"Desculpe, não vou poder comer com você hoje já que preciso falar com alguém em particular."

"Tudo bem, não há problema algum."

Não era como se já não estivesse acostumado a ficar sozinho, Hector sabia que essa não deveria ser a última vez que isso aconteceria.

... Mas não significava que era fácil.

Hum?Aquelas pessoas na mesa... Ele já as vira antes.

-Evangeline?Helena?Sarah? –Falou o rapaz de cabelos negros arqueando uma sobrancelha.

-Hum?Oh!Oi Hector! –Chamou a princesa abrindo um sorriso. –Venha se juntar a nós!

"... Bom, eu não tenho nada a perder."

Sentou-se, ainda calado, estranhando ter se encontrado novamente com aquelas três pessoas que ele jurava que não veria novamente.

... E quem eram as novas e estranhas integrantes do grupo?

-Pessoal, esse aqui é o Hector, aquele rapaz que me ajudou daquela vez com os meus guardas.

-Sério?Nossa, é difícil de acreditar do jeito que ele é mal humorado. –Replicou Evangeline.

-...

"Sutileza de um elefante... Como sempre."

-Bom, ruim ele não é. –Falou Sarah. –Obrigado por ter me ajudado naquele dia.

-... De nada.

Ele ficou encarando os outros membros que estavam na mesa que pareciam estar quietos em seu canto e não pareciam dispostos a falar.

... Será que elas pertenciam a esse bizarro grupo ou tinham se sentado ali porque não tinha outro lugar?

-Ei, não é melhor vocês se apresentarem? –Falou Evangeline em direção dos três membros da mesa.

-... Eu já vi você antes. –Falou Hector reconhecendo uma delas.

-Lucy Richard, nós nos esbarramos naquele dia e você disse umas coisas estranhas.

-...Estou impressionado que você se lembra disso.

-A minha memória não é tão ruim quanto você acha que é. –Respondeu a garota.

-Essas aqui são Alexis e Sophie. –Falou Helena ao perceber que as duas não iriam se pronunciar.

-... Prazer.

-...

-...

-Ei vocês duas, ao menos tenham a decência de responder né? –Falou Sarah com um tom de reprovação.

-Olá.

-Oi.

-...

De fato, aquele grupo era estranho.

-Como você está Hector? –Perguntou a princesa.

-... Bem.

-Nossa, você sabe mesmo como ser sociável. –Comentou Evangeline.

-Ser sociável não é o meu forte. –Falou o rapaz. –Há apenas poucas pessoas com quem poderia manter uma conversa sem problemas.

-Sério?E qual seria o seu tipo?

-... Pessoas extremamente perspicazes, inteligentes ou que tem um bom gosto pelas artes.

-Ei!Você está insinuando que não sou inteligente? –Falou Evangeline fazendo um beicinho.

-Eu não disse nada disso, apenas respondi sua pergunta.

-Ah é!Você não estava conseguindo conversar com a Helena... Então isso significa que você não a acha inteligente!

-... O motivo de eu não conversar com ela é por não ter nenhum assunto em comum a falar.

-Ah... Er... –Começou a murmurar Helena querendo parar a discussão mas sem saber como.

-Você poderia ficar quieto?- Falou Lucy de forma irritada.

-Perdão?

-Você percebeu como você insultou a Helena há poucos segundos atrás sendo que ela só estava sendo gentil?

-...

-Gente, sem discussões, não vale a pena perder o intervalo por causa disso. –Falou Sarah tentando apaziguar os ânimos.

-Peço perdão pelos meus atos, senhorita Helena.

-Hum?

-Eu não sei medir as minhas palavras.

-E-está tudo bem, eu não me senti ofendida.

-... Não precisa ser gentil comigo. –Respondeu o rapaz de feições sérias. – Se eu fizer algo de errado não hesite de chamar a minha atenção.

-Hum...

-Bom, já que você disse que era para falar qualquer coisa... –Disse Sophie se pronunciando pela primeira vez. –Você é um babaca.

-Eu disse que poderia me dizer o que eu fiz de errado, não que podia me insultar.

-Você precisa que te digam?Sério cara, você não tem um pingo de senso comum? – Falou Sophie arqueando a sobrancelha.

-...

"Hector, isso não é certo."

"Por que não? Eu só disse a verdade."

"... Mas você foi longe demais, ela não merecia ouvir aquelas palavras... Aquilo foi... Cruel demais."

