O silêncio dentro daquele carro era perturbador. - Isso não é conversa para termos aqui, vamos embora. – Todo aquele suspense só a deixava cada segundo mais inquieta, mesmo que só por dentro. Talvez tenha sido toda essa situação nova somada a uma fragilidade física que a tenha deixado mais sensível, ou talvez o fato de pela primeira vez na vida não ter controle absoluto da situação, ou pior, pela primeira vez ainda não conseguiu "matar a charada" sozinha.
Leon dirigia em silêncio, com a velocidade consideravelmente alta, Ada apenas observava o caminho adiante e o que ficava para trás também. Já haviam deixado os limites da cidade e corriam em plena estrada interestadual.
" – Você não devia se espantar por me descobrir tão desconfiada, Leon. Afinal, a sua reação e o fato de precisarmos ir tão longe só para conversar, são indícios de que vai me contar algo nada simples."
" - Não é simples." – Pela primeira vez ele tirou os olhos da estrada e a encarou. – " – Aliás se você insiste tanto em saber, isso quase nos custou um divórcio. E não, Ada. Eu não te traí."
" – Tudo bem, eu ainda quero saber o que houve. Então eu te traí com a Mia?" – Ela respondeu com tom de deboche.
Ele apenas sorriu de canto, ao mesmo tempo que fazia uma curva brusca, entrando no estacionamento de um motel de beira de estrada. " – É, eu acho que podemos conversar em paz aqui."
Ada apenas seguiu Leon que saiu do carro, ele a segurou pela mão e caminharam com certa pressa até a recepção, onde lhe entregaram as chaves de um quarto. O lugar era realmente isolado, sem vizinhos de tão simples e com tão poucos atrativos, que estava praticamente vazio.
" – Lugar perfeito para cometer um assassinato isso sim." – ela riu quando entraram no quarto e Leon trancava a porta.
Leon soltou um longo suspiro enquanto botava as mãos nos bolsos da calça. " - Interessante você dizer isso justamente agora." – Ele riu, não porquê achou engraçado, parecia nervoso. " – Você tinha razão, não precisávamos ter ido tão longe... eu só meti o pé no acelerador e quando dei por mim... não estávamos mais em lugar nenhum."
Se olharam por um longo tempo, Ada não disse mais uma única palavra, ela só queria ouvir, não se deu ao trabalho nem ao menos de sentar naquela cama velha. Pelo menos o aquecedor estava funcionando, ela poderia ficar somente com o vestido, colocando seu vestuário para o frio e sua bolsa em cima da cômoda, para então voltar a fixar sua atenção somente aos olhos azuis que estavam tão estreitos em cima de si.
" – Você eliminou o marido dela." – Ele vomitou de uma vez, sem rodeios. – " – Martin Stanley, era o nome dele. E você o matou."
Ada não mostrou qualquer sinal de emoção. Esse tal de Martin não foi o primeiro, e talvez, nem tenha sido o último. Mas ela estava intrigada, e o motivo era só um: " – Por quê?"
Leon caminhou até a beirada da cama e se sentou oferecendo a ela um lugar ao seu lado. " – Scott estava crescendo bem, saudável... e nós o matriculamos num jardim de infância perto da primeira casa que nós alugamos num subúrbio, achávamos que uma criança precisava de espaço e não de um apartamento apertado na cidade. Com isso você decidiu voltar a trabalhar mesmo sem saber exatamente o que poderia fazer, não queríamos te falsificar um diploma em nenhum dos cursos que você tinha, afinal já tivemos que falsificar novos documentos pra você em Hong Kong... não queríamos mais nenhuma atividade ilegal... pelo menos era o que eu pensava... Foi quando você começou a dar aulas, era um grupo pequeno mas que cresceu rápido... o problema é que..."
" – O que houve?"
