-Hum... Parece que todos estão se dando bem... Isso é bom. –Murmurou Leon andando aleatoriamente pela casa e checando os seus habitantes. -... Embora o Io ainda pareça em apuros... Hum... Eu não queria me intrometer mais do que já me intrometi, mas parece que esses dois não vão sair de onde estão se eu não fizer nada.

-Fazer o que? –Falou uma voz desconfiada.

-Olá, senhorita Lucy.

-...

-Ei, não me mate que não fiz nada de errado. –Respondeu levantando as mãos em defesa.

-... Resolvi te dar uma chance.

-Oi?

-Para não dizer que sou injusta eu resolvi dar uma chance. –Repetiu a garota. –Nesse fim de semana.

-Oh... Um voto de confiança seu soa tentador, mas... Eu tenho planos para o final de semana. –Respondeu Leon. – Vou viajar.

-Você viaja muito. –Disse com uma voz ainda mais desconfiada. –Todos comentam isso.

-É verdade. –Retrucou o rapaz dando de ombros. –Ando ocupado e não sei quando vou ter tempo livre.

-Você está rejeitando o meu voto de confiança depois de ter feito de tudo para que eu confiasse em você?-Perguntou a garota sarcasticamente enquanto levantava a sobrancelha.

-... Eu não estou rejeitando a sua confiança. –Declarou ele estalando os dedos. -... Mas às vezes confiar significa acreditar na pessoa mesmo com suas dúvidas... Pelo menos, um certo amigo do meu pai chamado Kanon me disse isso uma vez.

-... Confiar não significa acreditar cegamente, você tem que dar motivos para uma pessoa ter fé em você. –Retrucou Lucy. –E você não tem feito um bom trabalho quanto a isso.

-Touche!

-... Isso não é uma brincadeira.

-Eu sei. –Retrucou rindo mais um pouco para depois assumir uma expressão mais serena. -... Honestamente, eu não sei como reagir quando o assunto é você.

-Huh?

-Desde o momento em que te vi eu agi completamente diferente do modo como ajo com outras pessoas. –Explicou. – No começo, quando descobri que você fazia parte das vítimas dos estranhos acidentes eu quis ajudá-la a se recuperar de seu trauma, mas... Você não precisou. Talvez a foto tenha mexido com você, mas isso foi mais por minha culpa.

Espere um momento... Ajudar?Por que ele queria ajudar as vítimas?

-Segundo. –Falou Leon, tirando Lucy de seus pensamentos. –Aquele horrível primeiro encontro na sorveteria, em que acabei perdendo a razão e querendo fazê-la sofrer... Eu jamais senti tanta vontade de machucar alguém, nem quando...

-Hum?

-... Nada. –Retrucou o rapaz meneando a cabeça apesar de seus olhos terem ficado escuros.

-E... Agora, enquanto eu conto a você pequenas verdades sobre mim e sobre meus planos embora eu não devesse fazer isso.

-... E porque você sente que não deveria fazer isso?

-Porque eu tenho certeza que essa confiança toda vai ser um tiro no meu pé. –Respondeu Leon dando outro de seus sorrisos estranhos. – Eu não sei, toda vez que estou com você ajo de forma instintiva e espontânea!Você é a peça que faltava para que tudo desse certo!

-O que você...

-Não me importo se você me ferir. –Sussurrou perto da orelha da garota. –Continue a expor o meu verdadeiro eu, assim eu posso finalmente ser livre e me expressar, enquanto que ao mesmo tempo todos vão acreditar na "verdade mentirosa".

-00-

-Onde... Eu estou?

Alexis se levantou sentindo-se um pouco zonza, encarando paredes que ela não conhecia e deitada em uma cama que com certeza não era dela.

-Você finalmente acordou? –Ouviu uma voz sussurrar nervosamente.

Alexis se virou, se deparando com o rapaz de cabelos negros e olhos azul que estava sentado na cadeira, duro como uma pedra.

-... O que aconteceu?

-Você desmaiou. –Explicou Hector. –Eu até cheguei a levá-la no hospital, mas eles disseram que não era nada, então eu te trouxe aqui.

Alexis estava pensativa, se lembrando das vozes na sua cabeça... Tinha certeza que era algo importante, mas no momento não conseguia lembrar.

-Você está bem? –Perguntou o rapaz.

-...Estou. –Respondeu Alexis voltando à realidade e decidindo que o seu esforço estava lhe rendendo apenas dor de cabeça quando uma ideia lhe veio na cabeça. -... Por que você não me deixou no hospital?

-... Eu odeio hospitais.

-Você poderia me deixar sozinha.

-Eu não podia deixar você desmaiada sendo que não conheço ninguém para te informar onde você está. –Falou Hector franzindo o cenho.

-...

-...

-Obrigado. –Agradeceu Alexis depois de um tempo.

-... Disponha.

-...

-...

Deus do céu!Ela sabia que não era boa em se sociabilizar, mas isso já beirava ao ridículo!

-...Você se sente bem o suficiente para ir embora?

-Huh?

-Não que eu esteja te expulsando. –Clarificou Hector cruzando os braços. – Mas... Não vai ter ninguém preocupado com sua ausência?

