Fiquei olhando o corredor por onde Harry tinha andado por longos segundos. Sentia-me burra e traída por mim mesma. Como pude deixar as coisas chegarem a esse ponto? Balancei a cabeça para organizar meus pensamentos: tinha que terminar com Malfoy e procurava as palavras certas para fazê-lo.

"Qual é, Granger? Vai ficar nessa a noite inteira?"

Malfoy me puxava pelo pulso de volta ao pequeno armário. Soltei minha mão e me virei para ele.

"Não posso. Não podemos."

Ele baixou o olhar. Ficou olhando seus sapatos por algum momento e podia perceber que estava tenso.

"Hoje seria a última vez, Granger, de qualquer modo. Meus amigos sabem que tem algo estranho rolando, que não é só mais uma das minhas companhias ocasionais. Eu não sei como aconteceu, mas me sinto preso a tudo isso e odeio me sentir assim. Cacete, nunca fui disso. Ficava com garotas como eu respirava: automaticamente. Mas com você é..."

Diferente, eu pensei. Mas não. Ele não terminaria a frase. Ele nunca diria isso.

I figured it out, saw the mistakes of up and down.

("Eu percebi, vi os erros de cima a baixo")

"Não quero mais mentir, Malfoy e sei que não adianta falar 'se tudo fosse diferente' porque nunca começaríamos um namoro sério. O máximo que sempre teremos é isso: Mentiras, sexo e um tipo de relacionamento doentio."

Nos olhamos nos olhos e me senti estranha. Triste, talvez? Vá com calma, garota. Não existe nada entre vocês. Só sexo, lembra-se? Ele abaixou o olhar novamente e achei que passaríamos a noite assim.

"Então é isso, certo? Acabou."

"Acabou, Malfoy."

Fechei os olhos e cometi um grande erro: corri e dei-lhe um abraço longo e apertado. Por segundos, achei que ele não o retribuiria mas então senti suas mãos em minhas costas. Afastei-me um pouco, tirei fios de cabelos que caíam por sobre seus olhos e repousei minha mão em sua bochecha. Quando ele se aproximou para me beijar, virei o rosto gentilmente. Saí de seu abraço, do aperto de seus braços, e aquilo doeu, não posso dizer que não. Andei um pouco de costas, pra poder sorrir pro garoto, e depois me virei. Quando estava quase virando o corredor em direção ao dormitório da Grifinória, escutei:

"Adeus, Hermione."

Hermione. Não me lembrava se algum dia ele havia dito meu primeiro nome. Era como um presente de despedida. Algo que ficaria só entre nós. E eu não podia deixar de dá-lo de volta.

"Adeus, Draco."

Quase um mês se passou depois de meu último encontro com o loiro. As vezes pegava-o olhando para mim e sorria, recebendo um sorriso discreto de volta. Era como se tudo que tivemos anulasse nosso ódio um pelo outro. Não o odiava, não. E se ele me olhava e sorria para mim, acho que ele poderia dizer o mesmo em relação a mim.

Não é fácil tirá-lo da minha mente. É só ficar distraída por alguns momentos e quando dou por mim, estou pensando em nossos beijos. Dessa vez estava muito mais difícil de... esquecê-lo.

Comecei a ter insônia. Malfoy era como fogo para mim e, quando eu não estava com ele, esse fogo não era nunca apaziguado. Habituei-me a andar pela escola depois do horário de recolher. Até novas manias ele havia me passado. Doentio. Doentio, sim.

Meu local preferido era a biblioteca. Entrar lá não era difícil afinal, quando alunos estavam fora da cama, a última coisa que eles queriam era ler. Entrava na sessão restrita e perdia horas lá dentro.

Em uma dessas minhas madrugadas acordada ouvi a gata de Filch rondando a livraria. Achei que seria mais prudente sair de lá e quando cheguei a porta da biblioteca, vi a sombra de Filch no outro corredor. Corri para meu dormitório e quando estava chegando, trombei com alguém.

Pronto! Agora estou morta.

"Granger?"

"Meet in the middle, there's always room for common ground."

(Um encontro no 'meio', sempre há espaço para um terreno comum)

Malfoy estava parado a minha frente, estendendo a mão para me ajudar a levantar.

"Oh, desculpe. O que está fazendo tão longe de seu dormitório? Deixa pra lá, Filch está..."

Fomos interrompidos por barulhos de passos. Ele puxou minha mão e corremos mais alguns corredores.

"Granger, aqui não é onde fica..."

Concordei com um aceno de cabeça e entramos na Sala Precisa. Uma lareira, um sofá enorme e uma pequena mesa surgiram no local.

"Parece... aconchegante." Malfoy disse, ofegante, sorrindo.

Ele se sentou no sofá e mais tarde me sentei também. Comecei a me sentir sonolenta e afundei-me mais no meu lugar.

"Com sono?"

"Morrendo."

Porém quando olhei nos olhos do garoto, algo se acendeu dentro de mim e o sono se afugentou. Mordi meu lábio inferior, decidindo o que deveria fazer. Apenas faça, Hermione!

Sorri de lado para ele e sentei-me em seu colo, de frente para ele, e comecei a beijar seu pescoço.

"Granger... Não deveríamos... Eu não... Ah, que se dane!"

