2º Capítulo de I'll Find YOu
Quando voltamos pra perto dos meus amigos, eu nunca imaginaria o que estaria por se seguir. A vida do grupo se tornou um inferno, enquanto Sesshoumaru ignorava a existência do Inuyasha, o Inuyasha tentava atingir o meio-irmão a todo custo. Comentários ácidos, tentativas de tornar Sesshoumaru submisso a ele, coisa que eu sempre soube que jamais aconteceria, Inuyasha começou a se colocar como líder do grupo, coisa que ele nunca foi, nós sempre decidimos tudo juntos, o grupo inteiro.
Em uma dessas, o Inuyasha acabou dizendo que ele era o líder do grupo, e pronto, me deu a deixa pra dar uma bela resposta.
-Inuyasha, você não é o líder do grupo, você nunca foi! Se enxerga! Vê se consegue compreender que cada pessoa aqui é vital pra formação do grupo, nós iremos decidir direções juntos, cada um tendo sua hora de falar e direito de voto! Se você acha que você é o líder, trate de saber que você só comanda a Kikyou! E isso se ela deixar, porque duvido que ela seja trouxa a esse ponto! Aaahh, antes que eu me esqueça, senta senta senta senta senta senta! – Usei o kotodama pra poder castigas um pouco mais, e depois que ele se levantou veio me confrontar, mas não com palavras, ele levantou a mão pra me bater, foi tão rápido que fiquei em choque, apenas esperando o tapa, tapa esse que não veio, abri os olhos e vi a mão do Inuyasha presa na mão do Sesshoumaru, que de alguma forma se colocou ao meu lado e impediu a agressão.
Eu logo recobrei a consciência do que estava acontecendo, e percebi que eu deveria tomar uma atitude, mas na verdade, nem cheguei a falar nada, pois Sesshoumaru falou, tomando uma iniciativa que eu jamais esperaria vinda dele.
-Não se atreva a bater em ninguém aqui apenas por te colocarem no seu lugar seu verme! Não se atreva a agir como se pudesse comandar um grupo se não fosse a Kagome te informando aonde estão os fragmentos da joia, uma vez que essa pela qual você tomou como companheira nem sequer tem poder espiritual o suficiente pra fazer o trabalho que Kagome faz. Você é um nada Inuyasha, não serve pra nada. –E após o discurso torceu o punho do Inuyasha.
Admito que me assustei muito com a defesa do Sesshoumaru, não esperava por isso, não consigo entender o que se passa na cabeça dele, pois uma coisa é decifrar o que ele quer dizer mesmo não dizendo, outra é conseguir entender o que se passa na cabeça dele, é tão misterioso, tão polido, quase nunca conversa, quase nunca expõe o que quer dizer de forma que todos possam compreender. Sesshoumaru após dizer o que disse a Inuyasha saiu da cabana em que estávamos e foi em direção a uma fonte termal, a mesma em que me banho quando passamos por aqui. O segui, queria entender o que estava acontecendo, não sou capaz de supor, pois vindo de Sesshoumaru suposições nunca estão corretas. Preciso entender o porquê ele me defendeu, entender o porquê ele impediu o Inuyasha de me agredir, e não me entendam mal, não é que eu não tenha gostado, eu gostei, e esse é exatamente o motivo da minha confusão. Porque eu gostei de ser defendida pelo Sesshoumaru? O que está acontecendo?
-Sesshoumaru? – Ele nem se dignou a olhar pra trás, que ódio. Sentei ao lado dele, dessa vez ao lado mesmo, a ponta da minha saia chegava a encostar na armadura dele.
-Porquê Sesshoumaru? Porque me defender daquela forma, por favor não ache que eu não me sinto agradecida, muito obrigada, só não entendo o porquê você defender uma reles humana. Tem como me explicar? – Tentei falar da melhor forma possível, tentei ser gentil e não autoritária exigindo uma explicação.
-Rin gosta muito de você Kagome, ela te vê como uma mãe. Ver aquele idiota te agredindo seria uma imagem que ela nunca iria apagar. Você não é uma reles humana, você é uma forte sacerdotisa. – Respondeu isso e saiu.
Meu coração bateu forte, ele falou que eu sou uma forte sacerdotisa, meu Deus do céu, acabei por ser reconhecida pela última pessoa que eu esperava que enxergasse isso. Tenho treinado muito, quero poder não ser só uma detectora de fragmentos, quero lutar, quero ajudar e não precisar de proteção. Sango, Miroke, Shippou, eles sabem de todo o meu esforço, mas nunca falei pra Inuyasha nem Kikyou, não acho necessário.
Bom, ele diz que tomou aquela atitude por se preocupar com a imagem que a cena causaria a Rin, mas porque eu acho que tem algo por trás disso? Porque tenho a sensação de que Sesshoumaru passou a me respeitar não importando minha raça? Acho que estou esperando de mais dele, logo logo ele me chama de reles humana de novo, e nesse momento vou perceber que o Sesshoumaru voltou a ser quem eu sempre conheci.
