Capítulo III
O carro estacionou devagar ao lado da calçada. Mal os pneus pararam de rodar e Máscara da Morte saltou do veículo. Tragou o cigarro até a ponta flamejar e o jogou fora.
Afrodite desceu depois dele, olhando instintivamente para os lados. Atrás dele vinha Shura, que puxava para cima a gola aberta do sobretudo.
Pararam em frente a um bar muito requintado, com direito a garçons em trajes de gala e clientes pomposos e ricos.
Um dos garçons abriu a reluzente porta de vidro para que o trio entrasse; muitos olhares desviaram-se para eles, não suficientemente discretos, para depois voltar às suas distrações. Apenas um par de olhos os fitava de longe, do fundo da ala dos fumantes. Mask dirigiu-se àquela mesa, afastada dos demais, com Afrodite e Shura às suas costas.
O homem levantou-se. Usava um terno cinzento impecável, com uma camisa branca por baixo do paletó engomado. Era bem alto, tinha os ombros largos e os cabelos castanho-claro caindo ao longo das costas. O olhar verde pululava em cada um dos rapazes à sua frente; a boca era uma perfeita linha rígida até cumprimentá-los.
- Sabia que viria. Mask – Estendeu a mão para o italiano, que a apertou como se quisesse quebrar-lhe os dedos.
- Hum – Mask acenou com a cabeça. – Já que pediu, eu "trouxe eles". Shura – O moreno alto atrás dele trocou um silencioso aperto de mãos com o homem que os recebera – e Afrodite. – O loiro adiantou-se e, contradizendo sua aparência frágil, deu um vigoroso aperto de mão.
- Prazer em conhecê-los. Podem me chamar de Kanon. Mask já me conhece.
- Não que isso seja um prazer – zombou o italiano, pondo as mãos nos bolsos dianteiros da calça jeans, com os polegares para fora.
Kanon continuou a fitá-los.
- Podem sentar-se? Por favor. – Ele gesticulou com a mão em direção à mesa onde estava. Mask foi o primeiro; puxou uma das cadeiras que estava desocupada ao lado de Kanon e colocou-a na quina da mesa. Sentou-se. Novos olhares os fitavam. Afrodite sentou-se normalmente, arqueando as sobrancelhas pela atitude de Mask. Shura sentou-se no canto, apoiando o cotovelo sobre a mesa com uma expressão muito entediada.
Kanon fez o mesmo e sentou-se, apoiando as mãos cruzadas sobre a mesa.
- E então? – Mask puxou do bolso um cigarro.
- Vim por causa "dele" – Kanon baixou o rosto e fitou Mask com um olhar sério.
- "Ele"? - Afrodite perguntou sem saber.
- Chiu! – Mask foi ríspido. Ignorou a careta de Afrodite. – O que tem "ele"?
- Mandou vir atrás de vocês.
- Interessante. – Máscara brincou com o cigarro nos dedos. – Shura, tem fogo?
O moreno que até então estava silencioso abriu uma aba do sobretudo e tirou um isqueiro para Mask. O brilho metálico do tambor prateado de uma pistola reluziu por baixo do pano. Mask acendeu o cigarro e largou o isqueiro sobre a mesa.
- O que dizia?
- "Ele" diz que precisa dos melhores. – Kanon prosseguiu. Baixou o rosto até ocultar os lábios com as mãos cruzadas apoiadas nos cotovelos. – "Ele" falou de vocês, e conseguimos o seu número – acenou com a cabeça para o lado de Mask.
O italiano deu uma risada debochada.
- Os melhores, claro, claro – jogou o cigarro para o canto da boca. – Diz aí, tem dedo seu nisso aí, não tem não?
O olhar de Kanon desviou e um ligeiro sorriso brincou em seus lábios antes de sumir completamente.
- Muito bom – Desta vez, deu um sorriso irônico discreto. – Muito esperto, como sempre...
- Não me enrola – Mask se inclinou sobre a mesa sem levantar-se. Kanon não vacilou um músculo diante o gesto intimidador do italiano. – Cê sabe das coisas melhor do que. Quem manda en quella merda é o pai dele, e você sabe...
- Está morto. – Kanon lançou um olhar grave. O silêncio reinou naquela mesa, e só era possível ouvir o burburinho e as risadinhas dos outros clientes. Mask fitou o homem à sua frente sem piscar, quase deixando o cigarro cair.
