Ach! Finalmente! Cap. novo postado.

Desculpem-me a demora, mas estava numa rotina de estudos para uma prova superimportante para mim, por isso, demorei um bocado em postar. Muito obrigada a tds que leem esta história, reitero: sem vocês, não teria chegado até aqui. Desculpem-me, tb, erros, falhas, etc.

Ah! Quero alertar que o cap de hj está um pouquinho diferente do de costume pq tem um pouco mais de M.

Humm... é isso. divirtam-se.


Acordei no dia seguinte achando que estava em casa e, como acontece, normalmente, quando a pessoa acorda achando que está em casa, mas está em um lugar diferente, olhei confuso ao redor procurando algum vestígio do meu quarto, sem achar. Sentei-me na cama e vi o Ivan dormindo na cama oposta.

,,Ah é, estou em Kaliningrad. Com o Ivan.", realizei.

,,Espera um pouco... Pelo que me lembre, dormimos juntos. Por que ele está na outra cama?" pensei desconfiado.

O russo dormia profundamente de bruços por cima da colcha da cama, um braço escorrido para fora, pela lateral.

Um pensamento cruel atravessou minha mente.

,,Não posso perder essa oportunidade de sacanear com ele!", pensei com um sorriso sádico nos lábios.

Pé ante pé, dirigi-me até o banheiro – aproveitei para resolver todos meus assuntos matinais lá - e peguei meu tubo de pasta de dentes. Sorrateiro, aproximei-me de sua cama e me abaixei próximo a ele. Devagar, comecei a desenhar em seu rosto sobrancelhas grossas, olheiras, bigode, barbixa de bode e uma língua para fora com a pasta de dentes.

Abafei o riso inúmeras vezes enquanto desenhava, noutras, prendi a respiração achando que ele iria acordar a qualquer momento, mas ele não acordou. O russo dormia feito uma pedra.

- My Sleepy Beauty – sussurrei baixo quando finalmente terminei a ,,body art".

Ivan ainda dormia, inocente, o sono dos justos. Agachei-me até onde estava a sua mão e comecei a lamber seus dedos de forma sensual, controlando-me para não rir.

- Nnnn – ele fez.

Continuei.

- Nnnn – ele fez novamente.

Continuei, segurando o riso.

- Nyet, Balto, para - ele balbuciou numa voz mole.

Parei automaticamente.

,,Balto, QUEM é Balto?", pensei enfurecido.

Com ódio no coração, abri a boca e dei a maior dentada na mão dele.

Nhac!

- PELA CATEDRAL DO SAGRADO SANGUE DERRAMADO! - ele gritou, acordando sobressaltado.

Em condições normais de temperatura e pressão, eu teria rido. Na verdade, eu teria me mijado de rir, mas não era o caso. Não achei engraçado ele acordar com aquele susto, chamando o nome da famosa Catedral de São Petersburgo.

,,Balto, quem é Balto?"

Eu estava irritado. Muito irritado. Eu estava fumegando de raiva.

Ele levou as mãos ao coração.

- Gil-Gilbert – ele me chamou ofegante -, o que aconteceu?

- ,,O que aconteceu" pergunto EU, Ivan! - falei num tom de voz grave, encarando-o ainda sentado no chão – Balto. Quem é Balto, Ivan?

- Balto? - ele perguntou confuso.

- É! Quem diabos é Balto?

- Sei lá quem é Balto, Gilbert! - ele exclamou e olhou para a mão que eu havia mordido.

Gotículas de sangue irrompiam das marcas de meus dentes em sua pele alva.

- Você... Você me mordeu! - ele constatou incrédulo.

- É, mordi! - respondi.

- Mas por quê?

- … - fiquei encarando ele com a cara amarrada.

- Vou ter que tomar vacina antirrábica! - ele disse irritado.

- É, tome mesmo. Aproveite e peça ao BALTO para aplicar-lhe uma dose bem grande e bem boa!

- O quê você está falando, Gilbert?- ele perguntou fazendo uma cara de sofrimento e confusão. - Você enlouqueceu?

- É, Ivan, agora eu sou louco. Talvez o BALTO não seja assim... louco – eu disse irritado e gesticulando muito.

- Mas que diabos de Bal... AAAAAH! O Balto! - ele exclamou.

- É. O Balto... Ivan.

- Eu sonhei com o Balto essa noite.

Senti uma lança atravessar-me o peito.

- Você... Sonhou... Com o Balto. - repeti num tom de voz controlado.

- É! Sonhei que ele estava me lambendo – ele disse rindo -, fazia cócegas.

- Cócegas? - perguntei levantando uma sobrancelha, incrédulo.

- Da. Ele sempre fazia isso. Sempre me lambia.

- … Sei (?)... - eu disse – E o que mais ele fazia com você, Ivan, além de lamber sua mão?

- Ah! Ele sempre vinha para mim, pulava em cima de mim e me lambia inteiro!

Abri a boca horrorizado.

- Inteiro?

- Da, inteiro.

- Inteiro, inteiro?

- Ora, Gilbert, inteiro, inteiro não. É força de expressão. Ele me lambia um bocado. Inclusive, um dia, ele até enfiou a língua no meu...

- Pelo martelo de Thor, Ivan, cale a boca! - eu gritei tapando os ouvidos – Eu não quero saber onde o Balto enfiou a língua, eu não quero saber de NADA do que você e seu ex-namorado faziam!

- Ex-namorado? - ele perguntou com uma expressão muito aturdida – Hã?

- Sim, Ivan – eu disse ainda com as mãos nos ouvidos -. Não me interessam seus joguinhos sexuais com o Balto.

- Gilbert você... - ele se interrompeu – Gilbert! O Balto era o meu CACHORRO, certo?

- Hein? - tirei as mãos dos ouvidos – Seu... cachorro?

- É... Balto, meu rusky siberiano...?

- Ah. Kese sesese – eu ri, amarelo.

- Não acredito que você achou que... HAHAHAHAHAHA!

Ele ficou rindo.

- Não vejo nada de engraçado! Como eu iria adivinhar que você estava sonhando com seu cachorro!

- Não acredito, Krolik, que você está com ciúmes do Balto, meu cachorro, que morreu quando eu tinha 14 anos!

- Ciúmes, ciúmes... Quem aqui está com ciúmes? - exclamei.

- Ninguém, Gil...

- Eu. Eu apenas fui ser romântico com você e fui lamber a sua mão.

