Hey pessoal!
Desta vez postei rápido, mas não se habituem ^^"
Este cap está menos comico que o outro e um pouco mais pesado também ma espero que gostem.
Boa leitura o/


Capítulo anterior:

Conforme me aproximava do corpo, percebi que era um rapaz e não demorou muito a reconhece-lo, para minha aflição. Desabei em lágrimas quando me deixei cair ao seu lado, segurando-lhe a cabeça e apoiando-o no meu colo.

- JEAN! – Gritei!

Sangue… Todo ele era sangue. Desde a cabeça aos pés ele estava envolvido em cobertores vermelhos de sangue.

JxA

- Já tratei dos danos, em princípio vai sobreviver mas só depende dele. O mais difícil será mante-lo alimentado e hidratado tendo em conta as circunstâncias em que estamos, se ele demorar muito a acordar poderá ser tarde de mais... – Avisou o médico, saindo da tenda onde se encontrava Jean e entrando noutra ao lado, que possuía mais feridos.

Eu continuava sentado em frente à tenda, agarrado às pernas e a chorar com o rosto escondido nos joelhos. Como fui deixar que isto acontecesse? Devia ter lutado! Teria feito qualquer coisa para estar no lugar dele… Ele não merecia isto… Só me estava a proteger por eu ser tão… Irresponsável. Acho que afinal ele tinha razões em chamar-me isto…

- Armin… - Eren agacha-se ao meu lado colocando uma mão no meu ombro. – Estás bem? – Sem tirar a cabeça dos joelhos, nego rapidamente chorando um pouco mais alto.

- Vai ter com ele. – Sugeriu Mikasa também agachando-se no meu outro lado.

Eu mal ouvi a hipóteses e corri para dentro da tenda. Na verdade coxeei e ainda tropecei até lá chegar. Tinha fraturado o tornozelo tal como tinha previsto e não o conseguia apoiar no chão, mas nem isso me impediu de quase me atirar para dentro da tenda como se a minha vida dependesse disso.

A imagem de Jean deitado coberto de ligaduras fez-me suster a respiração. Mal se via o movimento do seu peito a respirar e o seu rosto estava pálido e cheio de cortes. Engatinhei-me lentamente até ficar de joelhos ao seu lado. O meu corpo todo tremia só de o ver assim e novamente os meus olhos voltaram a encher-se de água até desabarem.

Ainda tremulo, estiquei a minha mão até ao seu rosto sentido a sua respiração acariciar-me os dedos. Isso fez-me tremer mais mas ao mesmo tempo suspirar aliviado. Observei atentamente todos os seus ferimentos, tinha uma grande ligadura à volta da cabeça já ensopada em sangue, a hemorragia não estava a parar e isso assustava-me!

- Tu não podes morrer, Jean… - Murmurei passando com a ponta dos dedos levemente numa das feridas da sua bochecha. – Tens de ficar comigo… Preciso de ti ao meu lado…

Fiquei junto dele o resto da noite, não consegui dormir nada, apenas fiquei a observa-lo atentamente, esperado que a qualquer momento ele abrisse os olhos e me chamasse irresponsável.

Contra a gosto, tivemos que continuar a viagem, os feridos iam na carrocha assim como os mortos. Eu devia estar na equipa da frente mas acabei por ficar para trás para acompanhar a carroça onde Jean ia. Todos me lançavam olhares preocupados mas eu não liguei, eu só vou estar bem quando ele acordar! Preciso que ele acorde… Sem dar por isso, já estava a chorar outra vez.

JxA

- Armin, tens que comer qualquer coisa! – Por estranho que pareça, aquela frase preocupada vinha de Hange que neste momento me agarrava ambos os ombros obrigando-me a olha-la.

- Não tenho fome.

- Ultimamente, nunca tens fome! Se não comeres, vais acabar por adoecer!

- Eu estou bem. – Respondi quase que mecanicamente, com o olhar fixo em algum lugar distante.

O meu estado de transe já se estendi há cinco dias, assim como o estado de coma de Jean que continuava sem dar sinais de vida. Conseguíamos fazer com que comesse algumas coisas, mas não o suficiente, se ele não acordasse logo iria acabar por morrer de fome… Nestes cinco dias já tínhamos perdido por volta de dez pessoas e cinquenta, estavam feridos. Os titãs não nos davam descanso, pareciam ser atraídos para nós. Às vezes, perguntava-me se não estávamos mesmo a ir para o seu "ninho"…

De repente, sinto um grande embate nas minhas costas e caiu para cima de Hange. Viro a cabeça para trás e sou novamente atingido fazendo-me ficar completamente deitado no chão.