" – Coisas do destino... você colocou duas ou três primeiras alunas para darem uma surra tão boa quanto qualquer cara forte... não demorou até que você fosse procurada por algumas mulheres com... problemas... um padrasto alcoólatra, um irmão tarado, um namorado abusivo, um cafetão, valentões da escola... enfim, os casos eram inúmeros. Até que Mia apareceu. Por algum motivo ela nunca teve forças pra enfrentar o marido, as surras e até os estupros eram constantes, tudo fechou com as ameaças de morte, e uma vez ela ficou semanas internada num hospital. Bem, as aulas não estavam resolvendo, simplesmente porquê Mia não queria reagir, não conseguia fugir, não o denunciava e não tomava qualquer atitude, então você..."
Ela soltou um longo suspiro de alívio. " – Então foi isso? Só isso? Tanto suspense e quase um divórcio porque eu eliminei um verme do mundo?" - Seu alívio foi embora quando viu Leon ficar vermelho de raiva.
" – Só isso? Ada... Isso aqui deveria significar algo pra você!" – ele não gritou, mas a repreendeu duramente enquanto apontava para a própria aliança de casamento. – " – Você me disse que teríamos uma vida diferente, você me disse que tudo o que você queria era uma segunda chance, era começar de novo... era esquecer, fugir para bem longe, era deixar tudo para trás. E na sua primeira oportunidade, traiu a mim e ao Scott dessa forma. O quê? Fazer justiça com as próprias mãos? Foi o crime perfeito, afinal, não é? Você era profissional o suficiente pra nunca ser pega... Então foi pra isso? Pra você virar uma assassina, de novo?"
Ada não podia argumentar com ele, gostaria de poder dizer que foi uma decisão tomada no impulso, que foi passional, que teve um surto de ira quando viu a amiga naquela situação... Mas ficou calada, por que mesmo sem se lembrar de nada... se conhecia o suficiente para saber que era mentira. E por que agora descobriu que no fundo, não mudou tanto assim... Provavelmente esse Martin era um verme, que ela, uma assassina, o julgou e condenou. Por quê? Ora, por que ela podia! Foi simples assim.
" – Eu já desconfiava..."
" – De quê?" – Ele perguntou.
" – Essa sou eu Leon, não importa o quanto a situação mude. Talvez você tenha feito um péssimo negocio apostando em mim." – Ela gemeu quando ele a segurou pelos ombros, apertando-os com força forçando-a a olhar para ele.
" – Nunca mais diga isso outra vez!" – Ele estava magoado, bem magoado. " – Nós precisamos de você, Ada! Eu... Eu preciso de você! Você me prometeu isso uma vez, eu quero que me prometa de novo... que você nunca mais vai fazer isso outra vez."
Então ela soube. Ada Wong não mudou tanto assim... uma vez na marginalidade, sempre na marginalidade. Ela se conteve, apenas. Ela guardou seu lado negro a sete chaves, renegou sua natureza... por ele. Porque o amava. Porque tinha Scott. Porque agora tinha o que nunca teve... tinha algo a perder.
" – Eu prometo." – Não achava que foi longe demais, não achava que tinha feito algo errado. Mas mesmo assim prometeu. Simplesmente porque de tudo, Leon era o mais importante para ela.
Quando Leon a abraçou, ela pôde sentir a raiva dele indo embora. Ela o abraçou de volta e ele a abraçou mais forte, então se beijaram longamente. Não estava frio, mas Ada arrepiou com o toque das mãos dele passeando em suas costas.
" – Eu senti tanto medo..." – Ele sussurrou por entre o beijo.
" – Do que?"
" – De não ser o suficiente... de não conseguir te fazer feliz... de não te satisfazer. De um belo dia você simplesmente me abandonar e voltar para a vida que tinha antes." - Seus beijos já se tornavam ferozes, o batom de Ada já não era nada mais que manchas no rosto de ambos. Escutou a cama velha ranger quando se deitaram e ela recebia o corpo forte dele por cima do seu, ela já podia sentir o "velho amigo" de Leon bem acordado e dizendo "oi", duro e pressionado contra a sua coxa. – " – Eu te amo tanto... não me abandona... nunca..." – Leon abandonou a boca dela, sob protestos, para dar atenção ao pescoço e a orelha da mestiça enquanto a mão livre manipulava um seio por dentro do vestido.
