4º Capítulo I'll Find You

Sequei minhas lágrimas, e saí de dentro do poço, nem mesmo minha mochila voltou, apenas eu e toda a saudade que sinto de todos. Mas essa é a vida real, aqui é onde nasci, tenho minha família, minha escola, preciso seguir em frente.

Entrei em minha casa, buyo estava na porta, não tive nem forças pra gritar que estava com casa como normalmente faço. Segui os barulhos que me levavam até a cozinha, aonde minha mãe, meu irmão e meu avô jantavam.

Ao me ver minha mãe deu um pulo já vindo me abraçar, eu estava acabada, completamente destruída.

-O que houve minha filha?

-É mana! O que aconteceu?

-Minha neta, você está doente?

Foram as perguntas que escutei, eu apenas abracei forte minha mãe e disse o que eu mais temi dizer nesses últimos tempos:

-Acabou mãe, nunca mais posso voltar, acabou, a joia fez seu papel, agora é só vida real. – E ela me abraçou mais forte, entendendo que tudo o que eu precisava era de um abraço apertado.

Minha mãe me ajudou a subir, preparou um belo banho de banheira pra eu relaxar, e admito que ajudou, 40 minutos depois eu já estava de pijamas, com mamãe me dando um chá e me colocando pra dormir. Quando estamos tristes colo de mãe é a melhor coisa, e eu senti tanta falta dela.

Ao contrário do que eu esperava, eu dormi rápido e muito bem aquela noite, acho que é devido ao fato de eu ainda não ter recuperado todo o meu poder espiritual. Me levantei, tomei uma ducha rápida, coloquei qualquer roupa, depois teria que me arrumar pro colégio, começa hoje meu ano de vestibular. Desci fazendo um coque no cabelo e tomei um belo café da manhã, com direito a tudo o que eu mais gosto. Souta estava sentado à mesa e vendo que eu estava um pouco melhor veio falar comigo.

-Mana, hoje começam as aulas, acabaram as férias, e agora estou no mesmo campus que você! Podemos ir juntos!

-Nossa Souta, que bom que estamos no mesmo campus! Vou me arrumar pra aula e já volto pra irmos.

Coloquei meu uniforme, agora não era o mesmo que usei nos tempos da era feudal, agora era uma saia rodada preta com vermelha, com uma blusa social preta, gravata vermelha e sapatos de boneca pretos. Fiz um coque alto, passei lápis de olho preto, e um batom levemente vermelho, o que chamou atenção pros meus olhos azuis. Pronto, agora sim eu estava pronta pra começar minha nova vida. Desci rapidamente e já encontrei o Souta me esperando.

Chegamos rápido no colégio aonde logo fui conversar com minhas amigas Eri, Ayumi e Yuka.

-Nossa Kagome, quanto tempo? Está melhor a varíola? – Perguntou Yuka

Nossa, essas doenças que me avô inventava, credo, se eu tivesse tido isso tudo eu já teria morrido.

-Já sim, acredito que depois desse tratamento eu nunca mais vou ter nenhuma doença séria, no máximo uma gripe. – Disse tentando amenizar as coisas.

Entramos na sala, as meninas me disseram que teríamos uma palestra no primeiro dia, com um empresário muito famoso, explicando alguns pontos positivos e negativos do empreendedorismo de acordo com a história do país. Achei bem plausível, já que a primeira aula do dia seria de economia.

Entrei na sala, me sentei na segunda carteira do meio, sempre gostei de sentar na frente, mais fácil de ver, de escutar, e uma dar primeira a sair. Minhas amigas sentaram atrás de mim e dos meus lados.

Logo nosso professor entrou.

-Bom dia turma, hoje como é o primeiro dia do ano letivo, primeira aula, preferi fazer algo mais simples, teremos os três tempos antes do almoço com uma palestra, para podermos entender um pouco de grandes empresas e como elas funcionam, vindo de uma família que está no ramo há muitos anos, os Taisho. Por favor Senhor Sesshoumaru Taisho, entre por favor. – Travei minha respiração, e apenas observei aquele homem entrar, só poderia ser coincidência, será que era ele? Será que era o Sesshoumaru?