- Já me começas a irritar Arlert. – Começa o Cabo Levi puxando-me a camisola, de forma, a que o encarasse. – Todos nós já perdemos pessoas que nos são importantes e tivemos que suportar isso! Todos estamos preocupados com os feridos mas juntarmo-nos a eles não é opção! Tens que ser forte e seguir em frente! Não faças com que a morte dos nossos companheiros seja em vão! Se não voltas ao normal, deixas de liderar esta operação entendeste? Ninguém quer um fraco como líder que nos leva para a forca.

Após dizer estas dolorosas palavras, largou-me e voltei a cair deitado. Ele tinha razão… Mas… É tão difícil! Novamente, começo a chorar. Sou mesmo um fraco e vou acabar por mata-los a todos!

- Ele só está preocupado contigo… à maneira dele. – Sorriu Hange ajudando-me a levantar e limpando o meu rosto molhado. – Agora vamos comer sim? O Moblit guardou-nos a melhor parte. – Riu-se levantando-me e levando-me até ao assistente, que tal como tinha dito, segurava a melhor parte do javali que tinham caçado.

O meu estomago fez barulho e logo senti-me corar enquanto Hange e Moblit sorriam para mim. Já não comia nada de jeito a algum tempo… Não é por morrer de fome que o Jean vai acordar… E ele adora carne de javali… Não! Armin, não vais voltar a chorar! Já chega! Doí-me os olhos e sinto-me como se Levi me batesse todos os dias, estou exausto…

Após a refeição, retomamos caminho, desta vez voltei ao meu posto. Todos sorriram ao ver-me de volta, incluindo o Cabo Levi (que nunca pensei que soubesse o que é sorrir), eu sorri de volta mas os meus olhos continuavam tristes apesar de determinados em seguir em frente.

Cavalgamos durante umas cinco horas até finalmente pararmos para dormir. O céu já estava coberto de estrelas e a lua cheia servia de lanterna naquela noite. Estava tão bonita e ao mesmo tempo tão melancólica… O meu pai costumava dizer que quando morresse-mos, seriamos uma daquelas estrelas no céu, talvez seja por isso que hoje estava tão brilhante, todos os meus colegas e amigos estavam lá, não é? Os meus pais estão lá também, a brilhar ao lado da lua, enquanto eu, cada vez me sinto mais ofuscado e sem luz...

Todos começaram a montar o acampamento enquanto eu voltei para junto de Jean que estava numa carroça algures mais atras. Quando lá cheguei, toda a cor do meu rosto caiu.

- Onde… ele está…? – Murmurei olhando para o local vazio que devia conter o corpo de Jean.

Alguém já o levou para uma tenda? Caiu durante a viagem? Que aconteceu!? Já estava a entrar em pânico quando oiço uma voz que julguei nunca mais ouvir…

- Ah, desculpa, o teu rosto é diferente então agi sem pensar. – Jean…? És mesmo tu…?

Salto do cavalo e vou a coxear até ele. Estava a falar com Mikasa que tinha um olhar estranho mas que não perdi tempo a preocupar-me com isso. Ele estava ali! Acordado!

- Jean! – Faço um pouco mais de pressão no tornozelo e corro até ele abraçando-o fortemente. – Tive medo que nunca mais acordasses… - Novamente, comecei a chorar, mas não importava, não importava mais nada desde que ele estivesse ali comigo.

- Armin, eu acho que não… - Mikasa tentou dizer-me alguma coisa mas a voz de Jean sobressaiu.

- Armin… És tu?

- Sim, Jean, sou eu. – Continuei a abraça-lo fortemente sem reparar que não estava a ser correspondido.

- Ah. – Ele riu. Nessa altura afastei-me um pouco para encara-lo, algo não estava bem… - Então, és tu a Armin? Acordei com esse nome na cabeça mas não sabia quem era. – Ele sorriu passando a mão nos meus cabelos. – Muito prazer, loirinha. – Deu um sorriso torto e afastou-se.

- O quê…? Jean eu não… Tu… Não pode ser… - Murmurei levando as mãos à cabeça em pleno ataque de pânico. Ele… Não se lembra de mim…? Mas ele estava a falar com a Mikasa e parecia tudo bem… O que se passa?

- Kirstein! – Chamou o médico que o tinha tratado. – Ainda bem que já acordas-te. Eu sou aquele que ficou responsável pela tua reabilitação enquanto estiveste inconsciente. Preciso de confirmar se está tudo bem contigo, podemos sentar-nos e falar um pouco?

