" – Agente encontrado! Ele está no campo!" – Gritou o piloto jogando os focos de luz de seu helicóptero em cima do alvo.
" – Lá está ele! Vem carregando alguém." – Disse o capitão – " – Estão feridos. Homens, lancem as cordas, preparem pra missão de resgate.
Leon fechou os olhos azuis com força ao mesmo tempo que tentava protegê-los com o único braço que tinha livre, apesar de ser justamente o mais dolorido por causa do ombro baleado. O outro, estava ocupado servindo de apoio para Ada, baleada na perna. Nem sabia o que machucava mais, a luz forte ou a areia seca que era soprada violentamente contra eles, graças ao bater das hélices dos helicópteros.
Do outro lado, Ada não sabia se estava aliviada ou não. Apesar de ter conseguido limpar o seu nome depois do ocorrido em Tall Oaks e China, ela ainda era uma espiã, detentora de muita informação, seria praticamente impossível evitar um interrogatório sob a ameaça de prisão por crime de espionagem caso não abrisse a boca. Mas estava baleada, doente e cansada... e qualquer coisa no mundo inteiro, era melhor do que aquilo que a aguardava naquele laboratório subterano. Deixou-se cair de joelhos ignorando o esforço que Leon fazia para ela se levantar.
Eram três helicópteros da força aérea abarrotados de soldados, armados até os dentes, ao longe também podia se escutar o som dos caças cortando o ar enquanto sobrevoavam o local.
" – Mesmo assim, eles não vão conseguir pega-lo." – Ela disse.
Leon também sabia que provavelmente o outro Simons escapou, mas o importante é que seja lá qual for o mal que fizeram a Ada lá dentro, acabou. Ela estava com ele agora, e a salvo.
~.~.~.~.~
Dois dias passaram desde a fuga, e os resultados do ocorrido foram quase tão desastrosos quanto Ada previa. A única diferença era que até agora nenhum agente foi enviado para interroga-la formalmente ou notifica-la de sua prisão.
A bem da verdade, era que ela estava resignada... Lidar com o governo norte-americano não seria assim tão difícil, Ela sabia muito bem o que oferecê-los em troca de liberdade, o problema seria o "depois", as pessoas que estaria traíndo, os traidores infiltrados... E para completar, Leon também estava exposto. Antes ela era sozinha... agora...
"-Droga!" – Lembrou que muito em breve ela não poderia mais barganhar nada. O governo estava sob posse da pesquisa de Desmond, e essa tecnologia agora só seria ainda mais desenvolvida daqui para frente. Se eles quiserem qualquer informação, basta prende-la outra vez, drogarem-na e colocarem-na naquela... coisa, outra vez. Bufou, pensou se Leon permitiria isso...
Flagrou-se imaginando o quão constrangedor seria encontra-lo novamente. Afinal, como ela mesma havia previsto, toda a informação colhida por Desmond saiu daquele laboratório e chegou a um domínio quase público. Ada ainda estava sob cuidados médicos, mas era atualizada frequentemente sobre as noticias, e sobre todo o material recolhido do laboratório pelo governo norte americano.
Deu um longo suspiro e contou um minuto antes de se levantar da cama. Já estava de saco cheio daquele quarto de hospital na base da Força Aérea. Estranhamente era permitido a ela circular pelo andar, quase sem nenhuma preocupação de uma tentativa de fuga.
"Bem...até o momento eu nem fui oficialmente presa, para falar a verdade..."
Nenhum mandato, nenhuma visita oficial, nenhuma ameaça. Ada olhou para o curativo em sua perna e pensou, que talvez fugir não fosse tão estúpido. Mas a pergunta era: Fugir para onde? E por quê?
"A porra toda já foi atirada no ventilador mesmo..."
Não deu nem três passos quando alguém bateu à porta.
" – Ada, posso entrar?" – Era Leon.
A espiã encolheu os ombros. Que outra alternativa tinha? Dizer que não queria vê-lo pois estava muito envergonhada não parecia uma boa opção, embora fosse justamente o que quisesse fazer.
