Ada revirou na cama por um bom tempo até finalmente pegar no sono, o motivo para sua insônia eram muitos, e para piorar uma pulga foi posta atrás de sua orelha, e essa pulga se chamava Mia. Nunca foi ciumenta, muito menos irracional, sendo assim analisou os fatos antes de tirar conclusões ou levantar suspeitas.

Ninguém poderia adivinhar que ela acordaria desmemoriada de um coma, e segundo o médico, ainda é muito cedo para dizer se o quadro é irreversível... Portanto, seja lá o que tenha acontecido, foi algo "perdoado", e posto para trás, inclusive por ela. E quanto a Leon... Bem, ele perdoou ter sido enganado em Raccoon, perdoou ela ser uma espiã, ele sabia do que ela foi capaz de fazer com o John, e provavelmente ele a perdoou muitas outras coisas sobre o seu passado que ela nem sabe se contou a ele, ou não. Ele não apenas a perdoou, como mergulhou de cabeça em um relacionamento com ele, com direito a casamento e filhos... e tomou uma decisão assim por causa de uma mulher que ele conheceu por menos de vinte e quatro horas e que nesse tempo, deu mais de uma prova de mau caratismo.

" – Oh..." – Suspirou longamente, quase como um lamento. Teria sido ela capaz de perdoar um "escorregão" de Leon, simplesmente pelo fato de que um dia, ele também a perdoou? Só de imaginar tal hipótese, Ada sentia o coração apertar.

A suposta vida que tinha em suas memórias, se tornavam cada dia mais distantes e mais confusas, como se fossem borradas e apagadas aos poucos... mas mesmo assim, podia vislumbrar, que nunca um sentimento como aquele se apossou de seu coração. Nunca se importou com o fato de Leon buscar outras mulheres, nunca se sentiu no direito de cobrar exclusividade dele, afinal, eram meses, muitas vezes anos sem se ver e sem qualquer contato. Ela mesma teve suas... "distrações" aqui e ali... Leon e ela não eram namorados, apenas se amavam, não tinham rotina, nem vida juntos, não tinham nada apenas amor, nada mais e "complicado" era a única palavra clara o suficiente para traduzir aquele relacionamento. Mas agora... eles estavam juntos, largaram tudo para trás e pelo que pôde perceber, eram um casal feliz e apaixonado... Nem mesmo Ada Wong seria capaz de trair sob essas circunstâncias, por quê Leon seria?

E Mia? Que justificativa teria para perdoa-la? Esse era a mulher que agora estava lá em baixo dando café da manha para os seus três filhos, era a mulher que carregava o título de "sua melhor amiga", era sua sócia na academia...

" – Não... não pode ter sido isso..." – Ela pensou. " – Mas então, o que foi?"

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Philip estava demasiadamente fofo com roupinhas de inverno, botinhas e gorrinho, Scott o segurava pelas mãos e o fazia trocar passinhos até o carro. Ada estava sentada no banco do carona e observava os três filhos se acomodarem no banco de trás, Scott colocou o irmão mais novo na cadeirinha e afivelou o cinto de Jo, feito isso, colocou os fones de ouvido e e se fechou no mundo de seu smartphone, provavelmente trocando mensagens com a "namorada".

" – Aquele lugar está uma bagunça sem você!" – Disse Mia esbaforida enquanto tomava o volante do Volvo. – " – Eu tenho feito o meu melhor, acredite, mas você faz falta. Todos nós não vemos a hora de você voltar a trabalhar."

Ada queria aquilo desde que Leon a contou sobre o seu trabalho, queria ir lá e ver como tudo funcionava, com os próprios olhos. Quando pensou em pedir, Mia pareceu ler seus pensamentos e fez a oferta antes. Quando chegaram ao seu destino, Scott e Jo prontamente pularam para fora do carro. Perdeu alguns segundos observando o local, toda a área externa estava coberta de neve, e na casa de dois andares ela podia ver o entra e sai de pessoas, principalmente jovens.

Tomou Philip nos braços e pôs-se a acompanhar Mia. No primeiro andar tinha a recepção com três recepcionistas, dois rapazes bem robustos e uma moça que a cumprimentaram com visível alegria. Logo adiante, as salas envidraçadas onde aconteciam as aulas de musculação, spinning, aeróbica, alongamento e etc... Caminhando mais ao fundo três salas cobertas por um tatame azul, foram as únicas em que Mia interrompeu a aula.

