" – Acorda!"
Ada acordou com esse berro ao pé do ouvido antes de receber um violento golpe d'água contra o rosto. E depois outro, e depois outro ainda mais forte. Ainda sem saber se tossia ou se tentava respirar, percebeu que estava amarrada com as mãos para trás, sem roupas e deitada no chão frio.
Rapidamente forçou-se a ficar o mais consciente possível, observar o Maximo do local e das pessoas que estavam ali, afinal, esse ainda era o seu trabalho e ela fora exaustivamente treinada a passar por situações como essa. Era uma cela, úmida e fria, pequena e sem janelas, mal tinha espaço para esticar suas pernas também amarradas. Estava com frio, muito frio, mesmo assim se esforçava ao Maximo para conter seu próprio corpo que tremia violentamente. Deixou escapar um gemido de dor quando um brutamontes qualquer a puxou pelo braço colocando-a de pé. Não ofereceu qualquer resistência quando eles a arrastaram para fora da cela, afinal, quando mais ela conseguisse observar de seu cativeiro e de seus carcereiros, melhor.
" – Corte as cordas dela e dê algo para ela vestir. O chefe está esperando."
A espiã sabia que estava "solta" depois de escutar o golpe rápido de uma lâmina, duas vezes... duas cordas, uma nos pulsos e outra nos tornozelos. Haviam dois atiradores de prontidão um de cada lado da sala, e em cada canto, metralhadoras controladas a distância. Sabia que não poderia tentar fugir ali. O jeito era esperar.
Uma mulher entrou no local carregando toalhas e uma muda de roupas, outra se aproximou por trás e puxou-lhe os cabelos violentamente.
" – Coopere conosco e vista essas roupas. Tente algo estúpido e morre!"
Não tentaria... não antes de colher o Maximo de informações sobre o que aconteceu, sobre onde estava e então, planejar a melhor maneira de sair dalí.
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Desmond Simons a observava de longe, sentado no outro canto da longa mesa, por minutos e mais minutos a fio, sem dizer uma única palavra. Ada não estava mais amarrada, sequer algemada, vestida com um uniforme de presidiário alaranjado, a sua frente estavam a louça e todos os talheres, contudo ela não podia simplesmente atirar uma faca contra o pescoço daquele um a sua frente... não com tantos homens armados a sua volta, conseguiria matar Desmond, mas inevitavelmente acabaria morta também. Precisava esperar.
Enquanto estudava o local, lembrou-se de onde estava, ainda no laboratório subterrâneo da Família... onde suas lembranças eram de Leon sendo brutalmente torturado, não sabia há quanto tempo estava ali, mas sentia como se tivesse sido há meses, talvez anos. Sentiu o coração bater mais fraco quando levantou a hipótese do agente americano estar morto.
" – Não tocou na comida, Senhorita Wong... ou deveria dizer... Senhora Kennedy?" – Falou, finalmente o irmão de Derek Simons, soltando uma alta gargalhada após.
Ada permaneceu em silencio, com seu típico olhar frio, sem alterar sua expressão facial. Ele sabe...
" – Minha cara Ada Wong, não se perca o seu tempo tentando manter a pose, é com o enorme prazer que eu te digo que você não tem mais nenhum segredo que eu não saiba. Pelo menos, dos que me interessam saber."
Ainda confusa e sem saber onde cada nova peça que encontrava se encaixava, escolheu permanecer em silêncio.
" – Tudo bem, vamos ao começo. Com certeza você já se atualizou sobre os avanços da neurociência, da neurologia e da mente humana. E como você bem deve saber... afinal, para uma espiã se infiltrar em um laboratório de pesquisas médicas e se tornar amante de um pesquisador de renome como John Clemens, o mínimo que se espera é que você tenha conhecimento e formação na área, certo?" – Desmond alcançou uma maçã e deu uma enorme mordida, depois mastigando vigorosamente e cuspindo algumas sementes. – " – Até mesmo a ciência disponível para ingênuos civis já é capaz de identificar diversas ondas elétricas produzidas pelo cérebro, seja durante o sono ou durante a vigília... em eletroencefalogramas ou em programas computadorizados. Mas minha querida Ada, e se por algum motivo, fosse possível ver o que se passa na cabeça das pessoas? E se cada impulso neuronal pudesse ser captado e transformado em dados de imagem e sons ou até mesmo textos? E vou ainda mais longe, e que nós pudéssemos fazer com que um cérebro interpretasse cada estímulo de um sonho, como se fosse real, cada beliscão, cada dor, e até mesmo cada estímulo de prazer? Cada cheiro, cada gosto?"
