Ah... Ela tinha dito que ia tentar mudar e tentar se aproximar dele, mas... Ela tinha que admitir que estava sendo difícil, não somente por causa da sua hesitação e resistência, mas também porque não sabia como interagir.
... Bom, talvez encontrar o dono da carteira fosse uma boa desculpa.
Hey Io. –Chamou Alexis.
-Hum?
-Eu preciso da sua ajuda para descobrir onde uma certa pessoa mora.
-Para que?
-... Eu preciso devolver algo para ele. –Disse mostrando a carteira.
-...Não é melhor deixarmos isso com a polícia?
-Essa carteira está sem nome, mas eu sei quem é... Bom, quase, ao menos sei que o nome dele é Hector.
-...Hum... Eu não vou conseguir te ajudar com isso... As únicas pessoas que são boas com essas coisas são o Leon ou o Fiodor.
-... Ok, eu vou procurá-los. –Disse Alexis um pouco desapontada.
-... Mas eu posso te acompanhar depois se você quiser.
-Hum?Ah não... Está tudo bem, eu tenho a sensação que ele não gostaria que mais ninguém visse essa foto.
E saiu.
-Ugh... As coisas não estão indo bem...
-00-
-Nossa, o que você está fazendo?
-Programando.
-Você não sabe fazer nada melhor a não ser programar?
Diante da afirmação o rapaz de afiadas presas parou de teclar e girou a cadeira, olhando para a garota com uma sobrancelha arqueada.
-O que?
-Você também fica o dia inteiro no computador.
-É diferente, eu pelo menos converso com as pessoas no computador, você não faz nada além de programar e programar!
-...Você não estava reclamando quando eu estava montando o seu site.
-Ah, isso é diferente. –Falou enrolando uma mecha do cabelo nos dedos.
-Não é não.
-... Com licença.
-Hum?Ah!Oi Alexis!Raro te ver por aqui.
-Do que você precisa? –Perguntou Fiodor levantando a sobrancelha.
-Bem...
-Fiodor não assusta ela!Ela não é quem nem eu que sabe que você não passa de um bichinho que grita alto mas que só sabe gritar e não é assustador!
-Como é?
-... Eu falei com o Io e ele disse que você é o melhor para buscar informações sobre a pessoa que eu procuro.
-Ok, e que...
-Ah!Tá falando do Hector?
-Escuta aq...!
-Eu consigo achar sobre ele mais rápido que o Fiodor com a minha habilidade de busca no face e no Goo...! –Começou a falar Evangeline antes de ser interrompida por Fiodor que enfiou um muffim inteiro na boca dela.
-Agora vamos ver se você acha engraçado interromper os outros enquanto eles tentam falar. –Falou o rapaz franzindo o cenho. -... Bom, e como é esse tal Hector?
-...Ela está começando a ficar com falta de ar.
-Não se preocupe, até você terminar de falar ela vai aguentar.
-... Ele tem cabelos negros e curtos, suponho que 16 ou 17 anos, olhos azuis cinzentos e pele ligeiramente pálida... E também é muito sério. –Começou a descrever começando a fazer uma careta ao perceber que Evangeline parecia estar começando a ficar azul. –Escuta, não tem como você tirar o muffim?Ela está começando a ficar azul.
-Ok.
-GASP!ARF ARF!Eu pensei que ia morrer!
-Por que você não deu uma mordida no treco?
-Oh...
-... Deixa pra lá, bom, eu vou pesquisar, sem problemas.
-Eu vou achar primeiro que você! –Falou Evangeline com os olhos flamejantes e competitivos, tirando o seu notebook sabe se lá de onde.
-Eu não vou participar de uma competição estúpida.
-Já!
-...
Apesar de ter dito que não iria participar de algo idiota Fiodor começou a digitar rapidamente em seu notebook assim que ouviu o sinal, enquanto que Evangeline tinha uma expressão estranha e maníaca enquanto abria vários sites de relacionamento e começava a pesquisar.
Alexis apenas olhava para os dois com estranheza, tinha uma relacionamento até decente com ambos já que tanto ela quanto Evangeline tinham blogs e ela pedia ajuda para Fiodor de vez em quando para faz alguns ajustes no seu blog.