- Ohh... Lamber a minha mão, Krolik?

- É - respondi amuado. - Sua mão estava pendurada para fora da cama e eu quis fazer uma coisa que vi em um filme.

- Ahh, então faz mais, Krolik, faz, da?

- NEIN!

- Então me dá um beijo.

- Não!

- Ah, Krolik, dá-me um beijo, vai. Só unzinho... - ele disse manhoso.

Ivan estirou os braços para mim e tentou me puxar para cima da sua cama, como eu não permiti, ele se inclinou para mim – que ainda permanecia, amuado, sentado no chão – e plantou beijos na minha bochecha.

A pasta de dentes, que havia ressecado em seu rosto, agora se espalhava pelo meu, deixando uma sensação de ardência.

- Sua loção pós-barba é tão forte, Krolik – ele disse afastando-se de mim e coçando um olho com as costas da mão -, está ardendo até no meu olho.

- Loção pós-barba? Que loção pós-barba, Ivan? Eu nem barba tenho, por que usaria loção pós-barba?

- Sei lá! Eu sei que você não tem barba, mas isso explicaria essa ardência depois que beijei sua bochecha e, por sinal, o que quer que você tenha usado, tem gosto de menta...

- HAHAHAHAHAHA! - eu ri maldosamente, apontando para ele.

Com o ,,calor" da discussão, acabei esquecendo que tinha espremido pasta de dente na cara do Ivan e agora, com a pasta espalhada, salvo as devidas proporções, ele estava parecendo uma gueixa russa, se houvessem gueixas russas.

- O que foi? - ele perguntou confuso - Sério, Gilbert? Que foi isso com gosto de menta que você colocou?

Comecei a chorar de rir.

- Vai. Olhar. Banheiro – pronunciei.

Eu ria tanto que não me preocupei em ser coerente.

Pressentindo ,,merda" no ar, Ivan fez o que tentei dizer e correu para o banheiro...

- Gah! - ele exclamou alto – Mas que diabos você, fez, Gilbert?

Joguei-me de costas no chão de tanto rir.

Depois de um tempo, surge do banheiro um Ivan com o rosto todo vermelho – não sei se por causa da pasta de dentes, se por causa da raiva ou se pela junção dos dois -, cabelos molhados só na franja e a blusa ,,Bazinga!" toda molhada.

- Você me paga! - ele disse assustador, vindo em minha direção.

- Não! - quase gritei, olhos esbugalhados.

Se me perguntassem qual era a minha imagem mental de mim mesmo na hora, seria a de um coelho assustado diante de um urso assustador.

- Nããããoooo! - exclamei.

Ele vindo em minha direção.

- Desculpa, Ivan, desculpa, desculpa, desculpa!

- Não tem desculpas! - ele disse sério – Agora você vai sofrer as consequências.

Comecei a me afastar, de costas, pelo chão à medida em que ele se aproximava, assustadoramente, de mim até que fiquei encurralado, encostado no janelão, que tocava o piso.

Ele se abaixou de frente para mim e puxou minhas pernas até que eu ficasse sentado no colo dele.

- Quais são suas últimas palavras?

- É... - hesitei – Pode ser uma pergunta?

Ele me olhou de soslaio, desconfiado.

-... Pode.

- Por que você não acordou na minha cama?

Ele olhou para mim numa expressão terna e passou os dedos na minha bochecha.

- Porque você...

- Porque eu...?

- Porque você me chutou o tempo todo - ele disse meio rindo, meio triste.

- Kesesese – eu ri – Desculpa, Bär.

Então, apertei as bochechas dele com força.

- Ai! - ele exclamou.

Sorri para ele e o beijei, passando meus braços por cima dos ombros dele.

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Não demorou muito até Ivan arrancar minhas roupas e me deixar, nu em pelo, sentado no colo dele. Meu corpo estava quente e sensível por causa da maneira como ele me beijava e passeava os dedos por mim.

- Krolik? - ele chamou meu nome ainda com os lábios no lobo da minha orelha.

- Nnn? - respondi, incapaz de pronunciar qualquer coisa.

- Coloca suas mãos... - ele hesitou pela primeira vez – Em mim.

Afastei-me um pouco para tentar olhar para ele. Meus olhos estava semicerrados pelo torpor e eu não estava entendendo o que ele queria.

- Woher, onde? - sussurrei.

- Aqui.

Ele pegou minhas mãos e as colocou lá. Nos Países Baixos - os mesmos da Projeção de Mercátor... -, passando-me um preservativo.

- Vamos... juntos – ele sussurrou no meu ouvido, espalhando frêmitos por todo o meu corpo.

Seus dedos longos se fechavam ao redor de mim, firmes e decididos. Ele me tocava de uma maneira que me fez pensar...

Me fez pensar em Karl Marx!

Karl Marx?

É, Karl Marx.

Por que raios Karl Marx?

Porque Karl Marx disse: ,,A filosofia é para o mundo real o que a masturbação é para o sexo".

Então, se eu já era fissurado em filosofia, mal poderia esperar para saber como seria o mundo real com Ivan!

- I-Ivan... - chamei numa voz baixa e sensual.

Senti uma pressão leve na barriga para, em seguida, sentir um fluido morno sair do meu corpo. Fiquei sem graça, não tinha sido ,,juntos".

Porém, ao invés de parar por ali, Ivan continuou, espalhando meu fluido entre os dedos e em mim.

,,O que. Ele. Está. Fazendo?", meus pensamentos também hesitavam.

Não demorou muito até que eu descobrisse, pois Ivan deslizou um dígito umedecido com meu próprio fluido para dentro de mim, a dor me fez abrir os olhos por completo.

- Nnn – reclamei sentindo os olhos lacrimejarem. - D-dói.

- Shh, eu sei. - ele disse ao meu ouvido – Tente relaxar, Krolik.

- Nhh... É fácil para você... - me interrompi – Dizer isso. Não é em você.

Meus olhos estavam bem úmidos.

Ele sorriu e começou a beijar o meu pescoço.

Tentei relaxar e me entregar aos beijos, aos poucos, fui me acostumando.

Ele introduziu um segundo dígito.

- Nhhnnn... - lamentei – Dói muito.

- D-desculpa, Krolik – ele disse, beijando-me ainda mais.

- P-por favor, tira.

Com a mão livre, Ivan começou a acariciar meu pescoço, nuca, rosto, até limpar as pequenas lágrimas de dor que escorriam pelas minhas bochechas.

