A situação era muito frustrante e a sua sanidade estava posta a prova.

No dia anterior tinha passado horas e horas deitada em sua tenda olhando para o nada, tentando processar tudo o que estava acontecendo.

Quando ouviu sobre as palhaçadas das lendas dos moradores da floresta apenas tinha rolado os olhos pensando o quão idiota eram esses contos e as pessoas que acreditavam seriamente nisso.

...Mas preferia acreditar que era realmente só lenda, não que achasse que as coisas "sobrenaturais" fossem verdadeiras, mas o fato de haver um "perigo" real era muito assustador.

E quando finalmente acordou no dia seguinte e teve a ideia de mostrar as provas para algum guarda... A foto havia sumido junto com a carta.

-Droga, queria que isso acabasse logo... –Xingou Lucy esfregando as têmporas de forma exasperada.

Deu um pesado suspiro, e quando foi dobrar seus cobertores descobriu uma carta cinza embaixo do travesseiro.

Hesitou, não que uma bomba fosse explodir da pequena carta, mas como ultimamente recebia mensagens assustadoras e notícias ruins ela acabou por desenvolver uma certa fobia.

Meneou a cabeça de um lado para o outro, repreendendo a si mesma por estar agindo de forma idiota, mesmo que a carta fosse uma ameaça era melhor ela ler o conteúdo e se preparar.

"Senhorita Lucy,

A senhorita não está alucinando, isso eu posso confirmar."

-Como ele pode saber o que eu estou pensando? –Comentou com uma sobrancelha arqueada.

"...Eu cruzei com a senhorita e percebia que parecia se sentindo perturbada e desconfortável, então não é nenhuma surpresa de se sentir assim".

-...Dá até a impressão que a mensagem é escrita de acordo com o meu comentário.

"...Não pessoalmente, provavelmente é o que qualquer um estaria pensando nessa situação."

-...

"É melhor eu ir direto ao ponto: Não é minha intenção machucá-la."

-HÁ!Depois daquela carta "simpática"?Não acredito!

"...Deve ser difícil para a senhorita acreditar, mas essa é a verdade."

-Oh, então porque você não se explica?Mesmo que seja por carta seu covarde! –Berrou Lucy de forma irritada apertando a lateral do papel com tanta força que seus dedos estavam brancos.

Sim... Ela deveria ter ficado louca de vez, discutindo dessa forma com um pedaço de papel.

"Admito que exagerei em minha reação, mas não vou lhe explicar via carta, pois se você realmente quer saber deve ir até a mansão, do contrário nunca saberá."

-Grr... E por que você acha que eu iria a lugar obscuro como esse com um psicopata na casa?

"...Eu não te matei, apesar de ter várias oportunidades. Eu preciso de sua ajuda."

-Pff... É mesmo?E para que? –Perguntou Lucy com sarcasmo.

"Para salvar alguém."

-00-

-Ei...EIIIIII!

Margot deu um sorrisinho de escárnio, ignorando o chamado do rapaz de cabelos castanho-claro/rosa cobre.

Apesar de Bian ter parecido um manipulador de primeira no começo ela descobriu que era muito fácil frustrá-lo, só o fato de ignorá-lo já era o suficiente para deixar o rapaz dando um piti.

Tinha que admitir... Apesar de não ser exatamente uma atitude recomendável para uma dama, pregar peças e incomodar o rapaz era uma atividade muito divertida.

-Pare de me ignorar!Margot!Hey! –Replicou Bian segurando o braço da garota, que deu um safanão nele, dando um chute em seu joelho e fazendo com que ele caísse em uma poça enlameada por perto. – Ei sua (censurado), o que foi isso?

-Senhorita Margot criatura ignóbil. –Respondeu ela com um sorriso enorme no rosto.

-Ahã, vai sonhando que vou te chamar de senhorita. –Falou o rapaz rolando os olhos. –A única pessoa que posso chamar de "senhor" é o dono da casa.

-Dono da casa?

-Da mansão na floresta, nunca ouviu falar?

-Aqueles contos para criancinhas?São de mentira.

-E por acaso eu pareço de mentira para você?!

-Infelizmente não. –Respondeu a dama. –Mas não significa que você seja algo extraordinário.

-Huh... Talvez eu não tenha nenhum poder sobrenatural. –Falou o rapaz enquanto limpava as mãos na barra do vestido de Margot, ganhando um chute da mesma.

