"Que garoto estranho"-Pensou Lucy.

No primeiro instante havia sido polido, mas depois, a bizarrice começou quando ele mencionou odiar o seu dom (o que muitos estudantes adorariam ter), depois para afirmar que ela não estava interessada em saber sobre ele.

Bom, isso era uma verdade, já que ela não era uma pessoa muito... "Socíavel" por assim, dizer, desenvolvendo essa dificuldade pela quantidade de humilhações que sofreu quando era mais nova, no entanto, não era algo que as pessoas tipicamente falariam na cara.

-Que garoto estranho. –Murmurou mais uma vez dando de ombros.

Provavelmente não o encontraria novamente.

-00-

-Ahh... Primeiro dia de aula é sempre um saco. –Bocejou Evangeline. –Nem sei porque temos que vir, já que eles não dão aula mesmo...

Bom, já que não tinha nada melhor que fazer então ia checar a internet.

-Oh droga, ainda estão falando disso.

Parecia até uma maldição, não importasse em que rede social Evangeline entrasse todos perguntavam para ela mais informações sobre as lendas da floresta, e olha que fazia um mês desde que postara a infeliz ideia de descobrir o que se passava lá.

-Hum?O que é isso? –Disse ao ver uma mensagem em seu tumblr.

"É incrível como a internet nos torna famosos não é?Nós podemos saber sobre qualquer coisa, sobre pessoas...

No entanto, isso não inclui sobre os moradores da mansão.

Se insistir em meter o focinho nas nossas vidas só para espalhar na internet e se tornar popular eu vou condená-la a reclusão.

Você vai perder seus e-mails, facebook, tumblr, Orkut, twiter e o que mais aparecer, cada fórum que tiver eu vou encontrar o seu a sua identidade... Você vai perdê-la.

-00-

-Droga!Mil vezes droga!-Xingou Sarah.

Não há como culpá-la, embora ela fosse uma pessoa bem direta e sem papas na língua, o cara lhe contara a revelação de supetão, é lógico que ela ficara com um peixe abrindo e fechando a boca, enquanto ele sumia da sua vista.

-Grrr...Ultimamente as coisas não estão dando certo para mim. –Resmungou ela.

-Precisa de ajuda?-Perguntou uma voz, apesar de parecer mais uma afirmação.

Sarah olhou para quem tinha perguntado, se deparando com um rapaz de feições sérias, cabelos negros e olhos azui-acinzentados.

"Hum... Nada mal, talvez um pouco franzinho demais... Nem se compara ao tal do Kraken"

-É um pouco constrangedor sem encarado como carne de segunda. –Disse o rapaz arqueando a sobrancelha.

-Ah... Er... Bem... Você lê mentes?Digo, não era exatamente isso que eu pensei. –Respondeu atrapalhada.

-Não, e também não sei exatamente o que você pensou, já que não sei ler as pessoas tão bem. –Respondeu o rapaz. – Mas pela sua careta de ligeiro descaso deu para ter uma ideia.

-Er...

Honestamente, como replicar uma coisa dessas?

-...Qual o seu problema?

-Ei, escuta aqui seu grosso...!

-Você parecia precisar de ajuda. –Clarificou ele.

-...Ah, certo, desculpa. – Disse Sarah depois de um tempo, dando uma tossida nervosa e pensando que hoje parecia que o azar estava mais forte. –Seguinte: Você sabe qual é o nome real do tal de "Kraken"?

-Isaac.

-Hum?

-O nome dele é Isaac. –Respondeu. –Ele mora na mansão na floresta, participa do clube de natação que fica próximo aqui.

-Hum... Interessante... –Murmurou Sarah. –Muito obrigado er...

-Hector.

-Muito obrigado Hector.

-Disponha. –Respondeu com um cumprimento. –Já é a hora do intervalo e esse local vai ficar muito lotado, sugiro que se a senhorita quiser comer é melhor se apressar.

-00-

-Esse lugar parece ser tranquilo.-Murmurou Milena.

Ela segurava a caixa com o violoncelo, e apesar de ser intervalo não tinha nada para comer, pois a multidão de alunos tornava a tarefa impossível.

...Talvez fosse melhor aproveitar e tocar o violoncelo, já que isso poderia ajudá-la a distrair.

-Hum?Alguém esqueceu algo aqui? –Comentou a violinista ao ver uma pasta no chão, lendo o nome marcado em elegantes e fluidas letras. –"Sorento".

-...Pelo visto descobriu meu esconderijo secreto.

Milenka deu um pulo, se virando e se encontrando novamente com o rapaz que a ajudara na manhã.

-Desculpa por assustá-la. –Respondeu ele. –Teve dificuldades de encontrar um local para lanchar não é?

Milenka apenas meneou a cabeça negativamente.

-Hum?A senhorita não conseguiu comprar um lanche?-Percebeu o rapaz.