- Desculpa, meu amor, mas se eu não fizer isso, nós nunca poderemos ir adiante. Você é tão apertado!

Senti minhas bochechas corarem ainda mais.

-Você é tão lindo, coelhinho. - Ele disse e me beijou.

- Nnnn – gemi de dor e lascívia nos lábios dele.

,,Cheguei ao Point of no return.", pensei, ,,Mundo real".

Ivan tirou os dedos de dentro de mim e passei meus braços ao redor de seu pescoço. Ele sorriu e me puxou mais para perto de si; beijando-me, ele me levantou um pouco para me acomodar e... Bem, fazer-se ,,caber" em mim. Eu havia me levantado um pouco para me acomodar, quando bateram à porta.

Toc, toc, toc.

- Puta que pariu!

Pela primeira vez, ouvi o Ivan chamar um palavrão.

Toc, toc, toc.

- Mei-mei, você está ai?

Uma voz feminina perguntou em chinês.

Toc, toc, toc.

- Mei-mei? Estão todos esperando por você!

Irritado - não, PUTO - Ivan exclamou:

- Ora bolas! O que essa puta quer?

Olhei para ele impressionado.

- Ela deve ter confundido o quarto – falei.

- Maldita hora para ela fazer isso!

Não preciso detalhar que o clima foi totalmente cortado, richtig?

Saí do colo do Ivan completamente pelado, gozado, meio dolorido e totalmente sem graça.

Ele se inclinou para mim, colocou uma mão na minha nuca puxando-me para si até encostarmos nossas testas.

- Desculpa, coelhinho, por isso... - ele disse se referindo à... Bem, àquilo que acontece quando a coisa não sai como planejado...

- S-sem problemas – eu respondi na mesma situação.

Ele colou os lábios nos meus carinhosamente, acariciando meu peito com a outra mão.

Pousei meus dedos na pele macia de seu rosto.

Toc, toc, toc.

- Mei-mei, venha logo!

- Filha da puta! - Ivan exclamou baixo.

Aborrecido porque a mulher tinha deixado Ivan aborrecido, levantei-me do chão abruptamente e fui até a porta. Ignorando por completo que estava pelado e que a porta abre para fora (uma vez que estávamos dentro do quarto), abri a bendita de uma vez.

- Não tem porra de Mei-mei nenhuma aqui, agora cai fora! - gritei para ela.

A mulher deve ter ficado muito chocada, pois sua expressão facial foi algo que eu nunca tinha visto antes e daria tudo para ver de novo. Depois, ouvi seu grito:

- OOOOOOhhh!

Em seguida, passos correndo para longe da gente.

- Gilbert, a porta abre para fora! - ele disse. Tarde demais.

- … - fiquei quieto. - Ups.

Rimos tanto, tanto, que nossas barrigas começaram a doer. As lágrimas escorriam de nossos olhos e sempre que relembrávamos a cena, nova onda de gargalhadas.

Como o clima já havia sido totalmente cortado mesmo e estávamos com fome, decidimos ir tomar banho, trocar de roupa, tomar o café-da-manhã e ganhar o mundo.

Eram 7h da manhã e Kaliningrad nos esperava logo mais.

Antes de sairmos, Ivan me puxou para junto de si e cochichou no meu ouvido:

- Hoje à noite a gente termina o que começou.

Senti meu coração bater mais forte e as pernas ficarem meio fracas. Assenti com a cabeça.

Ele me beijou no rosto e disse:

- Não esqueça do seu casaco, coelhinho, hoje vai fazer frio lá fora.

Peguei meu moletom vermelho favorito e, finalmente, saímos.

Eram 9h e Kaliningrad nos sorria fria e bela.

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Assim que terminando o Frühstück, liguei para Ludwig como havia prometido.

Assegurei-lhe que estava tudo bem e que iríamos visitar alguns Sehenswündigkeiten. Fiz questão em ser sucinto com meu irmão para não dar brechas e ele perguntar o que não devia, apesar de eu ter sentido a frustração em seu ,,Aufwiederhören" propositadamente antecipado.

- Já falou com o Ludwig? - Ivan perguntou surpreso.

- Ja. Tenho certeza de que ele pode viver sem mim por alguns dias – brinquei.

Visitamos vários pontos turísticos ao longo do dia, cada um que fosse mais interessante do que outro. Começamos pela Catedral de Kaliningrad, uma catedral do séc. XIV muito bonita, no estilo gótico alemão.

- Venha, Gilbert, vamos subir a torre principal! - Ivan disse entusiasmado.

- Subir? A torre principal? - perguntei incrédulo, enfatizando a última palavra.

- Da! Vamos!

- Aaaaaah... Mas Ivan, a torre principal é tão... Principal. E alta.

- Bom, ,,talvez" seja por isso que ela é a torre principal, da?

- Tem elevador? Kesesese.

- … Nyet. Anda, vamos. Deixe de preguiça. Tem uma coisa no alto da torre que quero que você veja.

- Riiiiiichtig – concordei girando os olhos nas órbitas e arrastei-me atrás dele.

Subimos algo que me pareceu uma infinidade de degraus, mas, ao final, valeu a pena.

- E aqui estamos, Gilbert, a famosa biblioteca Wallenrodt, doada por Martin von Wallenrodt em 1650.

- Uau! - exclamei maravilhado.

- A catedral também possui murais dos séculos XIV e XV, bem como monumentos no estilo renascentista.

- Eita! - exclamei - Este eu conheço!

- Este cara aqui não é Alberto, Duque da Prússia? - perguntei-lhe apontando o polegar para uma estátua.

- Da, da. Fico feliz que o reconheceu!Este é um típico exemplo de estátua renascentista que existe nesta catedral; esta foi feita por Cornélio Floris de Vriendt, em 1570...

Fiquei olhando da estátua para o Ivan, do Ivan para a estátua. Ele parecia feliz em me explicar o acervo da catedral.

- Sabia, Gil, que esta catedral foi severamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial?

- É?

- Sim, ela foi impiedosamente bombardeada. Depois que a cidade foi anexada à União Soviética e renomeada Kaliningrad, as autoridades resolveram restaurá-la; porém, a restauração somente começou na década de 1990.

Ficamos um tempo admirando a biblioteca e seu acervo, em seguida, fomos visitar o túmulo de Immanuel Kant, que fica bem próximo à Catedral.