- Tá brincando.
Kanon balançou negativamente a cabeça, traçando novamente aquela linha rígida com os lábios.
- Um atentado. Uma negociação que não deu certo. – Falou num tom tão baixo e sério que transmitiu a idéia de ser um assunto que devia ser tratado ali. Mask estralou os dedos e voltou a apoiar as costas no encosto da cadeira. Trincou a mandíbula.
Kanon prosseguiu.
- Agora, "ele" tá no poder.
- É muito novo. – Debochou Mask, tentando quebrar a tensão. - Não tem nem pelo na cara, o que ele vai fazer com uma máf...
Kanon pigarreou, interrompendo o italiano.
- Como eu ia dizendo – lançou um olhar de aviso a Mask. – "Ele" pediu para que eu os testasse.
- Test...?
Mask parou com a boca entreaberta; riu, e deu um tapa animado na mesa, fazendo barulho.
- Espera! – Afrodite franzia as sobrancelhas. – Alguém pode explicar? Por favor? - Usou um tom muito irônico na última frase, e em seguida apoiou furioso os cotovelos sobre a mesa. Ao seu lado, Shura dava um breve aceno enquanto tamborilava os dedos.
Kanon rolou lentamente os olhos verdes para o loiro. Pôs a mão por baixo do paletó – Shura pareceu despertar, pois num instante segurava o punho da arma sob o sobretudo. Máscara rosnou para ele um "calma" baixo. Kanon não se interrompeu, e tirou do bolso um objeto prateado que fez Afrodite soltar uma exclamação inaudível.
- Acho que era de vocês – Kanon deixou o pen drive no centro da mesa. – Bom saber que a segurança precisa de reforço. Foi você quem invadiu o sistema? – Kanon ergueu o queixo acima das próprias mãos cruzadas; dirigia-se a Afrodite. Este gaguejou, vacilou um pouco ao desviar os orbes azuis-piscina e acenou rapidamente a cabeça. Kanon deu um sorrisinho.
- Ei, moças – interrompeu Mask, que acendia outro cigarro. – Não é hora da novela. – Ignorou Afrodite, que o fuzilou novamente com os olhos. – Não era mais fácil ter chamado a gente que nem agora?
Kanon deu de ombros.
- Mask. – Kanon ignorou a pergunta. – A proposta é que vocês entrem para a nossa equipe.
Um segundo grande silêncio pousou sobre aquela mesa. Mask , que até o momento se inclinava para a frente, voltou a largar-se na cadeira com um sorrisinho descaradamente irônico.
- Tá.
- E então? Façamos o acordo?
- Claro. Quanto ganho pela minha cabeça?
- Mask, não esqueça que ainda estamos em débito. Achou que salvar sua vida seria tão barato?
- O que...
Kanon novamente pôs a mão dentro do paletó e soltou sobre a mesa um pedaço de papel. – Neste endereço, às oito horas. Coisa simples. Posso contar com vocês?
Mask lançou um olhar de esguelha. Afrodite olhava do papel para Mask, e de volta para o papel, parecendo meio ansioso. Shura, que havia subido a gola do sobretudo até o nariz, concordou com um aceno. O italiano, então, esticou o braço e apanhou o papel sem dizer mais nada.
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- O.K., acabamos de sair de um restaurante muito caro, e um cara falou um monte de coisa que eu não entendi droga nenhuma. – Afrodite estava no banco do fundo da vã, esgueirado entre os bancos da frente. – Alguém pode explicar? Mask!
Mask vinha no caminho analisando o pedaço de papel. Conhecia aquele lugar; era uma estrada abandonada que terminava na estrada principal, ao noroeste da cidade. Aquele lugar era conhecido – dentro das máfias, é claro – por ser uma região de grande escoamento de produtos do mercado negro. Era nisso em que estavam se metendo agora?
Não podia nem recusar. Como Kanon havia dito, Mask lhes devia alguma coisa; e se fosse pensar... Eles o acharam muito facilmente. Ou seja, sem chance de fugir! Merda! O italiano fechava a cara e olhava paranóico para o retrovisor, verificando se não havia ninguém atrás deles. Sobressaltou-se com um golpe na cabeça, que Afrodite lhe acertava com os nós dos dedos.
- Alôu! Faz favor, vai! Seria ótimo saber onde você tá nos metendo! – O sueco pendurava-se no banco da frente. No volante, Shura lançava um olhar sério.