Por mais que estivesse exausta e confusa, Ada estava esperta o suficiente para deduzir onde aquele homem queria chegar.
" – Imagine... uma tecnologia capaz de induzir os sonhos mais secretos de alguém, prolonga-los... Manter uma cobaia em estado de sono profundo e sonhando por horas, de tornar esse sonho ininterrupto, dar-lhe asinhas para assistirmos com todo o deleite até onde aquela historinha pode chegar? As possibilidades são imensas, poderíamos desde manipular pessoas, até colher delas qualquer tipo de informação. Quer detalhes do que nós fizemos com você? Pergunte o que quiser."
Então, finalmente Ada falou, descobrindo que ainda tinha voz. " – Há quanto tempo estou aqui?"
" – Vinte e seis horas. Eu sei... para você foram dias, mas como você sabe, o cérebro humano processa o tempo de um sonho de uma maneira diferente. Toda essa tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento, foi muito difícil te manter no mesmo sonho todas as vezes em que você supostamente dormia lá dentro, correríamos o risco de você cair em um outro sonho... o famoso "sonho dentro de outro sonho"... o resultado foram aquelas péssimas noites em que você sentia como se nem tivesse dormido."
Ada tentava entender, ela era uma espiã cheia de conhecimento, detentora de muitos segredos, de informações extremamente sigilosas de muitos países, dados sobre segurança global, armas químicas e biológicas, verdades caríssimas e que pouquíssimas pessoas tinham acesso... porquê alguém se interessaria em vasculhar seus idiotas sonhos românticos? Foi então que ela sentiu o mundo cair enquanto seu corpo ficava absurdamente gelado, sentindo como se seu sangue corresse na direção errada...
"...Apenas me responda essa pergunta: Ada Wong, você tem algum arrependimento na vida?"
"... Oh... reconhece esse homem, certo? O assassino de meu irmão."
"" - Carla só existiu por sua causa! Pela loucura do meu irmão ao cair nas suas garras e depois ser abandonado. E esse daí... é outro brinquedinho seu? Por algum motivo você parece ter mais carinho por esse, do que pelos outros."
"..." - Diga-me Ada Wong... Você é orgulhosa do que fez? O que você faria diferente, se pudesse?"
Agora Desmond sabia... Era tão emocional, vingativo e irracional quanto o irmão, ambos seriam capazes de gastar o que fosse, de se arriscarem ao Maximo, tudo por questões pessoais. Derek criou um monstro que quase destruiu o mundo inteiro e custou sua própria vida, por causa de uma mulher, e agora Desmond montou todo esse circo somente para vingar o irmão. Ada sentiu os olhos marejarem d'água e tentava segurar o choro ao Maximo, não por ter sido completamente exposta daquela maneira, não por ter tido suas emoções usadas como entretenimento alheio, não por pela raiva de tudo o que viveu ter sido só uma ilusão. Mas sim, porque agora com a verdade exposta, não havia mais nenhuma esperança de que Leon ainda estivesse vivo.
" – Você disse que não se importava, não é mesmo? Uau, devo confessar que estou surpreso, eu realmente acreditei em você. Eu nunca ia imaginar que uma vadia sem coração como você pudesse de fato amar alguém. Me fala, o que ele tem que o meu irmão não tinha? Derek fez de um tudo por você, Ada!"
Ada tinha uma coleção das mais ácidas respostas para essa pergunta, uma mais dura de se ouvir do que a outra, tanto para o irmão vingativo, quanto para ela, que seria forçada a escutar a própria voz falando todas as qualidades do homem que menos merecia um destino como aquele. Leon era tão melhor que qualquer outro, que nem mesmo alguém como ela e Desmond deveriam ter o direito de sequer pronunciar seu nome. Trincou os dentes, tentando se controlar, tentando se manter forte para na primeira oportunidade fazê-lo pagar pelo que fez, e foi nesse momento que ela reconheceu... Desmond se referia a Leon no presente, e a Derek no passado, pode não significar nada, como também pode significar algo. Não custava tentar...
" – Cadê ele?" – Perguntou preparada para respostas como 'morto!', 'não te interessa', 'estripado na sala ao lado', tudo, menos aquilo...
" – Está a caminho. Nós falsificamos um bilhete seu e muito em breve ele estará aqui."
Ada tentava lembrar sobre os detalhes de quando chegou ao local, passo a passo da invasão naquele laboratório. Se Leon ainda estava a caminho, quem era aquele homem sendo torturado? Foi então que ela matou a charada.
As lagrimas secaram como num passe de mágica, Leon estava vivo, ela tinha uma segunda chance...