" – Entra." – Respondeu enquanto se escorava próximo a janela. Lá fora o céu era alaranjado num típico fim de tarde, fingir que observava os soldados marcharem do lado de fora era melhor que encarar o agente.
Leon trancou a porta atrás de si. " – Oi." – Se aproximou da janela também observando o que acontecia La fora por alguns segundos, depois, voltando-se para ela. " – Obrigado pela dica dos mosquitos... eu na hora imaginei outra coisa, mas o que importa é que funcionou."
" – Não há de quê. Eu não tive a mesma sorte, eles me picaram logo que entrei... eu nem desconfiei que..." – Não continuou, apenas engoliu em seco.
" – Como você está?" – então ele viu pela primeira vez aqueles pequenos olhos castanho-esverdeados virarem em sua direção desde que ele entrou naquele quarto.
" – Bem. E você?" – disse apontando para o ombro enfaixado a sua frente. Leon também vestia um pijama de hospital, o que indiretamente explicava o porquê de não ter aparecido antes.
" – Eu diria que estou bem... a não ser por ter sido informado que o meu nome agora consta no programa de proteção. A propósito, enquanto eu discuto os termos e se isso é mesmo necessário ou não, tem cinco agentes de primeira categoria lá fora e essa base está toda monitorada. Eu pensei que fosse por sua causa, mas não, é por mim. Até para ir ao banheiro fica alguém na porta. É sério, eu fiz um teste, demorei um pouco em silencio, dez minutos talvez... e eles bateram na porta para conferir se eu estava bem."
" – É.. parece que eu te causei problemas, provavelmente, até destruí a sua carreira."
" – E porquê? O que aconteceu naquele laboratório, Ada?"
Ela sentiu a face arder. " – Não te contaram?"
" – Me disseram que agora eu estou oficialmente relacionado a você e estou jurado de morte pelos membros remanescentes da Família... e se tratando do seu estilo de vida, provavelmente eu virei alvo pra mais um punhado de gente. Me ofereceram uma pasta de documentos, sobre essa nova tecnologia de manipulação do sono, dos estudos feitos em você e um... filme."
" – Então você já sabe tudo. Não há mais nada que eu precise te contar." – Cruzou os braços e voltou sua atenção aos soldados la fora.
" – Eu sei o que fizeram com você lá dentro, Ada. E eu sinto muito... Mas eu não li sobre tudo o que eles descobriram, muito menos assisti o filme. Me desculpe por não ter autoridade o suficiente para queimar todos esses dados, e evitar que todos esses meus... colegas... continuem a ter acesso a todas essas informações que só dizem respeito a você. Eu sei que viraram a sua mente de cabeça pra baixo e eu sei que quem estava lá era eu, e eu também sei que por causa disso agora eu também pago um preço. Mas mesmo tendo passado quinze anos da minha vida desejando saber se eu era mesmo importante pra você, eu não queria saber assim. Por isso eu não vi, e nem verei. São os seus sonhos, a sua privacidade... E mesmo se o mundo inteiro souber, eu prefiro morrer sem saber se você não quiser me contar."
Um sorriso nervoso brotou nos lábios de Ada conforme ela lutava para que as lagrimas que brotavam de seus olhos não rolassem. " – Você é mesmo um bom moço, né Leon? É obvio que você não veria. Não sei porquê eu imaginei que pudesse ser diferente." – Ela tremeu quando o sentiu próximo, e mais ainda quando ele a segurou delicadamente pelo queixo forçando a encara-lo.
" – Me fala, eu quero ouvir da sua boca. O que exatamente você sente por mim? Que importância tão grande é essa que você me dá, que alguém me mataria só pra te atingir?"