-Não use esse caríssimo vestido feito os trapos que você usa.

Bian apenas arqueou a sobrancelha diante do comentário.

-Escuta, não é só porque alguém não é rico feito você que eles automaticamente caem na categoria de "mendigos" sabia? –Respondeu o rapaz esfregando sua roupa para tirar o excesso de lama.

-... Eu sei disso, não sou burra.

-Se não é burra então viveu em uma bolha. –Falou Bian torcendo o cabelo. – Eu nunca vi alguém que tivesse uma maneira tão esquisita de agir.

-Esquisito é você.

-Eu sou estranho no bom sentido.

-Não, você não é.

-Sou, eu pelo menos sou interessante. –Disse ele com uma expressão estranha. –Eu pelo menos tenho amigos.

-... Todas as pessoas que se aproximaram de mim eram interesseiras.

-Você acha que elas eram interesseiras ou você que não quer se misturar com a "gentalha"?

-Eu chamo você de gentalha porque você é um troglodita. –Respondeu a garota cruzando os braços. –Eu já disse: Quando você mostrou algum sinal de ao menos saber se comportar como uma pessoa civilizada eu cogitei em pensar que você pode ser decente.

Outra arqueada de sobrancelha, mas dessa vez foi de surpresa.

-Se for bem franca, a única pessoa que tentou se aproximar de mim sem nenhum interesse pelo meu dinheiro é você.

-Oh, então você sabe ler as pessoas também?

-Pfff... Não acredito que você tenha essa habilidade.

-Eu não tenho. – Informou Bian, apesar de ter feito uma expressão de desagrado. –Mas conheço alguém que tem.

Margot olhou curiosa para o rapaz quando percebeu que o semblante dele tinha mudado, ele estava sério e contemplativo.

-Escuta Margot... Já que você diz que tem a capacidade de ler as pessoas... Será que você conseguiria entender "ele"?

-Quem?

-O dono da casa. –Esclareceu Bian. –Ele é a pessoa mais confiável do mundo, mas também é muito esquisito e misterioso.

-E daí?

-Eu tenho certeza que ele tem um segredo que não quer contar. -...E eu com isso?

-Ei!Vamos lá, você não quer por em teste a sua capacidade de ler as pessoas?

-Não particularmente.

-... Se você conseguir descobrir eu te chamo de senhorita daqui pra frente.

-Você deveria me chamar de senhorita por educação.

-Ok, senhorita Margot. –Respondeu Bian começando a ficar frustrado. –Eu posso fazer alguma coisa para você fazer esse favor para mim?

-Você vai ter que ser meu empregado e me tratar como a pessoa que você mais respeita no mundo.

-Heim?!

-Essas são minhas condições.

-Ugh... Muito bem, mas só se você conseguir. –Respondeu com um certo tom de incerteza.

...Neste exato momento, ele estava se sentindo dividido entre a sua curiosidade e a vontade de a garota não ganhar, não estava a fim de se tornar o escravo da madame.

-00-

-Whoa!Você realmente veio! –Exclamou Sui de forma contente.

Não fora nenhum pouco fácil encontrar a casa, mas no fim Helena pensou que valeu a pena, já que o sorriso contente do rapaz era de derreter o coração de qualquer um.

E certo alguém no topo das escadas parecia ter visto a garota.

-Hum... Eu não esperava vê-la à tarde então eu não pensei em nada em especial que nós pudéssemos fazer. –Falou Sui com um sorriso que dizia "desculpas".

-Não tem problema. –Disse Helena, apesar de estar sentindo-se nervosa. –Nesse período é mais fácil de despistar os meus guardas.

-Você ainda anda com guardas?

-Bom, pelo menos não mais no intervalo, graças ao Hector.

-... Hector?

-Um rapaz que eu conheci, eu nunca mais o vi. –Respondeu Helena. –Uma pena, apesar de ele ter um jeito intimidador ele não era uma má pessoa.

-Hum...

"Sui."

-Eh?De onde vem essa voz? –Falou Helena olhando de um lado para o outro com uma expressão confusa no rosto.

-É o dono da casa. –Esclareceu Sui.

"Sui, eu gostaria de falar com você por um momento."

-Ok, espere um momento! –Falou Sui bem alto. –Hum... Helena, você não se importa de esperar na recepção?Eu preciso subir.

-Hum... Eu posso te ajudar a subir? –Perguntou a princesa, recebendo um olhar surpreso do garoto, que mudou para um sorriso terno.