Fiz questão de visitá-lo pois, sendo Kant um filósofo com um valor incomensurável para o Direito – palavras da minha mãe -, não pude deixar de prestar homenagens.

- E aqui, o túmulo de Immanuel Kant – Ivan disse.

- Minha vez de falar! - exclamei entusiasmado – De Kant eu entendo, kesesese.

- Humm...

- Immanuel Kant, nascido em Königsberg em 22 de abril de 1724, foi um filósofo prussiano geralmente considerado o último grande filósofo da era moderna e também um dos pensadores mais influentes, sobretudo nas Ciências Jurídicas.

- Depois de um longo período como professor secundário de geografia – continuei -, Kant começou, em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. No ano de 1770, foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu. Ele levava uma vida monotonamente pontual e somente dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciências, física, matemática, etc. Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo continental (raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa, que valoriza a indução. Kant é famoso sobretudo pela elaboração do aclamado idealismo transcendental, ou seja, para Kant, é como se todos nós trouxéssemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os quais seriam impossíveis de determinar de outra forma. A filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo conceitual que dominou a vida intelectual do século XX. No entanto, é muito provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas, como por exemplo o Pós- modernismo. E claro, antes que eu me esqueça, Kant é conhecido também pela filosofia moral, tão ao gosto dos operadores do Direito.

- Não rejeito o valor e o peso da filosofia kantiana, mas... Sei lá... Kant é metafísico e moralista demais para mim. Kesesese.

- Pode ser... Mas gosto da teoria de menoridade humana dele. - disse Ivan -. Acho interessante ele dizer que o homem e somente ele mesmo é responsável pela permanência ou não em um estado de obscurantismo intelectual. É como se ele dissesse ,,Bom, não posso fazer nada se você é estúpido e quer permanecer na estupidez.".

Eu ri.

- Pode sim!

- Pode? Como?

- Simples, meu caro Ivantson! Através do exemplo. Ele falava tanto em empirismo mas nada de praxis. É como se ele ignorasse o conhecimento que se adquire com a praxis, afinal, é meio impossível alguém não fazer nada. E quando eu digo nada, é nada mesmo. Bom, a menos que essa pessoa esteja em coma, mas aí é outra história. Enfim, na minha opinião, para Kant afirmar que um indivíduo tem preguiça de pensar é muito cômodo, já que ele possuía condições financeiras boas e não estava atado à um emprego embrutecedor; portanto, essa comodidade dele em querer dividir o mundo em iluminados e obscuros, entra em contradição com o que ele diz sobre a menoridade humana, já que ele mesmo não ,,ousou" pensar em casos em que o indivíduo se mantém numa posição confortável porque precisa se manter lá, não porque queira.

- Acho que você viajou, Gilbert. Não acho que Kant queria levar a discussão para o âmbito pessoal ou econômico...

- Ah, não? Então ele deveria ter sido mais cuidadoso nos estudos dele e deveria ter procurado saber melhor sobre os seus aclamados métodos ,,indutivos/ dedutivos" porque, até onde eu saiba, a indução é uma premissa que parte do individual para o geral, e a dedução é do geral para o individual. Sócrates já havia observado isso, Aristóteles também.

- Ah, não acho que os silogismos aristotélicos deveriam ser aplicados à Kant...

Ficamos um tempo discutindo Kant. Como sempre acontecia conosco, a pequena discussão filosófica virou briga. Não foi uma briga feia, mas as pessoas ficavam olhando e ficamos emburrados um com o outro.

Apesar de ,,brigados", Ivan me levou ao Museu do Âmbar, o que foi bem interessante, pois eu nunca havia visto âmbar verde na minha vida, apesar de o Gregor já ter falado sobre ele antes.

O Museu era algo impressionante; A construção, um castelo teutônico originalmente construído por Karl Friedrich Emil zu Dohna-Schlobitten. Da época das Guerras Napoleônicas!

Pude sentir o sangue de meus antepassados prussianos correndo nas veias e não pude deixar de me emocionar, claro que eu não disse nada para o Ivan, eu ainda estava meio puto com ele por causa do Kant, mas isso não interessa. O que interessa é que, entre as atrações principais do acervo de mais de 6000 peças, havia maravilhas como: a segunda maior peça de âmbar do mundo e um vaso de 1,2 m chamado ,,A Abundância", bem como uma vasta coleção de mais de 3000 inclusões de âmbar.

- Uau, olha esse vaso! Se eu levasse um desses para casa, realizaria o sonho de consumo brega da minha mãe em ter um ofurô!

Eu disse aquilo meio que pensando alto, mas Ivan escutou e sorriu.

- Minha mãe também tem o mesmo sonho de consumo brega.

- Será que é coisa de mulher querer um ofurô? - perguntei para ele.

- Sei lá. Vai ver é um sonho de consumo de mães!

- É! Kesesese.

Graças ao vaso de âmbar de 1,2 m, o mal estar entre Ivan e eu passou e aproveitamos o resto do passeio.

Nosso terceiro destino do dia, foi o Museu do Submarino B-413 e, caso você seja claustrofóbico, sugiro não ir, mas, se não for, vá. É INCRÍVEL!

O museu fica dentro da própria embarcação e, nas palavras de Ivan:

- O único submarino do país e um dos poucos no mundo pertencente ao período pré-atômico da frota submersível. Além disso, o B-413 está preservado tal como era, no original. Os cascos fortes e leves, as superestruturas, todos os mecanismos principais e auxiliares, o equipamento e o armamento são os mesmos que costumavam ser quando o submarino pertencia à Marinha.

Conforme o panfleto que peguei, na entrada, sobre a exposição ,,A História da Frota Subaquática Russa", o submarino B-413 foi construído no estaleiro de Novo-Amiralteisky, na antiga Leningrado, e teve seu primeiro lançamento em 1968. De 1969 até 1999, pertenceu às Frotas Norte e Báltica. Em 2000, ele foi atracado no cais do museu.

Devia ser perto das 19h quando fomos comer alguma coisa. Minha cabeça doía de tanta fome então Ivan teve a brilhante ideia de irmos jantar.

- Estou morrendo de fome... - lamentei.

- Pense pelo lado bom, Krolik, se você morrer, vai morrer mais culto!

Lancei-lhe um olhar penetrante.

- Creia.

Ele riu.

O jantar estava muito gostoso. Bati aquele prato de salada russa, uma de minhas favoritas e, com o tempero da fome, ficou ainda mais gostoso.