Ada mais uma vez engoliu em seco. Só fez isso uma única vez na vida, e só o fez porque achou que estava morrendo. Nunca conseguiria explicar seus sentimentos de uma maneira profunda, sempre foi uma mulher de poucas palavras. Se Leon não entendeu a profundidade da declaração que ele fez em Raccoon City enquanto morria nos braços dele, se ele não conseguiu pescar a sutileza de cada palavra de amor que as vezes escapava quando estavam se amando em cada um de seus encontros as escondidas ao longo desses quinze anos, então, não havia mais nada o que ela pudesse fazer. Era mais forte do que ela, aprendeu a ser uma rocha, e não estava pronta para desmoronar em palavras doces. Se ele a amava tanto assim, teria que aceitar isso.
" – Você deveria saber, melhor do que qualquer um. Jura que nunca foi obvio? Até onde eu me lembre, Senhor Kennedy, fui eu a me declarar primeiro." – Disse enquanto se afastava.
Leon percebeu o que estava em jogo. Ada era orgulhosa, mas era obvio que ela o amava. " – Eu poderia ter te feito muito mais do que uma declaração, se você tivesse me dado uma chance. Mas até dizer que te amo é difícil se quando eu peço pra você esperar, na maioria das vezes você foge! Por que você nunca esperou? Por quê você aparecia do nada, ficava uma noite e depois sumia outra vez? Eu nunca acreditei que nós éramos só amantes, nunca! Eu só queria saber o porquê os seus sentimentos nunca foram fortes o suficientes para te fazer... ficar."
" – Talvez os cinco agentes de primeira categoria plantados atrás daquela porta respondam essa pergunta." – Cruzou os braços e o encarou de maneira debochada, abaixando o tom de voz e fazendo o agente lembrar que além do filme, dos documentos, essa conversa "intima de casal" também estava sendo escutada por cinco pessoas, que mais tarde se reuniriam com outras pessoas, onde todos discutiriam sobre a intensa vida cômico-trágico-amorosa do chefe com uma espiã.
" – Vai dizer que foi para me proteger? Não seja sínica!"
A espiã abriu e fechou a boca algumas vezes sem conseguir emitir qualquer som, colocando as mãos na cintura e encarando-o visivelmente ofendida. " – Sínica?"
" – Eu não sou nenhum idiota, nenhum incapaz, Ada. E você nem me deu o direito de escolha. Talvez fosse um risco que eu estivesse disposto a correr. Mas não, você é prepotente demais para tomar decisões a dois, foge e se mantém sozinha só para garantir que as coisas sejam sempre feitas só do seu jeito, sem que a minha vontade também seja levada em consideração. Vai me dizer que se algo acontecesse comigo o remorso seria grande demais para suportar? Que tal o remorso por ter me negado quinze anos de uma vida em que eu poderia ter sido realmente feliz?"
" – Você não sabe do que está falando, Leon."
" – Eu só sei que ter cinco agentes como segurança por estar ao seu lado, não pode ser pior que as cinco garrafas de uísque que me esperam em casa porque eu estou sozinho, e porque não importa o quanto eu tente... e acredite, eu tentei, eu não quero estar com mais ninguém que não seja você."
Os longos minutos de silêncio que seguiram após, serviram para mostrar que nenhum deles ia ceder.
" – Eu tive uma ideia." – Começou a espiã. " – Eu vou te ajudar, tudo vai voltar a ser como antes. O que te põe em perigo é o fato de eu te amar? Ótimo, nada impede que o amor acabe, e que eu ame outra pessoa."
Leon avançou dois passos em direção a ela, fazendo-a recuar. " – O quê?"
" – Eu estou falando de casamento. Bem, se você tivesse visto todo o material entenderia. Tudo o que eu preciso é de um casamento, e um marido por quem eu supostamente estaria perdidamente apaixonada. E pronto, você está livre."
" – Você não faria isso..." – A voz de Leon era trêmula –" – Uma, porque não é garantido que funcione. Duas, porquê você envolveria um inocente. Três, porque... – Então ele lembrou, o valores que valiam para ele, não valem para Ada Wong. – "... não faça isso. Por Favor."