- Eu…? - Perguntou apontando para si. De repente a sua expressão alegre transformou-se em confusão, seguida por medo e finalmente pânico. – Eu não sei o meu nome… - Disse num sussurro abatido.

- Jean! – Gritei. – O teu nome é Jean Kirstein! E… - Foi impedido de falar pelo médico que me calou com o olhar.

- Arlert! Preciso de analisar a situação primeiro! Podes traumatiza-lo! – Estava a reclamar comigo mas manteve um tom calmo para não assustar o Jean, que neste momento, estava a abraçar os próprios braços, de cabeça baixa enquanto mordia o lábio. – Kirstein. – Jean olhou para o médico que lhe sorriu amigavelmente. – Vamos conversar?

- Claro… Também quero perceber o que aconteceu. – Olhou para mim e para a Mikasa e sorriu fracamente. – Até logo meninas.

Espera… Acebei de perceber que esteve o tempo todo a tratar-me por rapariga… Ele…

- Eu sou…!

- Não digas nada Arlert.– Avisou o médico com uma cara séria, que não dava espaço para dúvidas levando Jean para um local mais calmo.

- Armin. – A mão de Mikasa tocou-me no ombro e novamente, senti-me a desabar. Ele não se lembra de mim… Não sabe quem ele é… Tudo por minha culpa… A mão de Mikasa apertou o meu ombro e puxou-me para um abraço. – Vai ficar tudo bem. – Disse suavemente, começando a afagar os meus cabelos. – Gostas mesmo dele, não é?

- Claro… - Respondi com a voz a tremer. – Ele é nosso amigo, está connosco desde os treinos, como podia ficar indiferente?

- Eu não falava como amigo. – Ela sorriu de uma piada que eu não entendi. Não tive oportunidade de pedir explicações porque entretanto o Eren chegou, chamando-nos para comer. Estranhou a nossa proximidade e perguntou o que se tinha passado. Contamos o sucedido, fazendo-o rir-se por eu ter sido confundido com uma rapariga, o pior, é que acho que o médico não me vai deixar esclarecer isso… Espero que recupere a memória rapidamente.

Enquanto estavas todos a comer, o médico de Jean voltou acompanhado pelo mesmo, que, sem dizer nada, entrou numa tenda e fechou-se lá. Todos estávamos a olhar para a tenda por onde ele tinha entrado quando o médico começou a falar:

- Fui eu que o mandei para lá, preciso de falar com todos sobre o estado de Kirstein. – Foi direto ao ponto, mantendo-se de pé para ter a atenção de todos. – Como já todos sabem ele perdeu a memória. Não sei se a memoria dele algum dia vá voltar, mas sei que se alguém lhe disser algo que ele esqueceu, pode voltar a ter um colapso e entrar em coma, não lhe podem dizer absolutamente nada que ele não saiba. – Todos concordaram silenciosamente e o médico prosseguiu. – Isto também implica não o desmentirem quando tratar o Arlert por rapariga. – Senti o meu rosto corar quando todos olharam para mim, apenas Mikasa e Eren sabiam disso. – Ele terá de assimilar as coisas sozinho, podemos tentar dar-lhe dicas sobre as coisas mas de forma bastante subtil. Ele tem que se lembrar sozinho. – Novamente, todos assentiram. Íamos voltar às nossas conversas quando a voz do homem se voltou a impor. – Há mais uma coisa! Uma coisa preocupante… Ele não se lembra da existência dos titãs, nem das muralhas.

Silêncio total.

Não me tinha passado pela cabeça que ele pudesse esquecer isso… Logo uma coisa dessas! Tendo em conta a missão em que estamos, o que…

- O que vamos fazer, se formos atacados? – Hange verbalizou o meu pensamento.

- Não há muito que se possa fazer. Ele vai acabar por se assustar, naturalmente, mas vai ter que superar isso. Se vos preguntar informações sobre os titãs, também não lhe poderão dizer nada…

- Então ele… - A minha voz saiu fraca mas foi o suficiente para todos olharem para mim. – Vai ter que passar por tudo isto duas vezes…? Digo, ver os titãs, ver como eles matam, ver todos à sua volta morrerem sem poderem fazer nada. Só gritos… gritos, dor e agonia. Ver um mar de sangue… - Falei de forma tão sombria e séria que senti todos serem afetados pelas minhas palavras. – Ele vai ter que viver essas primeiras experiências, duas vezes?