-... Talvez... Não sei, não tenho nenhum laço forte com ninguém no lugar onde estou morando atualmente...

-...

"Então ela é sozinha como eu..."

Não era difícil ele estar sozinho, ninguém tinha paciência para seu jeito calado ou ranzinza e crítico demais, então sabia exatamente como ela se sentia.

-Sei exatamente como é. –Sussurrou Hector sem perceber.

-Huh?

-Nada.

-TRIM!-

-... Eu vou atender a porta.

Quando o rapaz de cabelos negros abriu a porta se deparou com um desconhecido de cabelos compridos de cabelos rosados que parecia em pânico.

-Por acaso você viu uma garota de cabelos ruivos e olhos cor mogno?

-Sim, ela está aqui. –Respondeu sem entender.-... Quem é você?

-Amigo dela.

-Amigo?Eu pensei que ela não tivesse amigos...

-Huh?Io?

-Vocês se conhecem?

-Sim. –Responderam ambos.

-Huh... Alexis. –Chamou Io um pouco desconcertado. –Por que ele tinha dito que não achava que você tivesse amigos?

Droga.

-B-Bem...

-...

-...

A situação estava tão complicada e tensa que até mesmo Hector podia sentir o clima pesado e estranho entre os dois.

Deu uma tossida de leve.

-Hum... Você podia explicar antes que eu tivesse a ideia errada? –Ofereceu Io nervosamente.

-Eu estava falando com o Hector sobre o fato de ninguém lá na mansão ficar preocupado com a minha ausência... –Começou a se explicar. –Quando eu disse que não tenho "amigos" foi porque eu não tenho ninguém que eu seja muito próximo.

-Oh... –Replicou ele nervosamente, sem saber o que dizer.

- Pelo menos ainda não somos tão próximos... Pelo menos ainda não.

-Ahem. –Tossiu Hector. –Vocês poderiam resolver esse problema do lado de fora?Eu mal conheço vocês e não gosto de ser submetido a uma situação tão desconfortável.

-Sim... É melhor nós irmos. –Falou Io indo em frente.

-Certo... –Respondeu Alexis antes de hesitar um pouco. –Hector?

-Hum?

-Se estiver ok... Nós podemos ser amigos.

-Hum?!

-Tchau. –Falou Alexis enquanto saia da casa diante dos olhares espantados dos dois rapazes.

-00-

-...Helena?Aconteceu alguma coisa? –Perguntou Sui ao ver a princesa torcer o tecido de sua roupa de forma pensativa.

-Ah... Nada. –Falou a princesa.

-Você é uma péssima mentirosa. –Respondeu o rapaz com um sorriso, mas ficando com uma expressão séria ao ver que a garota parecia tensa. –Sério, aconteceu alguma coisa?Você está muito tensa.

-...

-Pode confiar em mim, eu posso não ajudar em nada, mas ao menos desabafar e ter um ombro amigo eu posso servir não é? –respondeu abrindo um sorriso convidativo.

A garota apenas olhou para o rapaz à sua frente perdido em seu sorriso gentil.

O que acabara de ouvir... Será que podia mesmo confiar nele?Afinal, ele era um dos habitantes da casa...

Não, ela tinha ouvido sobre os boatos e visto que eram mentiras, apesar de passar mais tempo com Sui ela também passou tempo o suficiente com os outros membros da casa para saber que não eram tão ruins quanto aparentavam.

... Ou será que não?

-Helena porque você está balançando a cabeça de um lado para o outro?

-N-nada. –Respondeu a princesa.

-... É algo que você não pode me contar?

-Bem...

-Sem problemas. –Disse o rapaz. –Se você se sentir melhor assim então não precisa dizer nada tá?Mas se tiver algo que eu possa fazer...

Helena meneou a cabeça novamente.

Onde estava com a cabeça?Sui era genuinamente carinhoso e gentil, não havia como fingir isso.

-B-Bom... Sabe, é estranho... Depois que comecei a morar aqui os meus guardas... Minha família... Não tentaram fazer nada para me tirar daqui... Quero dizer, eles até tentam dentro da faculdade, mas...

-Ah, isso?Você não precisa se preocupar. –Respondeu Sui. –Nós damos um "jeito" de eles não chegarem aqui.

-J-Jeito?

-É. –Respondeu ele com um sorriso. –Cortesia do Leon!

-L-Leon?

-O que foi? –Perguntou Sui preocupado ao ver a reação da garota.

-Sui... Você... Você seria capaz de parar um amigo de fazer algo errado mesmo que fosse o seu melhor amigo?

-Com toda certeza. –Respondeu o rapaz, abaixando o rosto ao se lembrar de algo. -... Já que... Mesmo que ele esteja pensando em fazer o certo às vezes ele acaba fazendo algo errado.

Ao ouvir o tom triste na voz do outro, Helena ficou alarmada, olhou para o rapaz sentado ao seu lado que parecia estar com um semblante triste e culpado.

... Por que ele se sentiria culpado?Se havia algo que Helena sabia era que o rapaz a sua frente era bom demais para fazer qualquer coisa que justificasse a expressão.