"..."

"Vamos, ao menos peça desculpas a ela."

"Não."

"Hum?"

"Eu não vou pedir desculpas por algo que não me arrependo."

"Hector, o que você fez é..."

"Errado?Talvez, mas não vou ser hipócrita e pedir desculpas sendo que não é isso que eu sinto."

"..."

"... Desculpa."

"Você está certo. Ser hipócrita não vai ajudar em nada."

-... Eu simplesmente não sou capaz de fazer a coisa certa. –Sussurrou Hector perdido em pensamentos.

-Hector?O que você...?

-Sinto muito. –Desculpou-se. –Eu... Vou procurar um outro lugar para ficar.

-Ei calma! –Falou Evangeline. –A Sophie tem uma língua afiada, mas não leve o que ela diz a sério.

-Ela não disse nenhuma mentira. –Replicou o rapaz de cabelos negros. –Eu não sou capaz de discernir o que é certo e o que é errado.

E se foi.

-... Hum... Sophie, será que você não exagerou um pouco? –Falou Helena de forma preocupada.

- Em minha defesa eu não pensei que ele seria afetado dessa forma.

-...Acho quem ele derrubou algo. –Falou Alexis com sua voz calma enquanto pegava uma espécie de carteira azul marinho do chão.

Alexis abriu a tal carteira com cuidado para averiguar.

...E se deparou com uma foto de uma mulher de cabelos dourados, sorriso radiante e a expressão mais gentil do mundo.

-00-

-Ei... Sorento.

-... Milenka.

-...

-...

-Hum... –Começou ela um pouco incerta sobre o que falar. – Como estão indo os seus poemas?

-... Ultimamente não estou conseguindo me focar muito para compô-los. –Respondeu o poeta.

-Oh...

-... Estou tendo um "bloqueio de criatividade", é só isso.

-Hum... Bem... –Hesitou Milenka.

-Há alguma coisa que você gostaria de pedir?

-É que eu... Compus uma música. –Respondeu a garota olhando com interesse para os papéis em sua mão. –E-eu sei que você não gosta de música, mas... Poderia ouvi-la?

-...

-Bom... Você... Não precisa... –Sussurrou Milenka perdendo a confiança e falando cada vez mais baixo.

-...Tudo bem.

-Hum?

-Pode tocar.

-Não vai ser... Você não vai ficar desconfortável?

-...Veremos.

Milenka respirou fundo, enquanto preparava o seu violoncelo, suas mãos tremendo e suando como nunca.

... Por que estava com tanto receio?Geralmente conseguia tocar sem problemas, ainda mais porque ela conseguia comunicar perfeitamente e sem problemas o que ela sentia graças a sua música.

NHIIIIIIII

-Ah-Ah!Desculpe! –Falou Milenka corando de vergonha quando o som garranchoso saiu de seu violoncelo.

-... Respire fundo.

-Hum?

- Respire fundo. –Disse Sorento, enquanto colocava as mãos nos braços da garota. –Feche os olhos e respire devagar até se sentir relaxada.

Milenka fechou os olhos dando um longo suspiro, tentando fazer o possível para acalmar a tremedeira de seu corpo e relaxar, apesar da tarefa parecer impossível do modo como sentia seus músculos duro feito pedra.

-Tente prestar atenção em todos os sons ao seu redor. –Continuou Sorento.

Deu outro suspiro, fazendo o que o rapaz lhe dissera, tentando se concentrar nos sons ao seu redor.

Ouviu o farfalhar das árvores, os sons de pássaros... O vento gentilmente soprando em seus cabelos...

Sua respiração.

A respiração dele.

Quando o poeta percebeu que os ombros da garota finalmente tinham relaxado ele colocou delicadamente a sua mão na mão em que ela segurava o arco, levando-o perto do instrumento, enquanto posicionava o objeto.

-Toque. –Sussurrou Sorento de forma suave.

E assim fez, sem abrir os olhos, a aspirante começou a tocar o violoncelo, dessa vez tirando um som doce e lento, de belo ritmo, sem erros.

...Mas de repente, ela sentiu uma mão parar o seu arco, então abriu os olhos, encarando o rapaz de cabelos lilás, que parecia estar com uma expressão desconfortável.

-... Você quer que eu pare?

-Não eu... –Falou ele suspirando de forma angustiada e frustrada. -... Me dê alguns minutos.