- Não posso fazer mais nada… - Acho que assustei o médico porque ele retrocedeu uns passos enquanto respondia.

A culpa é toda minha… Eu é que devia estar sem memória ou até mesmo morto! Porque é que ele se foi meter à minha frente naquela hora!?

Bati com o punho fechado no chão. Todos os olhares ficaram cravados em mim enquanto me levantava.

- Onde vais? – Perguntou-me Historia, preocupada.

- Dormir.

- Na mesma tenda que o Jean? – Olho para Ymir, que tinha feito a pergunta. É verdade… Ele pensa que sou uma rapariga, não posso dormir com ele, ou posso? Dirijo o meu olhar a Levi que olhava sério para a sua comida e em seguida para o médico, esperando que alguém me desse uma resposta à pergunta muda.

- Vais ter que dormir noutro sítio. – Disse o Cabo Levi, olhando-me por fim.

Anuo com a cabeça e vou a coxear para um sítio incerto. Talvez uma noite ao relento me faça bem…

Como tinha previsto, acabei por dormir ao luar. Não que houvesse falta de tendas, simplesmente queria ficar sozinho, e ver o céu ajudava-me a acalmar os meus pensamentos que estavam num turbilhão.

Hoje só me tinham dado um turno de vigia. Não o disseram, mas sei que pensavam que não ia ter total atenção no trabalho, o que, tinha que concordar. Ia acabar por me distrair com pensamentos. Já tínhamos sido atacados, mais do que uma vez, durante a noite, apesar dos titãs serem menos ativos à noite. Eram sempre gigantes enormes que faziam os ataques noturnos, fazendo com que fosse necessário a ajuda da forma titã de Eren.

Suspirei pesadamente, tapando os olhos com o braço. Pelos vistos, ia passar outra noite em branco…

- Problemas com o colega de tenda?

Sento-me rapidamente a ouvir esta voz. Jean sentava-se ao meu lado com um saco de cama nos braços. Sorriu ao lembrar-me que já tínhamos passado por uma situação idêntica, que me deu bastantes dores de cabeça no dia seguinte. Afinal, tudo nele é genuíno, não agia daquela maneira por alguma experiencia que tenha ganho ou assim. Talvez até estivesse a recuperar a memória!

- Qual é a piada, loirinha? – Ele sorriu-me enquanto se ajeitava mais no seu saco de cama. Tentei ser indiferente quanto à alcunha, apesar disso me magoar um pouco, talvez devesse seguir o conselho de Connie e rapar o cabelo como ele…

Esse pensamento logo desapareceu da minha mente ao sentir a mão de Jean sobre a minha cabeça. Ah, como tinha saudades deste toque… Fecho os olhos instintivamente ao mesmo tempo em que a minha cabeça se inclina na sua direção.

- Nós… - Começou Jean despertando-me do meu transe. – Dávamo-nos bem?

Desviei o olhar nervoso. Não lhe posso responder a nada!

- Achas que nos damos bem? – Respondo com uma pergunta. Sê subtil Armin! Podes responder sendo subtil.

- És minha namorada?

- QUÊ!? – Rapidamente tapo a boca ao aperceber-me que tinha gritado. Eu sou um rapaz porra! Espera… Não me devia estar a incomodar antes com a insinuação que ele fez…?

- Desculpa, se te constrangi. – Ele riu. Deitou-se ficando a olhar o céu com as mãos cruzadas atrás das costas a servir de almofada. – Ninguém me diz nada. É bastante frustrante sabes?

- Deve ser horrível não saber nada de nós próprios. – Imito-o, mas deixando as mãos cruzadas sobre a barriga.

- É mesmo… Não te consigo convencer a dizeres-me nada?

- Lamento…

- Hey! – Ele vira o rosto para mim. – Se não és minha namorada, porque só me lembrava do teu nome?

Só se lembrava de mim… Pensar nisso fez-me corar mas ao mesmo tempo sentir uma certa nostalgia. Será que era por ter-se sacrificado em meu lugar? A mente dele guardava rancor contra mim…?

- Eu não sei… - Murmuro, sem o encarar.

- És… minha irmã? – Arriscou, fazendo-me sorrir um pouco. Estava mesmo curioso… Lamento Jean, é tudo minha culpa…

- Achas que temos parecenças?

- Verdade. – Ele ri, voltando a olhar o céu. – Ao menos tu consegues esclarecer-me algumas coisas, mesmo não me dizendo nada. Obrigado, loirinha.

