Hina & Taro

3 A verdade

Uchina Itachi se reportava para Pain sobre seu último encontro com Hina, no país do vento.

—Precisamos defendê-la de qualquer forma, se o que Hina conta é verdade, precisamos mantê-la longe de Orochimaru. Ele se tornará um problema pra nós se ela cair em suas mãos. – A ausência de preocupação e qualquer outro sentimento, impressionava Itachi. — Ouvi dizer que ela foi capturada por Konoha. Você não precisa se expor, apenas espere o momento oportuno e a traga para cá. Se essa pantera negra que ela guarda selada dentro de si for real, podemos nos tornar ainda mais poderosos.

Uchina não deu tempo para que Pain lesse seus pensamentos e sumiu assim que o mesmo terminou a sentença.

Embora o terror tomasse conta por causa do ataque surpresa e todos estivessem em choque com as revelações dadas, Kakashi parecia tranquilo.

—Você deve amar mesmo sua irmã para não me atacar quando nos encontrou. Poderia farejar seu ódio a quilômetros. — A maior parte dos presentes parecia estar assistindo a um filme de suspense. Hina parecia ficar com mais ódio ainda. — Sabia desde o início que não se tratava da mesma pessoa com quem lutara aquela vez, mas não tinha outro jeito de chegar até você, se não sequestrássemos sua querida irmã.

—Seu cachorro podre! – Hina dizia mais uma vez envergonhada pela sua falta de tato. Ele era realmente muito bom.

—Me arrependi disso quando ela se ofereceu para salvar Naruto. Dei uma chance pra ela fugir, e então percebi que a mesma queria ser conduzida. Imaginei que isso fosse um combinado entre vocês, sabia que você atacaria quando chegássemos aqui, mas me surpreendi ao vê-la agindo por conta própria para te proteger.

Taro saia daqui! É a mim que eles querem, é a mim que eles vão ter! – A surpresa diante deles era inevitável. Kakashi, Yamato e Tsunade trocaram olhares. Eles sabiam bem de quem se tratava.

—Eu vou ficar e lutar com você! Só não mate sem necessidade, só precisamos fugir!

—Chega! – Naruto grita impaciente. – Taro você salvou minha vida! Não podemos matá-la!

—É claro que não podem matá-la seu imbecil! Ela tem uma fera dentro de si, no momento que ela se irritar, matará quem estiver no seu caminho! Somente uma pessoa consegue trazê-la ao normal... E ele não está aqui! A não ser que vocês queiram que ela destrua toda a vila de vocês, deixem-nos seguir! Me acerto com você em outro momento, Kakashi... - O olhar ressentido da ninja, focava em seu inimigo.

—Sinto muito! Não poderemos permitir que saiam! – Tsunade é imparcial. – Se qualquer um de nossos inimigos a encontrar, estaremos perdidos.

—Você está sugerindo que fiquemos aqui? – Hina olhava para a Hokage e para Taro que estava tão confusa quanto ela. Sabia bem o que sentia, sempre tinha alguém querendo tirar proveito da situação. Mas não era isso que ela queria? Não era a ajuda da vila da folha?

—Mas se eu ficar aqui... Itachi... Ele não virá aqui por mim... Eu preciso ir! – Taro levantou os olhos e deu de cara com o olhar de Sasuke. Os olhos dele passavam uma angústia e uma aflição muito grande. – Você se parece muito com ele! Embora ele tenha cometido seus erros no passado, ele se tornou um homem muito bom, se não fosse por ele, já estaria morta há muito tempo!

—Cala a boca Taro! Não vê que ele só faz isso por que nos quer na Akatsuki?

Taro se vira pra irmã ofendida. – Você e sua falta de fé nas pessoas! Não existem monstros sem coração neste mundo! O que existem são situações extremas e formas diferentes de encará-las. Tente se colocar no lugar dele!

—Ele é um assassino! Só isso! – Sasuke grita com os olhos cheios de lágrimas. Eles ficam vermelhos de raiva. Taro percebe que ele não sabe a verdade e o encara séria.

– Lindo dom esse que você tem! Talvez você consiga o mesmo que seu irmão. Se treinarmos, você poderá me controlar...

—Não envolva Sasuke nisso! – Tsunade declara séria. – Yamato irá criar um sistema de defesa para quando isso vier a ocorrer! Kakashi e Yamato vocês serão os guarda-costas de Taro, não a deixem um segundo sozinha, se o que elas nos falam é verdade, pode ser que eles venham atrás dela!

—Elas não podem ficar na vila! – Sakura fala apavorada.

—Têm razão, Yamato e kakashi são tudo que eu posso oferecer a vocês! Voltem pra casa e treinem até ter certeza de que ela está sob controle. Não queria perdê-las de vista, mas como o território onde moram é propício para esse tipo de treino – de modo que não havia civis na área – devo deixá-las seguir. Assim que estiver tudo em ordem teremos prazer em recebê-las em nossa vila.

—Mas eu poderia treinar com ela. Eu tenho a Kyuubi! – Naruto compadecido pela nova amiga, sugere.

—Iuuuu... agora eu sei por que me senti tão mal aquela vez, você tem uma raposa! Nem pensar que colocaria minhas lindas patinhas nesse seu pêlo sujo! – Naruto baixa a cabeça decepcionado com a resposta da ninja.

—bem, você não pensou nisso quando salvou minha vida, de qualquer maneira, obrigada! – Os olhos de Taro se cruzaram com o pequeno Naruto. Ainda que ele possuísse uma raposa fedorenta dentro dele, não a deixava tomar conta de seus sentimentos. Ainda que carregasse esse fardo, não deixava se levar pela solidão, nem culpava a todos pela falta de aceitação.

—Mesmo você tendo essa raposa nojenta dentro de si, quero dizer que te admiro muito! Você não é uma criança qualquer, um dia vou me orgulhar muito de ter feito o que fiz! Mesmo sobre essa situação, você nunca deixa o ser humano dentro de si morrer, e só pessoas como nós sabem o quanto isso é difícil e doloroso. – Taro se abaixa e abraça o portador da Kyuubi com vontade. Algumas lágrimas caem do rosto dela. – Obrigada por ser meu amigo!

—Mana, temos que ir. – Hina percebia Kakashi todo derretido com a cena. Embora não fosse costumeiro, ela sentiu ciúmes da atenção que a irmã estava tendo. Além de Kakashi, Yamato parecia estar diante de uma santa. Por um momento ela riu por dentro, se soubessem que foi por causa de Taro que a sua vida se tornara um inferno, jamais a admirariam tanto.