bem jovem e por causa dele eu mudei muito, eu não gosto de imaginar no que eu teria me tornado sem ele. " - Ada tocou no rapaz pela primeira vez, segurando-o suavemente pelo queixo - " - Scott, dois conselhos. Nunca vire as costas para o seu pai, nunca. E por ultimo, uma mulher que não esteja disposta a ser uma pessoa melhor para estar ao seu lado, não te merece, não é certa pra você."
" – Tá, eu vou contar..."
Ela deixou escapar um sorriso de canto e deixou o quarto, Leon já subia as escadas rumo ao quarto do menino, ela pisou um olho de maneira cúmplice e se afastou para o mais longe possível, então pai e filho conversariam a sós. Jo estava acordada e esperava na cozinha chamando por alguém que lhe fizesse um leite achocolatado.
Fazia muito tempo que vira seus cabelos assim tão longos, quase na altura dos ombros. Usou um pano para tirar o embaçado do espelho após o banho. Abriu as gavetas e encontrou uma tesoura. Apertou um pouco mais a toalha que tinha enrolada no corpo e começou a cortar as mechas escuras, quando estava curto o suficiente, do jeito que gostava, guardou a tesoura limpou a bagunça e partiu rumo ao closet. Lá encontrou Leon uniformizado, amarrando as botas sentado em uma cadeira.
Mordeu o lábio inferior suavemente enquanto o assistia terminar de se arrumar. Eis ali um dos seus fetiches mais secretos, o seu adorável Leon, de farda. Dessa vez não tinha mais o "R.P.D.", mas era uma farda preta com o escudo da NYPD. Ela não disfarçou o sorriso quando ele ergueu os olhos e a viu só de toalha.
Ele estendeu as mãos para que ela fosse até ele, depois puxando-a para o seu colo.
"-Você se lembra de mim... mas me olha como se não me visse todos os dias nos últimos quinze anos."
Porque eu não vi... " – Você fica lindo de farda." – Ela o beijou. E quando suas línguas se entrelaçaram num beijo morno e molhado, ela pensou: Você não me beija como um homem que beija a mesma mulher todos os dias há quinze anos...
" – Você fica linda, assim úmida... só de toalha. Não... você fica ainda mais linda, úmida... sem essa toalha..."
" – Nem pense em tirar essa farda!"
Dito isso, ele a beijou mais uma vez, com mais desejo que da ultima, e com apenas uma das mãos, puxou a toalha do corpo menor, apalpando-o sem pudor. Pôs-se de pé fazendo com que ela o envolvesse pela cintura com as pernas, encostando-a contra a porta do armário. Rosnou quando cravou os dedos nas nádegas dela. " – Três meses dormindo, Ada... E esse rabo continua perfeito."
Ada gemeu, sem saber se foi pelo amasso, pela pegada no traseiro ou pelo susto. - Rabo? Desde quando ele fala assim? - Ela podia sentir o próprio corpo pulsar lá em baixo, e sabia que a essa altura, estava simplesmente encharcada.
" – Que pena... você não se lembrar das tantas vezes que a gente trepou de pé aqui nesse armário!"
Foi quase um reflexo ela fechar mais as coxas em volta dele fazendo com que seus quadris se unissem ainda mais. - Puta merda, Leon!.- Então foi isso que a bendita intimidade trouxe para eles? Um Leon desbocado, provavelmente bem mais safado? Não que antes suas memórias fossem de um sexo insosso, pelo contrario... mas em suas memórias Leon parecia sempre segurar algo de mais selvagem dentro dele, agora ela sabia, provavelmente por medo de ofende-la já que ela sempre teve uma posição dominante nos seus encontros tão esporádicos.
" – Amanhã... quando eu voltar..."
" – Não!" – Ada o interrompeu. Nisso Leon parecia não ter mudado. E daí que faziam três meses? Não queria romantismo, queria Leon e queria agora. – " – Nada de amanhã... você vai me foder agora!"
Enquanto Leon perdia os mais longos segundos de duas vidas tentando desafivelar o cinto, a campainha tocou, fazendo-o soltar um longo suspiro de decepção. " – Oh... merda. É Mia." – Ele desistiu do cinto e deixou que Ada ficasse novamente de pé. " – Ela vai ser a sua companhia essa noite."
" – É sua amiga?"
" – Não, sua amiga."
Ada arfou – "- Então quem tem uma amiga empata foda sou eu?" – Mais uma novidade, eu tenho uma amiga...
Leon riu alto. " – Bem feito. É castigo pelo que você fez comigo ontem a noite." - Ele a beijou uma ultima vez antes de deixa-la ali. – " – Troca de roupa rápido, Querida. A tempo de me levar até a porta. Hã? Eu te amo."
Ela apenas soltou o mais frustrado e insatisfeito suspiro. Ela já sentia inclusive o frio incomoda-la. Quando o viu finalmente sair, se flagrou pensando em quantos pedaços poderia esquartejar essa tal de Mia se quem fosse descoberta.
Continua...
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