A garota ia responder (ou fazer gesticulações), no entanto, o seu estômago decidiu responder por ela, fazendo um baixo barulho, o que fez com que suas bochechas ardessem.

-Comprei um lanche grande o suficiente para dividir. –Falou oferecendo metade a ela.

-Não precisa... –Murmurou em resposta.

-Desculpe, mas não ouvi.

"É claro que ouviu, se de manhã conseguiu ouvir minha voz tão baixo..."-Pensou.

Decidiu não discutir, e aceitou o lanche agradecida, no momento em que se sentou para dar uma mordida percebeu que ainda estava com a pasta em mãos.

-Er...O senhor é o "Sorento"?-Perguntou.

-Sim.

-A sua pasta. –Respondeu, entregando o objeto ao rapaz de olhos vermelhos.

-Muito obrigado.

A conversa se encerrou por ali, seguindo-se um silêncio que estranhamente não a incomodou, já que, apesar do rapaz ter se sentado próximo a ela, não fez nenhuma pergunta, parecendo respeitar o seu espaço.

Em seguida o rapaz colocou a metade de seu lanche próximo ao dela, pegando o seu caderno, lápis, borracha e retirando alguns papéis grampeados da pasta, onde, Milenka, um pouco curiosa, começou a ler:

-"Allan Poe", "Carlos Drummond de Andrade", "Giovanni Della Casa"... -Leu ela.

-São poetas internacionais. –Disse Sorento dando um sorriso a ela, para depois desviar o olhar, concentrado.

-Oh...

-Sei que pode parecer um pouco insistente. –Disse ele de supetão. –Mas... A senhorita poderia me dizer o seu nome?

-...Milenka. –Respondeu após um longo tempo de hesitação.

-Milenka hum...? –Murmurou Sorento. –Pode parecer estranho, mas tenho a sensação que nós vamos nos encontrar bastante.

-...

-Só não sei se isso será uma boa coisa. –Disse ele olhando de esguelha para a caixa do violoncelo. –Sei que a senhorita prefere ficar sozinha, mas preciso perguntar: Estaria disposta a vir todos os dias aqui?

-Hum?

-É um pouco solitário –Clarificou. –Apesar de eu ter amigos, eles são muito barulhentos e eu aprecio um pouco de paz.

Milenka pensou um pouco, acabara de conhecer o rapaz, e geralmente era muito tímida para conversar, o que dificultava na hora de conseguir amigos.

No entanto, o Sorento tinha sido gentil a todo momento, respeitando o seu espaço e não se importando com o seu jeito meio calado, além de que ele conseguia fazer a conversa fluir de forma natural, fazendo com que ela não se sentisse desconfortável.

-Ah...Acho que sim. –Respondeu Milenka timidamente.

-00-

Uma coisa era ter um cortejo (o que ela ainda achava ridículo), outra coisa é andar constantemente com dois guarda-costas e estar em uma mesa reservada para ela, sendo que tinha vários alunos que se esforçavam para encontrar um lugar par se sentar.

-...Isso não é um pouco exagerado? –Perguntou Helena aos guardas.

-A família real disse que isso era uma medida necessária.

Helena não tentou discutir, começando a comer em silêncio quando viu um rapaz de cabelos negros se aproximar da mesa com uma travessa.

-Alto lá!Você não pode se sentar aqui. –Disseram um dos guardas.

-As outras mesas estão lotadas e essa está vazia, qual o motivo da proibição? –Indagou a pessoa sem se intimidar.

-Esta mesa está reservada a princesa Helena.

-Oh, e quem decidiu isso?

-A família real.

-Nesse caso eu não vou sair daqui. –Disse o rapaz com firmeza. –Ah não ser que essa seja a opinião da própria.

-Rapaz, saia daí ou seremos obrigados a usar a força.

-E vão fazer o que? –Retrucou com um olhar bem sério e intimidador. –O mundo é da democracia, sendo que essa família real é uma das pouquíssimas monarquias existentes no mundo... E bem pequena.

-Mais respeito com vossa majestade! –Replicou o guarda puxando o insolente pelo colarinho.

-Eu não nasci na Rússia e não devo respeito a pessoas pequenas que tratam a todos com o nariz empinado e regras ridículas. –Respondeu o rapaz ainda firme, desviando o olhar para Helena. –Se a senhorita quiser ficar isolada aí por sua vontade eu vou respeitar.

-Eu...

-A princesa não pode se misturar com tipinhos como o senhor. –Falou o guarda dando uma forte bofetada.

- A senhorita é a princesa, no entanto, deixa que seus guardas mandem em você? –Perguntou o garoto.

-Se retire agora!

-Não.

-Então vamos ter que usar a força...!

-PAREM!

Os guardas se viraram surpresos, Helena estava de pé, tremendo um pouco, mas firme na postura.