" – Então foi por isso que escolheu um motel?" – Agora foi a vez dela o morder na orelha.
Ele riu – " – Pra isso eu teria escolhido um lugar melhor que essa espelunca suja..."
Ada o ajudou a tirar o paletó e atira-lo num lugar qualquer. " – Eu gostei dessa espelunca suja." – e com um movimento rápido, inverteu as posições, ficando por cima. Quando ela saiu dalí e pôs-se novamente de pé, Leon ficou confuso. Quando ela lhe abriu as calças abaixando-as com cueca e tudo até os pés, ele entendeu...
" – Essa é a minha garota, suja..."
Ele não ofereceu qualquer resistência quando ela o colocou sentado de novo afastando-lhe os joelhos e ajoelhando em frente a ele. Ada tinha uma habilidosa mão direita que prontamente pôs-se a manipular o sexo quente, ereto e completamente rijo de Leon, bombeando-o vigorosamente enquanto o observava, deliciada com o que via. Ela sentiu a boca formigar levemente e lambeu os lábios quando viu que ele começava a ficar úmido com o brotar das primeiras gotas de excitação que saiam dele. Roçou os lábios ali, de leve, provou o gosto dele colhendo tudo com a língua para depois enfia-lo inteiro na boca. A cada gemido que Leon deixava escapar, ela movimentava a mão mais rápido e sugava com mais vontade. Quando ele protestou algo sobre estar quase lá... ela não teve cuidado, nem pena, continuou sua felação intensa, determinada em fazê-lo perder o controle. Leon finalmente desistiu, segurando-a pelos cabelos fazendo-a ir mais rápido até finalmente derramar-se dentro dela.
Ada saboreou o gozo dele por alguns instantes antes de finalmente engolir. Ela tinha um sorriso maroto nos lábios e o provocou uma ultima vez antes voltando para onde estava e brincando com a penugem loira que ele tinha ali em volta.
" – Isso foi... covardia." – Ele tinha a face rosada e a voz ligeiramente entrecortada. Se livrou então dos sapatos, meias e tirou as calças incomodas que lhe prendiam os pés.
Puxou a esposa para um beijo, forçando-a a ficar de pé junto com ele. As cordas que prendiam o vestido foram desatadas, e a roupa vermelha foi ao chão. Ada foi conduzida até a parede mais próxima, sem interromper o beijo. Leon a beijava no pescoço, nos seios, na barriga... a medida que ela se abaixava, ela sabia onde ele queria chegar. Se livrou da calcinha e quando achou que ele fosse começar dali mesmo, surpreendeu-se quando ele a ergueu pelas pernas facilmente, pondo-a nos ombros, ficando de pé com o rosto bem de frente para o que ela tinha no meio das coxas.
Ela não tinha onde segurar, tinha apenas as costas escoradas contra a parede, restando apenas confiar que ele fosse forte o suficiente para não deixa-la cair. Gemeu quando ele a lambeu pela primeira vez, viu estrelas quando ele afundou o rosto completamente nela lambendo-a vigorosamente, sugando-a, empurrando a língua dentro dela. Ada o agarrou pelos cabelos, puxando-o mais contra si enquanto fechava as coxas em torno e se empurrava ainda mais contra a boca dele. E Leon por sua vez não parava, parecia não fazer pausa nem para tomar fôlego, usando todos os artifícios que tinha, desde a língua e lábios quentes, até os malditos dentes do policial que a deixavam louca.
" – Leon!" – Ela chamou quando simplesmente explodiu de prazer no rosto dele. Foi a primeira vez que algo assim lhe aconteceu com um orgasmo, pelo menos que ela se lembre. Ela não sabia ainda se estava assustada ou extasiada. Só sabia que tinha um homem que ria como uma criança enquanto tinha o rosto encharcado e vermelho bem no meio de suas pernas. " – Onde... quando... você aprendeu... isso..."