" – Sensei Antônio, quem ministra as aulas de Jiu-Jitsu." – Ela apresentou o homem moreno bem escuro, enorme de forte com traços bem marcantes, nariz e lábios bem largos, cabeça raspada, as orelhas deformadas, mas que apesar da cara de malvado, em menos de cinco minutos soltou qualquer piada de que fez rir muito. Então foram para a sala seguinte. " – Sensei McSmith, nosso professor de Karatê, era um senhor já com mais de cinquenta anos que ainda mantinha alguns fios de cabelo ruivo, ainda estava absurdamente em forma e foi extremamente Cortez. Foram para a ultima sala, onde prontamente veio um outro senhor com ainda mais idade, de estatura baixa, não mais que 1,65cm, ascendência visivelmente japonesa, segurando uma espada de bambu. " – Sensei Sassaki, nosso professor de Kendô e Judô."

Em todas as salas que entrou, os três professores fizeram questão de interromper a aula, botar todos os alunos em formação e ordenar que se curvassem em direção a ela gritando "OSS!"

Mas quando chegaram ao segundo andar, Ada ficou de boca aberta. A infraestrutura do local era inacreditável, o espaço, a aparelhagem, as armas, a decoração... tudo.

" – Eu tenho mantido tudo limpo... mas as aulas simplesmente não acontecem sem você."

" – Porquê não contratam um professor substituto?"

" – Não é assim que funciona, Ada. São aulas só para mulheres, ministradas por outra mulher... e não é só isso, existe uma relação de confiança entre vocês, elas simplesmente não querem outra pessoa."

" – Confiança, em mim? Não é só aprender a lutar?"

" – Sim, claro. Muitas vem só por isso, outras vem pela atividade física apenas... mas outras tantas vem porquê realmente conseguem resultados práticos..." – Mia desviou o olhar e virou em outra direção. " – Muitas realmente precisam saber se proteger..." – Ela forçou um sorriso e voltou para Ada. " – A cantina! Todos lá vão amar te ver de novo, aproveitamos e almoçamos por lá!"

Philip bateu palmas e fez festa, parecia ter entendido que falavam de comida. Ada apenas seguiu o fluxo, sem mais perguntas.

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Ada observava a aparência frágil de Mia, sabia que por baixo das roupas de frio não tinha nada além de um corpo magro, não era nenhum mulherão, mas era delicada, tinha um rosto bonito, e um par de olhos numa tonalidade bem rara de azul... Ela aprecia muito concentrada com uma calculadora HP e seu notebook cheio de planilhas, completamente alheia de que era milimetricamente observada e seu grau de "periculosidade matrimonial" era mais calculado do que qualquer planilha ali.

" – Então... nós somos sócias, certo? Você não me disse o que faz na academia..."

" – Eu comecei como sua aluna..." – Sorriu. " – Hoje eu sou só a contadora... eu, administro tudo."

Não é possível... Eu não a colocaria dentro de casa, e confiaria a ela até as minhas finanças se ela...

A campainha tocou. Ada foi até a porta e deu de cara com um entregador carregando um enorme buquê de rosas vermelhas.

" – Senhora Kennedy está?" – Ele perguntou.

Demorou mais alguns segundos até que Ada lembrasse que "Senhora Kennedy" tratava dela mesma. " – Sou eu."

" – São para a Senhora, por favor, assine a aqui... e aqui..."

Não fazia ideia de como era sua assinatura... fez uma rubrica qualquer, agradeceu e entrou com a encomenda. Eram muitas rosas, não se atreveu a contar quantas, alem de serem magníficas, simplesmente lindas. Não foi fácil, nem barato. Não foi simplesmente um buquê de flores... foram rosas lindas e frescas em pleno inverno. No meio delas, tinha um cartão. Ela abriu e conhecia muito bem a letra.

" Meu Amor,

Há quinze anos você me tornou o homem mais feliz do mundo... Mas hoje é um dia especial também, completam treze anos em que depois de muita... muita... muita insistência, você finalmente aceitou ser a minha Senhora Kennedy. Eu sei que você não se lembra de nada, então, achei que nós poderíamos sair hoje à noite e eu te contar como foi. Estou aí Pra te buscar as oito.

Te amo,

Leon"

Certo, deveria estar pronta as oito, mas ele não disse o que iriam fazer. Provavelmente jantar, mas não fazia nem ideia de que tipo de lugar seria. Tentava imaginar que tipo de roupa deveria usar e sobre o que deveria conversar com ele... uma coisa ele disse muito bem, tem muita coisa que ela não se lembra e que ele precisa contar!