-Mas princesa...

-Vocês estão se excedendo! –Disse ela indignada. –Deixem ele se sentar-se à mesa e não causem mais alvoroço!

Os guardas obedeceram as ordens, enquanto o rapaz de olhos azul-acinzentado sentava-se calmamente na mesa, como se nada tivesse acontecido.

-...Peço desculpas por tudo isso. –Falou Helena desconcertada.

-...Seria uma boa se a ordem tivesse sido dada antes de eu apanhar, a bofetada doeu bastante. –Replicou ele fazendo uma careta de dor ao tentar mastigar, mas sem nenhum tom agressivo na voz.

-Er... Qual o seu nome?

-Hector. –Replicou ele.

-Hector de que?

-Prefiro não comentar meu sobrenome. –Respondeu. –As pessoas tem a tendência de esquecer que eu tenho um primeiro nome por causa disso.

-Ah...-Murmurou Helena desconcertada.

-...Não é só porque uma pessoa parece frágil que deve ser tratada como uma.

-Hum?

-Não é a primeira vez que enfrento valentões como esses. –Disse Hector lançando um olhar desaprovador na direção dos guardas. –Pensam que podem abusar dos outros porque acham que são fracos.

-...

-...Eu ouvi o seu comentário. –Continuou. –Todos te veem como um "objeto" ou uma "marionete", se quiser ser tratada como uma pessoa então deveria expor a todos quem você realmente é.

-...Eu... ás vezes não sei o que eu mesma sou. –Responde a princesa olhando o prato com interesse.

-Dê o primeiro passo. –Replicou ele, terminando o seu lanche e se retirando da mesa.

-00-

Sophie começou a andar pela imensa faculdade, tentando aproveitar a hora do intervalo para tentar encontrar o tal do Kagaho, mas sem sorte.

-Onde diabos esse cara se meteu? –Resmungou ela cerrando os dentes.

Durante as férias, após o primeiro encontro com a sua suposta e falecida amiga, Sophie só conseguira vê-la mais uma única vez, já que não choveu tanto nos dias seguintes.

Nessa vez ficou de cara a cara com ela, ambas totalmente encharcadas, e Genevive estava com a mesma expressão morta e parecia não reconhecê-la.

Quando tentou chamá-la pelo nome, segurar no pulso dela para assegurar-se que ela era real viu o tal do Kagaho, à distância, observando tudo.

Genevive pareceu notar a presença dele também, ignorando-a completamente e indo até o rapaz, os dois sumindo para dentro da parte mais escura daquele estranho lugar.

-Ah... Seria tão mais fácil se essa universidade tivesse um elevador que subisse até o terraço... Ou que pelo menos ele ficasse em um lugar mais acessível. –Suspirou alguém.

Sophie olhou para o rapaz de muletas, que parecia ter dificuldades em equilibrar a travessa com lanches e andar ao mesmo tempo.

Agora... Ela não era exatamente a pessoa mais sociável e prestativa do mundo, mas ficar olhando ali, vendo um deficiente claramente precisando de ajuda e não fazer nada era um pouco rude demais, até mesmo para ela.

-Me dê isso. –Disse ela pegando os lanches.

-Hum?

-Onde você precisa ir?

-No terraço. –Explica. –Muito obrigado pela ajuda.

-...Por que você quer ir no terraço sendo que para chegar lá só tem escadas?

-Meu irmão mais velho gosta de ficar lá. –Clarificou ele. –Ele não gosta de multidões.

-Nossa, que excelente irmão. –Comentou Sophie com ironia.

-Ele é uma boa pessoa. –Responde o garoto sem se incomodar com o comentário irônico. – As pessoas não sabem disso simplesmente porque elas o julgam por causa dos rumores.

"Rumores?"

-Que espécie de rumores? –Perguntou a garota, interessada na possibilidade de o rapa ser um dos mal falados moradores da floresta.

-Nós moramos na mansão que fica na floresta. –Explicou ao perceber o interesse da garota que não pareceu ficar com medo com a declaração. –Por quê?

-...Por acaso tem alguém chamado "Kagaho" nessa mansão?

-Sim. –Confirmou. –É o meu irmão.

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Yep, duas não apareceram nesse capítulo e outra tiveram participação pequena, mas é porque ainda não tem interesse pela situação ou por ainda não estarem mais envolvidas que as outras ou porque vou deixar para o próximo XD.

Juler Heartilly: Pois é, ainda bem que o par dela é tão calmo não é?Os dois são bem quietinhos HSAHSHSAS

Vocês vão saber com o tempo, mas não garanto a veracidade do que vão saber ;)

Yep, adoro personagens enigmáticos, no entanto, diferente dos Refas e do Leon eu duvido que o Hector seja popular entre vocês, afinal, ele é bem mais sério e frio que eles