-... Hum... Eu ouvi a conversa do Leon com a Lucy e... Ele começou falar umas coisas estranhas e muito assustadoras.

-Assustadoras?

-É, uma conversa sobre o verdadeiro "eu" dele e sobre raiva...

-Hum... É estranho o Leon falar tão abertamente com alguém sobre os seus problemas. –Falou Sui de forma pensativa. –Até mesmo eu e o Kagaho temos dificuldades em lidar com ele...

-Oh...

-Mas não se preocupe. –Respondeu Sui com um sorriso encorajador. –O Leon pode ser bem estranho, mas ele sempre pensa no bem dos outros!

-S-Se você diz eu vou acreditar.

-Pode confiar em mim!Ele tem talento para salvar as pessoas. –Falou Sui de forma distante como se lembrasse de algo. –Graças a ele eu não...

-Não...?

-Nada. –Respondeu meneando a cabeça e oferecendo a ela um sorriso, embora ele fosse claramente forçado. –Vamos indo?

-00-

-Você... Tem uma enorme dificuldade para até me chamar de "amigo", mas não tem problemas em chamar uma pessoa que você mal conhece em um? –Pergunta Io cruzando os braços, embora não a estivesse acusando de nada.

...Pelo menos ele gostaria pensar que não.

-...Eu sei que isso não combina com o meu perfil. –Concordou Alexis. –Mas é que... Eu tive a sensação que nós somos muito parecidos, talvez fosse por isso que não foi difícil de simpatizar.

-... Eu pensava que nós tínhamos uma conexão forte o suficiente, pelo menos quando éramos pequenos. –Soltou um pouco aborrecido.

-Hu?

Droga, ele estava tentando forjar novamente a antiga amizade deles!Não deveria dizer nada que piorasse a relação deles que estava se mantendo por um fino fio!

-... Não é nesse sentido. –Explicou. –Eu tive a sensação que tanto ele como eu era incapaz de fazer amigos porque nós sempre nos desentendemos com as pessoas mais próximas.

-Oh...

-Além do mais, apesar do que eu tinha dito, ele REALMENTE não tem nenhum amigo. –Falou Alexis sem pensar muito. –Afinal, podemos não ser tão próximos mas ao menos tenho você.

-00-

O que... Tinha sido aquilo?Aquele cara era bipolar ou completamente louco!

Lucy estava muito confusa e também não sabia como reagir, primeiro ele lhe dizia que queria salvar alguém, depois pedia para que ela o salvasse, aí... Agora vinha com essa conversa de que confiaria cegamente nela par que o ferisse e o deixasse insano...

Lucy podia se orgulhar de ser perceptiva e inteligente o suficiente para entender vários artigos científicos, mas tinha que admitir que o estranho dono do lugar estivesse em outro nível de compreensão!

E o pior... Por algum motivo que não entendia ela sentia que as três declarações que ele fizera... Por mais ridículas e contraditórias que fossem... Não eram mentiras.

-Ugh... Como os três podem ser corretos?Ele deve estar mentindo... –Murmurou. – Mas... Eu sinto que não é mentira... Aliás, desde o começo... Eu sinto que NADA que ele tenha dito fosse mentira.

O fato de ela acreditar também era algo que a perturbava, como ela... Que vivia de provas científicas e concretas... Estava acreditando nas palavras de alguém tão imprevisível e excêntrico como ele?Ela era desconfiada por natureza e sem dúvida nenhuma o começo entre eles havia sido pior que terrível!

-... Lucy?- Chamou uma voz suave.

-... Leon.

-Peço desculpas pelo meu comportamento. –Falou o rapaz de cabelos castanhos. –Não queria assustá-la.

-... Não queria é?

-... Eu não tenho a intenção de te machucar, física ou psicologicamente. – Respondeu ele.

-...

-Eu comprei um outro bilhete para a Inglaterra.

-Hum?

-Eu pensei na sua proposta e... –Começou Leon brincando com a aba de seu casaco. –Pode não ser do jeito que você pensava, mas...

Você se importa de ir à Inglaterra comigo?

-000-

Pois é, eu falei que não iria atualizar as outras, mas dava para atualizar esse capítulo já que não era ainda spoiler da outra fanfic :P(Não que a Dark Secrets ou o Tesouro tenham algo haver com a Me Encontre, mas é por estar sem ideia para escrever mesmo lol XD)

Provavelmente o capítulo a seguir vai ter relação com o que vai acontecer com o Leon na outra fic e um dos motivos de ele ter sofrido um choque horrível.

...

Ok, review time!

Juler Heartilly:

Acho que hilariamente o Hector vai fazer com que a Alexis perceba seus próprios problemas de insegurança XD, e alavancar a relação dela com o Io.

Ainda não pensei em um bom romance entre esses dois... Lol, Fiodor e Evangeline são tão grudados e se sentem tão a vontade um com o outro que já parecem casais HAHAHA XD

Relaxa, que não vai ser nada tão drástico, porque a Sophie pode ser Rabu(lol, roubando o apelido do Aonis), mas ela não é vilã né?^^