- Velho – O espanhol começou, após virar-se para frente. – Aquele cara não me parecia ser qualquer um. Isso tá estranho.
Mask bufou de modo quase infantil.
- Tá bom, vocês venceram. Eles são a máfia da Grécia, por mais estranho que isso seja! Há três anos, os filhos da mãe vieram pra cá, pra América. O problema é que eles pisaram no território de uma das maiores filiais da máfia italiana. Os dois disputando no mercado negro, daí a rixa ficou foda. Eu tinha vinte anos e tava no meio dessa merda toda. Arrumei encrenca com um pessoal da máfia italiana, uns folgados malditos, e quase me apagaram. Fui jogado na estrada, nessa estrada – agitou o papel com vigor – e eu vi os caras gregos chegando perto. Nem pensei em nada, mais ferrado do que eu já tava...!
Afrodite e Shura o ouviam em silêncio. A boca do sueco formava um perfeito O de espanto.
- E então que foi o pior. Tentei até me fingir de morto, mas alguém me viu e veio até mim. Lembro que aquele figlio de uma cagna me chutou na perna, diabo. Acho que eu xinguei, não lembro bem, tinha recebido uma pancada na cabeça. Só sei que acordei no hospital, com aquela luz forte na cara e aquele cheiro nojento de remédio. Tava muito tonto, vendo em dobro. Tentei até sentar, mas não conseguia me mexer. Sei lá que droga tinham me dado.
"Não deu um minuto e uma enfermeira entrou no quarto, perguntando como eu tava. Acho que nem consegui falar. Mas estava acordado, e nisso a enfermeira saiu do quarto. Eu olhei em volta de novo e pensei: 'Eu devia estar morto, o que é isso? '."
"E então a mulher entrou de novo, mas vinha um cara junto com ela. Dois, na verdade. Era um cara e um moleque, pelo que eu vi, devia ter uns 17 anos. Maior cara de pivete. Eles olhavam pra mim, e eu não entendia nada. O cara mais velho então pediu pra enfermeira sair, e ficamos os três lá no quarto. E eu tentando manter os olhos bem abertos."
"– E não é que tá vivo? – O pivete aproximou-se da cama, curioso, com sua voz estranha de quem há pouco engrossara. Me irritei com isso; o que é, tenho cara de bicho pra ficar olhando, pensei."
"- Vaso ruim não quebra. – Disse o mais velho, que pelo que percebi, ficou olhando para as persianas da janela. Tentei mais uma vez me erguer em meus cotovelos, um pouco rápido demais."
"- Que merda é essa? Quem são vocês? – Tudo embaçou e eu escorreguei de novo até deitar. Vi o pivete rir de mim, mas eu tava tão chapado de analgésico que nem reagi."
"O cara mais velho se aproximou da cama, e parecia preocupado. Se apresentou como Kanon e perguntou como eu tinha ido parar ali, todo ferrado, no meio da estrada. 'Me bati até cansar e me joguei no mato. Me pegaram, seu idiota! ', eu disse. Mas se eu pegasse os malditos que fizeram aquilo, ah, te juro, no mínimo quebrava todos os ossos."
- Então era aquele cara do restaurante? – Interrompeu Afrodite, que ouvia atentamente.
- Antes não fosse. Seria melhor ter morrido, mas ia dar numa merda maior. Os caras da minha equipe me jogaram bem naquela estrada, e ia dar na cara que quem tinha me matado eram os gregos. Claro que Kanon percebeu isso, e na época conseguiu convencer o chefe deles a me tirar dali. E então me mandaram pro hospital.
- Foi boa – resmungou Shura ao girar o volante.
- Só fizeram isso pra não virar uma guerra entre as máfias. Dá o maior trabalho quando esse tipo de coisa acontece. E também pra me acolher, porque era óbvio que pra minha antiga equipe eu não ia voltar. Só se fosse pra arrancarem a minha cabeça.
"Aceitei ficar por lá por uns tempos, enquanto ainda tava meio aleijado. Assim que me recuperei me fizeram passar por um teste."
- Que tipo de teste?
- Treinar o filho do chefe, que era aquele pivete que ficou me encarando no hospital. O moleque nem sabia segurar uma arma – Mask riu com gosto, bem irônico. – Até achei estranho que tivessem enfiado o garoto na máfia tão cedo, mas como um dia ia encabeçar a equipe, precisava aprender.