- Vais ter de parar de me chamar isso. – Resmungo irritado.

- Combina contigo. - Voltou a rir. Tinha saudades daquele Jean descontraído que ria por tudo, sem pressão ou medo em cima.

- Claro… Mas… Porque estás aqui? Pensei que tinhas a tenda só para ti.

- Não consegui adormecer. – Respondo com um ruido de garganta. Ficamos em silêncio, a olhar as estrelas por algum tempo até que ele voltou a falar. – Não tens frio? – Isso fez-me rir de lado.

- Um pouco. E tu?

Ele não me respondeu. Em vez disso, puxou-me para um abraço, igual àqueles em que costumávamos dormir à noite.

- Não há necessidade de morrermos de frio. – Voltou a sorrir ao ouvir isso… Foi o que lhe disse naquela noite… Ainda havia esperanças de se lembrar! – Estás a chorar? – Nem tinha reparado que tinha começado a chorar. Limpo logo as lágrimas com as mãos, aconchegando-me mais naquele abraço. O facto de ter os olhos fechados, impediu-me de ver a cara assustada que Jean fez quando me puxou para mais perto de si.

JxA

- Outra vez?! Porque sou sempre eu a encontra-los?! – Abri levemente os olhos, dando de caras com Ymir de braços cruzados a discutir, alguma coisa, com Historia.

- Outra vez…? – Jean murmura ensonado. Afasto-me do seu abraço à medida que me levanto bruscamente. Saindo dali, enquanto arrastava Ymir comigo. Não posso deixar que alguém estrague as hipóteses de recuperação do Jean!

Levei-a para longe até ter a certeza que o Jean não nos ia ouvir e comecei a reclamar com ela. Ela, obviamente, ignorou-me, olhando para o lado ou para as unhas enquanto eu falava um monólogo enorme sobre como ela poderia ter deitado tudo a perder.

- Já acabas-te? – Resmungou quando eu me calei, ao fim de um tempo.

- Já.

Ela revirou os olhos e voltou para junto de todos, que já se preparavam para partir. Suspirei frustrado e comecei a coxear para junto do meu cavalo, só não esperava que Jean viesse a correr para me ajudar a andar. Isso fez com que corasse ferozmente e fizesse todo o caminho de cabeça baixa.

- Para onde vamos? – Perguntou, montando o seu cavalo depois de me ter ajudado.

- Ah… Basta seguires-me. – Sorriu coçando a nuca. Sê subtil, Armin, subtil.

- Sem problemas. – Sorriu de volta.

Começamos a viagem sem grandes problemas, Jean ia sempre bem próximo de mim, e de vez em quando, ia-me fazendo perguntas sobre as outras pessoas, apesar de eu só lhes ter dito os nomes. Espero que isso não faça mal…

De repente, o que não podia acontecer, aconteceu…

- Avistado um do lado esquerdo!

- Que coisa é aquela?! – Grita Jean completamente aterrorizado… Não o podia culpar, não era uma visão nada bonita.

O grupo do lado esquerdo estava a dar bem conta do recado, mas o que realmente me preocupava era o estado de Jean, pela cara dele, podia começar a fugir a qualquer momento e podia perder-se ou encontrar-se com mais titãs. Tenho que acalma-lo! Mas como…?

- Jean. – Ele continua com o olhar preso ao titã, aterrorizado. – Jean, mantem a calma. Nós vamos conseguir mata-lo. Não te vão magoar. – Não recebi resposta. – Jean, estás a ouvir-me? – Nada.

- Outro, na retaguarda direita!

Tanto eu como Jean, olhamos para trás a tempo de ver um soldado ser apanhado desprevenido. O aviso tinha vindo tarde, o titã estava demasiado perto.

Sem grande dificuldade, agarrou no corpo do rapaz que se tentou defender no início, mas que agora já só chorava em pânico enquanto o titã o segurava, usando o indicador e o polegar em cada um dos lados do soldado, puxando-os com força, até o corpo separar-se em duas partes, ao som de gritos e ossos a partirem. Um rio de sangue escorreu das partes do corpo, juntamente com órgãos humanos. O titã atirou a parte direita do corpo para o chão e levou a esquerda à boca, começando por comer parte da cara que estava agarrada ao corpo e em seguida o resto.

Senti o meu estomago revirar-se ao ver aquilo. Olho para Jean, confirmando se ele estava bem mas apenas vejo um corpo estático bastante pálido e com olhos ensopados em lágrimas.

- MARCO!

Continua...


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