O policial a colocou outra vez de pé, ainda rindo, numa felicidade genuína, enquanto tirava a camisa e a usava para se limpar. " – Nós fizemos. Quinze anos de prática tem que servir pra alguma coisa."
Ada recuperava o fôlego enquanto via o homem nu diante de si... Ele já estava duro outra vez. " – Olha pra você... olha a bagunça que eu fiz..."
" – Tô na chuva, é pra me molhar."
A analogia era perfeita para Ada. Caíram novamente aos beijos na cama velha e de limpeza duvidosa na qual eles não tinham nem coragem de puxar os lençóis. Apesar de ambos já terem tido um orgasmo recente, sabiam que ainda queriam mais, e que havia fôlego e desejo suficiente para isso. Leon buscou um preservativo que havia posto na carteira antes de sair para o trabalho, já prevendo que talvez não esperassem chegar em casa para resolver "o assunto". Ada o ajudou a colocar, em seguida deixando que ele ficasse por cima.
Não tinham vizinhos de quarto que escutassem os gemidos, o ranger da cama velha ou o som dos quadris batendo um de encontro ao outro enquanto se amavam. Ada o beijava e acariciava as costas largas e de músculos firmes enquanto ele a invadia. Por um momento se perguntou como conseguiu ficar esses dias tão perto dele e sem fazer como que isso finalmente acontecesse. Era tão bom quanto em qualquer vez que teve com ele, mesmo que não tenha sido verdade. E era isso que queria da vida... estar sempre ao lado dele, fazer amor com ele, transar com ele, agora... daqui a uma hora... acorda-lo no meio da noite para fazer sexo, chupa-lo de manha antes do café, ama-lo outra vez antes de ir pro trabalho...dividir a cama e a vida com ele, hoje, sempre... não fugir, ficar. As investidas se tornavam mais rápidas e cada vez mais profundas, tão quanto ela podia suportar, ergueu mais as pernas incentivando-o a continuar e o abraçou forte quando o segundo orgasmo da noite chegou, mais fraco que o outro, mais ainda assim, maravilhoso.
Leon a virou de costas penetrando-a outra vez quando ela ficou de quatro. Ele a penetrava rápido e acariciava-lhe as nádegas, nessa posição, ele finalmente chegou com clímax também, deixando-se cair, encostando o peito suado contra as costas dela, beijando os ombros delicados.
" – Eu não vou a lugar algum..." – Ela por fim confessou quando caíram deitados e exaustos – " – Nunca mais. Eu não sei... onde eu poderia estar com a cabeça, se um dia eu pensasse que o meu lugar não é ao seu lado."
" – Ada, eu t..."
Ela o calou com um beijo. " – Eu te amo."
O cansaço era tanto que poderiam perfeitamente dormir ali naquela noite, no entanto não o fizeram. Queriam voltar para casa. Para o conforto do lar que construíram, para a cama macia, limpa e que não rangia. E assim o fizeram. E lá chegando, ainda tiveram um resto de energia para se amar uma ultima vez naquela noite.
Ada deixou que Leon se aninhasse em seus braços, com o rosto bem perto de seus seios e dormisse ali. E naquela noite, antes de segui-lo para o mundo dos sonhos, ela finalmente aceitou, que mesmo sem memória, ela tinha um lar... e não havia no mundo inteiro qualquer outro lugar em que ele devesse estar, se não ali.
Continua...
OBS: pessoinhas que estão lendo ou ainda venham a ler essa fic (para os que já sabem, ignorem a obs), eu só queria deixar claro que o uso de preservativo nessa fanfic tem o ÚNICO objetivo de evitar uma gravidez, e nada mais. Por isso eles não tomaram qualquer tipo de precaução durante o sexo oral (infelizmente, tem gente que acha que "oral" não pega DST's). fikadica...rs