- Então era "dele" que vocês tavam falando? – Perguntou Afrodite, estalando os dedos.
- Gênio! – O outro ironizou. – Deve ter uns vinte anos agora, no máximo. Sei lá. Quero só ver no que isso vai dar.
E se calou pelo resto do caminho, parecendo bem pensativo. Afrodite resolveu não perguntar mais. Shura permaneceu impassível como sempre, mas seus olhos anuviados denunciavam estarem imersos em pensamentos.
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Como haviam acertado, às oito horas em ponto Mask apareceu com seus companheiros, numa pontualidade quase inglesa. Shura estacionou o carro roubado na lateral da estrada, onde carros estavam estacionados. A noite estava especialmente fria, e até úmida, diga-se de passagem. Se não fosse pelos faróis dos carros, estariam numa escuridão muito densa, uma vez que faltava iluminação naquele trecho da estrada. Local perfeito para um comércio clandestino.
Kanon veio receber os rapazes. Ele vestia um pesado casaco preto, e os cabelos estavam presos.
- Sabia que viriam.
- O que quer que a gente faça?
Kanon pôs as mãos nos bolsos e olhou para os outros carros parados ali perto.
- Estão vendo aqueles carros? – Não esperou resposta – Tem mercadoria importante no porta-malas de um deles, mas os dois têm que atravessar. Mask já sabe o que os espera no caminho. – E lançou um olhar para o italiano. Este riu meio nervoso.
- Começamos bem, hein? – E sorriu sem humor.
- É só atravessar, não é? Então não tem problema. – Comentou Afrodite, como quem tentava quebrar a tensão. Porém ninguém respondeu, e Mask se afastou com um olhar obstinado em direção ao carro prateado que estava encostado na margem oposta. Shura fez o mesmo, indo para o carro preto que estava estacionado atrás do carro prata.
- Se fosse apenas atravessar eu não teria chamado vocês. – Kanon meneou com a cabeça em direção dos veículos. – Mandei por umas armas nos bancos da frente, por precaução.
Afrodite franziu as sobrancelhas e acenou repetidamente com a cabeça. Afastou-se do grego, caminhando em passos rápidos em direção dos carros. Shura já dava a partida no carro, a fumaça era soprada pelo escapamento. No outro carro, Mask recebia instruções de um dos capangas, que lhe entregava um antigo walkie-talkie, apenas para manter contato. Assim que recebeu o aparelho, Mask jogou-o para Afrodite que se aproximava.
- Segura isso aí, que eu vou dirigir.
Afrodite murmurou um "Okay" baixo enquanto dava a volta no carro. Mask abriu de supetão a porta do motorista e sentou-se. As chaves já estavam em seu lugar, esperando para dar vida ao motor.
- Mask.
Kanon vinha e abaixava-se junto à janela.
- Já sabe o que fazer. – Levantou e estapeou o capô do carro, afastando-se em seguida. No mesmo instante o motor do carro prata roncou e deu a partida, fazendo cantar os pneus. O carro preto saiu logo atrás.
Assim que saíram, Afrodite testou o walkie-talkie. Shura respondeu, numa voz estranhamente chiada, e desligou. A noite ainda parecia calma e silenciosa por trás do roncar macio do motor. A densa mata sacudia à medida que os carros passavam.
De repente um terceiro carro entrou na estrada. Outros dois o seguiam. No meio da sinfonia de motores um estalido metálico chamou a atenção de Mask e Afrodite. O carro preto de Shura emparelhou-os na estrada estreita, e puderam vê-lo puxar o walkie-talkie:
- Estão atirando, andem logo!
Afrodite lembrou-se das armas e as encontrou exatamente sobre o banco traseiro. Puxou uma espingarda reluzente e ia preparar-se para atirar quando o vidro de trás espatifou-se em mil pedaços.
- Droga! Filho de uma vaca!
Esbarrando em Mask – que quase perdera o controle da direção – Afrodite saltou para o banco traseiro e chutou os restos do vidro da janela. Posicionou o cano da arma na base de borracha e deu o primeiro tiro. Conseguiu ouvir de longe o vidro do primeiro carro estourar.
À esquerda Shura virava-se com freqüência para mirar um tiro no segundo carro enquanto baleavam seu porta-malas. Um projétil atravessou o banco da carona, e novamente Shura tentou, em vão, acertar uns tiros na direção dos perseguidores. Pois bem, se é o que querem!
