-Admon?Você é parente daquele pintor famoso, o Hugo Admon? –Perguntou Sarah surpresa.

-Sim, na verdade, eu sou o filho dele. –Confirmou Leon.

-Caraca, eu vou postar isso no meu blog!Eu estou morando em uma casa de gente famosa! –Falou Evangeline de forma animada abrindo o seu notebook na mesa de jantar, mas sendo fechado e tirado de suas mãos. –Ei!

-...Eu agradeceria muito se a senhorita não comentasse nada, gostaria de ter um pouco de sossego. –Respondeu o rapaz com um olhar repreensivo, porém não agressivo.

-E por que você não quer chamar a atenção? –Perguntou Lucy estreitando os olhos, sua voz carregada de desconfiança.

-... Ah!Eu... –Começou Helena.

-Sim? –Falou Leon tentando incentiva a garota a falar.

-Eu acho que... Tem um dos quadros que o seu pai fez lá no palácio.

-Sim.-Respondeu ele de forma pensativa. –Creio que o meu pai tenha pintado você na cidade se não me engano.

-É... Foi bem estranho. –Concordou Helena. – Me pintar fora do castelo, usando roupas comuns e... Eu estava crescida, apesar de na época que ele pintou eu era apenas uma criança.

-Típico do meu pai. –Confirmou Leon com uma gargalhada. –Deve ser um retrato do seu desejo ou do "futuro".

-Ah...!Ele tinha essa habilidade? –Perguntou a princesa de forma interessada.

-Já ouvi falar dos rumores sobre as telas dele, mas eu acho que são apenas mitos não é? –Comentou Sarah.

-Talvez seja mito, mas é fato que a maioria das coisas que meu pai pinta se torna realidade. –Respondeu o rapaz com um sorriso misterioso no rosto.

-Besteira.

-Hum? –Murmuram todos se virando para a dona da voz.

-Aposto que isso é só um jogo de imprensa para atrair pessoas que acreditam facilmente nesses contos. –Retrucou Lucy.

-Meu pai apenas retratava a verdade. -Respondeu Leon. –Foram as pessoas que assumiram que ele tinha algum poder.

-Ah, então você admite que tudo é uma farsa. –Retrucou ela.

-Não, só porque uma lenda não é toda verdade ela com certeza foi baseada em um fato.

-Oh, e esse fato seria...?

-Que as coisas que ele pintou aconteceram.

-Pfff... Prove.

-Posso te dar o telefone de várias pessoas, em especial, teve um caso de uma menina que estava em coma, mas acordou assim que meu pai terminou de pintá-la.

-Lorota.

-Não é mentira. –Continuou Leon meneando a cabeça negativamente. –Mas se a senhorita quiser acreditar que estou mentindo então não posso fazer nada.

O dono da casa apenas se sentou em sua cadeira, sinalizando a todos que poderiam comer a vontade, enquanto Lucy ainda estava de pé, lançando um olhar ferino, como se adagas voassem dele.

-... Sugiro que a senhorita coma.

-Você não manda em mim.

-É apenas uma sugestão, não quis soar grosseiro. –Respondeu ele de forma calma. –Afinal, não acho que você tenha o luxo de comer uma comida cara como esta.

-Como você...

-Tudo ao seu tempo.

Lucy fez menção de abrir a boca para comentar algo, mas quando percebeu que o rapaz não iria falar mais nada se emburrou, sentando-se na cadeira e pegando a comida, mordiscando-a furiosamente.

-Cara, que reação foi essa? –Perguntou Evangeline.

-O que? –Devolveu Lucy.

-Ele deixa a gente viver na mansão sem gastos e comer a vontade e você insulta o pai do dono do lugar?

-Ele não é confiável. –Retruca Lucy. –Você não acha que é "bondade" demais da parte dele fazer isso sem pedir nada em troca?

-Hum... Um pouco estranho é verdade. –Concordou Sarah. –Mas o Isaac disse que ele era bem "excêntrico". –O que você acha Alexis?