" – Não é garantido que dê certo, mas é uma tentativa. Quanto ao meu marido, não sinta pena dele. Ele não precisa ser um bom rapaz. Pode ser alguém que segundo os seus princípios, mereça morrer. Pode ser um mercenário ou outro espião, ele pode inclusive se sair muito bem sobrevivendo por um longo tempo, ou talvez, nem mesmo morrendo, se ele for bom no que faz. Mas você estará a salvo e isso é o que importa. Se ele morrer, eu não me importarei tanto, mas se for você..."
Pela primeira vez na vida, Ada percebeu um olhar como aquele vindo de Leon. Nem mesmo quando ele descobriu que ela mentia em Raccoon, nem mesmo quando ela tomou a amostra das Plagas com uma arma apontada para a cabeça dele. Nem mesmo quando ele a tinha sob a mira de uma metralhadora e a desconfiança que tinha sido ela a soltar a Plaga na Eslava Oriental. Aliás, nem mesmo com as acusações mais horríveis, carregando os crimes mais hediondos, nunca aquele policial bonzinho que mais tarde se tornaria um agente, sentiu raiva dela. Talvez porque sempre teve algo dentro de si, quase um sexto sentido, que o fazia simplesmente saber que ela era inocente – ou na pior das hipóteses, não tão culpada assim.
Mas agora era diferente, agora ela era culpada e confessa. E Leon a odiava por isso. Ada sentia como se aquele olhar fosse uma punhalada no peito. Era raiva. Era ódio. Ele estava prestes a explodir. Mas nem por isso ela voltaria atrás. Talvez Leon tivesse razão ela era mesmo egoísta, e os sentimentos dele não importavam quando o que estava em jogo eram os dela, e ela estava decidida a não correr o risco de estar com ele finalmente, para então, vê-lo morrer.
" – Eu já entendi. Esse sujeito, seja lá ele quem for... é mais capaz de estar ao seu lado do que eu. Eu não mereço o mesmo voto de confiança. Talvez com ele dê certo, talvez ele nem morra. Mas eu, com certeza morreria. Então eu sou fraco demais pra você."
" – Não foi isso o que eu disse... eu..." – Ada pensou em se explicar, então lembrou que se Leon sentisse raiva dela, só tornaria tudo ainda mais fácil. Por fim, decidiu deixar que ele tirasse as piores conclusões.
" – Certo. Será do seu jeito então. Mas só para deixar bem claro... Me esquece. Faz que conta que eu nem existo mais, nunca mais me procure e da próxima vez quem nos encontrarmos ao acaso, por favor, eu te imploro... nem fale comigo. Adeus, Ada."
Ada não se alterou diante da revolta de Leon, nem mesmo quando ele bateu a porta dom tanta força que fez as janelas tremer. Assim era a maioria dos homens, no final eles tem um ponto de orgulho onde se tornam extremamente emotivos quando você cutuca. Leon era pacifico, calmo, controlado, mas ele também tinha o seu limite. Suspirou longamente, convencida de que tomou a decisão certa.
~.~.~.~.~.~.~
Como seria botar um plano assim em pratica? Foi uma ideia louca, tomada num segundo... e ela não estava acostumada a isso. Teria que ser algo grandioso, espalhafatoso, algo... convincente.
As palavras de Leon ainda ecoavam de maneira desordenada na sua cabeça, e a fazia lembrar de que ela o amava. E claro, que ela, que sempre foi sozinha... em breve teria um companheiro, ela o seduziria e ele cairia por ela, algo que sempre foi fácil fazer... só que dessa vez ele entraria em sua vida e estaria sempre presente. A ideia de dividir a vida com esse homem não agradava Ada em nada, nem sabia quem ele era, já até tinha alguns nomes em mente mas nenhuma decisão, e mesmo sem ainda saber quem o seu digníssimo marido era, ela já o desejava capturado e morto o quanto antes.
" Isso não está certo."
