-Ei onde você está indo? –Margot perguntou ao ver Bian colocando as luvas de couro.
-Até a floresta pentalha.
-Certo, mas por que você está levando luvas de couro? –Ela arqueou a sobrancelha.
-O Isaac saiu para treinar.
-... Mas hoje não está chovendo?
-É, ele resolveu treinar no rio.
-Ok, e daí? Qual o motivo da preocupação? –Margot piscou algumas vezes sem entender. –Afinal, ele nada em mares bravios não é?
-É diferente! – Bian rebateu retirando um mapa da floresta, fotos de um rio e análises da geografia local. –Olhe aqui! Na ponta tem uma cachoeira enorme, o rio é relativamente largo e a correnteza é muito forte!
-Hum... Entendo. –Margot assumiu uma expressão séria ao ver a análise de dados na mesa. –Por acaso você avisou ele?
-Óbvio! –Bian rolou os olhos. –Não sou que nem você. Que se fosse eu você teria largado mão e deixado me ferrar.
-É lógico que não.
-Eh? –Ele piscou algumas vezes pensando ter entendido errado.
-Você realmente acha que eu seria capaz de deixar alguém morrer só porque eu acho a pessoa irritante? Eu não sou uma pessoa cruel. – Margot encarou o rapaz, visivelmente ofendida e colocando as mãos na cintura. – Pode ter certeza que se algo acontecesse, eu não hesitaria em salvá-lo.
-... Vamos logo, é melhor irmos o quanto antes para evitar uma tragédia. –Bian respondeu, se virando rapidamente e caminhando em direção a porta para que Margot não visse que seu rosto tinha começado a se enrubescer.
-00-
Sarah segurava a corda mesmo que ela estivesse fortemente amarrada ao grosso tronco de árvore.
"... Não é como se eu pudesse ajudar se alguma coisa realmente acontecesse", Sarah pensou, enquanto apertava a corda com mais força.
É, talvez ela pensasse que fosse inútil, mas mesmo assim não conseguia largar.
-Mas é impressionante... Mesmo com a correnteza sendo tão forte, até que ele está conseguindo nadar. –Sarah observou enquanto olhava os poderosos músculos do rapaz trabalhando para fazer movimentos rápidos, o cabelo grudando no rosto determinado.
-... Os outros rapazes que moram na mansão não são de jogar fora. –Murmurou Sarah de forma pensativa sem notar um pequeno barulho vindo da corda. – Mas eu nem fico encarando eles... Ou qualquer cara bonito pelo caminho, ultimamente eu estou tão focado no Isaac que...
Espera um momento. Ela tinha dito o que?
-... Ok, eu admito, ele tem um corpo bem definido para alguém da idade dele. –Ela falou a si mesma, tentando se convencer que isso era algo normal. – A maioria dos rapazes é magricela e franzinho!
...
-Ah... Deixa pra lá, eu penso melhor nessa parte depois. –Sarah rolou os olhos com a sua própria distração. – É melhor eu ficar focada caso algo aconteça.
SNAP!
A corda se partiu.
Sarah levou um susto e foi puxada com tudo, mas conseguiu se recobrar a tempo de enrolar a corda ao redor do braço, batendo com força contra a próxima árvore.
-Ugh! –Ela cessou os dentes, colocando o braço do outro lado e com dificuldade enrolando a corda ao redor do outro braço.
"Sinto como se meus braços estivessem sendo arrancados!", ela falou mentalmente enquanto a corda apertava seus braços com mais força.
-Sarah! –Isaac gritou preocupado enquanto via a garota se esforçar para segurar a corda.
"Droga! Eu preciso chegar logo à margem!"
Ele nadou o mais rápido que podia, o coração batendo acelerado.
-Eu avisei que era uma péssima ideia seu pateta! –Uma conhecida voz grunhiu enquanto segurava a metade da corda e começava a arrastar lentamente.
-Bian! –Margot gritou, correndo afobada enquanto segurava na corda e tentava puxar.
-Tira as mãos daí! Você só vai machucar suas mãos delicadas e vai atrapalhar! –Bian xingou, mas não se atreveu a olhar, já que estava muito concentrado em sua tarefa de puxar o amigo.
-Nem pensar! – Margot se recusou. -... Você mesmo disse "Vamos", e isso não significa que só vim para olhar!
-Será... Que os dois... Poderiam parar de discutir e ajudar? –Falou Sarah com dificuldades, não conseguindo nem respirar direito pelo esforço.
-...Grr... Ok! Mas ao menos use isto! – Bian praguejou, arrancando as luvas de couros com rapidez e jogando aos pés de Margot – ...Não tem problema se eu ficar com alguns calos.