Entrou um homem alto, de cabelos prateados até a cintura, olhos âmbar, forte, rosto anguloso, porém sem a meia lua e sem as estrias roxas, mas eu sabia que era ele. Ele entrou com descaso, mas seu olhar percorreu toda a sala e se conectou com o meu. Ele ficou com o olhar impassível, não sei se me reconheceu, espero que sim, meus olhos se encheram de água, e eu quase desmaiei de tanta felicidade. Ele estava ali! Ao alcance dos meus olhos, tão perto.

-Meu nome é Sesshoumaru Taisho, sou o CCO da Taisho Enterprises, empresa que existe há mais de 100 anos, a empresa atua em muitos ramos de comércio, temos desenvoltura com marketing e propaganda, área de advocacia, exportação de minérios e matérias primas, trabalhamos com tecnologias, resumindo, um pouco de tudo.

-Senhor Sesshoumaru, o senhor normalmente gosta de investir mais em que? – Perguntou Eri, e assim foi se seguindo a palestra. Eu confesso que não prestei atenção em quase nada, apenas no jeito dele falar, na desenvoltura que ele adquiriu durante os anos. O jeito frio ainda estava ali, mas ele controlava muito melhor, ele agora era um empresário. Ele estava tão lindo com aquele terno italiano, mostrando uma pose que eu sabia que ele jamais perderia, e eu sei que eu não deveria pensar essas coisas, mas vê-lo depois de pensar que eu poderia perder todos, faz com que algo dentro de mim se acenda, uma esperança de que ele nunca mais vá sair da minha vida, um desejo de ter ele do meu lado sempre. E é como eu havia dito, agora eu te achei Sesshoumaru, e não vou te deixar ir mais.

Ao final da palestra, abriu-se a hora das perguntas, e eu comecei a me irritar com o teor, mesmo eu não podendo me irritar, o que dá nessas garotas atiradas de ficar perguntando coisas assim?

-Senhor Sesshoumaru, o senhor é casado? – Perguntou uma atirada da minha sala que nem me dignei a saber quem era, só sei que fiquei vermelha de raiva, e minhas amigas notaram, mas não só elas, certo Yokai de cabelos prateados me olhou intrigado, e ali eu percebi, ele não tinha certeza se era eu, eu precisaria fazer algo pra me fazer reconhecer.

-Kagome, o que houve? Você está encarando muito o Senhor Sesshoumaru, ele é gato, eu sei, mas se controla mulher – Disse Ayume pra mim.

Nesse momento eu vi que estava me deixando levar demais e tentar me controlar melhor. Assim eu escutei a resposta dele.

-Apenas perguntas relativas ao meu trabalho e não a minha vida pessoal, obrigado – Polido e educado, mesmo assim ácido e frio, amei. Nossa, a resposta dele pra mim foi perfeita, mas me deixou triste ao mesmo tempo por não saber se ele estava solteiro. O que fez eu novamente me lembrar que eu não devo me sentir assim, sei que sinto algo por ele, algo que faz com que eu fique mexida, mas nada que faça com que eu sinta ciúmes, ou não? Resolvi inventar uma pergunta, só pra ver a atenção dele direcionada pra mim.

-Senhor Sesshoumaru, o senhor disse que sua empresa possui várias áreas de atuação, e eu li aqui no panfleto que uma das áreas mais fortes é a manutenção de monumentos históricos ao país, como templos de sacerdotes, reformas de casas históricas como modo de manter a cultura sempre viva. Existe algum motivo na história da Taisho Enterprises pra que o senhor cultive tanto a cultura? – Ok, minha pergunta não fazia cabimento, ela era sem pé nem cabeça, dava a entender que eu não estava nem aí pra cultura, o que não é verdade, eu só queria saber se ele se lembrava de eu dizer que morava no templo Higurashi, era só o que eu queria saber, e tive de fazer essa pergunta esquisita e me passar por burra.

-Senhorita ? – Disse ele de forma a me perguntar meu nome, e eu respondi com o coração na mão, era agora, agora ele saberia quem sou eu.

-Kagome Higurashi senhor.

Quando disse meu nome, vi algo que eu nunca havia visto antes na minha vida, um meio sorriso vindo de Sesshoumaru, e eu nunca havia visto algo tão lindo, agora sim, ele me reconheceu. Seus olhos brilharam de um jeito típico de reconhecimento, e meu Deus, como meu coração acelerou!