Então uma ideia aterrorizante surgiu como um relâmpago em sua mente. A lembrança do que acontecia com inúmeros casais por mais cuidadosos que fossem, a consequência de quando um homem e uma mulher dividem a cama constantemente aumentando assim a margem estatística para o erro... E se ela engravidasse? Tudo estaria arruinado, perder um marido que foi previamente escolhido para que ser uma ovelha de sacrifício era uma coisa. Mas se colocasse um filho no mundo, mesmo que fruto de uma relação sem amor, ela estaria novamente na mesma sinuca de bico em que se encontra agora, pois ainda seria seu filho e ela sabia que não suportaria perde-lo.
" Vamos as opções definitivas... laqueadura tubária... histerectomia... isso elimina qualquer chance de..."
Sem querer lembrou da experiência louca que teve dias atrás, e do sonho que teve. Lembrou de Scott, Jo e Philip. Lembrou do bebezinho tão parecido com ela, lembrou do que era ter uma menininha que tudo o que precisava para se sentir corajosa, era apertar a sua mão, de Scott, que apesar que também ter muito dela, era como se estivesse olhando para uma versão adolescente de Leon, com a mesma expressão calma, doce e a mesma personalidade protetora.
" Ada o que você está fazendo?"
Sim, ela estava tomando uma decisão sozinha, como sempre. E estava levando essa decisão até as últimas consequências. Estava colocando Leon para fora de sua vida, e para sempre. E nunca seria mãe, nunca colocaria um bebê em pé e o faria andar. Nunca olharia para seu filho adolescente e veria nele o reflexo do pai, fosse Leon, ou fosse qualquer outro.
"...você é prepotente demais para tomar decisões a dois, foge e se mantém sozinha só para garantir que as coisas sejam sempre feitas somente do seu jeito, sem que a minha vontade também seja levada em consideração. Vai me dizer que se algo acontecesse comigo o remorso seria grande demais para suportar? Que tal o remorso por ter me negado quinze anos de uma vida em que eu poderia ter sido realmente feliz?"
" – Eu tive a minha chance, Leon. E foi há quinze anos. Eu devia ter fugido com você naquele dia, enquanto ainda era tempo."
A quem queria enganar? Sim, só estava pensando nela mesma. Nunca conseguiu desistir de Leon, de ficar sem vê-lo, ocupando um espaço grande na vida dele esse tempo todo. E ao mesmo tempo nunca teve coragem de assumir algo real com ele. Ele era um combatente, um adulto, um homem inteligente e forte. E ele queria isso... consciente de todos os riscos, ainda assim, ele queria. Mas ela lhe negava, simplesmente porque sairia de sua zona de conforto, por nunca seria traída se não confiasse em ninguém, nunca seria abandonada se sempre estivesse sozinha, nunca perderia a sua felicidade se estivesse sempre infeliz. Leon sempre esteve lá, ao seu alcance, uma única palavra, um único movimento e ele era seu. Mas tê-lo, também significa poder perdê-lo. Seria encarar uma vida humana cheia de revira voltas, onde ele saberia muito sobre seus defeitos e suas fraqueza, uma vida onde ela não controlaria mais nada.
Era isso o que queria? Estava mesmo tudo acabado? Não queria Leon, não queria uma vida ao lado dele, sob nenhuma hipótese, nunca? Era esse o fim?
Mancou até a porta e saiu do quarto. Percorreu todo o longo corredor até o posto de enfermagem.
" – Por Favor. Eu preciso saber onde é o quarto do Senhor Kennedy, Leon Scott Kennedy."
" – Na ala masculina, segundo andar, quarto 207. Mas acho melhor se apressar, ele teve alta essa manha, talvez já tenha ido embora."
Ada sabia o endereço de Leon, sabia o telefone, registro civil, tinha como saber inclusive quais canais de TV a cabo ele assina, ela é uma espiã. E daí que ele foi embora? Poderia falar com ele amanhã, sim. Mas não queria, queria falar com ele agora, imediatamente. Tomou o elevador e foi até o quarto indicado, só para encontra-lo vazio.