-...Ele é esquisito. –Respondeu a garota lembrando-se das estranhas cartas que o dono mandara para ela.

-Viu?Vocês se sentem confortáveis morando no mesmo lugar que um louco como ele?

-Olha, para começo de conversa eu não acho que ninguém seja normal nesse lugar. –Respondeu Sophie começando a se irritar com o antagonismo da nova moradora.-... Nem mesmo você.

...Sim, apesar de ela não ser exatamente a pessoa mais sociável do mundo e não ter encontrado com o dono antes, interagiu o suficiente via carta para ser civil.

E é claro, se sua amiga amnésica conseguia confiar com tanta certeza nele então ela dava o seu voto de confiança.

No seu canto Milenka apenas ouvia vagamente o que as garotas diziam, mas não fez nenhum comentário.

Ficou pensativa, já que Lucy tinha levantado um ponto importante, sem falar que concordava como era estranho que o dono da casa tivesse se mantido nas escuras todo o tempo e por algum motivo, tivesse se revelado a elas.

-Hum... Sorento? –Perguntou a garota timidamente.

-Sim?

-Esse Leon... Ele é uma pessoa confiável?N-Não quero ofender, mas é que a Lucy tem razão... Por que ele deixaria que morássemos nessa casa de graça?

-Não precisa se preocupar. –Garantiu o poeta. –Ele apenas gosta de ajudar as pessoas nas horas vagas.

-Oh...

-Então, se precisarem de alguma ajuda fiquem a vontade para perguntar. –Complementou Leon, dando um susto nos dois. –Não, eu não ouvi a conversa, mas faço uma ideia do que estavam falando.

-... Você sempre tem essa habilidade de saber o que nós estamos pensando?-Perguntou Lucy com sarcasmo.

-Hum?Eu pensei que a senhorita não acreditava nessas coisas. –Retrucou ele com uma expressão divertida, para irritação da garota.

-Eu usei sarcasmo, ou você não percebeu?

-Percebi, só estava fazendo uma piada. –Retrucou o rapaz.

-Você não tem um péssimo senso de humor. –Frizou Lucy com amargura pensando no inferno que ele a tinha feito passar nos últimos dias.

-Sinto muito.

-Humm... Eu sou a última a chegar, alguém pode me explicar à situação? –Perguntou Margot arqueando a sobrancelha.

-Ué, porque você não descobre?Não foi você que disse que sabia ler as pessoas com facilidade?-Perguntou Bian.

-Você fica quieto que a pergunta não foi para você.

-Nossa, a senhorita não usou nenhum termo do século passado, tá finalmente descendo no meu nível?

-Nunca. –Frisou Margot fuzilando-o com o olhar. –Você continuará a ser um troglodita para sempre.

-E você uma de nariz empinado.

-...Quanta zona. –Murmurou Kagaho no canto dele, enquanto Sui, que estava ao seu lado apenas encarava as discussões na mesa com uma gota na cabeça.

...Ele esperava sinceramente que a sua única amiga não se arrependesse de estar ali após ver como todos eram loucos.

Se não fosse em respeito a Leon, a essas horas, Isaac já teria se retirado do lugar pois não suportava aquela bagunça.

...Pelo menos Sarah estava ali, e algo que o impressionava era como ela conseguia falar normalmente com tantas pessoas estranhas sem problema algum.

-...Talvez seja por isso que eu não tenho problemas em conversar com ela. –Murmurou o rapaz de cicatriz de forma reflexiva.

-As coisas ficarão bem agitadas por aqui... –Comentou Genevive.

-00-

-Io. –Chamou Leon ao ver o rapaz na varanda da mansão.

-Oi.

-Como está indo a sua situação com a senhorita Alexis? –Perguntou sem encará-lo diretamente.

-Não muito bem. –Respondeu o rapaz de cabelos róseos. –Um clima estranho e desconfiado com tendência a piorar.

-Mas também... Você não tenta fazer nada.

-E o que você sugere que eu faça? –Perguntou Io com o olhar sério.