" – Oh Ada! São lindas!" – Mia apareceu na sala. " – Acho que você vai precisar de dois vasos!" - Ela parecia verdadeiramente contente, correu para a cozinha e voltou com um vaso cheio d'água e uma tesoura grande. – " – Olha o tamanho disso, Leon sabe ser exagerado, né?"

" – Como assim?" – Perguntou entregando o buquê nas mãos de Mia.

" – Ora... Ele é completamente louco! Todo ano ele inventa algo diferente... Teve um, que ele mandou registrar uma estrela com o seu nome."

" – Isso só é cafona... não é louco."

" – E num outro ano ele pagou dançarinos para fazer um Flash Mob lá na academia..."

" – Não" – Ada não achou engraçado, ela na verdade lamentou. " – Não..."

" – Sim."

" – E eu voltei lá depois disso?"

" – Sim. A intenção era justamente essa, saber se você teria coragem de voltar lá depois disso. Nós até fizemos uma aposta, ele ainda me deve cinquenta dólares. Ah, e eu não posso deixar de te contar quando ele mandou uma banda mariachi te acordar de manha... você estava lá, dormindo e acordou com seis mexicanos, de sombreiro, violões e tudo mais cantando Bésame Mucho no seu quarto."

Por um momento, Ada pensou se deveria sair mesmo de casa ou não. " – E, eu? Fazia o que?"

" – Ah, você sempre se vingava. Uma vez você mandou esse mesma banda mariachi ir tocar para ele lá na NYPD. Outra vez você mandou uma entrega, dizendo que era para vocês comemorarem a data quando ele chegasse... e ele desavisado abriu a caixa na frente dos outros policiais, só que lá dentro tinha um cuecão de couro, e umas correntes, chicote e sei lá mais o quê..." – Mia já gargalhava enquanto cortava o cabo das rosas e as colocava dentro d'água.

" – Cristo..."

" – Você pretende fazer algo esse ano?"

Tudo o que ela estava pensando era em sair para conversar com ele a sós, nada mais. Contudo chegou a conclusão de que talvez não fosse tão errado surpreende-lo um pouco.

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Em frente ao Departamento de Policia de Nova Iorque, um grupo de policiais voltou sua atenção a mulher de vermelho que descia do taxi e caminhava em direção ao local. Era um vestido longo porém bem justo ao corpo, usava um tecido de acabamento fino por cima dos ombros cobrindo-lhe os braços... não era o tipo de beleza comum de se ver, era uma oriental mestiça, tinha olhos verdes.. ela era rara e chamava a atenção por onde quer que passasse. Quando Ada cruzou a porta de entrada soube que todos eles torceram a cabeça acompanhando-a e encarando especificamente o seu traseiro.

Uma vez na recepção, ela ficou espantada em como foi prontamente atendida. Ela sabia muito bem o porquê e já vivenciou isso muitas vezes... o de ser confundida com uma madame muito rica que teve o seu carro muito caro, roubado.

" – Eu só vim buscar o meu marido." – Ela respondeu com um sorriso provocador, ela foi atendida prontamente e quase desesperadamente por um capitão. " – Tenente Kennedy"

" – Ke...Kennedy? Oh..."

Ela escutou outros dois guardas cochicharem algo sobre "O Kennedy ser mesmo um filho da puta sortudo" ... "não estavam exagerando quando disseram que a mulher do Kennedy era um arraso..."

" - ... Ele esta no vestiário se trocando, você pode espera-lo aqui ou na garagem, afinal ele também já pode ter ido buscar o carro..."

A ideia de encontra-lo novamente na garagem de uma unidade policial fez Ada estremecer, ela lembrava da primeira vez em que o viu, então tomou sua decisão.

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Leon andava a passos largos pela garagem no subsolo da NYPD, tinha os cabelos úmidos e penteados para trás porém alguns fios de sua franja já voltavam a cair em sua testa, usava uma calça social preta e uma camisa azul marinho ambas com o corte perfeito para o corpo esguio, com um click ele desativou o alarme do jipe e quando ia abrir a porta...

" – Ponha as mãos onde eu possa vê-las." – Ada tinha a voz calma, sedutoramente inabalável enquanto encostava a pistola contra as costas de Leon.

" – Ada!" – Ele se virou num susto. " – Onde conseguiu essa arma?"

" – É sua bonitão."

Leon olhou para o coldre vazio. " – Mas... como..."

" – Duas hipóteses, ou eu continuo a ser a ladra mais vadia de todos os tempos, ou você é muito descuidado..."