-Você não precisa forçar...

-Alguns minutos. –Falou o poeta. –Ou do contrário eu não terei coragem de ouvir você tocar uma segunda vez.

Milenka apenas observou como ele fechava os olhos e parecia estar fazendo a mesma coisa que ela fizera momentos atrás, respirando com dificuldade e contorcendo o rosto com determinação.

... Ela queria muito... No momento ela gostaria de segurar as mãos que estavam sobre as suas e apertá-las com força, mas não se mexia, nem ousava respirar, com receio que se fizesse qualquer movimento quebraria a concentração do rapaz.

-... Pode tocar. –Falou Sorento após um longo tempo, enquanto tirava as suas mãos de cima das dela.

Milenka segurou a mão dele mesmo com o arco, olhando-os nos olhos de forma preocupada, mas esboçando um leve sorriso que queria dizer que tudo ficaria bem, apesar de não saber qual era o problema.

Ela recomeçou a tocar, o som estava perfeito, dessa vez ela estava de olhos abertos, tentando observar qualquer reação estranha que pudesse vir do poeta.

Mas Sorento... Ele estava de olhos fechados, totalmente imerso no som que saia do violoncelo, não se focando em mais nada, não tendo nenhum pensamento... Estava apenas... Sentindo a música.

"Respire fundo e foque nos sons ao redor... Isso ajuda na hora de você se concentrar apenas em seus sentimentos..."

"Ei, para avaliar algo assim... Você precisa se focar só no som em si, nada deve ficar no caminho... Você não pode pensar."

-... Pronto. –Sussurrou Milenka parando de tocar.

-...

-Como você está?

-Estou... Bem. –Retrucou Sorento, com uma estranha expressão de triste nostalgia. – Eu acho que vi algo.

-Algo?

-Na sua música, uma memória ruim.

-Er...

-Ela me fez me lembrar de que... Essa era uma memória boa.

-Eu não entendo.

-É difícil explicar. –Concordou Sorento dando um sorriso estranho. –... Como você conseguiu compor essa música?

-... Usei um de seus poemas como inspiração.

-Oh?É mesmo? –Disse ele dando uma leve risada. -... Que estranho.

-O que é estranho?

-O seu talento. –Respondeu. –Você consegue extrair a essência de algo e interpretá-la perfeitamente.

-O-obrigado. –Agradeceu Milenka começando a corar com o elogio.

-Talvez... Não seja tão traumático.

-Hum?

-Eu... Sobrevivi não é? –Falou dando um sorriso.

-Ah... Sim. –Concordou a aspirante abrindo um pequeno sorriso incerto e confuso.

-Eu... Gostaria de pedir um favor.

-Claro!Pode pedir qualquer coisa!

-Esse é um dos meus poemas. –Sussurrou o poeta enquanto entregava um papel com letras elegantes nas mãos dela.

Milenka apenas pegou o papel, lendo o poema com cuidado antes de, estranhamente, encontrar o título no final da página.

"Ode a música."

-000-

Eu dei uma frisada na Milenka e no Sorento, e eu até planejava colocar mais algumas interações, mas achei que ficaria muito fora de foco/tema se fizesse isso, então deixa para a próxima né?

HÁ!HAHAHAHHAA, Quem seria a tal mulher na foto que o Hector tem hum~?Talvez alguém que ele gostava?Eh, quem sabe?HEEHHEHEHE

... Eu vou trollar vocês.

É sério, não importa o que teorias malucas vocês pensarem sobre a mulher da foto, todo mundo vai errar.

SEM EXCEÇÕES!

...

Ok, vamos aos reviews!

Jules Heartilly: Você vai achar gozado mas... Não, eu não tinha me baseado na Bela e a Fera quando escrevi a cena, mas depois de reler o que eu tinha escrito eu pensei "LOL, tá parecendo a cena da Bela e a Fera da Disney XD"

Hum... Sei lá, às vezes quando alguém fala bem perto na minha orelha a respiração bate e eu começo a sentir coceira x.e

AHAHAHHAS, sim~ O Isaac era sarado até no original hehehe e lol, Margot e Bian são dois tsunderes que gritam um com outro mas que são semi-sinceros XD

Pfff... Essa era a ideia inicial, não de fazer a Lucy e o Hector juntos, mas o fato de deixar todo mundo pensando que o par dela era o Hector para desviar a atenção de todos para a revelação XD