-Olha, pelo que você me contou eu não acho que ela tenha motivos para te odiar tanto quanto ela te odeia agora. –Respondeu o mais novo. –Tenho certeza que houve um erro de comunicação grave entre vocês dois.

-...Não há um erro de comunicação, eu pedi desculpas por não tê-la ajudado e ela não me perdoou, simples assim.

-Talvez simples demais. –Respondeu. –Tenho certeza que soou ambíguo, quando você acha que está errado vai fazer de tudo para terem certeza que você está errado.

-...

-Eu já contei para você. – Repetiu Leon com uma expressão séria. –Se esperar demais vai sobrar apenas arrependimentos.

-...Eu não tenho habilidade de saber o que fazer igual a você.

-Hahah, mesmo quando sabemos o que deve ser feito não é nada fácil. –Retrucou o rapaz de cabelos castanhos. -... Peça desculpa a ela.

-Mas eu já...

-Não igual a da primeira vez. –Respondeu o Admon. –Ao invés de dar motivos para ela te odiar dê motivos para ela te perdoar.

-00-

-Hum... Sui. –Chamou Helena após todos saírem do saguão principal.

-Sim?

-...É verdade o que ele disse?

-Hum?Sobre o que?

-Sobre... O que está pintado no quadro revelar o futuro.

-Bom... –Murmurou Sui de forma pensativa. –Eu não quero dar falsas esperanças, mas eu acredito que sim.

-Mesmo?

-A família dele tem um dom para essas coisas sabe?

-Oh... Não sabia que existiam esses tipos de poderes na vida real! –Falou Helena de forma entusiasmada, arrancando uma risada de Sui.

-Oh não, não estou me referindo a poder tipo "super homem", estou me referindo a algo mais simples. – Falou ele se sentando no sofá e apoiando as suas muletas com cuidado na parede. – O dom de ajudar aos outros.

-Hum... Então você acha que ele poderia me ajudar?

-Ele pode, mas eu não acho que no seu caso seja necessário.

-Hum?Por que?

-Porque até agora você fez tudo graças a sua própria força de vontade. –Explicou. –Eu não precisei "resgatá-la" de sua "prisão" ou algo do gênero, você teve a força em si para fazer isso.

-Bem... Eu... –Começou a gaguejar Helena, um pouco embaraçada, mas feliz pelo elogio.

-Você também tem o dom de ajudar as pessoas.

-...Eu não acho. –Falou Helena abaixando o olhar se lembrando da vez em que queria ajudar a empregada a carregar as coisas pesadas, mas acabou desistindo ao ser severamente repreendida por sua família. - ... Acovardei-me quando quis ajudar alguém e fui repreendida pela minha família.

-É normal nós termos um momento de fraqueza. –Assegurou ele dando um sorriso gentil. –O importante é você entender isso e mudar, e você mudou.

-... Como pode ter certeza?

-Você me ajudou não foi? –Perguntou. -E se tornou a minha amiga apesar de ter certeza que sua família não aprovaria.

Helena apenas meneou a cabeça, pensando em como ultimamente estava inclinada a quebrar várias regras só para passar um tempo com o gentil rapaz.

"Engraçado como na maioria das vezes, quebrar as regras e andar com alguém que está proibido significa fazer algo errado, mas nesse caso ela estava fazendo um bem."

...Não pode evitar, mas sorrir com este pensamento.

-00-

Milenka estava grata que estava voltando a conversar com Sorento, embora ainda sentisse que tinha alguma coisa errada, já que podia perceber como ele estava tenso.

-...Há algo que a preocupa?

-Hum?!

-Peço desculpas se a assustei. –Disse Leon com um olhar amistoso. –Acabei de sair da varanda e notei como estava pensativa.

-...

-Como eu falei, fique a vontade para perguntar qualquer coisa se precisar de ajuda, eu sou bom com essas coisas apesar de não aparentar.

-Er... Por que o senhor só decidiu aparecer agora?

-...Creio que não seja exatamente isso o seu problema. –Devolveu o Admon arqueando a sobrancelha embora tivesse uma expressão divertida no rosto. – Mas respondendo a sua pergunta: Eu queria ver se vocês eram confiáveis.