- Eu fico realmente impressionado com quanta verdura você come, Krolik. É um coelho mesmo – Ivan disse enquanto beliscava seu prato de bife.

- É. Uns gostam de carne, outros de verdura – respondi de boca cheia, dando de ombros.

Ivan engasgou-se.

- Verdura, hein?

- ...? - olhei para ele intrigado.

Ele me lançou um sorriso malicioso. Captei sua mensagem.

- Pois é. Desde que cheguei aqui, verdura não tem sido uma opção...!

-... O que você está querendo dizer com isso? - Ele me perguntou desconfiado.

- Nada.

Levamos quase uma hora para voltar para o hotel, eu só pensava em tomar um banho e cair na cama. Ivan deve ter percebido a minha cara.

- Vamos tomar banho juntos, Krolik?

- Hã? - perguntei meio zumbi, enquanto olhava as fotos que havia tirado durante o dia.

- Que tal se eu e você – ele disse, aproximando-se de mim de modo suspeito – tomássemos banho juntos?

Olhei para ele bem sério.

- Só se você me carregar – desafiei.

Ele abriu um sorriso largo de Gato de Cheshire e, quando menos esperei, estava em seus braços.

Porém, o que começou como uma ideia sensual, acabou numa ideia estúpida, uma vez que o box era pequeno demais para nós dois.

- Por que você está rindo, Krolik? Essa situação está mais para lágrimas do que para risos! - Ivan disse.

- É que, subitamente, passou pela minha cabeça aquela velha frase de filme de cowboy.

- Hã?

- ,,Esta cidade é pequena demais para nós dois, xerife, un!" - eu disse forçando uma voz de bandido de faroeste americano.

Ivan teria levado uma mão à testa, caso pudesse levantar um braço.

- No nosso caso, Ivan, seria: ,,Este box é pequeno demais para nós dois, Urso, un."

De qualquer forma, tomamos banho juntos e realizamos a obsessão de Ivan. Acho.

Trocamos de roupas e fomos dormir. Digo, eu fui dormir, pois Ivan queria mesmo era se meter por cima de mim e ficava o tempo todo dizendo coisas no meu ouvido como: ,,Ah! Vamos continuar de onde paramos hoje cedo" ou ,,Coelhinho, você prometeu!", ao passo que eu lhe respondia com um sonolento:

- Aham, vamos, vamos.

Eu não sei se o Ivan desistiu ou se ele me comeu enquanto eu estava dormindo, só sei que acordei sozinho no outro dia. Lancei um olhar preocupado pelo quarto, mas Ivan se encontrava, novamente, na cama oposta.

,,Amanhã é o aniversário dele. Espero que o presente já esteja em sua casa quando voltarmos.", pensei. E à esse pensamento, realizei que aquele fosse, talvez, o último dia que passaríamos juntos.

Um frêmito estranho percorreu-me a espinha e balancei vigorosamente a cabeça como que para afastar tais pensamentos. Eu não imaginava uma vida sem o Ivan. Não mais.

Levantei-me da cama e fui primeiro até a cama onde Ivan estava dormindo, antes mesmo de ir ao banheiro.

Sei lá...

Olhei para ele e tive vontade de me deitar ali.

- Chega pra lá - sussurrei baixo, empurrando-o.

Em seguida, infiltrei-me em sua cama e me encaixei em seus braços. Fato. Ele dormia feito um morto!

Posicionei-me de modo ao topo de minha cabeça ficar abaixo de seu queixo e minha testa, em sua garganta. Juntei os braços um em cima do outro; deitado de lado que estava, não demorou muito até que Ivan, inconsciente, me abraçasse e me puxasse para junto de si. Pude sentir sua respiração fraca nos meus cabelos e as batidas leves de seu coração.

,,Se felicidade são momentos, então posso dizer que estou feliz agora", pensei. Um sorriso imediato cruzou-me os lábios e fechei os olhos. Eu podia ficar ali para sempre.

Não sei quanto tempo passou, mas acordei com alguém mexendo nos meus cabelos. Era o Ivan.

Olhei para ele e ruboresci. Ele me flagrou num momento ,,estranho".

Por mais que eu o amasse e tudo, eu não gostava de demonstrar. Não queria que ele me achasse grudento ou carente, mas... Enfim... é como minha mãe diz:

- ,,Dormientibus non sucurit jus".

Ou seja, ,,o Direito não socorre aos que dormem" e eu havia dormido – literalmente -; logo, não tinha o direito de negar que estava demonstrando que gostava dele.

- ,,Bom dia, estranho" - eu disse rápido, parafraseando a Angelina Jolie no filme ,,Sr. e Sra. Smith" numa tentativa de cortar o clima ,,demonstração de afeto".

- ,,Bom dia, estranho" - ele respondeu.

- Então, aonde você vai me levar hoje? Um lugar sem muitas escadas, espero, kesesese.

E aqui, eu pulei da cama dele.

- Gilbert! - ele exclamou segurando meu braço.

Ficamos nos olhando por um tempo, até que ele me puxou para junto dele, sentando-me de volta em sua cama.

- Pensei em começarmos o dia um pouco mais tarde... - ele disse.

Ele havia me sentado em seu colo e agora me abraçava forte, com o rosto em minhas costas.

Fiquei quieto. Até que...

- Que nada! - exclamei e me livrei de seu abraço de urso – Vamos aproveitar o dia! Gah! Serei o primeiro no banheiro!

Tranquei-me lá dentro, o coração à mil, dividido entre ceder ao Ivan ou não.

,,Hoje é nosso último dia juntos em Kaliningrad e amanhã ó o aniversário dele. E se hoje for o nosso último dia juntos mesmo?", com pensamentos assim, decidi que um banho me faria bem.

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Ivan se divertia como eu ficava embasbacado cada vez que entrávamos em um museu.

- Gilbert, você parece uma criança em loja de doces.

- Não tenho culpa se gosto de museus.

Aproveitamos o dia da melhor forma possível e, embora estivesse tudo bem entre nós, um quê de ,,inexplicável" pairava no ar. Ou seria eu?

Por vezes, flagrava-me a mim mesmo olhando, perdido para o Ivan, num misto de felicidade agonizante ou agonia feliz.

- Está tudo bem com você, Coelho? - ele me perguntava.

- Hã? Ah! Sim, sim. Tudo ótimo! Ah! Vamos, Ivan, vamos àquele parque!