O pijama que ele usava ainda estava lá, jogado em cima da cômoda. Tomou a blusa entre as mãos e levou ao rosto para sentir o perfume, junto com ele veio a sensação de que não teria amanha. De que esperou quinze anos, era muito tempo... era tarde demais.
" – Senhora, o que faz aqui?" – Disse a enfermeira parada ao lado da porta.
Ada tentou disfarçar o pesar, colocou a peça de roupa imediatamente onde estava e se virou para ela. " – Nada. Eu queria ver um amigo, mas ele já foi embora."
" – O Agente Kennedy tomou o elevador nesse segundo, não o viu ali na recepção por pouco. Se você se apressar, talvez o alcance, ele ainda tem que assinar os papeis da alta médica lá no primeiro andar."
Os olhos da espiã ganharam brilho outra vez.
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" – Assine aqui, aqui e... aqui." – A recepcionista fez um "x" em cada espaço que deveria ser assinado. " – e uma rubrica em cada pagina."
Ela era jovem, exageradamente simpática, sorridente e as colegas dela tinham aquela expressão que Leon conhecia muito bem... ela o achou lindo. De volta, tudo o que ele conseguia retribuir era uma careta de dor por causa do ombro e toda a sua frustração e mau humor por causa de Ada. Foi quando escutou aquela voz...
" – Leon."
O agente bateu a caneta contra a mesa algumas vezes antes de larga-la e finalmente se virar. Queria parecer raivoso, magoado, irado ou de preferência frio e indiferente. Mas tudo o que conseguiu expressar foi surpresa por vê-la ofegante, com a camisola do hospital e a perna enfaixada a sua frente. Muito diferente de qualquer aparição "triunfante e espetacular" de Ada Wong.
" – Ada... o que você está fazendo aqui?"
A espiã repuxou a perna numa expressão de dor enquanto se apoiava na outra para tentar descançar. Ela não sentia o tempo ao seu favor, por algum motivo, ela sentia que tinha q ser rápida... talvez, por que já esperou tempo demais.
Leon nunca soube dizer ao certo que cor tinham aqueles olhos, era algo indefinido, como se mudasse com o tempo, se fosse sol ou se fosse chuva. Mudava conforme a roupa que ela estivesse usando e mudava também junto com a cor do céu. E as vezes parecia mudar conforme o estado de humor. Quando ela estava em missão, eles comumente ficavam ainda mais puxados e ligeiramente cor de mel, como os de uma gata esperta. Quando eles estavam se amando, sempre escureciam, tendo apenas algumas rajadas de verde e dourado, mas ficando quase castanhos. E agora, estavam brilhantes, quase verde-claro, acontecia muito quando ela estava emocionada. Foi assim que ela começou.
" – Nós nos casamos. A gente fugiu em Raccoon City, deixamos tudo pra trás e fomos viver juntos. A casa é uma bagunça, eu descobri que sou ciumenta e que você fala muita sacanagem. Quinze anos passaram, mas nós continuamos inacreditavelmente apaixonados."
" – Nós tivemos três filhos. Scott tem quatorze, Joan Li tem seis e Philip, um bebezinho de um ano."
Todas as pessoas no local ficaram em silêncio, mas Leon não se importou com a plateia. Apenas ergueu uma sobrancelha e arrastou o pé alguns centímetros mais para perto.
" – Joan é uma princesinha, tem o seu cabelo, ela toca violino e, irrita um pouco mas sabe... eu acho que ela tem potencial. E Philip, ele come muito faz muito coc minha cara, ele fala pouco, mas a gente percebe que ele observa tudo, nenhum detalhe escapa e a cada segundo ele aprende algo novo, ele é muito, muito esperto! E Scott... bem..." – Ada suspirou, a verdade era que por mais que tivesse chegado até ali, não estava preparada para demonstrar toda a emoção que sentia. – " – Meu Deus, ele é tão parecido com você, nem existem palavras pra explicar o que é a experiência de ver vocês dois juntos."