-Há!Achei!
-Achei!
-Consegui um segundo a sua frente HÁ! –Falou Fiodor orgulhoso.
-Ugh... Foi só por um segundo!
-Ainda assim consegui, claramente eu sou melhor que você com computadores.
-Claro, você sabe programar.
-Isso mesmo!Agora não quero ouvir mais você me enchendo o saco de que só programo e programo!
-Ahem.
-Hum?
-A pesquisa. –Falou Alexis.
-Oh?Certo, o que você quer saber mesmo?
-O Hector deve morar aqui perto, então gostaria de saber onde.
-Certo, vou anotar o endereço no papel.
Alexis apenas ficou observando enquanto Evangeline ainda estava fazendo beicinho de forma aborrecida, se pendurando no pescoço do rapaz e tentando atrapalhá-lo, apesar de Fiodor conseguir escrever no papel, desviando rapidamente dos movimentos.
Eles se davam incrivelmente bem... De um jeito estranho era verdade, mas mesmo assim dava para sentir que não havia nenhuma aura hostil entre eles...
E não somente eles, praticamente todos na casa partilhavam dessa aura com um dos integrantes, Sorento e Milenka pareciam perfeita harmonia, a garota geralmente era tímida e reservada perto dos outros, mas todo momento que estava perto do rapaz parecia conversar com um sorriso aberto no rosto, Sophie e Kagaho eram bem quietos, mas também eram outros que se davam super bem, a Sophie, que geralmente tinha um rosto franzido e soltava palavras sarcásticas abrandava a sua aura perto do rapaz, sendo até mais sociável!
Bian e Margot eram um caso... Uma versão mais briguenta da Evangeline e do Fiodor, Sarah e Isaac eram carne e unha, Sui e Helena dispensavam comentários...
... Provavelmente os únicos que não se davam bem naquela casa deviam ser Lucy e Leon.
-Em algum lugar...-
-Atcho!-Espirrou Lucy.
-Tch... Hum... Estranho, será que estou pegando um resfriado? –Perguntou-se Leon.
-00-
-Que chuva naquele dia heim? –Comentou Sarah.
-Sim.
-Você pretende ir à praia hoje à tarde?
-Não, de acordo com o Bian vai chover forte o dia inteiro.
-Ué?Eu perguntei justamente porque vai chover forte, afinal, você gosta de um mar bravo não é?
-... Se formos vamos ter que esperar até a chuva forte passar e isso pode ser um problema para você.
-Hum... Então o que você pretende fazer?
-No momento... Qualquer coisa que você esteja disposta fazer e qualquer lugar que você deseje ir.
-Huh?!
-Você sempre me acompanhou todas às vezes eu fui à praia, inclusive me dando carona no seu trailer. –Explicou Isaac.-Então gostaria de retribuir cada favor.
-Er... Sério?
-Estou à disposição por cada dia que você me ajudou.
-Isso é... Bastante. –Respondeu ela de forma pensativa. –Hum... Nesse caso... Que tal um cinema?Lançou um novo filme feito pela famosa cineasta "Jojo" e eu gostaria de checar!
-00-
-... Por que você está agachada? –Perguntou Kagaho.
-Na hora de colocar as minhas lentes eu acabei me descuidando e perdendo as duas... Então vê se toma cuidado para não pisar nelas. –Respondeu Sophie sem encará-lo, tentando se focar em achar os pequenos objetos. –Hum?O que você está fazendo?
-... Ajudando você.
-Ei... Não precisa, eu dou um jeito aqui, além do mais... Você não precisa ficar de olho no seu irmão?
-...Ele está com a Helena. –Replicou parecendo desconfortável. -... Aqui, achei um deles.
-Eu achei o outro.
-... É melhor dar uma limpada antes, você está com o produto para limpeza?
-Sim.
-Eu limpo para você.
-...Não há necessidade.
-É bem capaz de cair novamente no chão e teríamos que recomeçar a procurar.
-...Ok.