Tentei ao máximo disfarçar o que estava sentindo, ao passo que tentava descobrir o quê eu estava sentindo, afinal, era algo novo. Algo que poderia ser traduzido como ,,insegurança", ,,medo de perdê-lo"?

Eu não sabia o que era.

A noite caiu como um véu negro sobre o lindo céu de Kaliningrad e, por mais que eu fosse um ser notívago e boêmio, senti uma ponta de revolta por já estar de noite.

Ivan e eu terminávamos de tomar sorvete no parque, sentados na relva macia quando ele me perguntou:

- O que há com você, Gilbert?

- Como?

- Você está estranho.

- Não estou estranho!

- Está sim.

- Estou não. Por que estaria?

- É isso o que eu quero saber!

- Eu... - interrompi-me incapaz de contra-argumentar.

Ficamos em silêncio por um tempo.

- Eu... - retomei – Eu gosto muito do céu à noite, principalmente quando é um céu limpo assim, com estrelas.

Ouvi o Ivan suspirar.

- É...

- Ivan?

- Diga.

- Se eu pedir uma coisa a você, você faz?

- Se eu puder fazer...

Olhei para ele ansioso e ele percebeu.

- Ok, ok. Faço. O que é?

- Deita aí.

- Como?

- Deita, vai.

Meio à contragosto, Ivan se deitou de costas para o chão, em seguida, deitei-me oposto a ele, de modo a que nossos rostos e orelhas ficasse colados, ou seja, nossos corpos em direções opostas, mas minha bochecha e orelha esquerdas encostavam nas bochecha e orelha direitas dele.

- O que...

- Shhhh – silenciei-o. - Eu sempre quis fazer isso.

- Fazer o quê?

- Dividir o céu estrelado com a pessoa que eu amo.

- Gui... - ele se interrompeu.

Ficamos em silêncio, os dois, escutando a noite.

- Eu... - ele começou – Eu amo muito, muito, muito você, Gilbert, de uma maneira que acho que não vou poder, ou conseguir, amar mais ninguém.

- Não diga isso, Ivan. Não diga isso, que você vai acabar me fazendo acreditar nas coisas que você diz! Kesesese.

- Não estou brincando – ele disse sério, levantando-se um pouco para me encarar nos olhos-, eu jamais brincaria com o que sinto por você.

Fiquei olhando para ele.

- Esse – ele fez uma pausa longa -. Esse dia. Eu nunca vou esquecer desse dia.

- Nem eu - respondi-lhe calmo, ainda deitado na relva.

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Voltamos silentes para o hotel, tomamos banho – separados – e fomos nos recolher para dormir. Notei que, pela primeira vez naqueles dias, Ivan desfez a cama.

- Boa noite, Ivan.

- Boa noite, Gilbert.

Olhei no relógio digital que havia no display da televisão, ele marcava 23:58h, daqui a pouco seria o aniversário de Ivan. 23:59h, prendi a respiração e contei até 60. 00:00h no relógio digital da televisão.

- Ivan? - chamei.

Nada.

- Ivan? - chamei novamente.

- Hmm? - foi a resposta sonolenta.

Sorri para mim mesmo.

Levantei de minha cama, livrei-me das roupas que estava usando para dormir, fui até a cama dele e, numa voz baixa, sussurrei:

- Chega pra lá.

Enfiei-me por debaixo de suas cobertas e me posicionei da mesma maneira como havia feito na manhã anterior e, assim como na manhã anterior, ele passou os braços ao redor de mim.

- Hmm? - ele exclamou surpreso – Cadê as suas roupas?

Abafei m riso.

- Feliz aniversário, Bär.

Não demorou muito até eu estar embaixo de Ivan. Ele me beijava vigorosamente e me abraçava forte, como se eu fosse sumir a qualquer momento.

Ele só me liberou quando puxei-lhe os cabelos.

- Calma, Ivan! Assim vou morrer asfixiado! Não é como se eu fosse sumir a qualquer momento! - ralhei.

- Desculpa, desculpa – ele disse hesitante -, mas é que meu coração está batendo tão forte e eu não sei quando vou ver você de novo, e eu amo tanto você, amo tanto. Não quero que você vá embora, não quero que suma da minha vida.

Olhei para ele. Então o Ivan também estava sentindo a mesma coisa que eu? Essa insegurança?

Senti vontade que ele me asfixiasse.

Coloquei as mãos em seu rosto.

- Não vou sumir da sua vida – eu disse calmamente -. Estou aqui agora, não estou?

Sorrimos e ele me beijou, mais lentamente dessa vez.

Passei os dedos entre seus cabelos macios e cheirosos, eu não queria esquecer aquela sensação, tão pouco aquele perfume.

Seus dedos viajavam livremente pelo meu corpo, como se estivessem ,,lendo-me". A sensação era muito boa e me deixei perder; dali para frente, não era mais eu, éramos nós; era a gente numa coisa só.

Eu podia sentir sua respiração quente no meu pescoço, seus dentes roçavam na minha pele, marcando-a, eu podia sentí-lo me devorando e aquilo era muito bom. Seus lábios foram descendo pelo meu peito, brincando, aqui e acolá com partes sensíveis.

Era impossível reprimir um ou outro suspiro, que, com o Ivan por cima de mim, soavam bastante lascivos.

- Você é tão sensível, Coelhinho. Estou tão excitado que mal consigo me controlar.

Senti um frêmito percorrer-me a extensão das costas.

- Então... Então não se controle mais – eu disse ofegante.

Ivan separou minhas pernas e se meteu pelo meio delas, suspendendo-me um pouco de modo a nossos quadris ficarem bem próximos.

Ele me tocava de um jeito que me era impossível controlar o fluido que escorria e, da maneira como ele havia feito no outro dia, usou meu próprio fluido como lubrificante, ao mesmo tempo que me compelia a colocar um preservativo nele.

- Você precisa relaxar, Gil, não quero machucar você – ele disse e me beijou. - Sabe que só você me tocando com suas mãos já me deixaram nesse estado?

Confesso que eu estava muito, muito ruborescido. Como já disse, eu era tímido, mas assim que seus lábios entraram em contato com os meus, relaxei um pouco e, nesse momento, ele começou com aquela ,,manobra" de me tocar de uma forma mais... Mais íntima.

Ainda doía um bocado, mas pensei que talvez aquela fosse a única – ou última – oportunidade de estar com o Ivan, por isso, forcei-me a suportar.