-... Confiáveis?

-Ao contrário do que muitos pensam, eu não deixo qualquer um ficar aqui.

-Oh...

-Mas vamos voltar à questão original: O que a preocupa?

-Ah... Bem... Como posso dizer isso...

-Por acaso tem haver com o Sorento?

-Mas como...?

-Ele me comentou como se sentia mal por tê-la deixado sozinha por este curto período. –Explicou.

-Ah... Ele não precisa se sentir culpado se essa é a questão. –Falou Milenka enrubescendo ligeiramente.

-...Essa não é a raiz do problema.

-Hum?

-Ele se sente culpado por sentir-se desconfortável perto de você.

-Oh...

...Por que ela se sentiu tão abatida de repente?

-Não estou falando que você o incomoda. –Retificou Leon após perceber o semblante abatido da garota. –Ao contrário, ele aprecia muito a sua presença, e olha que, apesar de ele não ser antissocial ele raramente deixa alguém chegar tão próximo como ele deixou você.

-Mas então por que...?

-Ele tem um trauma. –Sussurrou. –Talvez você tenha feito algo para lembrá-lo desse evento.

...Talvez esse pedaço de informação a tivesse deixado ainda mais deprimida do que ouvir que o seu amigo se sentia desconfortável em sua presença.

Desde o primeiro dia ele fora gentil, simpático e paciente com ela, de forma alguma queria causar problemas para uma alma tão boa, quanto mais reviver algum evento horrível no passado dele.

-... Quer dizer que eu causei problemas a ele...

-Na verdade, não. –Falou Leon dando tapinhas amigáveis no ombro da garota. –Conhecer você foi a melhor coisa para ele.

-Mas... Se eu revivi alguma dor profunda...

-Ele nunca conseguiu se recuperar do trauma é verdade. –Respondeu. – Mas ele está disposto a superá-lo e seguir em frente.

-...

-O que eu quero dizer é... Se a senhorita desistir agora, talvez ele nunca mais tenha a resolução para se curar do que o aflige.

-... Senhor Leon.

-Sim?

-O que é esse "trauma"?

-Você terá que descobrir por si mesma.

-00-

-Sophie.

-Hum?Ah, oi Kagaho. –Respondeu Sophie acenando rapidamente para depois voltar o seu olhar ao caderno.

-... Aconteceu alguma coisa?

-Nada. –Falou Sophie, franzindo o cenho e desviando o olhar do caderno enquanto encarava o silencioso rapaz. -... Por que?

-Faz um bom tempo que você está encarando o seu caderno e até agora não escreveu nada.

-... Quanto tempo você ficou observando?

-Alguns minutos.

-E alguns minutos é o suficiente para você avaliar se a pessoa está preocupada ou não?

-Você não parecia concentrada.

- Hum... –Murmurou ela em resposta. – Estava pensando sobre o dono da mansão, ele... Não é exatamente o que eu pensava.

-Como você pensava?

-Sei lá, do jeito que todos vocês comentavam dava a impressão que era um senhor.

-... Ele sempre disse que nasceu com um espírito de velho.

Sophie meneou a cabeça novamente para dar a entender que tinha ouvido, suspirando frustrada ela colocou o seu lápis na mesinha, assim como o seu caderno e se deitou.

Não estava inspirada a escrever mesmo com tanta bizarrice acontecendo ao redor, e era difícil se concentrar com a revelação.

-...Por que ele não apareceu antes? –Perguntou de repente.

-Hum?

-Por que ele só se apresentou para nós hoje? –Perguntou Sophie novamente.

-Não sei exatamente como ele pensa, mas... Ele viaja todo o fim de semana e só volta no fim do dia. –Respondeu Kagaho de forma pensativa.

-...E o que aquela garota quis dizer com "ele não é confiável"? –Disse Sophie franzindo o cenho. –Aliás, ela é convidada de quem?

-...Do próprio Leon.

-Então por que ela o trata com tanta animosidade?