Sophie entregou a lente com cuidado, enquanto apontava onde estava o produto que ela separava, aguardando o rapaz de cabelos negros silenciosamente, sentada na confortável poltrona da biblioteca.
Ela nem tentava protestar muito, já percebera que esse era o modo de ele agir toda a vez que não houvesse ninguém precisando dele, ainda mais o seu irmão, compreendia de certa forma, já que ela tinha um, embora não fosse tão protetora assim.
-Ei Kagaho.
-Hum?
-Por que você sente a necessidade de ajudar em algo, por mais ridículo que seja?
-... Não sei.
-Toda a vez que o Sui não precisa de sua ajuda você parece perdido.
-...
-Só fiz um comentário, não estou esperando uma resposta.
-Se não tivesse esperando uma resposta não teria feito à pergunta.
-...
Seguiu-se um estranho silêncio, um tanto incômodo por assim dizer, Sophie podia reparar, mesmo sem as lentes, que o rapaz parecia estar pensativo e um tanto incomodado.
-Tch... Ultimamente só estou dando mancada huh? –Disse ela dando um longo suspiro antes de bagunçar os cabelos de forma irritada e soltando uma gargalhada sem humor logo em seguida.
-Nós somos órfãos.
-Hm?
-Vivíamos nas ruas, e como o Sui tinha uma saúde um pouco frágil eu ficava constantemente me preocupando por sua segurança. –Continuou. –... Talvez seja por isso que eu tenha me acostumado a agir dessa forma.
-Hum...
-Eu não sei porque eu ainda não me acostumei a na ser assim, afinal, só tem pessoas independentes ao meu redor.
-Bom, talvez seja por causa da Genevive?
-...Depois de ela ter se acostumado um pouco melhor com a situação ela não precisou tanto assim da minha ajuda, além do mais, ela dependia muito mais do Leon do que de mim.
-Bom, não é muito difícil.
-Hum?
-Ser independente. –Falou Sophie se espreguiçando. –Se você quiser aprender a "desacostumar" a ficar cuidando da vida dos outros é só pensar mais em si mesmo e no que você gostaria de fazer.
-...
-Cara, você não sabe o que gostaria de fazer?
-...
-Sério?
-...
-Céus... Como eu me meto numa coisa dessas. –Murmurou Sophie meneando a cabeça. –Certo, eu vou te ajudar.
-Como?
-Olha, eu sei que isso não é uma coisa para se gabar, mas eu sei muito bem como não ligar para ninguém e fazer as minhas coisas. –Falou Sophie rolando os olhos, apesar de seus lábios estarem tremendo de vontade de rir com a sua constatação. – E... Francamente, ser bonzinho demais não faz o seu perfil.
-00-
-Toc toc-
-Ugh... Quem é?
-Alexis.
-A garota do grupo de ontem?
-Sim. Me surpreende que você lembre.
-Memória fotográfica.
-... Nós vamos conversar com a porta fechada ou eu posso entrar?
-... O que você quer?
-Você derrubou uma carteira ontem.
Quando Alexis acabou de falar ela só ouviu vários cliques vindos da porta, antes de esta ser aberta rapidamente e ela sentir ser puxada com mais velocidade ainda para dentro.
-Mas o que diabos foi isso? –Perguntou-se esfregando o braço enquanto via o rapaz de cabelos negros perder toda a compostura e trancar a porta com agilidade.
-VOCÊ ESTÁ COM A CARTEIRA?!
-Já disse que sim. –Respondeu tampando os ouvidos, mas depois entregando o dito objeto, que foi tirado de suas mãos com velocidade. –... De nada.
O rapaz parecia não ter escutado, virando-se rapidamente e abrindo a carteira com cuidado, dando um suspiro aliviado ao constatar que o conteúdo dentro da carteira não tinha sido perdido.
-... Quem é a mulher da foto?
-Heim?!
-Essa foto é de alguém que você gosta?
-NÃO É DA SUA CONTA!
-...
-Digo... Ugh... Obrigado por vir me entregar isso. –Disse Hector coçando nervosamente a cabeça e guardando de forma afobada a carteira, enquanto parecia corar com intensidade, parecendo uma pilha de nervos. -... Mas teria sido bom se você não tivesse olhado.