Derrotado, ele apenas sorriu enquanto a encarava de cima a baixo. " – Uau. Você está linda." – A envolveu pela cintura com um braço, puxando-a para bem perto. " – Isso tudo é pra mim?" – afundou o rosto contra o pescoço dela sentindo o perfume e depositando um beijo.

Ada arrepiou com o roçar dos lábios dele e da barba que mesmo feita no dia anterior já começava a arranhar outra vez. Também podia sentir o cheiro de sabonete, shampoo e colônia vindo dele. " – Então, você disse que ia me contar como foram algumas coisas. Eu não aguentei esperar." – Respondeu passando as unhas suavemente e depois beijando a pele branca ligeiramente irritada perto do pescoço por ter sido barbeada um dia antes. Ela tinha uma memória sobre essa característica nele, nas poucas vezes que o viu barbeado, inclusive de que ele finalmente desistiu da lâmina. Era tão estranho, era o mesmo Leon... exatamente igual, ela o conhecia... mas só a ele, e nada mais.

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O restaurante era maravilhoso, ficava na cobertura de um arranha céu, e as enormes janelas de vidro permitiam uma vista esplêndida das luzes da cidade. Leon vestia um terno escuro que ele previamente já tinha colocado no jipe, afinal era exigência do lugar, e a acompanhava somente numa água com gás, afinal, por causa dos remédios ela estava impossibilitada de ingerir bebida alcoólica.

Ele contava sobre como foi começar uma vida a dois, ao mesmo tempo que ainda conheciam direito um ao outro, com qualidades, defeitos e manias, sendo que um mês depois já chegara a noticia de que na verdade, eram três. Sobre como foi para ela, que sempre foi sozinha e independente, se adaptar a nova vida com o plus de estar explodindo com os hormônios da gravidez. Sobre como foi cuidar de Scott, sendo que ambos eram muito jovens, sem nenhuma ajuda e completamente inexperientes com crianças. Entre outras muitas situações sobre uma vida que ela definitivamente não conseguia se lembrar.

O jantar corria agradável e tranquilo, o lugar era requintado e ela simplesmente não podia acreditar que ele fosse ter coragem de botar mexicanos ou flash mob ali.

" – Então agora a última fofoca daquele posto policial deve ser a esposa maravilhosa que eu tenho."

" – Ninguém me conhecia?"

" – Alí, ainda não. Eu estou sempre pedindo transferência de posto. Nesse eu cheguei tem seis meses."

" – E por quê?"

" – Para diminuir as chances de eu ser promovido. Nós... concordamos que é melhor levar uma vida mais simples e... não chamar tanto a atenção."

" – Leon... tem algo que eu preciso te perguntar." – E pouco importa se aquilo era para ser uma comemoração. " – Ontem eu estava conversando com a Mia..." – ao dizer o nome da moça, observou bem a expressão dele pra ver se ele denunciava algo, contudo ele permaneceu normal. " – Eu não sei como nós chegamos ao assunto, mas ela me contou que vocês dois tiveram problemas e que por causa disso ela chegou a achar que a nossa amizade estava acabada. Quando eu insisti para saber o que houve, ela disse que preferia esperar você estar presente, ou que você mesmo me contasse."

Então finalmente, o rosto de Leon se alterou, ficando visivelmente tenso. " – Mia é uma boa moça, pena que tem a boca grande. Eu sei que ela não faz por mal, mas..." – Suspirou. " – Olha, isso não é assunto pra hoje amor... é um passado desagradável, não precisamos falar dele justamente hoje."

" – Eu prefiro saber logo." – Foi fria e enfática.

" – Não, você não quer."

" – Leon, você realmente acha que eu vou ter cabeça para comemorações quando o meu marido e a minha supostamente melhor amiga fazem todo esse suspense sobre o que aconteceu entre os dois?!"

Ele então arregalou os olhos, incrédulo. " – Ei, espera! Você não tá achando que eu..."

Ada apenas cruzou os braços e o encarou de maneira fria.

" – Entendi." – Ele pousou o guardanapo em cima no prato e pediu a conta. " – Como eu te disse, não podemos conversar sobre isso aqui. Vamos embora."

Continua...

Então pessoas, era para todo esse suspense terminar exatamente nesse capitulo, só que, eu olhei as horas (3 da matina) e ví sete paginas escritas... e ainda está faltando uma loooonga parte, entre elas, um lemon. Sendo assimmm,,, eu tive que picotar isso por aqui mesmo. Caso contrario correria o risco de ficar mais três ou quatro dias sem atualizar, talvez até uma semana pq ta chegando um casamento pra eu ir...rs enfim... sorry sorry, não foi de proposito.