-Eu não faço ideia.

-Ugh... Mistérios e mais mistérios... Estou cansada deles. –Murmurou a garota começando a sentir um início de dor de cabeça.

-Está se referindo ao que aconteceu a você e a sua amiga?

-Sim.

- Tudo irá se resolver.

-Gezzz... Obrigado pelo voto de confiança. –Respondeu Sophie rolando os olhos, mas esboçando um leve sorriso de apreciação. –Agora, eu preciso de uma cerveja.

-00-

-Ei!Você!

-...Em que posso ajudá-la, senhorita Lucy?

-Pode começar a se explicar, você me deve isso! –Comentou a garota de forma raivosa.

-Muito bem, talvez eu possa responder as suas perguntas, mas por onde deseja começar? –Perguntou Leon sem se intimidar com a aura hostil.

-Eu quero saber sobre a foto!Que relação você tem com o acidente?!

-...Isso é uma pergunta que não posso responder.

-Você disse que iria responder as minhas perguntas!

-Eu avisei que responderia a aquela relacionada com o falecimento do garoto, não sobre os meus motivos.

-... Por que você enviou a foto então?

-Para chamar a sua atenção.

-Oh, você conseguiu, certo, depois de me traumatizar. –Respondeu ela de forma sarcástica.

-...Não foi a minha intenção.

-Não foi é?Ah, pare de se fingir de inocente!

-Pff... HAHAHAAHA

-O que você está rindo?

-A senhorita diz a quatro ventos que não é influenciada por contos e fofocas tolas, mas aí está você, acreditando nos boatos.

-...Eu não acredito nessas baboseiras de magia.

-Oh não, não é a isso que me refiro. –Devolveu Leon rolando os olhos. –Você acredita na intenção, você acha que eu sou uma pessoa ruim apenas porque os boatos dizem que eu sou.

-...Não é verdade.

-É a mais pura verdade. –Continuou ele fechando os olhos. –A senhorita Helena, por exemplo, ouviu os mesmos boatos que a todos, mas segue seus instintos e vê que não é como todos pensam que somos.

-...

-É por isso que não poderia te contar nada sobre a foto, você não está preparada para ouvir a verdade.

-Eu estou preparada!

-Não, não está. –Continuou ele de forma séria. –Seu olhar preconceituoso vai procurar as pistas que justifiquem o seu ódio e não a verdade.

-Bobagem!

-...Você está tão cega pelos seus conceitos que não percebe as repercussões negativas.

-Eu não sou blindada por esses contos ilusórios!Eu sei discernir o que é realidade e o que não é. –Continuou Lucy rangendo os dentes de forma irritada, embora o seu corpo todo tremesse.

-... Só por que você é ateia você acha que consegue ver a razão?

-Ei!Não critique o...

-As pessoas são livres para acreditar ou não acreditar. –Interrompeu – E se há alguém que pressiona as pessoas com os seus pensamentos esse alguém é você.

-Tch... Como se você não fizesse isso com todos!Fazendo com que acreditem que você é uma pessoa boa... Que espécie de lavagem cerebral você usou heim?

-...Você se lembra das vezes em que a situação pedia delicadeza, mas você foi rude?

-...Eu apenas sou sincera.

-Isso é uma mentira.

-Ah, você deve saber muito o que é isso... Hipócrita.

-Usar a sinceridade como desculpa para fazer coisas horríveis... –Continuou Leon a ignorando, com uma expressão séria no rosto.

-Oh?Me diga, que coisa horrível é essa que eu fiz?As pessoas sabem como eu sou, se não gostam, elas evitam.

-ISSO NÃO JUSTIFICA O QUE VOCÊ DISSE AQUELA CRIANÇA! –Berrou Leon de forma alterada, chegando bem próximo de Lucy e encarando-a com os olhos cheios de rancor (o que ela tinha que admitir, estava começando a assustá-la).

-...

-AQUELA CRIANÇA TINHA UMA DOENÇA TERMINAL!SABE O QUÃO DIFÍCIL É PARA DAR A ELAS ALGUMA ESPERANÇA?VOCÊ TEM IDÉIA?!