" – Não alimente esperanças minha cara... Temos um cantinho reservado para você assistir de camarote tudo o que está prestes a acontecer com o seu amado, e dessa vez, será verdade."
" – Leon é um sobrevivente nato, um combatente como eu nunca vi igual. Eu se fosse você não soltaria fogos por antecipação. Não o subestime." – Respondeu Ada, com um alivio sem igual dentro do peito.
" – Não me subestime também, eu tenho as minhas boas armadilhas, boas o suficiente para derrubar Ada Wong." – Desmond tinha um sorriso vitorioso nos lábios. E o medo finalmente tomou conta da espiã.
E eu sei muito bem qual foi, Desmond – Pensou.
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Escutou o "clic" das algemas em torno de seus pulsos ainda de cabeça baixa, profundamente aliviada por dessa vez, não usarem uma corda. Sentia-se revigorada, toda aquela adrenalina que precede uma missão voltou a tomar conta de seu corpo, sentia-se outra vez a boa e velha Ada Wong. Caminhou com passos firmes pelo longo corredor por onde era rudemente conduzida. Eram dois homens um de cada lado segurando-a pelos cotovelos, mais dois homens armados, um a sua frente e outro atrás. Isso não seria fácil, ganados e j'avos eram irritavelmente estúpidos... mas sentinelas humanos frequentemente lhe davam algum trabalho.
Ada se esforçou para disfarçar a dor quando usou a mão direita para quebrar sua própria mão esquerda, silenciosa como uma gata, com a mesma expressão de boneca de cera de quando ainda tinha sua mão inteira. Silenciosa... e também ágil, escorregou a mão quebrada para fora da apertada algema, e numa fração de segundos, soltou-se dos que a puxavam pelos braços, golpeou o sentinela que estava atrás de si, dominando-o por trás, usando-o como escudo enquanto usava a arma dele para metralhar os demais. Mesmo sabendo que o seu escudo humano fora alvejado diversas vezes, quando todos os demais já estavam abatidos, finalizou-o também com um neckbreak. Sabia que deveriam haver câmeras de segurança ali, logo, não tinha tempo a perder, recolheu tudo o que poderia usar como arma levando em consideração que tinha a mão esquerda inutilizada, precisava ser leve e fácil de recarregar. Xingou um palavrão quando percebeu que por enquanto so poderia usar pistolas e quanto a metralhadora, quando as balas acabassem, não tinha certeza se conseguiria recarrega-la.
Correu para o final do corredor, encontrando diversas salas, entrou na primeira e respirou aliviada por estar vazia, lá fora, já tocava um alarme. Vasculhou o local o mais rápido que pode em busca de algum item que pudesse ajuda-la, de preferência um mapa, um telefone ou um rádio... Estava aliviada por não ter visto nenhuma câmera ali, mas bufou de frustração quando não encontrou nada, e para piorar, já podia escutar a correria muito próximo de onde estava. Olhou para o alto e encontrou a grade de ventilação, sem opções, removeu o objeto com cuidado e escorregou por dentro da tubulação, fechando-a novamente, bem a tempo de abrirem a porta e não encontrarem mais ninguém naquela sala.
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Leon estava apreensivo. Primeiro recebeu um bilhete de Ada, que parecia ser algo descompromissado, um encontro depois de tantos meses. Chegando no local marcado, encontrou um pequeno tablet, com as coordenadas para aquele fim de mundo e junto com ele outro bilhete escrito "Venha sozinho."
Aquele não era o comportamento usual de Ada – se é que ele poderia dizer que a mulher em questão possuía um comportamento padrão ou previsível – além do mais, ter ido até lá sozinho fora terrivelmente imprudente. Por via das dúvidas, veio mais armado do que apenas carregando sua pistola que o acompanha até durante o banho. De alguma forma, sua experiência e seu sexto sentido diziam que algo ali estava completamente fora do lugar. Contudo, precisava ir... quando se tratava dela... "não ir" era algo fora de questão, e por ela, valia a pena o risco.
Escondido por entre as grutas esculpidas naquela terra quase vermelha, ele encontrou o local, demorou um dia para faze-lo, mas finalmente chegou. Rapidamente o sol escaldante do deserto ficou pra trás, dando lugar a escuridão completa do interior daquela gruta. Acendeu o isqueiro para enxergar melhor, então encontrou uma pesada porta de aço, trancada por travas eletrônicas e protegida por senha. Enfiou a mão no bolso da calça e abriu o bilhete com as coordenadas, a senha já estava lá.
" Que diabos pode ser isso? Será que Ada descobriu algo que seja relevante me mostrar? Hn... aquela ali nunca me diz nada, sente um prazer sádico em me ver sempre um passo atrás..."