-Muito obrigado.

-00-

-...Você queria falar comigo? –Perguntou Sui.

-Sim. –Respondeu o rapaz com uma expressão séria. -... É sobre a sua convidada.

-Ah...

Sui ficou ligeiramente nervoso, apesar de o dono ter dado a ele o direito de convidar qualquer pessoa para morar na casa o rapaz tinha também o direito de não deixar a pessoa entrar.

Conhecia o rapaz o suficiente para saber que ele não faria uma coisa dessas, mas o olhar extremamente sério e escuro nos olhos do rapaz era no mínimo, assustador.

-Se eu não me engano, ela é a princesa de um local na Rússia não é?Helena Bentani Evangeline Renne.

-Hum... O senhor a conhece?

-Não pessoalmente, mas já estive na Rússia. –Explicou o rapaz.

-Er... Eu sei que você não gosta das pessoas bisbilhotando, mas eu posso garantir que a Helena...

-Não há problema nenhum Sui.

-Oh... Ok.

-...E desde quando você me chama de "Senhor"?-Perguntou o rapaz um pouco divertido.

-...Você está com um ar muito sério, digo, mais sério que o de costume. –Respondeu Sui preocupado. -...Aconteceu alguma coisa?

-Nada em particular. –respondeu dando de ombros. –Mas não se preocupe, estou no caminho de resolver esse problema.

-... Há algo que posso fazer para ajudar?

-Sim. –Respondeu ele. –Faça com que a senhorita Helena frequente esse lugar.

-?Mas por que?

-Há 9 pessoas. –Sussurrou. – E a Helena faz parte de uma delas.

-...Para que?

-Eu não posso contar para ninguém os meus motivos.

-... Está bem, eu vou fazê-lo.

-... Não se preocupe, que eu não vou machucá-la.

-Eu tenho certeza que não vai. –Respondeu Sui como se a sugestão de ele pensar uma coisa horrível dessas fosse fora de questão. – Tenho certeza que você fará isso pelo bem dessas "9 pessoas".

Enquanto o rapaz de muletas voltava para o subsolo o dono da mansão não pode evitar, mas sentir que deveria se sentir no mínimo culpado por usar todos os seus amigos.

"Não estou fazendo isso pelo bem das pessoas, é por um motivo muito mais mesquinho e egoísta". –Disse em pensamento.

Ele sabia... Sabia que se quisesse que seu plano funcionasse pessoas acabariam feridas e que ele mesmo perderia tudo.

...Mas mesmo assim estava disposto a continuar.

-00-

Lucy deu um pesado suspiro, caindo em frente a enorme porta da casa.

...Afinal, não era fácil trazer um monte de malas e andar na floresta por um longo tempo, sem falar de subir no enorme tronco para chegar lá.

-Ugh... É melhor esse FDP ter uma boa explicação...

Ela ia bater na porta, mas a mesma se abriu, revelando uma figura conhecida.

-Eh?Genevive?

-"Ele" pediu para que eu a ajudasse com as malas.

-...E por que o folgado não veio aqui mesmo para fazer isso?Você deixa ele fazer você de empregada? –Perguntou Lucy franzindo o cenho.

-... Os outros rapazes não estão aqui... Exceto o Sui, mas ele anda de muletas. –Respondeu Genevive. –Além do mais, "ele" é muito gentil, raramente me pede favores.

Lucy olhou para a garota com estranheza.

Ela não sabia que tipo de lavagem cerebral o psicopata fez para que ela pensasse que ele era um santo, mas foi bem efetivo.

...Ela só esperava que o mesmo não acontecesse a ela.

-000-

Quase lá...

Não sei precisamente, porque depende de como vai fluir a narrativa, mas em 1 ou 2 capítulos no mínimo o dono da mansão vai aparecer oficialmente!

Só falta a Margot para aparecer lá S2!

Ok, vamos as reviews:

Jules Heartilly: O dono da mansão não vai revelar seus mistérios tão cedo... Bom, pelo menos vocês vão saber logo logo quem é o nosso misterioso,mas conhecido personagem~

A Milenka é a fofura em pessoa, até mais que o Sui XDHAHAHAH

Hum... Na verdade mais pares demandam mais capítulos, para mim a dificuldade é a mesma já que não tenho que colocar todos no mesmo capítulo né? XD

SEE YA!