-Senhorita Kagome Higurashi, prazer, bom, respondendo a sua pergunta, há alguns anos atrás conheci uma família que descendia de sacerdotes e sacerdotisas que me fizeram ver que conhecer um pouco sobre aonde cada um iria morar seria bem interessante, um jeito de achar quem se procura, se é que me entende, e também como um método eficaz de manter a cultura guardada e conservada. – Ele disse tudo olhando nos meus olhos, e eu fervi. Ok, desisto, me apaixonei por Sesshoumaru Taisho, ainda na era Feudal, mas o que fazer quando se tem um homem tão misterioso e atraente por perto? Me encantei por tentar desvendar os mistérios.

Acabou a palestra, todos saíram da sala e eu fui junto, mas o tempo todo olhando pra ele, e ele pra mim porém mais disfarçadamente.

-Kagome, nunca te vi olhar tanto pra algum homem, como se você o conhecesse, como se você tivesse uma paixão platônica ou sei lá, credo, fiquei com vergonha alheia por você! – Disse Yuka.

-Eu sei, eu sei que exagerei, é só que ele é tão diferente, sei lá gente, já passou, pronto.

Fomos pro pátio, e lá tinha uma árvore, as meninas foram todas buscar seus almoços e eu estava completamente sem fome depois dessa experiência, me sentei na árvore e fiquei deixando a cabeça voar, meus pensamentos lá na era feudal, nele, mais precisamente. No jeito dele, nos atos dele, em como ele falava e se movia, e vendo como tudo parecia mudar. Mas também não era pra menos, mais de 500 anos se passaram, ele teve de se adequar também. No meio desses meus pensamentos sinto alguém se aproximar, e quando olho, era ele, o personagem principal dos meus pensamentos. Corei.

-Então, eu te achei. – Ele me disse

-Pois é, cheguei ontem, ontem de noite, me planejei pra procurar saber por você e Shippou hoje depois da aula, você foi mais rápido – Falei tudo muito rápido, meio sem sentido também. Ele ficou impassível como sempre, o jeito frio que sempre conheci, mas os olhos continham o ar de mistério pelo qual sempre me senti curiosa em desvendar.

-Kagome, eu acompanho você desde que você nasceu. Sou o dono do hospital do qual sua mãe deu a luz, sou um dos patrocinadores desse colégio, sempre estive por perto, até a hora que fosse a certa pra poder te dizer que eu cumpri minha palavra, eu te achei. – Ele disse tudo com as mãos nos bolsos, como se ele estivesse falando o nome dele, sem se dar conta da importância que aquilo tinha pra mim.

-Então eu sou digna? – Ele não entendeu a pergunta, arqueou uma sobrancelha, em forma de pergunta. Vindo de Sesshoumaru, ele já estava é falando de mais.

Antes de responder a que eu me referia eu vi minhas amigas ao fundo, paradas sem entender o porquê ele estava ali falando comigo, percebi que eu deveria ser rápida, antes de elas atrapalharem.

-Digna de fazer parte da sua vida, de voltar pra ela. Sou digna Sesshoumaru? Se eu for, me dê seu número, te dou o meu, e a gente se encontra pra conversar mais, por favor. – Disse de forma meio suplicante, ele apenas pegou o celular dele e apertou o botão do talk, automaticamente meu celular começou a tocar.

-Grave meu número, o seu eu já tenho há algum tempo. Hoje à noite, as 20h passo na sua casa, vamos jantar. Até mais tarde Kagome – Disse e já foi saindo.

Autoritário como sempre, mandando e desmandando. Naquele momento nem me importei, apenas fiquei extasiada em saber que eu iria vê-lo, e poder conversar sobre tudo e todos, saber o que houve nesses anos.

Minhas amigas logo chegaram e vieram com o interrogatório de o que ele estava fazendo ali.

-Ele estava apenas me perguntando o porquê de eu querer saber a respeito das sacerdotisas, só isso gente. – Falei tentando driblar a pergunta delas e deu certo.

Ele me chamou pra sair, bom, hora de começar a pensar sobre o que eu devo falar nesse jantar, sobre como manter as borboletas sem voarem no meu estomago e principalmente, o que usar?