-Por quê?Eu nem conheço a pessoa da foto. –Falou Alexis arqueando a sobrancelha. –Além do mais eu precisava checar se tinha algum endereço ou algo do gênero para saber onde poderia entregar.
-... Como assim você não a conhece? –Disse o rapaz aparentemente surpreso antes de se tocar do que tinha dito. -... Digo, faz sentido.
Alexis podia se orgulhar de seu senso de observação, então dizer que estava muito surpresa ao ver o rapaz a sua frente agir de forma tão descontrolada e desconexa tinha sido uma surpresa para ela, já que, mesmo que só o tivesse visto uma vez, teve a impressão de que ele era uma pessoa muito mais fechada e séria.
-... Alguém mais viu a pessoa da foto? –Perguntou Hector nervosamente.
-Não, só eu.
-Ah... Que alívio... Hum... Você poderia prometer que não vai contar a ninguém sobre isso?
Ok, o que tinha de tão interessante sobre a tal mulher da foto para fazer o rapaz a sua frente parecer tão apavorado como se estivesse fazendo algo errado?
-Você promete?
- O que adianta eu prometer algo?Palavras não significam nada. –Respondeu ela franzindo o cenho se lembrando da sua própria situação.
"Droga Alexis, você disse que ia parar de fazer isso e tentar dar uma chance ao Scy... Io."
-Eu não estou pedindo para você prometer com palavras, mas sim com o coração. –Retrucou Hector de maneira séria.
-... E como você saberia?
-Eu posso não saber ler as pessoas tão bem quanto... Ahem, bom, eu consigo dizer claramente quando alguém é mal intencionado. –Respondeu dando uma tossida de leve.
-Cara, você só me viu uma vez, não acho que saberia dizer se estou mentindo ou não.
-Há certo tipo de pessoas que te conhecem mais em um segundo do que muitas que convivem com você por anos.
"Ei... Foi por um curto tempo, mas... Parece que nós somos amigos desde sempre não é?"
-Hum?
Alexis piscou duas vezes... O que tinha sido aquilo?Aquela voz...
-Ei?Você está bem?
-Estou. –Respondeu mecanicamente ainda absorta. –Hum... Eu prometo que não vou contar nada, ok?Não sou do tipo fofoqueiro... Para falar a verdade, eu nem sou de falar nada.
"Hum... Faz um bom tempo desde que voltamos das férias que a Alexis começou a ficar faladeira... Pena que no caso, seja com as paredes."
"É, e isso depois de ter ficado vários dias trancada no quarto sem fazer barulho nenhum... Honestamente, eu até pensei que ela tivesse morrido lá dentro."
Essa conversa... Ela se lembrava de ter ouvido seus pais sussurrando...
O que eram essas memórias?O que tinha acontecido durante as tais férias?
-Ugh...
Ela sentiu uma forte dor de cabeça, e tudo começou a ficar escuro, enquanto caia no chão, desacordada.
-000-
Hector, agradeça a garota apropriadamente!
HAHAHAH, bom, como deram para perceber, o Hector vai ajudar indiretamente algumas pessoas, mas não garanto que seja para juntar casais e provavelmente o pessoal que vai acabar ajudando ele HAHAHAHA(Esses meus personagens desequilibrados tsc, tsc)
Ah... E o Leon não apareceu nesse capítulo, lol, hahaha, mas não se preocupem, ele ainda vai aparecer... E claro, ele ainda vai tomar algumas sovas no seu pobre espírito antes de quase se quebrar de vez.
Por que o Leon, diferente dos meus outros personagens originais, é muito mais frágil emocionalmente.
Ok, vamos aos reviews que to sem inspiração para comentários que prestem:
Jules Heartilly: HAHAHA, mas foi bom!O Hector merece apanhar um pouco por ser tão teimoso e duro, então um pouco de água para amolecer não faz muito mal HAHAHA!
Ah sim, o Sorento e a Milenka são bem poéticos de se escrever XD(Esses dois são fofos hhahhhhaha)