A dor aumentou quando ele introduziu um segundo dígito em mim. Eu já não falava ou emitia qualquer som, pois dentro da minha cabeça, só via o Ivan indo embora, então, senti uma lágrima escorrer quente pela minha bochecha.

- G-Gil? Eu, eu machuquei você? - ele perguntou preocupado.

Chorei.

- Gil!

- Não. Não me deixe, não vá embora. Não vá embora, Ivan.

- Eu não vou embora, Gil. Eu não vou deixar você. Eu amo você.

E ele me beijou.

Então, senti as incertezas escorrerem da minha cabeça no momento em que ele introduziu mais outro dígito e tocou uma parte de mim que me fez sentir muito, muito bem.

- Hnnn – gemi longamente.

- Acho que agora... - ele disse.

Nem completou a frase, Ivan parou de tocar em mim para fazer-se caber em mim.

Senti como se estivessem me virando ao avesso, ou sendo atropelado por um trem tamanha foi a dor. As lágrimas começaram a escorrer instantaneamente.

Devo ter gritado. Com certeza.

- Shhh, calma, relaxe – ele tentou me tranquilizar.

Ele colocou as mãos ao redor de mim e me tocou carinhosamente, quando percebeu que eu havia cedido um pouco, procurou uma posição em mim e, nessa hora, tocou, novamente, aquele ponto que me fazia capaz de falar a língua das estrelas.

E a sensação foi tão boa que gemi, e me pareceu que quanto mais eu gemia, mais e mais vigorosamente ele me tocava naquele ponto.

Nunca antes eu havia imaginado que seria viável para dois homens manterem relações sexuais. Eu achava muito bizarro, grosseiro e errado. Mas aquele aquele ato com o Ivan era diferente. Não era errado. Éramos dois apaixonados. Nós nos gostávamos e nossos corpos também gostavam um do outro, como poderia aquilo ser bizarro?

Abri os olhos por um momento e vislumbrei o rosto do Ivan acima de mim; olhos fechados, seus cabelos loiros indo e vindo, acompanhando seu movimento frenético em me possuir o quanto pudesse. Era noite lá fora e o quarto estava pobremente iluminado, mas ainda assim, pude perceber o quão bonito ele era e o quão bonito era estar dividindo aquele momento com ele. Algo daquele tipo jamais poderia ser feito com outra pessoa que não fosse ele, eu não poderia ser de outra pessoa que não ele.

,,Como eu o amo!", pensei comigo.

- B-Bär, eu... Eu estou no meu... No meu limite – eu disse ofegante.

- Por favor, me libera – gemi numa voz tão erótica que até eu fiquei surpreso.

Ele me olhou com olhos muito atentos para só então perceber que ainda estava com uma mão ao redor de mim. Tão logo me largou, senti todo o fluido que estivera preso escorrer, livremente, em nossas barrigas, mas, principalmente, em sua mão.

Mal terminei, foi a vez do Ivan. Mas, ao contrário do meu, o dele não pode correr livremente, kesesese.

Ele se desfez do preservativo atirando-o no cesto de lixo que ficava próximo à escrivaninha e, em seguida, largou-se em cima de mim. Seu peso me mantinha preso, incapaz de me mover.

O cheiro de suor se misturava com seu perfume e o calor que emanava dele lançou ondas de tensão por todo o meu corpo e se concentrou, todo, em minha região pélvica.

,,Será que sou alguma espécie de tarado?"

Ele começou a passear levemente a ponta do nariz no meu pescoço e têmporas, bagunçando-me o cabelo já bastante bagunçado.

Meu corpo ainda estava muito sensível.

- Hnnn – gemi inaudivelmente.

- Amo você – ele sussurrou dentro do meu ouvido.

Aquilo serviu como um gatilho, comecei a abrir as pernas lentamente, convidando-o para dentro de mim mais uma vez.

,,Será que ele vai achar que sou alguma espécie de ninfomaníaco?"

- Ivan... - gemi o nome dele com a voz mais erótica que pude – Hnnn.

Ele entendeu a minha intenção e recomeçou a me beijar.

A segunda vez foi mais rápida, mas melhor, ele já sabia qual caminho tomar, só que, dessa vez, antes que ele se metesse dentro de mim, eu o empurrei um pouco, saí de debaixo dele para ficar em cima dele. Posicionei uma perna de cada lado seu e coloquei minhas mãos em seu peito.

Ele ficou surpreso com aquilo, mas pareceu gostar da ideia.

Ivan se movia dentro de mim e quanto mais se movia, mais lamentos arrancava de meus lábios. Meu corpo inteiro parecia queimar, mas era algo tão bom, tão sublime! Era misturar dor com prazer.

- I-Ivan... – chamei seu nome no meu clímax.

- G-Gilbert – ele chamou o meu nome da maneira mais sexy que já ouvi.

Gozamos juntos, dessa vez e também, dessa vez, senti seu fluido quente me preenchendo.

- Nnng – fiz.

Quando terminamos, ele me puxou para si, fazendo-me deitar sobre seu peito. Nossos quadris ainda estavam juntos e minhas pernas ainda se mantinham nas laterais do corpo dele, incapaz que eu estava de me mover, então, ele deslizou dois dígitos de volta, dentro de mim, espalhando seu fluido na gente.

- Ivan, seu pervertido! - protestei numa voz exausta. - Só porque... Só porque não consigo me mexer.

Ele riu.

- Exatamente porque você não consegue se mexer.

- Por mim, eu não deixaria você dormir hoje, Coelhinho. Minha vontade é de ficar dentro de você até você não poder andar!

- Creia! - resmunguei numa voz abafada.

- Esse foi o melhor presente de aniversário.

Eu sorri.

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Eu não sei se chegeui a dormir, ou só cochilei, o fato é que não havia amanhecido ainda e eu me encontrava de bruços na cama com Ivan por cima de mim.

- Gil, Gil!

- Quiééé? - perguntei mal-humorado.

- Ah! Que susto! Achei que você tinha desmaiado! Estou tentando acordá-lo a quase 10 minutos!

- Que horas são?

- São 4h da manhã.

- Puuutz, Ivan! Por que raios você me acordou às 4h da madrugada?

- Venha ver isso! - ele disse saindo de cima de mim e indo até a janela.

- Isso o quê – resmunguei.

- Venha!

Assim que pisei no chão e dei um passo, sentir uma dor miserável nas costas.

- Filho da puta! - exclamei.