Dobrou o papel e o enfiou no bolso novamente. Digitou os números e viu a porta se abrir.
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Depois de rastejar por um longo percurso sem nunca encontrar uma sala vazia ou sem câmeras, Ada finalmente chegou justamente no lugar que parecia ser a sua salvação, a sala de controle de segurança. Era grande, e haviam sete homens, três deles armados. Com cuidado para não fazer barulho, tirou o grosso cinto de couro que compunha seu uniforme, fez um pequeno enrolado e atirou-o no outro canto da sala, através da grade de ventilação. O barulho do cinto caindo no chão chamou a atenção dos guardas para aquela direção, ficando sem chances de defesa quando a espiã os atacou por trás caindo do ducto de ventilação. Os quatro homens responsáveis pelos monitores estavam desarmados e sem qualquer chance de defesa.
Ada se deu ao luxo de perder algum tempo verificando se todos estavam mortos antes de continuar. Aquilo era uma sala de controle, ela tinha acesso ao sistema de rádio e de vídeo, e fora estranhamente fácil chegar até ali... toda essa facilidade tornava tal situação ainda mais suspeita. Em um dos monitores, ela pôde ver a imagem de Leon prestes a cruzar a entrada para o túnel principal. Não havia tempo hábil para pensar num plano melhor, tudo o que podia fazer era avisa-lo e rezar para conseguir fugir, afinal, quando ela desse o alarme, seria descoberta.
Apertou o botão que a sintonizava com os auto falantes do local de maneira apressada, não era a primeira vez que se arriscava para salvar Leon...
" – Leon! Pare exatamente aonde está, não prossiga, volte, saia daqui! Aconteça o que acontecer, não entre aqui... os mosqui..."
Não pôde continuar a frase. Fora interrompida por uma forte descarga elétrica, ela sabia que os eletrodos tinham sido lançados ainda da porta, mas ao mesmo tempo estava aliviada por ter conseguido avisar o agente. Suportou a dor de mais duas ou três descargas como aquela, de olhos fechados, simulando um desmaio. Foi treinada para isso, não era tão difícil.
" – Chega. Já derrubamos ela. Amarrem-na!" – disse um dos homens antes de se aproximar.
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" – Ada!" – Gritou Leon sem saber se ela podia escuta-lo.
Por quê Ada estava pedindo que ele se afastasse quando foi ela mesma quem o chamou ali? Isso confirmava suas suspeitas de que algo estava muito errado ali. Contudo, não podia simplesmente obedecê-la, não podia simplesmente virar as costas e deixa-la ali. Não importa o que esteja acontecendo lá dentro... ele precisava entrar.
" – Mosqui... mosquitos?" – ele resmungou em voz baixa. – " – B.O.W's?" – Por alguns segundos observou o não tão longo corredor de entrada que tinha a sua frente, pensando em que tipo de criatura Ada se referia, se eram mosquitos enormes, homens mutados em casulos. Embora tudo tenha acontecido muito rápido, Leon não deixou de notar que o tom de voz de Ada Wong estava longe de ser a habitual, ela parecia nervosa... quase desesperada e algo a interrompeu. Poderia ser so uma queda de sinal, mas também poderia ser a espiã em apuros. Definitivamente, ele precisava entrar.
Pediu reforços enquanto abria sua maleta separando duas granadas e luz e uma de gás lacrimogêneo, sem saber que criaturas o aguardavam, optou por já entrar atordoando quem – ou o quê – quer que fosse.
" – Leon, dentro de quarenta minutos uma equipe estará aí, por favor não entre até chegar reforços." – Era Hunnigan do outro lado do radio.
Não seria a primeira vez em que Leon ignorava a hacker a serviço do governo. " – Hunnigan, diga aos rapazes para me encontrar lá dentro." – Desabotoou a camisa ficando somente com a camiseta que usava por baixo, usando a roupa como uma máscara improvisada, soltou os pinos das granadas e as atirou ao longo do corredor. Enquanto as granadas detonavam, ele correu, entrando no local.
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Observou os dois corpos jogados aos seus pés com um sorriso de desdém. " – Isso foi por fritar os neurônios alheios!" – Disse Ada removendo os eletrodos da arma de choque do próprio corpo. Usou um dos computadores para verificar se existia uma saída de emergência. Comemorou quando a encontrou. Apanhou sua pistola e correu dali.