Leon deixou escapar um sorriso de canto. Não era engraçado, mas era... inacreditável. Nem em mil anos, nem se um dia ele fosse testemunha de uma corrida de unicórnios, conseguiria imaginar Ada diante dele falando algo assim.
" – Olha, eu sei que eu tomei todas as decisões erradas que uma mulher pode tomar. Mas, se você concordar... talvez ainda não seja muito tarde... talvez..." – ela não sabia dizer se foi ela que falou muito devagar, ou se foi Leon que andou muito rápido. Só sabe que deu tempo dele interrompê-la num segundo, e ela já não podia dizer mais nada quando ele cobriu a sua boca com a dele. Ele a toou nos braços e eles se beijaram ainda mais forte.
Em algum lugar alguém bateu palmas, num outro canto, alguém assobiou. Quando ele finalmente desfez o beijo, ele ainda a apertava forte em seus braços. " – Eu se fosse você começava a ficar preocupada, porque eu ainda vou te obrigar a repetir essa estória um milhão de vezes."
Ela não estava preocupada, estava aliviada. Porquê sabia que ele nunca conseguiria arrancar dela outra cena tão ridícula um milhão de vezes, mas ao invés disso, agora pela primeira vez, ele arrancaria dela um fato inédito, que aconteceria agora e definitivamente, para nunca mais precisar se repetir. Ele a faria ficar, já não havia mais nenhum outro lugar que ela devesse estar, a não ser ali.
Fim.
~.~.~.~.~.~.~.~.
Pessoas, acabei a fic finalmente! Ai que alívio! A fic ficou maior do que eu esperava, menos engraçada do que eu queria (era pra ter sido uma comedia romântica, sabe?...XD), mas acabou. Tá aí. Espero que tenha ficado legal.
Agora, depois das provas na faculdade, vou decidir meu próximo projeto de fic. Eu já tinha decidido por uma comedia romântica, inspirada em outro filme, seria uma fic HelenaxLeonXAda e Helena é a protagonista, eu adoro ela, adoro o jeitão de policial durona mas q tem um coração enorme, sabe, casca dura por fora, manteiga derretida por dentro? E nessa fic eu abordaria pela primeira vez um tema q eu nunca abordei numa fic antes que é... ai não sei se falo... mas nessas coisas de fanfic tem q avisar, ainda mais esse "tema" tem uns e outros ai "supersensíveis" que se você não avisa começa ao mimimi "ainnn não avisou" blablabla... então talvez eu mantenha o segredo e só avise quando chegar o capitulo em que a revelação for feita.
A outra fic q eu tenho em mente é mais complicada. Será uma fic longa, escrita em POV's dos personagens, igual os livros de As Crônicas de Gelo e Fogo...^^. Eu terminei de ler os cinco livros agora e fiquei com essa ideia na cabeça, de fazer uma estória bem longa, com muitos pov's, mas tudo girando somente em torno de três personagens, Ada, Leon e Jake. E sim, será um JakexAdaxLeon... me veio uma ideia mucho loka na cabeça sabe... aí...:D
- Ei! Calma gente, em nenhuma das fics vai ter Menage, ok?...hahahahaha –
Mas essa fic com o Jake... eu não consigo me decidir a respeito do final, e muitas coisas sobre o desenvolvimento ainda tem que ser pensadas... ai eu fico na duvida sabe, se eu começo logo essa que já esta prontinha na minha cabeça, ou se tiro um tempo de folga para elaborar e terminar de criar essa do jake, pq é algo que eu realmente quero escrever! Algo pra sair totalmente da minha zona de conforto, pq a HelenaxLeonxAda não é nem de longe um triangulo amoroso, absolutamente não, mas a JakexAdaxLeon é! Então eu tenho que amadurecer bem os sentimentos e a ambientação da trama pros personagens não ficarem tortos demais, sabe?
Enfim... por isso tá aqui o aviso que, enquanto eu me decido (estou aberta a opiniões), talvez eu dê uma sumida... Acho que é isso.^^
Nos lemos!