-Mas...
-Anda logo! Só vou deixar você ajudar se fizer isso! –Respondeu Bian. -... E vá atrás de mim, se acontecer algo há uma menor probabilidade de você ser arrastada!
-Ok. –Margot concordou, colocando as luvas e começando a puxar.
- Sarah! Largue uma das mãos!
-Como?!
-Anda! –Gritou Bian cerrando os dentes. –É útil manter a corda no lugar, mas agora precisamos de força para puxar!
Sarah concordou e retirou uma das mãos com dificuldade, seu braço totalmente marcado e com partes tão fundas que tinham começado a sangrar.
Começou a força tarefa para puxar Isaac até a margem, cada centímetro que conseguiam puxar era um enorme esforço, mas ninguém pensava em desistir.
-Ah! – Todos caíram para trás, largando a corda quando Isaac finalmente chegou à margem.
-Sarah! –Isaac correu até a garota com preocupação.
-De nada. – Bian rolou os olhos, sendo totalmente ignorado. –Ah! Vai se ferrar!
-Seus braços...! –Isaac estreitou os olhos de preocupação enquanto checava as feridas que se formaram nos braços da garota.
"Wow! Apesar de ser extremamente forte ele está segurando com uma delicadeza..."- Sarah observou, tremendo levemente por causa da dor dos ferimentos, mas agradecendo o outro por evitar encostar diretamente nos machucados.
-... Vou levá-la até o hospital para checar essas feridas. –Ele disse pegando-a cuidadosamente no colo e se virando para Bian e Margot que ainda estavam deitados no chão. -... Vocês também estão bem?
-Oh! Obrigado por finalmente notar a nossa existência! –Bian devolveu com sarcasmo, mas acenou de forma casual. – Eu estou bem. Vou tirar um cochilo e depois eu dou um jeito na minha mão.
-...Certo. –Isaac meneou a cabeça de forma agradecida enquanto corria floresta adentro.
-... Margot? – Bian chamou após alguns minutos de silêncio.
-... O que?
-Como estão as suas mãos? –Perguntou, olhando para o lado.
-Elas estão bem. –A lady retirou as grossas luvas de couro para mostrar a mão, intacta, porém levemente vermelha.
-Que bom, não vou precisar te levar no hospital agora. –Ele suspirou aliviado enquanto voltava para a posição inicial. –Ugh!Estou acabado!
-... Não acredito que você pretende mesmo dormir aí.
-Não estou vendo você se levantar também. –Bian riu de forma cansada.
- Estou cansada demais... Meu corpo não consegue se mover.
-Heh, então vamos dormir um pouco e depois retornamos ok? –Ele fechou os olhos.
-...Preguiçoso –Margot sussurrou, mas sorriu e fechou os olhos, também adormecendo.
-00-
"Que voz bonita" –Milenka pensou enquanto tentava seguir o som, para descobrir quem estava cantando.
Ela tinha decidido fazer uma caminhada para se acalmar, após o fiasco de tentar reproduzir o poema ela tinha se sentindo deprimida já que não sabia como se desculpar com Sorento.
-Hum? Essa letra... –Os olhos dela se alargaram quando ela reconheceu a letra do poema, sendo cantada em uma melodia melancólica.
"Pois não há música tão vibrante quanto à chama fugaz do pássaro de fogo... "
Os passos eram lentos, ela tinha medo de fazer qualquer som que pudesse interromper a harmonia.
"Tal como o fogo que se extingue, e assim como a estrela cadente..."
-Sorento?! – Milenka abafou a voz, tentando esconder a surpresa.
"A beleza de um som que se pode ouvir uma única vez..."
Sorento cantou mais um pouco, antes do mais absoluto silêncio se instaurar na floresta.
"É muito parecido com a melodia que estou compondo..." –Milenka pensou. – "... Por que ele pediu para que eu composse essa música se ela já tem uma melodia?"
-Crack-
-Uh...Oh! –Milenka congelou no lugar.
-... Quem está aí? –Sorento se virou.
-Não adianta fingir, eu tenho os ouvidos muito sensíveis.
-Hum... –Milenka timidamente saiu do lugar onde ela estava.
-...Milenka? –A expressão dele era de surpresa, porém sem animosidade na voz. – O que está fazendo aqui?
-E-Eu vim para respirar um pouco de ar e me acalmar. –Ela sussurrou em um tom quase inaudível. – Eu ouvi uma voz cantando e... Eu tinha vindo checar.
-...
-D-Desculpa!
-Está tudo bem. –Ele suspirou. –Uma hora você iria saber.
-Er...
-... Mas isso arruinou um pouco a experiência.