Para ela nunca foi difícil se esgueirar pelos cantos sem chamar a atenção. O melhor seria fugir das câmeras e dos olhos dos guardas e fugir dali gastando o mínimo de munição possível. Durante o percurso, avaliava mentalmente se valeria a pena encontrar Desmond e mata-lo. Não estava acostumada a eliminar o alvo principal sem situações assim, em que ela não tinha o controle absoluto da situação.
Ao chagar numa bifurcação, tentou lembrar mentalmente do mapa que viu na sala de controle. Para a direita era a entrada e a saída principal, para a esquerda, tomaria um elevador de serviço para um deposito nos andares superiores, onde encontraria uma escada para o bonde de emergência. Era esse o seu caminho, quando corria até a porta, acabou trombando violentamente contra alguém. Não percebeu quem era, mas sua pistola já estava apontada para a cabeça dele.
" – Ada!?"
" – Leon?" – Sua voz era baixa e ela parecia aliviada em vê-lo, mas não abaixou a arma. – " – Eu mandei você ir embora!"
" – Sim. Mas foi você quem me chamou aqui. Abaixa essa arma, Ada!"
" – Não fui eu..."
Leon observou a mulher diante de si, visivelmente abatida, com um uniforme alaranjado e a mão visivelmente machucada. Era uma armadilha. Ao vê-la naquele estado, sentiu uma vontade incontrolável de toma-la nos braços e carrega-la dali, ela estava descalça e tinha os pés machucados também. Sabia que ela era forte, mas simplesmente não suportava vê-la sofrer. " – Ada... o que aconteceu?" – Ele estendeu a mão para toca-la.
" – Não temos tempo pra isso." – Ela o afastou com um tapa. " eu explico tudo no caminho."
Ela correu para o elevador e Leon a seguiu.
" – Desmond Simons" – Ela disse, pelo olhar do agente, percebeu que ele entendia do que se tratava. – " – As experiências da Família não apararam em armas biológicas, se conseguirmos sair daqui, você e seus colegas policiais serão apresentados muito brevemente a uma nova e eficiente maneira de arrancar uma confissão."
" – Como assim?"
Ada revirou os olhos, não gostava de explicar as coisas, principalmente aquelas que cedo ou tarde, seriam automaticamente explicadas. " – Eles... podem invadir a mente das pessoas, ler seus sonhos, desejos, medos... podem conduzi-los como bem entendem e a partir daí assistir sua reação. Estamos em desvantagem e não temos chances de lutar agora. Vamos fugir, nos recompor e armar um contra ataque..." – ela respirou fundo e encarou o agente. - " – Eu sinto muito, Leon. Mas graças a mim o alvo principal aqui é você... E se os dados que eles colheram saíram daqui, e muito provavelmente saíram, a essa hora você é um homem quase tão procurado quanto eu."
" – Eu... mas, por que?"
Ela sorriu, resignada, rindo da própria desgraça enquanto tentava traçar um plano para livra-lo de tal fardo. Chegou a conclusão de a o único jeito de fazer Leo um homem livre outra vez, talvez fosse morrendo, mas nessas circunstâncias, seria impossível. Alí, naquele local, não conseguiria forjar a própria morte de maneira convincente, e porque, no fundo ela sabia, que o único meio de sua morte ser convincente, seria morrendo de verdade, e isso, ela definitivamente não queria. E até isso seria inseguro, pois nada pode garantir que um de seus muitos inimigos ainda queira se vingar em Leon do mesmo jeito, só por prazer.
" – Você vai saber e o motivo é ridículo, eu sei." – O elevador parou. " – Por enquanto esteja preparado. Eu passei quinze anos tentando evitar isso, mas parece que finalmente eu consegui te colocar em grande perigo."
Quando a porta do elevador se abriu, Ada não teve tempo de protestar. Quando percebeu já havia sido alavancada para fora do elevador recebendo o corpo do agente por cima do seu em meio a uma chuva de balas desferidas naquela direção. Se contorceu de dor pela queda, pela mão quebrada e pelo tiro que a alvejou na perna. Leon gemia também e sangrava.
" – Porra, podia pelo menos acertar o outro ombro dessa vez." – Ele riu. Usava um colete a prova de balas, mas ainda assim, uma bala o acertou bem no ombro ferido em Raccoon City.
" – Suponho que eu deva te agradecer."
" – Suponho que dessa vez, se eu desmaiar você não me deixará aqui."
Ada tinha a perna ferida, mas ignorou a dor quando fugiram pelas escadas durante mais uma troca de tiros. Até que finalmente chegaram ao bonde.
Leon colocou a espiã escorada em um canto, no chão e correu para operar a maquina. Estava feito, tudo o que precisavam fazer agora, era rezar para que funcionasse, e que finalmente saíssem vivos dali.
Continua...