-... Para que você vai dar esperança a alguém para depois retirá-la?

-Você se orgulha tanto de coisas comprovadas, então me surpreende como nunca leu sobre artigos onde as pessoas foram diagnosticadas como sem chance, mas operaram um milagre e sobreviveram.

-Milagres não existem.

-Ah, sim eles existem. –Retrucou o Admon rolando os olhos. –O problema é que você associa tanto com o sobrenatural e a religião que acabou esquecendo o real significado de "milagre".

-Oh?E qual seria então senhor sabe tudo?

-Realizar o impossível.

-...

-... Durante todo o tempo em que estive com essa criança eu a incentivava, e o seu tratamento estava funcionando as mil maravilhas já que ela se esforçava para lutar. –Disse Leon perdendo o fogo da raiva, o sentimento sendo substituído por um olhar vazio cheio de dor. –Mas a esperança é muito frágil em uma situação tão delicada como esta.

-...

-No dia em que ela se encontrou com você... Eu a tinha levado a sorveteria para animá-lo, já que a operação seria daqui a pouco. –Continuou a narrar. -... Mas depois que ele falou com você... O estrago já tinha sido feito, e não havia tempo para remediá-lo.

O rapaz se afastou de Lucy, abaixando a cabeça ligeiramente, era possível ver lágrimas saírem de seus olhos quando ele se recordava de forma vívida o dia da operação.

-... Se você me odeia tanto e acredita que eu fui à responsável, então por que pediu para que eu viesse aqui?

-...Você não é a culpada. –Respondeu Leon após enxugar as lágrimas restantes com força. – Talvez a morte dele não tivesse relação com o que você disse, mas mesmo sabendo disso ainda continuo com ódio.

-... Há uma pergunta que quero fazer.

-Vá em frente.

- Quando você disse que precisava da minha ajuda para salvar alguém... A quem você estava se referindo?

O rapaz de cabelos castanhos não disse nada no começo, dando apenas um sorriso estranho e indecifrável, enquanto colocava a mão acima do peito onde ficava o coração.

"Eu tenho um desenho egoísta: A pessoa que quero salvar..."

...

..

Sou eu.

"O jogo de verdades começou, os mentirosos estão dizendo a verdade enquanto que contam falsas mentiras."

-000-

Leon vai continuar a ser Leon independente da idade, pff... Note como só foi ele aparece no capítulo para alguns romances terem subido de nível feito rare candyes!

...

Ahem, Estou super orgulhoso do tamanho desse capítulo, maior capítulo que eu escrevi!:D

Ah... Lembrem-se: EU SOU TROLL, e tenho o costume de trollar as suas expectativas, jamais esqueçam disso!

Agora vamos as reviews:

Jules Heartilly: Sim, o Leon cresceu, ficou mais amargo mas de uma forma deturpada, continua a ajudar as pessoas.

É duro ser um Admon XD*Apanha*

Talvez... Mas nada muito revelador, já que não posso dar spoiler para a outra fic que ainda está em andamento ^^.

...Eu acho gozado como a sua personagem é praticamente o poço de normalidade no meio de todo esse drama, 2 pessoa mais madura da fic U_u*apanha*.

Alecto Berkley: Whoa, já me surpreende o fato de você ter lido alguns capítulos!

HAHAHSHAHS, Tava esperando por esta reação XD

Sim, eu sou troll, e pode esperar surpresas entre o Io e a Alexis, com certeza não vai ser exatamente o que você esperava :D

Hiina-Chan:

PFFFF... Essa deve ser a minha trollagem mestre!HAHAHAHA, sim~O Hector seria óbvio demais hehehhe, quanto ao papel do Hector... Hum... Vão ter que esperar.

Essa fanfic ganha em número de mistérios, benzadeus, eu vou ter que reler os capítulos para ter certeza que o que planejo não vá entrar em conflito, mas pode esperar por outras reviravoltas, você ainda vai ficar com o queixo caído por outras coisas!

SEE YA!