Um golpe violento de volante lançou o carro preto para fora da estrada, perdendo-se em meio à mata. Afrodite gritou ao vê-lo sumir. Mask, que havia acompanhado a cena pelo retrovisor, agarrou o walkie-talkie abandonado no banco da carona. Dois dos carros também saíram à caça do espanhol.
- Shura! Responde, seu idiota!
O aparelho só chiou. Mask soltou um verdadeiro rosnado e jogou o walkie-talkie no banco novamente. Afrodite abaixou-se para alimentar a espingarda de munição.
- Droga, Mask, o...!
- Cazzo! Continua atirando! Anda!
O sueco levantou-se e mirou novamente. Foi só o estampido da arma e o barulho estrondoso do carro mais próximo rolando pelo asfalto. O tiro acertara um dos pneus. Afrodite ia xingar de exaltação, porém sentiu um ardor violento no braço esquerdo e o sangue jorrar. A bala varou a porta da carona após passar de raspão em Afrodite. Mask espiou por cima do ombro e viu o amigo contorcer-se. E só faltava mais um carro.
Pisou fundo no freio após gritar para o amigo se segurar. A pancada foi absurda; a frente do carro perseguidor enterrou-se no escapamento do carro prata, erguendo-o do chão e arrebentando o porta-malas. No entanto, o teto do outro carro pendia para o lado preso somente por uma dobra metálica frágil. A frente era irreconhecível. O motorista estava morto.
Mask chutou a porta do carro e saltou do banco. Sua testa sangrava horrivelmente, mas ia sobreviver, com certeza; cuspiu sangue sobre o outro carro. Um gemido saía do carro prata, e Mask teve de quebrar a janela que restava. Pôde ver Afrodite embolado no meio de parafernálias metálicas.
- Tudo bem? – Sentiu a própria cabeça doer ao franzir a testa. O loiro levantou o rosto, ainda bonito com uns leves arranhões nas bochecha e queixo. Sua voz fraca disse que sim, só que não consegui respirar. Mask usou de muita paciência e habilidade para tirar o amigo de lá. Sentiu uma espécie de alívio ao ver que Afrodite estava bem, não muito ferido, mas só um pouco tonto.
- Aperta isso aí – Resmungou, acenando o queixo em direção ao ferimento de bala. Afrodite não respondeu, apenas cobriu o corte com a mão e fez uma leve careta. Juntou-se a Mask no meio da estrada, olhou os estragos.
- Acho que fazia parte do plano entregar os carros inteiros. Né? – Riu baixinho, mas conteve-se ao sentir uma pontada nas costelas.
- Foda-se, estamos vivos. – Mask cuspiu sangue novamente.
- Mas o Shura...
Mask baixou os olhos, vendo a gasolina escorrer para perto deles. Afastou Afrodite dali, levando-o para a beira da estrada.
Sobressaltaram-se ao ouvir um carro se aproximando.
- As armas estão no carro! Merda! – Mask xingou, fechando o semblante. Estavam ferrados. A noite pareceu mais fria.
Os faróis lampejaram no meio da grama alta e os cegou. O carro parou a poucos metros deles, e o motorista saltou do veículo.
Como Mask desejou ter uma arma na mão! Seria um tolo se recuasse para perto dos destroços do outro carro, então permaneceu quieto. Ainda estava cego pela luz dos faróis brancos, e em silêncio esperou sentir um projétil atravessar qualquer parte de seu corpo ferido.
Mas não sentiu nada. Ouviu uma exclamação vinda de Afrodite, e então ousou estreitar os olhos quando uma figura escura recortou as luzes agressivas do carro.
- Pro carro. – Foi só o que a voz imponente de Shura disse. Mask olhou-o e piscou, como se estivesse conferindo se não estava louco. No final, abriu um sorriso debochado e gargalhou.
Em poucos segundos estavam disparando pela estrada. A noite pareceu silenciosa de novo, e o mato nas laterais da estrada começou a diminuir. Não demorou muito para o carro preto atingir a estrada principal calmamente e seguir para seu destino. A missão estava concluída.
Continua.
N/A: Desta vez me superei mesmo. Mais de 3.500 palavras segundo o Word! Nem acredito.
Espero mesmo que tenham gostado. Fico muito feliz em ver que as pessoas acompanham, e isso me estimula muito! E acabou saindo o que saiu.
Até a próxima!