Ri contra a pele de seu pescoço, ele puxou meu rosto e beijou-me. Não havia tempo para delicadezas e minha boca já era explorada por sua língua. Ele acariciava minha coxa e minhas mãos já estavam por dentro de sua camiseta.

"Senti falta disso, sabe..." Ele disse em meio a um beijo. Sorri e puxei a barra de sua camiseta para cima. "Sempre apressada."

"Foi tempo demais."

Foi sua vez de sorrir e arfar quando beijei bem abaixo de sua clavícula. Suguei sua pele e deixei uma marca forte ali.

"Pra marcar território, Granger?"

"Pra mostrar que tem dona."

Continuei beijando seu peito e desci até o abdome, arranhando suas laterais. Olhei para ele e encontrei puro desejo em seus olhos. E mais alguma coisa escondida que não consegui decifrar. Ele me levantou e beijou-me ainda mais, puxando agora a minha camiseta para cima.

"Devagar, ok, Granger? Quero aproveitar..."

Ele se deitou no sofá e puxou-me junto, sem parar de me beijar. Sua língua se enrolava na minha, ele mordia meus lábios e eu os dele. Ficariam inchados. Oh, sim, ficariam.

Ele virou-nos e olhou diretamente para meu colo.

"Você é tão..."

Ele não terminou a frase e começou a dar leves mordidas desde meu pescoço até perto de meus seios. Não parou até eu mesma colocar as mãos para trás e tirar meu sutiã. Ele me olhava e sorria levemente e aquilo a mais em seus olhos começava a mostrar-se.

"Eu sou tão o que, Malfoy?"

Ele hesitou por alguns segundos e achei que não me diria. "Linda."

Umedeci meus lábios e ele enterrou seu rosto em meu pescoço. "Não faça isso", sussurrou ao meu ouvido. "Esses seus pequenos gestos tiram meu controle."

Ele beijou mais uma vez meu pescoço e desceu para meus seios. Gemi quando sua língua fez círculos ao redor de meu mamilo. Coloquei minha mão em sua cabeça e então colocou-o na boca, fazendo-me penetrar meus dedos por seus cabelos. Demorou-se em meus seios e sentia-me tão úmida que poderia tê-lo em mim a qualquer momento. Ele abaixou minha calça e colocou seus dedos em mim por cima da calcinha. Nós dois gememos e ele me olhou sorridente. Como se tivesse esperado por aquilo. Abaixou minha última peça de roupa e brincou comigo com os dedos.

"Malfoy... Não consigo..."

"Não se prenda. Teremos a noite toda, querida."

Fechei meus olhos e concentrei-me nos dedos de Malfoy em mim, movimentando-se lentamente, fazendo-me arfar como nunca. Comecei a acariciar meu seio e ver isso fez Malfoy gemer também. Ele acelerou os movimentos e eu gemia alto. Com um quase grito, tive um orgasmo tão intenso que meu corpo teve múltiplos espasmos. Ele voltou a me beijar e suas mãos apertavam-me as nádegas. Quando empurrei meu quadril contra o seu, ele virou-nos novamente e com as mãos em meu pescoço, pediu-me:

"Faça-o. Por favor."

Ele sabia que eu faria, de qualquer maneira. Sussurrei um sim quase inaudível enquanto abria o zíper de sua calça e a abaixava. Quando o vi por cima da cueca, não sabia ainda como esta não havia se rasgado. Tirei-a e coloquei-o direto na boca, fazendo o garoto gemer alto.

"Não se prenda. Teremos a noite toda, querido."

Aproveitei para dizer quando o massageava de cima a baixo. Ele sorriu e concordou. Coloquei-o na boca novamente e quando fiz movimento circulares com a língua, escutei um gemido dele:

"Eu... Granger... Ah..."

Ele agarrou o tecido do sofá e senti o liquido quente na boca. Assim como eu, o garoto teve longos espasmos. Continuei acariciando-o, sem parar. Ele me olhava docemente e eu sorria para ele. Malfoy se levantou e sentou-se no sofá. Acenou afirmativamente com a cabeça para mim. Sentei-me por cima dele e encaixei-o dentro de mim. Gememos juntos novamente e comecei a me mover. Ele colocou suas mãos em minha cintura, levantando-me e abaixando-me. Tudo estava deliciosamente devagar e torturante, e comecei a ir mais rápido.

"Hermione..." Ele arfou meu nome e senti-me gloriosa.

Juntei meus lábios ao seu ouvido e sussurrei lentamente: "Draco... Não pare..."

Então ele penetrou fundo em mim e gemi alto. Ele continuou se movendo e passei a beijar seu pescoço, então um grito encheu a Sala e senti-o dentro de mim. Deixei meu rosto enterrado em seu pescoço e ele virou levemente a cabeça para beijar meus cabelos. Deite-me e ele ficou por cima de meu corpo, ainda dentro de mim. O peso de seu corpo no meu era delicioso e já quase pedia por mais quando ele mesmo começou a se mover mais uma vez.

"Você é tão apertada... Não consigo me manter parado dentro de você. Você me deixa louco, Hermione, louco!" Mordi o lábio inferior e como resposta, ele começou a fazer movimentos bem mais rápidos. "Já disse para tomar cuidado com esses seus gestos."

Permiti-me rir alto, porém minha voz estava rouca. Ah, luxúria. Na minha voz, no meu corpo, nos olhos dele, no corpo dele. Transamos várias vezes naquela noite e nenhuma das vezes havia sido repetitiva.