- Hein? O que foi?

- Como assim ,,o que foi?"? Você fudeu comigo!

Ele riu:

- Ô se fudi...

- Pare de brincadeira! Estou falando sério! - exclamei – Minhas costas doem muito, seu bode comunista!

- Desculpe, Krolik.

Ele veio até onde eu estava, tocou carinhosamente no meu rosto e me carregou.

- Então eu carrego você.

Ele foi até próximo onde ficava a minha cama e abriu um pouco mais a janela.

- Você gosta do céu estrelado, não é? E dividiu isso comigo. Eu gosto do nascer do Sol, e quero dividir isso com você.

Assistimos o Sol nascer em silêncio. Foi impressionante, apesar de eu não saber o que era mais impressionante: ver os raios do Sol iluminando os cabelos loiros dele ou ver os raios do Sol iluminando os cabelos loiros dele estando eu em seus braços.

- Ivan?

- Hmm? - ele fez, virando o rosto para mim.

Neste momento, puxei-o pelo maxilar e taquei-lhe um beijo na boca.

- Uau! Por essa, eu não esperava – ele disse sorrindo e me colocando no chão.

- É. Eu faço muitas coisas que você não espera.

Nesse momento, avancei em direção a ele e o beijei novamente, puxando-o para mim.

Ainda estávamos sem roupa por causa da ,,noite" anterior. Senti meu corpo ficar quente tão logo entrou em contato com o dele. Eu o queria para mim e só para mim.

- Nnnh – gemi em seus lábios.

Empurrei-o para a minha cama logo atrás de si, fazendo-o se sentar.

,,Dane-se que ele me ache ninfomaníaco! Quem manda ser gostoso, porra!", pensei comigo mesmo.

Eu me sentei em seu colo, de frente para ele, que me beijava e me lambia a bochecha.

- Eu... Quero... Você,... Coelho.

Afastei-me um pouco de seus lábios e beijei-lhe o lobo da orelha e o pescoço. Eu também iria lhe deixar um chupão no pescoço!

Porém, aquilo pareceu esquentá-lo um bocado. Ele afastou os joelhos afastando os meus por conseguinte - uma vez que eu estava sentado em seu colo – e, do espaço que se formos entre nossas pernas, ele colocou uma mão em mim, tocando-me daquela maneira que me dava prazer.

Fiz o mesmo com ele, mas sem desviar do meu objetivo de lhe marcar o pescoço.

Ficamos nos tocando. Meus quadris já se movimentavam sozinhos, ansiando pela parte de Ivan responsável por aquela reação.

- Acho que transformei você num coelhinho, Coelhinho – ele disse pretenciso.

- Cala a boca – respondi mordendo-lhe o pescoço.

- Se é assim, então devo tê-lo transformado num tarado, porque você mal me vê e já fica duro – eu disse para provocar.

- É... Talvez você tenha razão.

Fiz a marca quase ao mesmo tempo que ele me suspendeu um pouco para se encaixar em mim. Aquela posição era bem legal. Ivan me tocava na frente e se movimentava em mim enquanto eu o abraçava. Ele colocou o rosto na altura da minha garganta e me mordiscava ali. Meus cotovelos ficavam apoiados em seus ombros e eu o puxava para mim num abraço quase maternal, minhas mãos ora puxavam-lhe os cabelos, ora afagavam-lhe.

Os dois gemíamos, nos beijavamos, nos mordíamos,... Nossa relação havia galgado um patamar bem carnal!

Viemos os dois ao mesmo tempo. Ele me preencheu com sua semente e eu o lambuzei com a minha, quando terminamos, ele disse:

- Retiro o que disse antes, Coelhinho. Esse foi o melhor presente que já ganhei na vida!

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Dizer tchau para o Ivan naquele aeroporto foi uma das coisas mais dolorosas que já senti. Mais doloroso do que os cortes no pulso ou brigar com o Ludwig.

Mais doloroso do que levar fora da Elizaveta ou quebrar o braço, dar tchau para o Ivan naquele aeroporto foi como dar tchau para um pedaço da minha alma. Eu era a metade novamente.

Não pude me despedir dele como gostaria. A sociedade não vê beijos entre pessoas do mesmo sexo como sendo algo normal, pelo contrário. De qualquer forma, se eu pensar bem, foi até melhor, porque, caso eu o tivesse beijando, talvez não tivesse pego o avião de volta para casa; talvez tivesse ficado com o Ivan.

Enfim, a viagem foi longa, cansativa e infinitamente sacal e triste, já que eu não tinha o russo perto de mim.

O único consolo que tive foi encontrar Gregor e Ludwig tão logo passei pelo portão de desembarque em Berlim.

- Bem vindo de volta, Gil!

Gregor, energético como sempre, me deu um abraço apertado e uns tapas nas costas.

- Como foi de viagem?

- Gregor! Bom, cara... A viagem foi legal, só a volta que foi meio cansativa.

- Willkommen, Burder – disse meu irmão.

- Brudi! Sentiu minha falta? - perguntei, dando um abraço em meu irmão mais novo.

- Nein, nem deu para sentir a sua falta, Bruder. Quando já estava começando a me acostumar com a paz que reinou em casa, você voltou...

- Kesesese! Também amo você.

- É verdade, Ludwig. A gente só sente falta quando o Gilbert está em casa, ou seja, a gente sente falta da paz!

Rimos um pouco e fomos embora. Ludwig seguiu para casa e eu segui com Gregor. Tínhamos apenas alguns minutos até o show de Tactical Sekt.

- Pela sua cara, o negócio foi bom – Gregor disse.

- Hein? - eu disse surpreso e ruborescendo.

- Nada não...

Ele riu malicioso.

- Vai se lascar! - eu ri.

- Depois me conte como foi.

Fiquei em silêncio.

- Tááá. Agora me leve para o show – eu disse.

- Sim senhora.


Referências:

http:/ en. wikipedia. org/ wiki/ Kaliningrad

http:/ en. wikipedia. org/ wiki/ Immanuel_Kant

http:/ en. wikipedia. org/wiki/ Attractions-g298500-Activities-Kaliningrad_Kaliningrad_Oblast_Northwestern_

http:/ www. tripadvisor. com. br/ Attractions-g298500-Activities-Kaliningrad_Kaliningrad_Oblast_Northwestern_

http:/ world- ocean. ru/ en/ history/ b-413/

That's all, Folks! u/_\u