Entrei na cabana que estavam a Sango e o Miroke, Rin e Shippou estavam brincando por ainda estar cedo. Logo que entrei o assunto acabou e eles vieram falar comigo.
-Kagome o que foi aquilo? Sesshoumaru te defendendo tanto? Ele não é assim, normalmente ele nem fala, apenas nos ignora, mesmo sem nos tratar mal. – Começou falando a Sango
-Pois é Kagome, também achei estranho, ele sempre anda longe de nós, sempre no tempo dele, o máximo que ele fala conosco é bom dia, boa noite, o que há entre vocês? Desculpe perguntar, é que eu te considero como uma irmã pra mim, você sabe disso, me preocupo contigo. – Falou Miroke
Realmente, Sango e Miroke são como irmãos pra mim, sempre contei tudo pra eles, mas é complicado, eu nem mesmo sei o que eu devo pensar sobre isso, quanto mais o que há entre eu e Sesshoumaru, acho que nada, não há nada sequer que eu possa citar, o máximo de diálogo que já tive com Sesshoumaru foi quando Rin estava doente, então deixa eu tentar explicar.
-Gente, não há nada entre Sesshoumaru e eu. Olha, eu admito que eu estou achando tudo muito estranho também, eu e ele mal nos falamos, nós conversamos pouco, mas eu percebi algumas mudanças... – Nesse momento a Sango me interrompeu
-Mudanças? Ele mudou com você?
-Não Sango, não sei se as ações dele possam ser ditas como mudanças, mas percebi mudanças sim, em mim. Eu não sinto mais nada pelo Inuyasha, ele e a Kikyou se amam, eu sei disso, apesar da feita de barro ter um pedaço da minha alma, eu acredito que eles serão muito felizes quando isso tudo acabar. E eu vou embora Sango, Miroke, quando a joia estiver completa eu vou purifica-la e vou usá-la para fazer a Kikyou voltar à vida. Com esse fator tendo sido levantado eu vou confessar – Percebi nesse momento que os dois prestaram muita atenção em mim – Eu passei a sentir alguma afeição pelo Sesshoumaru sim, pelo modo com que ele cuida da Rin, a imagem que ela tem dele me fez ver que é impossível alguém que a trata tão bem ser tão frio, aquilo é só uma capa, ele nunca foi visto como deve ser visto, consegui perceber isso. Não sei o que sinto, não sei se é amizade, se estou me apaixonando, não posso simplesmente afirmar nada pra vocês, só posso dizer que algo em mim está mudando com relação a ele. Agora é deixar o tempo dizer pra mim.
-Nossa você realmente mudou Kagome, mas não fique falando do futuro, em questão a você voltar definitivamente pra sua era, não gosto de pensar em nunca mais te ver – Sango logo após acabar de falar me abraçou.
-Kagome, tenha calma, dê tempo pra você conseguir decifrar o que está no seu coração, não se precipite – Disse Miroke
-Olha quem fala, você está é demorando muito para decidir o que você sente viu Senhor Miroke? – Como eu já previa, Miroke e Sango ruborizaram com minha fala
Saí da cabana e resolvi ir até uma clareira, já estava escurecendo, mas mesmo assim me sinto segura para andar só com meu arco e flecha. Já na clareira comecei a pensar sobre tudo o que me espera no me futuro, meus medos, tudo o que eu gostaria de que pudesse acontecer.
Yokais vivem de mais, podem até mesmo ser tidos como imortais, mas claro isso se eles não sofrerem nenhum ataque, ou algo parecido. Existe uma possibilidade, de eu encontrar o Sesshoumaru, o Shippou, na era atual. Isso me fez pensar que apesar de eu poder revê-los, eu nunca mais veria Sango, Miroke, nunca mais veria Rin, Inuyasha, Kikyou, Vovó Kaede.
Nossa, que sensação de nostalgia, e olha que ainda nem precisei de passar por isso. Me assusto ao reparar que nesse tempo todo em que estive aqui Sesshoumaru estava sentado na árvore acima de mim.
-Você estava aí? Há quanto tempo? – Pergunto pensando se de repente acabei pensando alto em algum momento.
-Tempo o bastante para escutá-la sussurrando o meu nome – Após ele dizer isso eu corei muito, e ele desceu da árvore, se sentando ao meu lado.
-Kagome, eu posso estar vivo na sua era, mas não tem como saber quem estará vivo, só você quando chegar lá poderá procurar por nós. – Ele disse o que eu já sabia, apenas o que eu tenho medo de que eu não consiga fazer.
-Grave meu nome Sesshoumaru, Kagome Higurashi, vivo no templo Higurashi, você também pode procurar por mim, e algo me diz que essa hora está bem próxima. – Falei já saindo, pois tive medo de que ele simplesmente dissesse que não iria me procurar, ou algo parecido.
-Eu vou te encontrar Kagome, se eu estiver vivo, vou te encontrar... – Sesshoumaru disse sabendo que Kagome não lhe escutaria.