-Hum? –Milenka levantou os olhos de forma sobressaltada.
- Eu gostaria que você descobrisse a melodia por si mesma. –Ele respondeu. – Mas agora que já ouviu, não há mais outro jeito.
-Ah... –Ela se sentiu culpada, sua face assumindo uma expressão de tristeza.
-... Não há necessidade de ficar triste. –Respondeu ele de forma gentil, afagando os cabelos da garota quando ele viu o estado do rosto dela. -...Aconteceu alguma coisa?
-Eh?
-Seu rosto está um pouco vermelho, e seus olhos parecessem inchados de chorar. –Ele clarificou com preocupação.
-A-Ah... Isso... –Ela baixou o olhar, sentindo-se ainda mais constrangida.
- Milenka, o que...?
-DESCULPA! –Ela falou de forma repentina, o que assustou Sorento. –Molheiopoemasemquerernãoseioquedeuemim!
-Respire. –Sorento colocou as mãos no ombro da garota. –Se acalme e fale divagar.
-...
Milenka retirou o papel e entregou a Sorento.
-... Essa é a sua letra? –Ele piscou.
-Eu... Não sei o que deu em mim. –Ela sussurrou. –Estava compondo e... De repente eu comecei a chorar e acabei molhando o seu poema.
-Ah...
-Me desculpe. –Ela se curvou ligeiramente.
-Não há com o que se preocupar. –Ele envolveu os braços ao redor dela, tentando confortá-la.
-Mas...
-... Peço desculpas.
-Hum?
-Eu ouvi que o campeonato de música aconteceria em breve e a senhorita tinha sido designada a participar na sessão de violoncelos não é?
-...Sim?
- Eu gostaria que você ganhasse o concurso com essa música, mas... Acho que isso atrapalharia. Se você perder por um pedido egoísta e mesquinho como o meu eu jamais me perdoaria.
-... Como assim?
-...
Sorento ficou em silêncio, Milenka, sem saber o que fazer, desviou o olhar para o chão, avistando uma bonita caixa de madeira.
-O que é aquilo? –Milenka piscou.
-Hum?
-... A caixa de madeira.
-Oh... Isso é... –Ele se aproximou da caixa, deslizando os seus dedos até o fecho, mas sem abri-la.
Milenka se aproximou da caixa e colocou sua mão sobre a dele em um sinal mudo de suporte e questionamento, Sorento, fechou os olhos por alguns segundos antes de a olhá-la nos olhos.
Havia um estranho sentimento contido naqueles orbes.
Ele desviou o olhar, e abriu o fecho, levantando levemente a tampa da caixa e revelando uma belíssima e elegante flauta prateada.
-...Uma flauta?
-Eu menti.
-Hum?
-Todos os poemas que compus... São músicas.
-...
-Tentei esquecer a música. –Ele continuou, fechando novamente a caixa. -... Mas pelo visto não consegui me livrar totalmente dela.
-...Por que?
-Eu não consigo mais tocar. –Ele respondeu, algumas lágrimas caindo dos olhos e direto no papel que Milenka entregara.
-Ah! O seu poema!
-... Sim, essa música está perdida. –Ele sussurrou de forma amarga. –Assim como a verdadeira compositora dessa música.
"Verdadeira compositora?"
-... Peço desculpas. – Ele enxugou as lágrimas, pegando as suas coisas. –Falei muito mais o que devia.
- Sorento...
-Apenas... Esqueça. –Ele falou sem se virar. –Esqueça o que eu disse.
-...
-Por favor, componha sua própria melodia. –Ele sorriu de forma triste. –Componha e ganhe o concurso.
-00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000-
Yosh~ Estamos quase descobrindo o passado do Sorento~ HAHAHA~ Eu trollei todo mundo legal não foi? Primeiro, quando coloquei o Sorento como ficha todos pensaram que ele seria do curso de música. Depois eu revelei que ele é um poeta e que ele faz um curso de letras, e agora eu revelei que ele toca(va) flauta!
Por que será que o Sorento não consegue mais tocar? No futuro vão saber!
Ah, e Leon e Lucy no próximo capítulo. Francamente, o Leon tem uma relação muito amarga com todas as pessoas próximas a ele lol.
...
Bom, chega de drama e vamos à review!
Jules Heartilly- Não, com certeza foi uma idéia estúpida, não que nada no mar bravo não seja, mas isso é outro level de estupidez!
Ah sim, com exceção do casal normal(FiodorxEvangeline) e do Bian, todo mundo tem um passado... Nada convencional. Leon tem bons motivos para ser amargo e o fato do Sui ter se atirado de um prédio eu peguei do original, só dei um motivo nessa história.
